sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sindrome da Alienação Parental - Postado por Jairo Len


Não há dúvidas que as separações e divórcios tem sido cada vez mais frequentes - vejo isso no meu dia-a-dia da Clínica. A separação, a meu ver, deveria servir para acabar com as brigas entre o casal. Mas é claro que a motivação da separação e a partilha após a separação (filhos, bens, horários,...) gera animosidades muito grandes entre os ex-casados, que infelizmente acabam prejudicando muito os filhos.
Dentro das inúmeras facetas das brigas, uma delas é a que pode gerar problemas para toda a vida afetiva da criança, a chamada Sindrome da Alienação Parental (SAP).

Alienar, no dicionário Houaiss, tem vários significados: "perder a estima, a amizade", "afastar-se, isolar-se", "abandonar um direito". De forma que a tradução do nome da SAP não tem nada a ver com pais "alienados", como imagina-se pela gíria, e sim crianças que são afastadas dos pais, por força do outro ex-cônjuge.
Em 1985, o professor de psiquiatria da Universidade de Columbia (EUA), Richard Gardner, descreveu a SAP, que resulta da tentativa de um dos genitores (em geral quem detém a guarda, a mãe) em alienar (afastar, isolar) o filho do outro genitor. Isso se faz de inúmeras formas: impedindo visitas, falando mal do outro, inventando histórias, denigrindo a imagem da família do outro, expondo a vida do outro, dimuindo e criticando financeiramente o outro, aprensentando o "novo namorado" como "pai ou mãe" para a criança, dificultando as visitas e nunca permitindo as excessões, tomando decisões importantes para os filhos sem a ajuda do outro cônjuge.
As crianças "alienadas" tem constante sentimento de raiva pelo outro genitor e pela família.
Todo mundo conhece estas histórias.

Qual o mal que isso pode trazer às crianças?
Esta é que foi a descrição de Gardner, o malefício para os filhos, quando adultos:
- Apresentam maiores índices de depressão, ansiedade e pânico,
- Tem maior tendência ao alcoolismo e uso de drogas,
- Apresentam maiores índices de suicídio,
- Tem baixa auto-estima,
- Não conseguem manter relações estáveis,
- Apresentam distúrbios de identidade sexual, dependendo de quem é o alienado (pai ou mãe),
- Podem ser mais "cruéis", fisicamente.

Todos podemos ajudar, porque sempre nos deparamos com conhecidos e histórias semelhantes. Existe ajuda psicológica e jurídica para a SAP, mas o ideal, é claro, seria evitar que acontecesse, não é?

Um comentário:

  1. Dr. Jairo:

    Parabéns pelo tema. Pena que a maior parte de nosso Judiciário ainda não dê o devido valor a esta questão pois, ou nada fazem ou, quando fazem, já se decorreram anos ! Maximizando assim os prejuízos para a criança.

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Agradeço todos os comentários!
De acordo com normas do Conselho Federal de Medicina, determinadas orientações só podem ser feitas após consulta médica ou avaliação/seguimento - portanto não posso responder perguntas detalhadas e individualizadas neste canal.
Obrigado

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