quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Febre Amarela em São Paulo - Postado por Jairo Len

Com a morte de macacos infectados por febre amarela no Horto Florestal (Zona Norte de São Paulo), um novo pânico se instalou por aqui... Já há a tradicional corrida atrás da vacina, filas, falta de vacinas, milhares de posts nos grupos de whatsapp, etc...

Não há surto de febre amarela.

A febre amarela é uma doença muito grave transmitida ao homem exclusivamente pela picada de mosquitos. Mosquitos picam macacos infectados...transmitem o vírus para os humanos (a chamada febre amarela silvestre) e mosquitos picam humanos infectados e passam para outros humanos (a febre amarela urbano).
Macacos não transmitem diretamente a febre amarela para os humanos. Eles são o reservatório da doença.
Não acredito francamente que haverá alguma das duas formas aqui em São Paulo, porque as autoridades sanitárias estão tomando as devidas e necessárias medidas: fechar os parques e vacinar a população no entorno da área (até 1 km de distância). São medidas habitualmente eficazes nas ameaças de surtos da doença.

Sobre a vacinação individual de cada pessoa: já faz tempo que sou a favor que toda a população seja vacinada, respeitadas as regras da aplicação desta vacina. Desde o surto do início deste ano eu já orientava isso.

Sem correria, nem mesmo agora, para quem não vive nas áreas de alto risco (perto do Horto).


A vacina é aplicada em alguns postos de saúde e também na rede particular. Aqui na Clínica Len de Pediatria trabalhamos com a Stamaril, francesa do laboratório Sanofi.

- Vacina nem sempre disponível aqui e em outras clínicas...ligue antes de ir a qualquer clínica de vacinação -

Sempre é aplicada em dose única, a partir dos 9 meses de idade, e não requer reforços (uma única dose na vida).
Não apresenta efeitos colaterais mais significativos que quaisquer outras vacinas.



Parques fechados, vacinação na área.


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Recusa de Vacinas - Postado por Jairo Len

Optamos por morar em cidades gigantes - a nossa aqui, São Paulo, com mais de 20 milhões de habitantes. Para grandes aglomerações, regras são necessárias - e a pediatra não escapa disso.

Existe um movimento irresponsável de muitos pais, inclusive com apoio de profissionais de saúde, que não vacina seus filhos... Reunidos em grupos de Facebook que, contém mais de 13 mil pessoas (segundo reportagem do Estadão), os pais trocam posts de blogs relatando, sem base científica, problemas provenientes da vacinação. Um dos mais populares é a ideia de que algumas das vacinas contribuam para o desenvolvimento de autismo. Fato já negado e comprovado que se trata de mentira.
Para lembrar o caso mais recente no mundo, esses movimentos estão sendo apontados como um dos principais fatores responsáveis por um recente surto de sarampo na Europa, onde mais de 7 mil pessoas já foram contaminadas. Lembrado que o sarampo mata 1 para cada mil doentes.

Uns não vacinam umas, outros não querem "x" vacinas... Não existe uma regra, até porque não há nada científico nisso.

Só que, diferente de dietas radicais e questões psicológicas, aonde cada um também pode fazer o que quiser - não vacinar seu filho pode acarretar problemas para as demais crianças. Os pais que optam pela lunática opção de não imunizar seus filhos podem colocar os outros em risco. Nossas leis não impedem, infelizmente, que as crianças não-imunizadas não possam frequentar as escolas...

Para que as vacinas protejam, é necessário que a enorme maioria da população-alvo seja vacinada. “Imagine se 5% da população deixar de tomar a vacina a cada ano. Isso forma um nicho de pessoas suscetíveis a doenças que, caso contaminadas, podem infectar mais gente”, alerta Guido Carlos Levi, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

"Hoje, a ciência considera a vacina como um dos maiores avanços na história da saúde.  Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), de 2 a 3 milhões de vidas são salvas anualmente com a vacinação. “É uma das intervenções de saúde pública mais eficientes e com maior êxito”, diz a instituição em seu site. (fonte: Estadão on line)

Os números falam por si: segundo a OMS, a mortalidade mundial por sarampo caiu em 74% de 2000 a 2010, graças à intensificação das campanhas de vacinação. Já a incidência de pólio diminuiu 99% entre 1998 e 2010. Isso não foi por causa dos irresponsáveis e inconsequentes anti-vacina.

Como disse Albert Einstein, "duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta".

terça-feira, 30 de maio de 2017

Meningites e Outono - Postado por Jairo Len

Meningites Virais e Meningites Bacterianas

 Outono é época do ano propícia para doenças infecciosas - entre as quais as meningites. Sempre me perguntam se estamos com epidemia de meningites nesta época do ano. A resposta é não.

Meningite é endêmica no outono, ou seja, os casos aumentam naturalmente, sem suplantar o patamar anual.  Quando os números aumentam acima do esperado é que chamamos de epidemia (como foi a dengue, zika, e agora a febre amarela).

Meningite bacteriana

 As meningites podem ter duas causas, principalmente: VIRAIS e BACTERIANAS.

As bacterianas são as mais raras e graves e, ainda que existam vacinas contra elas, sempre devemos lembrar que não são 100% evitáveis. As crianças recebem rotineiramente as vacinas contra meningites bacterianas causadas por: hemófilus, pneumococos, meningococos A, B, C, W e Y.
              

Dúvida frequente: quando há um caso de meningite bacteriana na escola, há necessidade de tratamento profilático nos demais alunos? Sim, mas só quem teve contato DIRETO com o doente deve receber antibiótico profilático. Entenda-se por contato direto os colegas de classe, pais e irmãos, professora. Não devem receber a profilaxia o irmão do coleguinha de classe, o filho da professora, o sujeito que desceu no elevador junto com a criança. Não há necessidade de suspensão das aulas se houve caso de meningite bacteriana na escola, mas com frequência vemos que isso acontece.

Meningite viral


A meningite viral é causada por diversos vírus, principalmente o Adenovírus.  

Contra a meningite viral não existe vacina.
É bem mais comum que a bacteriana. De uma forma geral, é uma meningite benigna, não causando sequelas ou risco de vida. Raramente a criança é internada, porque não há necessidade de qualquer tratamento.

