terça-feira, 20 de março de 2012

Etimologia da Estomatite - Postado por Jairo Len

No post passado falei sobre o Herpes Simples, uma das inúmeras causas de estomatite.

A questão hoje será mais etimológica: de onde vem o nome "estomatite"?

Muitos pais e mães relacionam estomatite com estômago. Me perguntam se a causa é acidez gástrica, problema de digestão, etc.. Não.
Estomatite vem do grego stomăchus, que significa orifício. Não significa estômago...
Estômago, em grego, é chamado de gastros. Gastrite, gastroenterologista, gastrectomia...

A ciência que estuda os problemas bucais é a estomatologia. Quem estuda estômago são os gastrologistas.

Portanto, estomatite não tem nada a ver com estômago, e sim com a boca.
Qualquer lesão dentro da boca (como uma afta, um machucado, lesões brancas...) pode ser chamada de estomatite. Um nome bem genérico.



Existem inúmeras causas de estomatite:
- Fúngica, conhecida como sapinho,
- Virais (as mais comuns, como o herpes, o cocksakievírus),
- Por acidez de alimentos, como o abacaxi,
- Por agentes químicos, como o cigarro,
- Pela boca seca, vista em algumas doenças reumatológicas,
- Traumática, por aparelhos odontológicos ou mordidas erradas.
 Todas na boca...

Gregos à parte, essa tem nome bem brasileiro: BOQUEIRA...


quarta-feira, 14 de março de 2012

Herpes simples e transmissão - Postado por Jairo Len

O Herpes Simples (HS) é um dos vírus mais frequentes em humanos, no mundo todo.
No meu dia-a-dia, além das gengivo-estomatites herpéticas em crianças, uma dúvida muito frequente é se pai, mãe ou babá, com herpes labial ativa, passam a doença para seus filhos.

Gengivo-estomatite por herpes tipo 1
Uma breve pincelada sobre a doença: Setenta por cento das crianças que tem contato com o herpes simples tipo 1 (o tipo 2 é o herpes genital, não falarei sobre isso hoje) vão ter uma doença bem chata, a gengivo-estomatite herpética. Febre alta, irritabilidade, lesões dentro da boca (aftas brancas) e lesões ao redor da boca, inapetência total. Em cerca de 5 dias estão melhores, ficando zeradas em dez a quinze dias. Espalham o vírus por 3 semanas.
Cerca de 30% dos infectados tem uma doença sem sintomas, só um mal estar, febre baixa.

Inicialmente, todos ficam ótimos e curados.

Ocorre que em uma pequena parcela, 1 a 2% dos infectados, o vírus permanece vivendo, latente, em um gânglio da região da cabeça ou pescoço. E de vez em quando, desencadeado por stress, frio, sol, outras doenças...este vírus reaparece, de uma forma bem mais branda (e muito chata), na forma do herpes labial. Em alguns casos, este reaparecimento é na pálpebra, nariz, pescoço.
Você certamente conhece alguém que tem herpes labial, senão você mesmo... É chato, coça e dói, esteticamente muito chato, tira o humor e...é transmissível.

Estas feridinhas são uma fonte de transmissão de herpes vírus tipo 1 (HS-1). 

Herpes simples labial

Portanto, pergunta respondida: herpes labial é contagioso. Bebês e crianças podem pegar - mas tem que haver contato direto ou indireto com a secreção da ferida. Não passa pelo ar. Mãos sujas, copos e objetos aonde exista esta secreção, beijos no rosto.
Se a criança ou adulto já teve infecção pelo HS-1 anteriormente e curou, não vai pegar novamente. Muitas vezes nem sabemos se tivemos, porque a doença pode ser assintomática.

Então sempre que alguém estiver com herpes labial e ao mesmo tempo contato com crianças, tem que tomar muito cuidado para não coçar a ferida e...deve viver com álcool gel no bolso. Copos e talheres devem ser bem lavados. Água de piscina não costuma passar herpes, nem vasos sanitários.
Na verdade, como o vírus não tem asas, o ideal é não tocar na ferida - porque assim a doença não tem qualquer risco de contágio.

As crianças com gengivo-estomatite herpética transmitem muito a doença, e devem ser afastadas do contato com outras crianças por 2 a 3 semanas.

E os portadores de herpes labial devem, assim que imaginarem que as feridas vão aparecer (coceira, formigamento...) iniciar as pomadas anti-virais - que são úteis quando passadas antes das primeiras 48 horas. Se iniciadas depois disso, não ajudam mais. Idem para os remédios por via oral.
Infelizmente ainda não existe tratamento definitivo (cura) para estas lesões recorrentes do herpes vírus tipo 1.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Natação para bebês menores de um ano - Postado por Jairo Len-

Mais um capítulo na novela de natação para bebês.
Se você ler meus posts sobre o assunto, vai lembrar que eu não sou muito fã desta modalidade olímpica para as crianças que ainda usam fraldas.
A natação virou um hit para os bebês porque é o único esporte que pode ser feito com eles.

