Coisas que só acontecem no Brasil (e congêneres em IDH)...
O Victoza (liraglutida) é um medicamento injetável, indicado para tratamento e controle do diabetes tipo 2. Já vinha sendo usado, aqui no Brasil, como medicamento para emagrecimento, mesmo em pessoas sem diabetes tipo 2.
Não bastasse, a revista Veja, num arroubo de "Dieta Já", "Corpo", "M de mulher", publica uma reportagem de capa enaltecendo os milagres que o Victoza pode fazer. "Praticamente sem efeitos colaterais".
Não vou fazer comentários a respeito da ética da revista... Quem conhece a Veja imagina que foi só um surto esquizofrênico, que trocaram as matérias com alguma outra revista da editora.
O importante é que as pessoas tenham muito critério em usar a liraglutida. Principalmente os médicos que estão prescrevendo para qualquer obeso.
Nos anos 70-80, o hit para emagrecer era o Triac, um análogo do hormônio tiroideano. Milhares de pessoas usaram, emagreceram, e viram suas tiróides parar de funcionar anos depois. Ah!! Engordaram bastante, de novo.
O raciocínio é básico: um medicamento injetável que serve para tratar diabetes e emagrece alguém que não está de regime deve ser bastante potente e alterar bastante todo o metabolismo endocrinológico. Parar de usá-lo após alguns meses deve trazer alguma reação... Engordar de novo? Ter o metabolismo da glicose alterado? Alterações na produção de insulina? Diabetes tipo 2?
O Victoza não tem seu uso aprovado em nenhum lugar do mundo para emagrecer não-portadores de diabetes. Aqui no Brasil, a exemplo de outros medicamentos, foi só chegar e ser vendido à toa, sem qualquer indicação, e ser usado por quem queira...
A meu ver:
- a ANVISA deveria ser muito rigorosa, mantendo sua prescrição exclusiva aos endocrinologistas, e com controle estreito (receita B2)
- os médicos que estão prescrevendo para "qualquer um", devem lembrar que são médicos. Usar um medicamento potente sem indicação é imperícia e imprudência.
- O Conselho Federal de Medicina deveria orientar estes médicos e também fiscalizá-los,
- os obesos que estão usando o medicamento, pensar no futuro e imaginar que em obesidade "there's no free lunch"...
O Victoza (liraglutida) é um medicamento injetável, indicado para tratamento e controle do diabetes tipo 2. Já vinha sendo usado, aqui no Brasil, como medicamento para emagrecimento, mesmo em pessoas sem diabetes tipo 2.
Não bastasse, a revista Veja, num arroubo de "Dieta Já", "Corpo", "M de mulher", publica uma reportagem de capa enaltecendo os milagres que o Victoza pode fazer. "Praticamente sem efeitos colaterais".
Não vou fazer comentários a respeito da ética da revista... Quem conhece a Veja imagina que foi só um surto esquizofrênico, que trocaram as matérias com alguma outra revista da editora.
O importante é que as pessoas tenham muito critério em usar a liraglutida. Principalmente os médicos que estão prescrevendo para qualquer obeso.
Nos anos 70-80, o hit para emagrecer era o Triac, um análogo do hormônio tiroideano. Milhares de pessoas usaram, emagreceram, e viram suas tiróides parar de funcionar anos depois. Ah!! Engordaram bastante, de novo.
O raciocínio é básico: um medicamento injetável que serve para tratar diabetes e emagrece alguém que não está de regime deve ser bastante potente e alterar bastante todo o metabolismo endocrinológico. Parar de usá-lo após alguns meses deve trazer alguma reação... Engordar de novo? Ter o metabolismo da glicose alterado? Alterações na produção de insulina? Diabetes tipo 2?
O Victoza não tem seu uso aprovado em nenhum lugar do mundo para emagrecer não-portadores de diabetes. Aqui no Brasil, a exemplo de outros medicamentos, foi só chegar e ser vendido à toa, sem qualquer indicação, e ser usado por quem queira...
A meu ver:
- a ANVISA deveria ser muito rigorosa, mantendo sua prescrição exclusiva aos endocrinologistas, e com controle estreito (receita B2)
- os médicos que estão prescrevendo para "qualquer um", devem lembrar que são médicos. Usar um medicamento potente sem indicação é imperícia e imprudência.
- O Conselho Federal de Medicina deveria orientar estes médicos e também fiscalizá-los,
- os obesos que estão usando o medicamento, pensar no futuro e imaginar que em obesidade "there's no free lunch"...
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Para quem não viu, a capa da Veja, num arroubo de revista de 2ª linha |
Olá amigo,
ResponderExcluirComo sempre pertinente e preciso em suas colocações ... minhas filhas não poderiam estar em melhores mãos!
Grande abraço,
Luca
Como sempre, excelente artigo, sou sua fã!
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