Quem teve contato direto com o portador da meningite viral não precisa tomar qualquer remédio. O vírus se espalha entre as pessoas, mas é raríssimo causar meningite - causa resfriados, diarreia, viroses...e em uma porcentagem baixíssima atinge as meninges causando o quadro de meningite.

De um modo geral também não se fecham escolas nem se recomenda que o restante da turma escolar não vá à escola quando há um caso.

Na dúvida, pergunte para o seu pediatra.
 
Mapa de meningite meningocócica pelo mundo. No Brasil , principalmente os tipos C e B.
 


segunda-feira, 22 de maio de 2017

A diminuição da Dengue - Postado por Jairo Len

No mar de péssimas notícias que passamos na semana passada, pelo menos algum alento na área médica...

Casos de Dengue, Zika e Chikungunya caíram vertiginosamente no Brasil em 2017, comparado aos anos anteriores.

Em relação a 2016, a queda foi:
Dengue - queda de 90,4%,
Chikungunya - queda de 68,1%
Zika - queda de 95,4%.

Em algumas áreas do Brasil houve aumento dos casos, como Chikungunya no Ceará e outros estados no Nordeste, mas os números gerais são bem interessantes. Tive alguns pacientes (de famílias cearenses) aonde ninguém da casa escapou da epidemia...

A meu ver, não foram tomadas medidas concretas para a diminuição, ainda que imagino a população um pouco mais consciente em relação aos criadouros domésticos de mosquitos. Se foi o clima, a sorte...enfim, o importante é que houve essa melhora.

Vírus Sincicial Respiratório
Vivemos (aqui em São Paulo) com uma epidemia de Vírus Sincicial Respiratório (o VSR), ainda que seja esperado para o outono. Todo outono é assim, mas eu diria que neste ano a endemia está mais para uma epidemia. Felizmente não temos visto casos mais graves, mas o índice de internações está acima do habitual.
VSR é uma doença difícil de se evitar, porque nas crianças mais velhas (acima de 2 anos) pode se manifestar como um resfriado comum, sem trazer maiores consequências, mantendo a criança em convívio social normal, e espalhando o vírus. Todos os cuidados de higiene são sempre recomendados, mas nem sempre são suficientes.


terça-feira, 11 de abril de 2017

Lugar de criança com febre é...? - Postado por Jairo Len

...Em qualquer lugar, menos na escola....

Entra ano, sai ano, e todos os outonos são iguais.
E-mails e Whatsapps das escolas falando das doenças em curso (doença mão-pé-boca, estomatite, bronquiolite, pneumonia,...).
Realmente é uma época que as doenças sempre aumentam, e a transmissão delas é quase inevitável.

Mas vejo que muitos pais ainda insistem em mandar seus filhos doentes à escola. É claro que um nariz escorrendo não pode ser um motivo de absenteísmo, mas algumas outras condições de saúde são motivos para as crianças ficarem se recuperando em casa, em repouso domiciliar, e não enfrentando a rotina escolar:

- Febre (acima de 37,2º é febre) nas últimas 24 horas,

- Sinais de estomatite (aftas na boca)
- Conjuntivite de origem infecciosa (até melhora completa)
- Vômitos nas últimas 12 horas
- Diarreia de origem infecciosa (precedida ou acompanhada de febre, dor de barriga ou vômitos)
- Qualquer tipo de falta de ar ou bronquite

Pode parecer óbvio, não? Mas vejo isso no meu dia a dia de pediatra, tanto os pais mandando seus filhos doentes para a escola, como se queixando que na escola dos filhos as crianças são mandadas doentes para a aula.
As escolas tem se preocupado muito com isso, também fazem sua parte, mas dependem ainda da sinceridade e bom senso dos pais.

Não adianta a gente correr desesperadamente atrás de vacinas (gripe, meningite B...) e imunoestimulantes, sem fazer a nossa parte.

Criança doente quer colo, não escola.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Vacina contra Gripe/Influenza 2017 - Postado por Jairo Len

Todas as clínicas particulares de vacinação receberam as vacinas contra Gripe/Influenza cepas 2017.

As vacinas disponíveis são:

Quadrivalente, da GSK, contra os Vírus A/H1N1, A/H3N2, B/Victoria e B/Yamagata, para as crianças maiores de 3 anos de idade e adultos


Trivalente, da Abbott, contra os Vírus A/H1N1, A/H3N2, B/Victoria, que pode ser aplicada a partir dos 6 meses de idade.

O governo deve realizar a vacinação contra Influenza nos postos de saúde entre os dias 10 de abril e 19 de maio de 2017.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Ortorexia e Rita Lobo - Postado por Jairo Len

"Porque você não ensina maionese com óleo de coco e iogurte, em vez de gema e óleo?" 
1) porque não é maionese; 
2) trate seu distúrbio alimentar

Com essa resposta simples, Rita Lobo ilustrou as centenas de comentários policiadores de quem acompanha seu programa e suas receitas, sempre excelentes.
Que "distúrbio" é esse que Rita sugere tratar?
Chama-se ortorexiao termo descrito para o comportamento obsessivo patológico caracterizado pela fixação por saúde alimentar.

Todos conhecemos um ortoréxico, em geral uma mulher, que já tenha filhos (não?).
Eu, no meu dia a dia de pediatra, me deparo com inúmeros.
E olha que já está dando saudade dos só-vegetarianos.

Sempre fui da máxima que "cada um cuida da sua vida", e em alimentação mantenho isso.
Só não acho que possamos fazer isso com as crianças, em fase de conhecimento e crescimento, aonde alguns alimentos são fundamentais.
E muito menos fazer o ativismo ortoréxico, perturbar os outros com nossas crenças.

Não estou falando, obviamente, de ultraprocessados e enlatados, mas sim de alimentos milenares como arroz, pão, leite, macarrão, carne, farinha branca (toc-toc-toc).
Nem de pessoas com patologias, como a Doença Celíaca ou quaisquer intolerâncias alimentares.

Deixa a Rita Lobo colocar uma receita de maionese com óleo normal e ovos!