Um estudo belga mostrou que a natação pode ser prejudicial para os bebês com menos de 12 meses.
Micheline Kirsch-Volders, autora do estudo, disse que "não há benefícios reais depois de serem medidos os riscos e as vantagens da natação para menores de 12 meses". De acordo com ela, os maiores inconvenientes são:
- crianças nesta faixa etária são mais vulneráveis a infecções, tem mucosas muito reativas e pulmões imaturos.
- a temperatura elevada da água das piscinas aumenta a proliferação de micro-organismos.
Acrescento:
- as piscinas muitas vezes recebem tratamentos químicos (cloro, ozônio, etc),
- estas piscinas são utilizadas por dezenas de crianças por dia que, apesar de usar fraldas próprias para piscina, evacuam e urinam nestas fraldas,
- nem todas as academias tem climatização em todos os ambientes (como vestiário, por exemplo)
- crianças que fazem natação desde cedo não tem menores índices de afogamento (ao contrário). São inúmeros fatores e viéses que compõe este dado estatístico, como o fato destas crianças temerem menos a água, terem piscina em casa, seus pais abaixarem a guarda, etc.

A pesquisadora indica que as vantagens que a piscina traria para os bebês mais jovens - tanto físicas quanto afetivas - podem ser obtidas com um simples banho.


segunda-feira, 5 de março de 2012

Crianças Especiais - Postado por Jairo Len

Nem todas as crianças tem a oportunidade de conviver (de perto) com crianças com necessidades especiais. Algumas escolas inclusivas promovem isso, e é excelente para todas as partes. Nos Estados Unidos, agora, pudemos ver e ter contato com muitas, crianças e adultos. Por lá, as condições de acessibilidade, de forma completa, permitem que todos tenham oportunidade de conviver, diminuindo as barreiras e dificuldades. Isso é muito bom para que possamos ir educando, criando os nosso filhos, tentando ensiná-los a como ver pessoas que, por qualquer motivo, não tem as mesmas condições físicas que eles.
Mas até para nós adultos fica um dúvida de como "realmente" se comportar diante das crianças com necessidades especiais e seus pais

De uma mãe super-atenta recebi um e-mail, e nele o link para o blog "lagartavirapupa - diário de uma mãe e seu garotinho autista". No post, a tradução de um texto, com inúmeros relatos de pais de crianças especiais, contando o lado deles. Como eles gostariam que fosse a abordagem a eles e seus filhos..

Muito interessante e educativo. Confira:

O que ensinar a seus filhos sobre crianças especiais?
Por Ellen Seidman, do blog “Love That Max
Eu cresci sem conhecer nenhuma outra criança com necessidades especiais além do Adam, um visitante frequente do resort ao qual nossas famílias iam todos os verões. Ele tinha deficiência cognitiva. As crianças zombavam dele. Fico envergonhada de admitir que eu zombei também; meus pais não faziam idéia. Eles eram pais maravilhosos, mas nunca pensaram em ter uma conversa comigo sobre crianças com necessidades especiais.
E, então, eu tive meu filho Max; ele teve um AVC no nascimento que levou à paralisia cerebral. De repente, eu tinha uma criança para quem outras crianças olhavam e cochichavam a respeito. E eu desejei tanto que seus pais falassem com elas sobre crianças com necessidades especiais.
Já que ninguém recebe um “manual de instruções da paternidade”, algumas vezes, pais e mães não sabem muito o que dizer. Eu entendo totalmente; se eu não tivesse um filho especial, eu também me sentiria meio perdida. Então, eu procurei mães de crianças com autismo, paralisia cerebral, síndrome de down e doenças genéticas para ouvir o que elas gostariam que os pais ensinassem a seus filhos sobre os nossos filhos. Considere como um guia, não a bíblia!

Pra começar, não tenha pena de mim
“Sim, algumas vezes, eu tenho um monte de coisas pra lidar — mas o que eu não tenho é uma tragédia. Meu filho é um menino brilhante, engraçado e incrível que me traz muita alegria e que me enlouquece às vezes. Você sabe, como qualquer criança. Se você tiver pena de mim, seu filho vai ter também. Aja como você agiria perto de qualquer outro pai ou mãe. Aja como você agiria perto de qualquer criança.”
Ellen Seidman, do blog “Love That Max”; mãe do Max, que tem paralisia cerebral