É certeza que a avó desse crítico, que viveu feliz até os 90 anos, nem sabia o que era óleo de coco, para a alegria da família dela, que pode confraternizar em almoços de domingo cheio de alimentos mortais, como uma macarronada com bracciola e queijo parmesão (socorro!!!!), um frango assado que não era Korin, com carne assada vermelha, um pedaço de pão italiano para fazer a "scarpetta".

Hoje uma mãe de paciente me contou que, quando há um aniversário na sala da filha, 25% das crianças (que não são doentes) são tiradas da sala na hora do bolo, porque não podem comer farinha e doces. Observação: os bolos levados tem que ser secos e sem cobertura, e não há docinhos. A menina tem 4 anos de idade. Tristes crianças.

Alimentação saudável e formação do paladar são muito importantes, não vamos confundir as coisas. Obsessão tem diagnóstico, chama-se ortorexia.

Meu único post sobre radicalismos alimentares no Facebook  da Clínica Len foi um aprendizado sobre como há pessoas muito loucas com esse assunto, grupos de mães neuróticas, irônicas, agressivas... Depois disso evitei postar, achando que o ativismo, de qualquer forma, é chato.

Mas a Rita Lobo me fez pensar no assunto.
Não vamos deixar os doentes (ortoréxicos) acabar com um dos maiores prazeres, que é comer bem, cozinhar, sentar sem culpa, mas com responsabilidade, ao redor de uma mesa.

E viva a maionese (pode ser a light?), quando fizer parte de uma boa receita. 
O mundo está cada vez mais complicado, não vamos piorar...


Quanta polêmica....


 


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Epidemia de Febre Amarela - Vacinar ou não? - Postado por Jairo Len

Dentro das inúmeras opiniões sobre vacinar ou não contra a febre amarela, devido ao surto atual em alguns estados do Brasil, achei a reportagem do Bem Estar a mais elucidativa, na forma de perguntas e respostas. Vale ler:

1. Por que este surto de febre amarela é chamado de “silvestre” e “selvagem”?
Porque os casos são registrados em regiões rurais ou de mata, transmitidos pelos mosquitos Haemagogus ou Sabethes. Por enquanto, não foi detectada a transmissão da doença pelo Aedes aegypti, mais famoso pela dengue, zika e chikungunya e por gostar das áreas urbanas.
 
2. É possível que a epidemia chegue às grandes cidades?
Sim. Uma pessoa infectada em zona rural poderá ir para uma cidade. Uma vez picada por um mosquito Aedes aegypti, o inseto poderá transmitir para outra pessoa, e assim por diante. A boa notícia é que isso não aconteceu ainda, de acordo com o Ministério da Saúde e os médicos entrevistados.
"A pessoa que vive dentro da cidade, em São Paulo por exemplo, não precisa entrar em pânico, mas é verdade que todo mundo tem que receber pelo menos uma dose da vacina [...]. Sem dúvida alguma, pessoas que têm contato com área rural ou silvestre precisam estar vacinadas", disse Marcelo Simão, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Vale ressaltar que o vírus da febre amarela não é transmitido de pessoa para pessoa,
apenas pela picada de mosquitos infectados.
"A epidemia, na verdade, está entre os macacos da mata. O homem adentrando ou estando próximo é picado pelo mesmo mosquito e adquire a doença", completou Simão.
 
3. Devo sair atrás da vacina, então?
Como o surto está concentrado fora das regiões urbanas, o Ministério da Saúde recomendou a imunização para todas as pessoas que residem em Áreas com Recomendação da Vacina contra febre amarela e aqueles que vão viajar para regiões silvestres, rurais ou de mata. Os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro estão fora da área de recomendação para a vacina.
NOTA (minha): o governo já cogita vacinar todas as crianças (não especificam faixa etária...). Qualquer região a 50 km de outra que teve casos de febre amarela é uma região aonde a população deve ser vacinada.
 
4. Quem não pode se vacinar?
Por causar reações, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomenda a vacina para pessoas com doenças como lúpus, câncer e HIV, devido à baixa imunidade, nem para quem tem mais de 60 anos, grávidas e alérgicos a gelatina e ovo.
NOTA (minha): *idade mínima para a vacina: 9 meses. Acima dos 60 anos de idade, depende de cada pessoa, autorizada pelo clínico geral.
 

5. Eu me vacinei uma vez, preciso me vacinar novamente?
 Atualmente o Ministério da Saúde adotou a conduta internacional, que é uma única dose da vacina, que protege pela vida toda. Portanto não há necessidade de reforços.
 
6. A doença vai se espalhar por todo o Brasil?
Depende. De acordo com os especialistas, se a população de Minas Gerais e das áreas afetadas passar por uma boa vacinação de contenção, o surto irá diminuir. Todas as pessoas residentes nas regiões dos casos devem ser imunizadas.
O Ministério da Saúde informou que todos os estados estão abastecidos com a vacina e o país tem estoque suficiente para atender toda a população nas situações recomendadas. O órgão disse, ainda, que enviou 735 mil vacinas ao estado, totalizando mais de 1 milhão de doses ao estoque de Minas Gerais.
 
7. Quais os sintomas da febre amarela?
A doença se torna aparente de três a seis dias após a infecção, de acordo com o Ministério da Saúde. Os sintomas iniciais são febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. A maior parte das pessoas apresenta uma melhora após tais sintomas.
Cerca de 20% a 40% das pessoas que desenvolvem a versão mais grave da doença (15% do total de infectados) podem morrer.
 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Férias, Voos, Farmacinha Básica - Postado por Jairo Len

Todos os anos, nesta época, gosto de lembrar alguns detalhes sobre férias.
Mais precisamente naquilo que é de assunto pediátrico.

Em primeiro lugar - o mais importante - os remédios necessários para levar na mala (alguns, na mala de mão). Os básicos, ninguém costuma esquecer. Mas alguns são esquecidos e podem fazer falta.
Quando eu cito nomes comerciais, são medicamentos de referência, os que sempre prescrevo. Em alguns casos há opções de similares e genéricos, ao gosto de cada um.

O USO DE QUAISQUER MEDICAMENTOS DEPENDE DE ORIENTAÇÃO PRÉVIA DO MÉDICO, ok?

- Antitérmicos e Analgésicos - esses todos levam, de preferencia sempre duas opções. Tenha em mãos durante o voo. Novalgina, Alivium, Tylenol.
- Antieméticos (remédios para vômitos) - Dramin B6 gotas e Vonau Flash 4 mg (fundamental), para os casos de vômitos. Leve na bagagem de mão.
- Antialérgicos - Sempre recomendo levar, ideal a Prednisolona gotas. De uso mais raro, mas pode ajudar muito. Para as crianças que usam com frequência, não esquecer de Desalex, Allegra Pediátrico, etc. O mesmo vale para os antitussígenos. Se seu filho usa de vez em quando, leve.
- Antibiótico e colírio - sempre oriento os pais a levar um antibiótico e um colírio com antibiótico. Há motivos bem clássicos para uso em viagens. Precisam receita para serem comprados, e isso depende de cada pediatra...
- Para quem vai para a praia e piscina, levar gotas otológicas também é recomendado.

Aqui no Brasil até que se compra muito medicamento sem receita, mas em qualquer outro lugar do mundo, não...

Medicina Aeroespacial

Todos já vimos crianças chorando inconsolavelmente em voos.
Não é culpa deles, nem (parcialmente) dos pais.
O que costumo lembrar é que um voo não é um ambiente agradável fisicamente para uma criança, seja ela mimada ou não...
Na altitude de cruzeiro (10 mil metros), com toda a pressurização da cabine, é como se estivéssemos há 2.700 metros de altitude. Ou seja: do chão ao Atacama ou Machu-Pichu em 40 minutos. E ficar nessa altitude por horas. Isso pode incomodar, trazer mal estar, enjoo e dor de ouvido. Além de um ar mais seco que o próprio deserto (3 a 5%) e baixa oxigenação.
Portanto, se a criança chora sem parar e nada adiantou, medique com analgésicos ou antieméticos, se for o caso. Pode haver algum mal estar, não é "manha".

Dica de viagem

Há milhares por aí.
Minha dica é: voe para algum lugar que seja muito agradável para todos. Assim, todos os voos sempre valerão a pena. Boas Férias!!!

Não...assim não pode....



segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Vacinas na Rede Particular - Postado por Jairo Len

O ano de 2016 foi um dos piores em relação a distribuição de vacinas para a rede particular.
Muita falta de vacina, mas o que ainda estamos tendo com só a Hexavalente e Pentavalente.

Em que pé andamos?

MENINGITE B
- A vacina contra Meningite B (Bexsero, da Novartis/GSK), que estava em falta, já tem sua distribuição normalizada e está disponível para aplicação em todas as clínicas particulares. Apesar de ser uma vacina de custo elevado (e ter seus efeitos colaterais...) recomendo que todos que tenham condições apliquem em seus filhos. Atualmente 51% das meningites meningocócicas no estado de São Paulo são do tipo B.

HEXA e PENTAVALENTE
- Ainda tem distribuição muito limitada - não conseguimos vacinar nem 10% do que vacinávamos no ano passado. Os bebês até seis meses de idade devem ter a vacinação completa, que são as três doses com dois, quatro e seis meses. Na falta de vacinas na rede particular os pais devem fazer a vacinação nos postos de saúde.

GRIPE
- Já estamos fora da época de epidemias, mas a história da falta da vacina e a procura por ela vai ficar na memória de todos. Em 2017 espero que a situação e a distribuição da vacina normalizem.


Demais vacinas, todas disponíveis!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Campanha Nacional de Multivacinação - Postado por Jairo Len

De 19 a 30 de setembro acontecem em todo o país as campanhas de multivacinação e de atualização da caderneta de vacinação. 
Este ano, a ação será voltada para menores de cinco anos, para crianças de nove anos e adolescentes de 10 a 15 anos incompletos. 
A novidade está nos adolescentes, que não eram lembrados em campanhas.

Quem tem a vacinação completa, como a maioria dos nossos pacientes aqui na Clínica, não tem necessidade de receber as vacinas na campanha nacional, independente da idade.

De qualquer forma a iniciativa do governo é excelente, até porque engloba as importantes vacinas para adolescentes contra coqueluche e tétano, MMR (contra caxumba) e HPV quadrivalente, que só é realizada, pelo governo, em meninas.

Abaixo, a lista de vacinas da campanha de multivacinação:



terça-feira, 6 de setembro de 2016

BLW - Baby-Led Weaning - Postado por Jairo Len

Muitos pais me perguntam sobre o BLW, o Baby-Led Weaning.
Confesso que é mais fácil mais escrever sobre política e religião do que nutrição infantil, uma vez que as reações sobre alimentação infantil são mais xiitas do que se pode imaginar.
Gosto muito do assunto, e é parte da minha rotina, portanto, vamos lá. 

O BLW, tradução de "desmame guiado pelo bebê", é uma técnica alimentar aonde a ideia principal é não oferecer uma papa aos bebês, mas, sim, deixar que eles se sentem à mesa e participem das refeições familiares já a partir dos 6 meses de vida. Os pais colocam os alimentos cortados ao alcance do bebê, e este decide o que, quando e como levar os pedaços à boca. 
O método BLW teve o nome criado pela agente de saúde britânica Gill Rapley, autora do livro Baby-led Weaning: Helping Your Baby to Love Good Food.
No Brasil há dezenas de milhares de seguidores, pelo menos virtualmente, desta técnica.

Ainda que todos os manuais oficiais das sociedades de pediatria e nutrição pelo mundo ainda sejam a favor da introdução alimentar através de papas, os adeptos do BLW e sua criadora acham esta técnica antiquada, que não evoluiu.

Basicamente, no BLW:
- o bebê começa a fazer as refeições junto com a família, sentado em seu cadeirão
- a comida é oferecida picada, em formas e tamanhos que eles sejam capazes de segurá-la com as mãos e levá-la à boca
- para evitar o estresse, escolha uma hora em que não esteja irritado ou com muita fome
- não se deve interferir no ritmo da refeição nem nas escolhas da criança

O que eu penso, do ponto de vista pediátrico?