Ensine seus filhos a não sentir pena dos nossos
“Quando a Darsie vê crianças (e adultos!) olhando e encarando, ela fica incomodada. Minha filha não se sente mal por ser quem ela é. Ela não se importa com o aparelho em seu pé. Ela não tem autopiedade. Ela é uma ótima garota que ama tudo, de cavalos a livros. Ela é uma criança que quer ser tratada como qualquer outra criança—independente dela mancar. Nossa família celebra as diferenças ao invés de lamentá-las, então nós te convidamos a fazer o mesmo.”
Shannon Wells, do blog “Cerebral Palsy Baby”; mãe da Darsie, que tem paralisia cerebral


Use o que eles tem em comum
“Vai chegar uma hora em que o seu filhinho vai começar a te fazer perguntas sobre por que a cor de uma pessoa é aquela, ou por que aquele homem é tão grande, ou aquela moça é tão pequena. Quando você estiver explicando a ele que todas as pessoas são diferentes e que nós não somos todos feitos do mesmo jeito, mencione pessoas com deficiências também. Mas tenha o cuidado de falar sobre as similaridades também—que uma criança na cadeira de rodas também gosta de ouvir música, e ver TV, e de se divertir, e de fazer amigos. Ensine aos seus filhos que as crianças com deficiências são mais parecidas com eles do que são diferentes.”
Michelle, do blog “Big Blueberry Eyes”; mãe da Kayla, que tem Síndrome de Down


Ensine as crianças a entender que há várias formas de se expressar
“Meu filho Benjamin faz barulhos altos e bem agudos quando ele está animado. Algumas vezes, ele pula pra cima e pra baixo e sacode os braços também. Diga aos seus filhos que a razão pela qual crianças autistas ou com outras necessidades especiais fazem isso é porque elas tem dificuldades pra falar, e é assim que elas se expressam quando estão felizes, frustradas ou, algumas vezes, até mesmo por alguma coisa que estão sentindo em seus corpos. Quando Benjamim faz barulhos, isso pode chamar a atenção, especialmente se estamos em um restaurante ou cinema. Então, é importante saber que ele não pode, sempre, evitar isso. E que isso é, normalmente, um sinal de que ele está se divertindo.”
Jana Banin, do blog “I Hate Your Kids (And Other Things Autism Parents Won’t Say Out Loud)”; mãe de Benjamin, que é autista


Saiba que fazer amizade com uma criança especial é bom para as duas crianças
“Em 2000, quando meu filho foi diagnosticado com autismo, eu tive muita dificuldade em arrumar amiguinhos para brincar com ele. Vários pais se assustaram, a maior parte por medo e desconhecimento. Fiquei sabendo que uma mãe tinha medo do autismo do meu filho ser “contagioso”. Ui. Treze anos mais tarde, sou tão abençoada por ter por perto várias famílias que acolheram meu filho de uma forma que foi tão benéfica para o seu desenvolvimento social. Fico arrepiada de pensar nisso. A melhor coisa que já ouvi de uma mãe foi o quanto a amizade com o meu filho foi importante para o filho dela! Que a sua proximidade com o RJ fez dele uma pessoa melhor! Foi uma coisa tão bonita de se dizer. Quando tivemos o diagnóstico, ouvimos que ele nunca teria amigos. Os amigos que ele tem, agora, adorariam discordar. Foram os pais deles que facilitaram essa amizade e, por isso, serei eternamente grata.”
Holly Robinson Peete, fundadora (com o marido Rodney Peete) da Hollyrod Roundation; mãe do RJ, que é autista (é ele, na foto abaixo, com sua irmã Ryan)


Encoraje seu filho a dizer “oi”
“Se você pegar seu filho olhando pro meu, não fique chateada — você só deve se preocupar se ele estiver sendo rude, mas crianças costumar reparar umas nas outras. Sim, apontar, obviamente, não é super educado, e se seu filho apontar para uma criança com necessidades especiais, você deve dizer a ele que isso é indelicado. Mas quando você vir seu filho olhando para o meu, diga a ele que a melhor coisa a fazer é sorrir pra ele ou dizer “oi”. Se você quiser ir mais fundo no assunto, diga a ele que crianças com necessidades especiais nem sempre respondem da forma como a gente espera, mas, ainda assim, é importante tratá-las como tratamos as outras pessoas.”
Katy Monot, do blog “Bird On The Street”; mãe do Charlie, que tem paralisia cerebral.


Encoraje as crianças a continuar falando
“As crianças sempre se perguntam se o Norrin pode falar, especialmente quando ele faz seu “barulhinho alto corriqueiro”. Explique ao seu filho que é normal se aproximar de outra criança que soa um pouco diferente. Algumas crianças podem não conseguir responder tão rápido, mas isso não significa que elas não tem nada a dizer. Peça ao seu filho para pensar no seu filme favorito, lugar ou livro—há grandes chances da outra criança gostar disso também. E a única forma dele descobrir isso é perguntando, da mesma forma que faria com qualquer outra criança.”
Lisa Quinones-Fontanez, do blog “Autism Wonderland”; mãe do Norrin, que é autista


Dê explicações simples
“Algumas vezes, eu penso que nós, pais, tendemos a complicar as coisas. Usando alguma coisa que seus filhos já conhecem, algo que faça sentido pra eles, você faz com que a “necessidade especial” se torne algo pessoal e fácil de entender. Eu captei isso uns anos atrás, quando meu priminho me perguntou “por que o William se comunicava de forma tão diferente dele e de seus irmãos”. Quando eu respondi que ele simplesmente nasceu assim, a resposta dele pegou no ponto: “Ah, assim como eu nasci com alergias”. Ele sabia como era viver com algo que se tem e gerenciar isso para viver diariamente. Se eu tivesse dito a ele que os músculos da boca de William tem dificuldade em formar palavras, o conceito teria se perdido na cabeça dele. Mas alergia fazia sentido pra ele. Simplicidade é a chave.”
Kimberly Easterling, do blog “Driving With No Hands”; mãe do William e da Mary, ambos com Síndrome de Down


Ensine respeito às crianças com seus próprios atos
“Crianças aprendem mais com suas ações que com suas palavras. Diga “oi” para a minha filha. Não tenha medo ou fique nervosa perto dela. Nós realmente não somos tão diferentes de vocês. Trate minha filha como trataria qualquer outra criança (e ganhe um bônus se fizer um comentário sobre o lindo cabelo dela!). Se tiver uma pergunta, faça. Fale para o seu filho sobre como todo mundo é bom em coisas diferentes, e como todo mundo tem dificuldades a trabalhar. Se todo o resto falhar, cite a frase do irmão de Addison: “bem, todo mundo é diferente!”.”
Debbie Smith, do blog “Finding Normal”; mãe de Addison, que tem Trissomia 9


Ajude as crianças a ver que, mesmo crianças que não falam, entendem
“Nós estávamos andando pelo playground e a coleguinha da minha filha não parava de encarar o meu filho, que é autista e tem paralisia cerebral. Minha filha chamou a atenção da colega rapidinho: “Você pode dizer “oi” pro meu irmão, você sabe. Só porque ele não fala, não significa que ele não ouve você”. Jack não costuma falar muito, mas ele ouve tudo ao redor dele. Ensine aos seus filhos que eles devem sempre assumir que crianças especiais entendem o que está sendo dito, mesmo sem poderem falar. É por isso que eles não vão dizer “o que ele tem de errado?”, mas poderão até dizer “Como vai?”.”
Jennifer Byde Myers, dos blogs “Into The Woods” e “The Thinking Person’s Guide To Autism”; mãe do Jack, que tem autismo e paralisia cerebral.


Inicie uma conversa
“Nós estávamos no children’s museum e um garotinho não parava de olhar para Charlie com seu andandor, e a mãe dele sussurrou em seu ouvido para não encarar porque isso era indelicado. Ao invés disso, eu adoraria que ela tivesse dito “esse é um andador muito interessante, você gostaria de perguntar ao garotinho e à sua mãe mais a respeito dele?”.”
Sarah Myers, do blog “Sarah & Joe (And Charlie Too!)”; mom do Charlie, que tem paralisia cerebral


Não se preocupe com o constrangimento
“Vamos combinar de não entrar em pânico caso seu filho diga algo embaraçoso. Você sabe, tipo se nós estivermos na fila do Starbucks e o seu filho olhar para a Maya e pra mim e disser algo como “Eca! Por que ela está babando?” ou “Você é mais gorda que a minha mãe”. Embora esses não sejam exemplos ideais de início de conversa, eles mostram que o seu filho está interessado e curioso o suficiente para fazer contato e perguntar. Por favor, não gagueje um “mil desculpas” e arraste seu filho pra longe. Vá em frente e diga baixinho o pedido de desculpas, se você precisar, mas deixe-me aproveitar a oportunidade: vou explicar a parte da baba e apresentar Maya e contar da paixão dela por crocodilos, e você pode ser a coadjuvante no processo, dizendo “lembra quando nós vimos crocodilos no zoológico?” ou coisa parecida. Quando chegarmos ao caixa, o constrangimento vai ter passado, Maya terá curtido conhecer alguém novo, e eu terei esperanças de que seu filho conseguiu ver Maya como uma criança divertida, ao invés de uma “criança que baba”. (E eu irei simplesmente fingir que não ouvi a parte do “mais gorda que a minha mãe”).”
Dana Nieder, do blog “Uncommon Sense”; mãe da Maya, que tem uma síndrome genética não diagnosticada