Não sou muito simpatizante deste método. 
Em primeiro lugar, os bebês não comprem uma mínima pirâmide alimentar se alimentando dessa forma. Impossível introduzir cada grupo, picadinho. Quando você olha todas as fotos lindas de crianças fazendo BLW há sempre cenouras, abobrinha, ervilhas e brócolis nos pratos. Desafio!! Pode dar um google em imagens de BLW (clique aqui) que você vai ver. Obvio que não é esse o princípio do método (o que se vê nas fotos...), mas mesmo assim...

Bebês não vivem disso. São necessários cereais, tubérculos, leguminosas oleaginosas, carne ou frango, e verdura também. Tudo isso pode ser oferecido em papas, grossas, que ao longo das semanas você vai deixando mais pedaçudas, e em poucos meses a criança já se alimenta de comida mesmo, como nós adultos comemos. Mesmo oferecer em pedaços, o que é comum fazermos com as frutas, na mão das crianças, na sobremesa ou lanches, através das "finger-foods". Técnica bem antiga, aliás...!!

É claro que, mesmo nas refeições, a criança deve ganhar autonomia, aprender a comer sozinha, tanto de pegar pequenos alimentos com o movimento de pinça, como usar um talher. Ninguém está falando aqui de dar comida na boca até os 3 anos de idade, e sim ensinar um bebê a comer, como ensinamos muitas coisas para os nossos filhos.  

Comer, do prato e com talheres, é um ensinamento importante desde cedo. O quê vai ser ingerido, a consistência, a qualidade e variedade depende demais dos adultos.

Vivemos em uma sociedade, gostemos ou não. Todos os nutricionistas, de quaisquer ideologias, falam em alimentação balanceada, no dia a dia. Para todos, com alimentos variados de todos os grupos alimentares.

Repare que, pelo menos aqui no Brasil, a maioria dos sites e blogs sobre o assunto são basicamente escritos por não-profissionais do ramo (não são nutricionistas, nutrólogos, agentes de saúde). São experiências de mães que fizeram e fazem a técnica com seus filhos.

Literatura científica - Um estudo publicado no British Medical Journal, em maio de 2016, conclui que crianças alimentadas pelo BLW tem o mesmo aporte de energia, mas maiores aportes de gordura saturada, e menor aporte de ferro, zinco e vitamina B12. O estudo tem um número pequeno de participantes, a meu ver. 
Outro estudo, na mesma revista, de 2012, mostra que o índice de massa corpórea de bebês alimentados por BLW é menor que na alimentação tradicional. Concluem que é porque as crianças ingerem menos carboidratos. Não tenho certeza que isso seja muito bom, uma vez que os alimentos construtores são muito importantes nessa idade (40-50%).

Bom senso é tudo. Crianças não sabem exatamente o que devem comer, todos que tem filhos sabem disso (mesmo os adultos não sabem, muitas vezes!!!). A papas tradicionais devem evoluir rapidamente e entre 8 e 10 meses as crianças devem comer "comida" mesmo, como a que os adultos comem, mas na consistência adequada para a faixa etária.

Há quem faça a técnica "mista", as duas coisas ao mesmo tempo, BLW e tradicional. 

O importante é que podemos fazer com os nossos filhos aquilo que achamos melhor!






quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Vacina contra Dengue | Dengvaxia - Postado por Jairo Len

Como todos já sabem, está disponível na rede particular de vacinação a primeira vacina contra dengue, a Dengvaxia, produzida pelo laboratório Sanofi, na França.
A vacina protege contra os 4 sorotipos de dengue.

Alguns números relevantes:

- Confere 66% de proteção (ou seja, 2/3 dos vacinados adquirem proteção completa)
- Diminuiu 81% o risco de internação pela doença
- Reduz 93% os casos graves da dengue

O que eu penso sobre a vacina?
Deve ser aplicada em quem puder receber. 
Os números de proteção não chegam a 100%... Mas se pensar em uma doença transmitida por mosquito, difícil de se evitar e com mortalidade no nosso meio, vale a pena a proteção.
Quem já teve dengue, sabe o que é a doença...

A faixa etária para aplicação é entre 9 e 45 anos de idade, o que restringe um pouco a população alvo...
Em testes populacionais a vacina mostrou-se segura. 
É aplicada em 3 doses, com 6 meses de diferença cada uma.

Quanto aos valores cobrados, há uma discussão filosófica... A ANVISA determinou o preço máximo de venda às clínicas, pela Sanofi, que gira em torno de R$ 138,00 (julho/2016).
As clínicas de vacinação não tem valor fixo, e a vacina está sendo vendida a R$ 250 a 300,00. Lembro que os custos de vacinar são bem altos, incluindo todo a manuseamento, armazenagem, enfermeiras e médicos sempre presentes, perdas (a vacina é multidose, caso não sejam aplicadas as 5 doses de cada frasco em 6 horas, deve ser descartada...) e o incrível imposto cobrado no ponto-de-venda final.

Na Clínica Len de Pediatra, inicialmente, estamos realizando a vacinação entre 9 e 45 anos.

Evidentemente o governo Brasileiro deveria realizar a vacinação na população, ainda que o número de doses disponíveis não seja ilimitado. Para quem está gastando cerca de 40 bilhões de reais para fazer uma olimpíada, isso seria troco de banana.



quarta-feira, 29 de junho de 2016

Férias e Farmacinha - Postado por Jairo Len

Só quem está na retaguarda das férias sabe o quanto é necessário viajar com crianças e ter em mãos os principais remédios usados no dia a dia. Apesar das doenças também tirarem férias - nessa época o índice de infecções cai muito - é nas viagens que outros problemas podem aparecer.

Aqui na clínica recomendamos sempre uma lista básica de medicamentos para levar na mala, sempre, obviamente, recomendando não usar sem antes falar com o pediatra.

É sempre bom ter:

- antitérmico/analgésico,
- medicamento para enjoos e náuseas,
- remédio de diluição oral para vômitos (fundamental...),
- um antialérgico de amplo uso (a meu ver, à base de cortisona, para crianças que já tomaram),
- pomada para irritações de pele e picadas de inseto,
- Para os que tossem com frequência e fazem uso, os medicamentos para tosse, principalmente os sprays broncodilatadores,
- colírio e antibiótico (estes, por precisarem receita especial, devem ser criteriosamente discutidos com seu pediatra).