Gostou? Segue o link para o texto original em inglês: http://blogs.babble.com/babble-voices/ellen-seidman-1000-perplexing-things-about-parenthood/2012/02/29/what-to-teach-your-children-about-kids-with-special-needs/

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Bebês que comem com as mãos... - Postado por Jairo Len

Um estudo publicado na importante revista British Medical Journal revela que os bebês que comem com as mãos tem menores chances de obesidade do que aqueles alimentados com colher.
Para quem não sabe o que é este modo medieval de alimentação, o chamado "baby led weaning" é nada mais que colocar a comida no prato, na frente do bebê (isso vale entre os 6 e 24 meses de idade) e deixar a criança se alimentar sozinha, comendo o que queira e no ritmo dela.  E olha que o "baby led weaning" é uma técnica defendida seriamente. Basta dar um Google com este termo e você vai ver.

Mas porque as crianças que comem sozinhas são menos obesas? Porque comem menos desta forma. Eu sou contra esta técnica.

Não que eu seja contra comer menos (muito pelo contrário - meus pacientes sabem como sou atento ao excesso de peso, de mamadeiras e de comida), mas eu acho que o meio termo pode ser atingido sem técnicas que necessitem uma limpeza "terminal" na mesa, uso de aspirador e dificuldade de levar a criança a qualquer local público.

É claro que existem crianças que desde muito cedo querem comer sozinhas. Sugiro sempre que os pais treinem, desde cedo, uso de colher pela própria criança, mas sempre com ajuda dos pais (cada um com uma colher).

Alimentação é uma coisa extremamente necessária na infância. Inúmeros estudos mostram que a "fome oculta" (a falta de nutrientes em crianças bem alimentadas, em casas aonde não falta comida) é um problemas contemporâneo. Excesso de leite, de carboidratos, pouca proteína...
A pirâmide alimentar é uma coisa difícil até dos adultos assimilarem. Crianças não podem comer só o que queiram.

Mas a vigilância nesta qualidade alimentar e no ganho de peso e estatura deve ser permanente.
Voltei agora de férias nos Estados Unidos e mais uma vez é impossível não ficar chocado com o número de crianças e adultos obesos por lá. Porções gigantescas e hipercalóricas de qualquer tipo de alimento. Uma Ceasar Salad, por exemplo, tem cerca de 1.000 calorias (um Big Mac e meio). Associa-se a isso uma facilidade em se achar roupas XXXG, a meios de transporte e scooters adaptados aos obesos mórbidos e o resultado é o que se vê.
Lembrando que baldes de pipoca, cheeseburgers, batatas fritas, chicken fingers, onion rings e turkey legs são comidos com as mãos.

Uma gracinha para sair na foto. No dia a dia, não sei não...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

As crianças estão infelizes - Postado por Jairo Len

Diversos estudos, realizados pelo mundo, tem relatado que as crianças estão cada vez mais estressadas e infelizes.
Uma reportagem da Veja.com traçou um excelente relato do problema, as causas prováveis, o que podemos fazer para melhorar.

Se eu pudesse resumir o texto, diria "não exagere com os filhos, não gaste todo o tempo deles com atividades extra-curriculares e dedique-se".
Leia o texto no site de Veja.com, CLICANDO AQUI

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Calor em São Paulo - Postado por Jairo Len

Paulistano adora reclamar do clima. É assunto básico, quem mora aqui sabe.
Eu costumo dizer que temos um clima excelente (salvo inundações, incompetência dos que governam). Na Europa, frio de menos 20ºC, centenas de óbitos. Em julho, experimentei 43ºC nos Estados Unidos, com umidade de 85%. Sensação de andar numa sauna. Não dava para ficar na rua, só shopping (hmmmm....).
Por aqui não temos terremoto (toc-toc-toc), nem é zona de furacões. Tsunami, nem pensar.

De qualquer forma, para os nossos costumes, temperaturas de 33-34ºC são suficientemente desagradáveis e devemos ter alguns cuidados.
O índice UV (ultravioleta) de ontem foi de 14, o que é o máximo possível. Entre 10 e 16h, recomenda-se evitar o sol. Espero que as escolas estejam prestando atenção neste ponto. Aulas de educação física devem ser evitadas em quadras descobertas.
E não se esqueça de passar filtro solar nas crianças logo cedo, ao sair de casa.
Ainda que eu seja contra a hiper-hidratação, recomendo que todos tentem tomar mais água que o habitual, idem para as crianças.
Nossas perdas insensíveis (respiração e transpiração) fazem o corpo perder muita água neste calor, e ficamos sub-hidratados: cansados, irritados, impacientes.

Ar condicionado pode e deve ser usado pelos bem-aventurados que os possuem, a partir de qualquer idade. Ventilador também.
Lembro sempre que os recém-nascidos iniciam a vida em berçários de maternidades com ar condicionados regulados a 23ºC. Portanto, os quartos podem ser climatizados. Temperaturas de 25ºC são agradáveis e seguras. De acordo com os neurofisiologistas do sono, com mais de 28ºC o nosso corpo não dorme, não descansa, não tem um sono reparador.

Por fim, se ainda estiver vivo, lembre-se de usar umidificador de ar à noite (principalmente) quando a umidade relativa do ar estiver menor de 40%. Isso vale, claro, para quem tem tendência a quadros alérgicos respiratórios.

Saudades da máxima paulistana, "quatro estações do ano em um só dia..."?

Na área vermelha, "bem passado" com sensação térmica de mais de 50ºC. Não podemos reclamar muito...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Final Infeliz do Parto Domiciliar - Postado por Jairo Len

Há um ano eu postei sobre parto domiciliar (leia o post) aqui no blog.
Recebo há pouco a notícia que uma das principais ativistas australianas a favor desta prática morreu após o parto domiciliar de sua segunda filha.
Não vou comentar, em respeito ao momento. Tem horas que ficar em silêncio é fundamental, mesmo que tenhamos muito para falar.

Leia a reportagem: "Mãe defensora de parto domiciliar morre após dar à luz, na Austrália". E leia o comentário dos leitores...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Afeto x Tamanho do Cérebro - Postado por Jairo Len

Não bastasse o estudo do meu post passado mostrar que amor materno previne doenças, pesquisadores da Universidade Washington de Saint Louis, nos EUA, revelaram em um estudo que as crianças que recebem mais afeto na infância tem área cerebral funcional mais desenvolvida - o hipocampo chega a ser 10% maior.
Para este estudo, os especialistas analisaram imagens cerebrais de crianças com idades entre 7 e 10 anos que, quando tinham entre 3 e 6 anos, foram observados em interação com algum de seus pais, quase sempre com a mãe.
"Ter um hipocampo quase 10% maior é uma evidência concreta do poderoso efeito da criação", ressalta Joan Luby, pesquisador responsável pelo estudo.
Inúmeros estudos já mostraram a importância dos fatores afetivos no desenvolvimento futuro, rendimento escolar e profissional e todo o resto da vida de uma pessoa...mas este é o primeiro que mostra alterações estruturais e físicas no tamanho do cérebro.

É uma pena que "dar" amor e afeto aos filhos não é algo que se compra no mercado. Depende de inúmeros fatores sociais e econômicos - ainda que alguns possam se esforçar para melhorar um pouco isso. Mas é bem mais fácil dar amor e afeto com boas condições de moradia, quando não falta comida, tendo momentos de lazer e viagens com a família, tempo livre... Simples...
Mas fica mais uma lição da importância do afeto.

Um breve comentário em relação à matéria da última Veja, que mostra que a criança, até os 8 anos de idade, "só deve ser elogiada" - nenhuma outra forma de educação funciona...
Discordo em gênero, número e grau.
Elogiar é extremamente importante, todos sabem disso. É a base da auto-estima, principalmente quando a criança é reconhecido por ter feito o que (nos parece) certo. Talvez as imagens de ressonância magnética mostrem só os "elogios", como diz o estudo, e que a criança "esquece" todo o resto... Mas certamente as críticas (evidentemente feitas de forma certa e construtiva) não entraram-por-um-ouvido-e-saíram-pelo-outro. Tiveram alguma função no duro papel de criar filhos.
Educar e preparar filhos para o futuro vai muito além de "só elogios"...
É preciso mostrar aos filhos quando estão sendo injustos, fazendo o que não devem, indo para o lado errado, desrespeitando, invadindo o espaço alheio... Vivemos numa sociedade gregária. Quem é contra deve procurar um local bem isolado para viver...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Amor Materno X Prevenção de Doenças - Postado por Jairo Len

Daqueles estudos que todos sabemos os resultados, mas muito interessante: pesquisadores da Universidade de Brandeis, em Massachusetts (EUA) avaliaram mais de mil adultos, por 10 anos,  para relacionar infância marcada pelo amor materno versus doenças crônicas na meia idade.
Resultado: independentemente da classe social e condições socio-econômicas, aquelas crianças que cresceram repletas de amor materno, carinho e atenção tem menores chances de desenvolver doenças crônicas no futuro.
O amor maternal durante a infância funciona como um "escudo" de proteção contra doenças a longo prazo.
Avaliando o estudo, uma constatação evidente e triste: quanto piores as condições socio-econômicas, maior o índice de doenças cardíacas e metabólicas na meia idade, mostrando que as crianças de áreas mais pobres estão sujeitas ao stress desde cedo, o que aumenta a chance destes problemas, como diabetes e hipertensão.
Ainda que, mesmo neste grupo, crianças com maior afetividade por parte dos pais são menos doentes no futuro.
Como imortalizaram os Beatles, all you need is love. Desde muito cedo.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Meningites Bacterianas e Vacinas - Postado por Jairo Len

Atualmente já temos como proteger crianças e adultos contra a maioria das meningites bacterianas. As crianças (menos aquelas cujos pais e pediatras antroposóficos/homeopatas são contra vacinas) estão protegidas desde muito cedo.