Se vai de avião, é sempre bom levar em mãos medicamento analgésico/antitérmico e também para vômitos.


Posso dizer que, tudo nessa lista, uma hora pode salvar suas férias com crianças.
Ótimas férias em família para todos!

É simples viajar com crianças!


terça-feira, 21 de junho de 2016

Horas de sono - qual o ideal? - Postado por Jairo Len

Os bebês tem que ler isso, urgente! Eles precisam saber o quanto é importante dormir e quantas horas de sono por dia...!

Pela primeira vez, a  American Academy of Sleep Medicine (AASM) publicou um consenso sobre o necessário de horas de sono ao dia para crianças e adolescentes, para promover a otimização da saúde física e mental (deles...e acho que dos pais, também).

Não acho que sejam números inéditos, já postei aqui e no site algumas vezes sobre isso, mas de qualquer forma segue mais uma das recomendações (para cada 24 horas):

Bebês de 4 a 12 meses: 12 a 16 horas de sono (incluindo sonecas)
Crianças de 1 a 2 anos: 11 a 14 horas de sono (incluindo sonecas)
Crianças 3 a 5 anos: 10 a 13 horas de sono (incluindo sonecas)
Crianças 6 a 12 anos: 9 a 12 horas 
Adolescentes de 13 a 18 anos: 8 a 10 horas

Pensando sobre isso...

Dormir é muito importante para as crianças.
Muitos tem um padrão de sono complicado, vejo aqui na clínica, semanalmente, problemas de pouco sono em todas as faixas etárias. Muitas vezes é por causa da própria criança, que realmente não dorme, mesmo com todo esforço possível dos pais.
Para se cumprir essa meta de horas de sono, principalmente para quem estuda de manhã (e acorda 6h ou 6h30) é fundamental dormir cedo.
Crianças a partir de 3 ou 4 anos que dormem às 22h ou 23h00 e acordam cedo para a escola estarão, sempre, dormindo pouco.
Concordo que muitos pais tem um ritmo frenético de trabalho e querem estar com seus filhos no final da noite, mas devemos sempre pensar nessa equação.

Há duas semanas pedi uma avaliação neurológica (uma neurologista especializada em distúrbios escolares) para um paciente de 6 anos de idade, que estava naquela fase de avaliação em psicopedagoga, psicoterapeuta disso, testes daquilo, fono, processamento auditivo central...
A primeira medida que a médica tomou foi pedir que o menino durma mais 1h30 por noite. A mãe me contou que, em poucos dias, essa simples mudança já se mostrou muito eficaz na melhora do rendimento escolar. É claro que as avaliações continuam sendo realizadas e todos os profissionais tem e terão seu fundamental valor...mas simplesmente dormir mais um pouco já aliviou demais.

Adolescentes são um caso a parte, e os smartphones e a NetFlix são os grandes vilões da privação de sono. Mas não custa insistir e conversar muito com eles, mostrando que quem acorda 6h30 deve dormir, no máximo, 22h30. Tenho uma adolescente em casa, sei como isso funciona...

Já os bebês...estes são um caso a parte... Aliás, dezenas de livros a parte...
Mas o que tenho percebido é que o primeiro ponto para que um recém-nascido durma bem é a vontade que os pais tenham que ele durma bem.
Quando pai e mãe querem muito que seu filho durma bem e a noite toda, e que juntos cheguemos ao melhor modo de resolver isso, funciona.
Entre métodos mais brandos e mais radicais, orientações profissionais, experiências de amigos, alimentação correta, choros assistidos (ou menos assistidos), uma hora há bons resultados. Nem sempre os que a maioria quer (como 12 horas de sono em 12 semanas de idade - excelente livro da Suzy Giordano), mas de alguma forma se conseguem resultados desde cedo.

Enfim...
Dormir é importante em qualquer idade. Quanto mais as crianças dormirem, mais nós, os pais, dormiremos. Cabe aos adultos cuidar disso desde cedo.


Quem tem adolescente em casa tira essa foto todo dia, se quiser...

quarta-feira, 1 de junho de 2016

A falta de Vacinas - Postado por Jairo Len

Como todos os pais de crianças até um ano sabem, enfrentamos neste ano uma falta de vacinas na rede particular como "nunca antes vista na história deste país".

A bem da verdade, há principalmente uma vacina em falta, a HEXAVALENTE (e sua irmã quase gêmea, a PENTAVALENTE).  Protege contra difteria, coqueluche, tétano, meningite por hemófilus B, hepatite B e poliomielite.
O único laboratório que produz essa vacina para venda no Brasil é a GSK, que enfrenta problemas na produção e aumento da demanda mundial. Vivemos do excedente de produção, e desde 2015 não há excedente... A vacina é aplicada em 4 doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforço no segundo ano de vida.
O que fazer?
Desde outubro de 2015 as crianças tem sido vacinadas nos postos de saúde, salvo raras exceções, quando mínimos lotes chegaram a nós. O esquema de vacinação público é eficaz, ainda que a vacina tenha bem maior índice de reações. 
É muito importante que não se deixe de vacinar os bebês. Muitos pais torcem o nariz, querem aguardar a vacina chegar...mas a recomendação é vacinar, nos postos.
Os reforços, para os maiores de 1 ano (e que foram vacinados em clínicas particulares) não podem ser feitos nos postos de saúde - porque a vacina oferecida pelos postos não é adequada, falta um dos componentes... Para esses, estamos aguardando normalização de fornecimento para atualizar a vacinação.
Promessa de normalização pela GSK: julho de 2016 (será?)

A outra vacina em falta é a contra Meningite B.
Na verdade, a GSK lançou a vacina em 2015, a Sociedade Brasileira de Imunizações colocou a vacina no calendário "oficial", mas a vacina NUNCA chegou em quantidade suficiente para imunizar todas as crianças. Aos poucos vamos recebendo, as crianças tem feito uma ou duas doses (ideal são 2 doses, se começar a vacinar após um ano de idade. No primeiro ano de vida, serão 3 doses). 