A partir dos 2 meses de vida inicia-se proteção contra:
- Meningite por Hemófilus B
- Meningite por Meningococo C (o mais importante meningococo no Brasil)
- Meningites por 13 tipos de Pneumococos
Com 10 anos de vida, indica-se a vacina contra os Meningococos A, C, W e Y.

Com estas vacinas, o risco de meningite bacteriana é muito baixo.
Infelizmente ainda não existe vacina eficaz contra o Meningococo B - causa importante da doença em nosso meio. Por isso nunca "abaixamos a guarda" quando se suspeita de meningite e a doença continua a ser exaustivamente pesquisada, até ser afastada.

Com grande frequência vemos casos de Meningite Viral, causadas por vários vírus. O quadro clínico é clássico, com vômitos, febre, dor de cabeça e mal estado geral. Porém são meningites benignas, que não levam a sequelas ou risco de morte. Mas o diagnóstico de meningite viral tem que ser feito e diferenciado das bacterianas, por isso sempre se indica a coleta do líquor, a única forma de se diagnosticar exatamente a causa. Contra as meningites virais não existem vacinas.

Adultos devem ser vacinados contra meningite, também. Recomendo a vacina tetravalente contra os Meningococos A, C, W, Y (no Brasil dispomos da Menveo, da Novartis). Dose única, super segura e eficaz. Hemófilus e Pneumococos não são causa de meningite em adultos imunocompetentes.

Quanto às crianças cujos pais (muitas vezes orientados por pediatras insanos) resolvem não vaciná-las, acho um problema seriíssimo. Vira e mexe atendo um bebê ou criança maior que não recebeu estas vacinas, por indicação do pediatra - geralmente antroposófico - e com os pais cultos, informados e PhDs assinando em baixo a achando super-razoável esta conduta. Trágico, mais ainda para quem não tem direito de escolha. Para estes pais, diálogo franco e estatísticas em geral são suficientes para convencê-los da importância de vacinar seus filhos.



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Fones de ouvido e acidentes - Postado por Jairo Len

O número de acidentes graves com pedestres que andam com fones de ouvido (para iPod, iPhone, MP3, entre outros) triplicou em seis anos, de acordo com estudo feito nos EUA e publicado na revista Injury Prevention, do grupo British Medical Journals.
Evidentemente as vítimas são adolescentes e adultos jovens, usuários deste modo de auto-alienação cada vez mais frequente - e agora com modelos cada vez maiores. Nada contra, juro. O que me incomoda é sentar na frente de pessoas que não tiram o fone dos ouvidos, mesmo estando em uma consulta médica, aonde ele (o adolescente) é o motivo da conversa.
Nas ruas, cada um tem direito de andar e fazer o que quer - justamente porque estes fones de ouvido não incomodam ninguém. Mas é importantíssimo você orientar seus filhos e conhecidos que esta prática aumenta muito o risco de sofrer acidentes - por conta da distração que a música causa e pela incapacidade de ouvir sons externos, como buzinas e freiadas.
A equipe do Dr. Richard Lichenstein, autor do estudo, afirmou que escutar música alta com fones também reduz as fontes cerebrais que captam os estímulos externos, reduzindo a atenção visual a tal ponto que as pessoas ficam cegas ao que se passa no entorno.
Concordo que é bem mais agradável andar em uma grande avenida ouvindo sua música preferida, e não o acelerar de ônibus e a buzininha (irritante) dos motoboys...mas é bom estar atento a estes números.
O estudo não avaliou a relação do uso de celulares (por pedestres) e acidentes, algo que também deve ser considerado.
No Brasil, cerca de 7 mil pessoas morrem anualmente por atropelamento.

Oi?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Segurança dos filhos na internet - Postado por Jairo Len

A internet trouxe a liberdade que muitos sentiam falta devido à insegurança das grandes cidades. Na frente do computador você passeia pelo mundo todo, conhece pessoas, faz amigos e conversa com os velhos amigos.
É sabido e falado que nós, pais, temos que controlar o que os filhos fazem e visitam na internet. A maioria dos pais de pacientes, quando conversamos sobre o assunto, se mostra preocupado mas confessa que não faz um controle "eficaz". E este controle é importante em todas as idades. Dos 5 aos 10 anos, principalmente pelo conteúdo visitado. Entre os 10 e 18 anos, além do conteúdo visitado, as redes sociais e o rastro deixado pelos filhos na internet.
Existem inúmeras publicações sobre como melhorar um pouco esta segurança, ultimamente andei lendo um pouco dos conselhos, até porque a informática evolui bem mais rápido que a medicina. Se temos que estudar medicina diariamente, a informática não fica atrás.