A vacina é cara e apresenta bastante reação (50%), com febre e dor no local da aplicação. Mesmo assim é uma vacina que, se disponível, devemos aplicar em todas as crianças.
Não há epidemia.
Promessa de normalização pela GSK: junho de 2016 (será?)

Infuenza 2016 (tri ou quadrivalente)...
Quase todos já estão vacinados, e a vacina já está em falta. Na Clínica Len de Pediatria ainda temos, para crianças e adultos (Quadrivalente Sanofi). Vacinamos exclusivamente nossos pacientes e familiares.
Promessa de normalização: só em 2017

Demais vacinas, todas do calendário de vacinas, não estão em falta!
 





sexta-feira, 6 de maio de 2016

Surto de Caxumba em São Paulo - Postado por Jairo Len

Desde o início deste ano, já são quase 300 casos notificados na cidade de São Paulo, contra 41 casos de Caxumba no mesmo período do ano de 2015.
Portanto, há uma epidemia de Caxumba.

A Caxumba é uma doença viral causada por um paramyxovírus, o vírus da caxumba ou rubulavirus (seu nome oficial). 
Tem incidência no mundo todo, e a apresentação mais comum é a parotidite, um inchaço das glândulas salivares parótidas, localizadas em baixo da orelha, estendendo-se até a região mandibular.
Mas o quadro clínico completo pode aparecer como uma virose, com febre, dores no corpo, mal estar.
Após o contágio - que se dá por saliva, secreções, objetos contaminados - a doença pode se desenvolver após 12 a 24 dias, em média.
Os doentes transmitem caxumba entre 3 dias antes da doença aparecer (!!!) até 4 dias após a cura completa.
Importante lembrar que nem todas as Caxumbas dão o inchaço na parótida. Às vezes dão só febre, mal-estar... E mais importante ainda: nem todas as parotidites (o inchaço...) são causadas pelo vírus da caxumba, aliás, a maioria delas não é, o que é muito bom... Existem inúmeros vírus que causam uma parotidite igual à caxumba. A diagnóstico da parotidite e da causa dela são feitos através de um exame simples de sangue.

Qual a importância da causa da parotidite? A Caxumba, apesar de ser uma virose benigna, pode ter raras complicações, como a orquite (infecção dos testículos), infecção de sistema nervoso central, ooforite (dos ovários), pancreatite, entre outras.

A maioria das crianças é vacinada e raramente apresenta Caxumba, pelo menos até os 10 anos de idade, duração da proteção de quem fez todas as vacinas em dia. 

Os bebês abaixo de 12 meses também estão protegidos pelos anticorpos maternos passados durante a gestação, desde que a mãe seja vacinada ou que já teve a doença.
A primeira dose da vacina é aplicada com um ano de idade...

O mais importante do post é lembrar que a Caxumba é evitada, 100%, com a vacina, eficaz e barata.
Crianças são sempre vacinadas entre 1 e 2 anos de idade, com duas doses. Mas adolescentes e adultos estão vulneráveis, devendo ser vacinados a cada 10 anos.


O inchaço da parótida (fonte: Medscape)


terça-feira, 5 de abril de 2016

Vacina contra Influenza 2016 - Algumas Dúvidas - Postado por Jairo Len

Estes últimos quinze dias foram intensos na pediatria, principalmente por causa da vacina contra influenza, a própria doença e o surto de preocupação e dúvidas...
Algumas das dúvidas mais frequentes que recebi, coloco aqui.

Trivalente ou Quadrivalente?
Existem duas vacinas contra influenza, uma que contém 3 vírus (trivalente) e outra que contém 4 vírus (quadrivalente). São esses os vírus:
- A - Califórnia ( H1N1)
A - Hong Kong (H3N2)
- Brisbane 

- B - Phuket (esse só tem na quadrivalente)
A indicação depende da faixa etária, porque para os menores de 3 anos só a trivalente é indicada em bula. A quadrivalente, só para os maiores.
AMBAS protegem para a epidemia atual, porque precisamos nos proteger do influenza A (a circulação do influenza B-Phuket é mínima em São Paulo, segundo estudo que tive acesso hoje. 
No caso de falta da trivalente, os menores de 3 anos podem receber a vacina quadrivalente (uso off label, que depende de cada clínica de vacinação). Aqui na Clínica Len temos usado, quando disponíveis, vacinas adequadas para cada faixa etária.

Vacinou com a Tri, precisa reforço da Quadrivalente?
A meu ver, não, conforme expliquei acima.

Vacinação no escritório - devemos fazer?
Sim! Se aonde trabalha (ou mesmo em escolas) há campanha de vacinação, todos devem ser vacinados, tanto faz se for com a Tri ou Quadrivalente.

Após quanto tempo a vacina faz efeito?
Após 7 a 14 dias, de acordo com cada pessoa. Lembrando que quem foi vacinado há menos de um ano provavelmente ainda tem imunidade contra o H1N1 (que representa 50% dos casos de influenza da atual epidemia).

A Clínica Len tem a vacina?
Evidentemente, pela alta procura, a compra de lotes de vacina está muito difícil. Temos conseguido pouquíssimas doses, que estamos aplicando, exclusivamente para crianças pacientes da clínica, conforme disponibilidade.

Existem vacinas de 2015 neste ano?
Posso garantir que nas clínicas particulares de vacinação só há disponibilidade da vacina "nova", de 2016, tri ou quadrivalente.

Esse "desespero coletivo" é para tanto...se justifica?
A meu ver a busca pelas vacinas é importante, mas não acho que passar 4 horas em uma fila seja muito saudável... Cada um tem uma visão de necessidade e epidemias, mas eu acho que está havendo um alarde muito maior que o necessário, um desespero "insano" dos pais. É evidente que há uma epidemia, não se nega, mas o que tenho visto em relação ao influenza em 2016 eu nunca vi antes, em 24 anos de pediatria.
Muito mais útil seria orientar escolas a NÃO ACEITAR CRIANÇAS COM MAIS DE 37,1ºC de temperatura, ou com claros sinais de doença respiratória.
Ainda vejo (falo de pacientes meus, que sempre oriento) crianças que são mandadas com febre para a escola. Crianças que tiveram febre na madrugada, vão cedo para a escola.
Sabemos que a vacina é muito importante, mas "sozinha" não resolverá a epidemia.

Todos serão vacinados?
Todos os grupos de risco serão vacinados, a meu ver. Não faltará vacina. Mas é IMPOSSÍVEL vacinar 5 milhões de pessoas em 2 semanas, em uma cidade com São Paulo, por exemplo.

Devo deixar de mandar meus filhos para a escola e para a natação, assim como outras atividades?
Isso vai de cada pessoa, cada pediatra e cada escola. É claro que se há 50% de uma sala de aula com influenza, não é sadio mandar as crianças para as aulas. Em 2009, durante a pandemia de H1N1, interrompia-se aulas de uma turma por UMA semana quando havia mais de 10% de crianças comprovadamente infectadas (cerca de 3 crianças).

Quando isso tudo acalma? Como se proteger, fora a vacina?
Não sei não... Com o inicio da vacinação para a população, pelo governo, na semana que vem, acho que tudo melhora - digo em relação à busca pelas doses de vacina. 
A epidemia, se todos tivermos todas as medidas de higiene e RESPONSABILIDADE, deve perder forças também nas próximas semanas.
É importante voltar àquelas medidas de álcool gel em escolas, álcool nas superfícies contaminadas, lavagem de mãos.
Máscaras - só realmente quem está doente ou em imunossupressão, e, claro, em ambientes médico-hospitalares aonde se faça necessário.


segunda-feira, 21 de março de 2016

Vacina contra Gripe/Influenza 2016 - Postado por Jairo Len

Já está disponível nas clínicas de vacinação particulares de São Paulo a vacina contra Influenza A+B, cepas 2016.

A vacina disponível é a trivalente, contra 3 tipos de influenza:
- A - Califórnia (o H1N1)
- A - Hong Kong (H3N2)
- B - Brisbane 

A vacina quadrivalente, que contempla mais um tipo de influenza B, só deve chegar em meados de abril.

Neste ano tenho visto (aliás, quem tem filhos tem visto...) um aumento dos casos de influenza A nas últimas semanas. Recomendo que já se aplique a vacina trivalente para todos, principalmente crianças, para evitar os casos de influenza A.

A dose é indicada a partir dos 6 meses de idade, não havendo limite máximo de idade.

Não se sabe quando o governo vai iniciar a campanha pública de vacinação, mas recomendo que todos os "grupos" escolhidos para vacinação pública (que não é para todos) sejam vacinados. Reforcem para os pais e avós, cuidadores, gestantes...que não deixem de se imunizar.

As vacinas contra Influenza A+B são bastante seguras e tem raros efeitos adversos, sempre benignos. O mais comum é dor no local da aplicação. Em adultos não-vacinados nos últimos anos a reação pode ser mais sistêmica, com febre. Quem recebe a vacina anualmente não costuma apresentar reações.
Gestantes e nutrizes podem e devem ser imunizadas.

Como uma das cepas de influenza "A" é nova, recomendo que, mesmo quem foi vacinado há menos de um ano já receba, de imediato, a dose de 2016.

Por aqui não estamos tão evoluídos em relação a vacinar em qualquer lugar, mas é fácil achar uma clínica....

segunda-feira, 14 de março de 2016

Piolho - Postado por Jairo Len

Doença pré-histórica, praga bíblica, a pediculose é a infestação do couro cabeludo por piolhos (Pediculus capitis), um artrópode muito mais comum do que se imagina, de distribuição mundial.
Não há dúvida que o número de casos aumentou nos últimos meses, tenho recebido diariamente ligações dos pais estarrecidos com o diagnóstico.

Alguns pontos são muito importantes na abordagem da doença:

- Não existem tratamentos preventivos ou profiláticos. Não adianta usar shampoos piolhicidas semanalmente - pelo contrário - isso pode trazer ainda mais resistência aos medicamentos, fato que já está ocorrendo no mundo todo. Além de dermatites no couro cabeludo, porque estes produtos são agressivos para a pele em caso de uso frequente.

- Crianças e adultos devem ser tratados de forma rigorosa. Iniciamos o tratamento com shampoos à base de permetrina e deltametrina, de tratamento em lavagem única ou por 4 ou 5 dias seguidos. Em casos mais resistentes, crianças maiores e adultos existe a opção de tratamento por via oral (ivermectina). Algumas vezes é necessário repetir o tratamento, caso ainda permaneçam as lêndeas ou piolhos.

- Após o tratamento, o cabelo deve ser "vistoriado" diariamente. Pente fino + condicionador devem ser usados por 5 dias para se certificar da erradicação. Isso contando após o fim do tratamento.

- Considera-se uma criança tratada quando não houver mais piolhos ou lêndeas (aqueles ovinhos que ficam aderidos ao couro cabeludo), a meu ver nos 10 dias seguintes ao tratamento.

- Além do tratamento tópico e oral, é FUNDAMENTAL a higiene ambiental. Fronhas, roupa de cama e toalhas devem ser trocados diariamente até a erradicação, até que criança esteja livre dos piolhos. Ideal é lavar roupa de cama e banho com água quente ou passar a ferro. Carpetes e tapetes do quarto, se houver, devem ser aspirados diariamente. Assim como em outros cômodos que a criança fique.

- As escolas devem ser cobradas, no sentido de avisar os pais em casos de pediculose (avisar a sala toda, para que cada um vistorie muito bem seus filhos). Se há um caso na sala e não for adequadamente tratado, a recontaminação será semanal, a epidemia na classe nunca acabará... 
A meu ver as crianças não tratadas (em que não se percebe a pediculose) são a gigantesca fonte de contaminação dos demais.

- Nos Estados Unidos e Canadá existem centenas de clínicas especializadas em remoção de piolhos, mostrando que o problema não é nem simples, nem só nosso. Por aqui acho que ainda não existem esses serviços. Quem se habilita?

É franquia. Quem se habilita a trazer para o Brasil?