Existem inúmeros programas e ferramentas de controle de acesso. Na Clínica e em casa eu uso um chamado InterApp Control. Com este programa você pode bloquear quaisquer tipos de sites e ações. Como por exemplo downloads, sites de conteúdo sexual, qualquer uma das redes sociais, upload de fotos, msn, mudanças de configuração do próprio computador, instalação de novos programas, etc. Além de ter um registro de todas as ações do computador. A cada clique, são feitas fotografias das páginas, à sua disposição. Parece neurose... Não acho que ninguém deva fazer isso rotineiramente - vai ficar louco... Mas assim como filmagens de câmeras de segurança, com este programa você pode saber tudo o que se passou no computador. Vai saber... Li na internet uma história simples: filho de 7 anos fazendo buscas escolares sobre a Grécia. Numa das páginas, a palavra "bustos". Clicou, link para o Google. Imaginou?
Destas centenas de ferramentas de controle, muitas estão inclusas nos antivírus (Norton, McAfee, Avast...)

Recomenda-se o óbvio: fique amigo do seu filho em todas as redes sociais que ele participa: msn, facebook, orkut (dureza...), linkedin, twitter. Mesmo a contra gosto. Afinal, na vida real você tenta saber quem são os amigos, os pais de amigos, aonde moram, o que fazem. Na rede não deve ser muito diferente.
Converse com os adolescentes sobre isso, assim como conversa sobre as formas normais de amizade e atividades que eles fazem.

De vez em quando, dê um Google no nome dos seus filhos, principalmente os maiores. Veja as imagens linkadas, os links em que seus filhos aparecem.

Para os menores (5 a 10 anos) existem buscadores infantis, como o Zuggi (www.zuggi.com.br). É uma espécie de Google, mas com filtros automáticos e resultados, em geral, voltados às necessidades das crianças - como pesquisas escolares, joguinhos, desenhos...
Para esta faixa etária, prefira computadores em áreas "comuns" da casa, aonde transitem e circulem adultos. Cuidado com tablets (iPad), aonde existe menor chance de ferramentas de controle.

Utilize programas antivírus e faça escaneamentos com frequência. Atente-se a isso. A maioria das pessoas não fica em cima do antivírus, deixa ele trabalhar sozinho.

Regras existem em todos os planos da nossa vida moderna, e os filhos devem aprender que o uso de computadores tem regras e limites, que se descumpridos devem levar a alguma consequência. Quem sabe é a oportunidade de ensinarmos as coisas desde cedo...afinal um bebê de 1 ano já sabe desbloquear um iPad com movimento de slide e muita vezes colocar a senha.
Aproveite. O século 21 chegou há mais de 10 anos.

Olha a nova amiguinha dela...






terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dor abdominal por exercício - Postado por Jairo Len

O post vale para todos - por curiosidade - mas quem faz exercícios com frequência (principalmente corrida) sabe do que estou falando: após alguns minutos de corrida você começa a sentir uma dor forte, em pontadas, abaixo das costelas, que te obriga a parar a atividade. Com alguns minutos de repouso e respiração regrada, a dor melhora.
Esta é a Dor Lateral Abdominal Transitória do Exercício (em inglês ETAP - Related Transient Abdominal Pain).
Há inúmeras teorias sobre o causa: respirar pela boca, cãimbra no diafragma, estresse dos ligamentos peritoneais, estase venosa na circulação abdominal, dor no próprio peritôneo por fricção (membrana que recobre o intestino), etc.
Enfim, ninguém sabe exatamente a causa, mas por senso comum se atribui ao músculo diafragma, com participação do peritôneo e seus ligamentos.
Como não ter esta dor?
O ideal, obviamente, é que um treinador oriente o modo de diminuir os episódios da ETAP, o que inclui: progressão leve no ritmo de treino, exercícios respiratórios, alongamentos (destas estruturas envolvidas), adequada ingestão de líquidos antes do esporte (excesso de líquido ou desidratação estão relacionados à dor) e dieta leve.
O importante saber é que esta dor abdominal, apesar de forte, não traz qualquer risco ou consequência posterior.
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Suplementos Alimentares - Postado por Jairo Len

É crescente a procura de meninos adolescentes pelos suplementos alimentares.
Acho que as meninas tem um gene de imunidade à essa forma de jogar dinheiro no lixo, mas as pós adolescentes (lá pelos 30 anos) começam a pensar nisso...
Habitualmente sugeridos pelos professores de academia e personal trainers, os suplementos são um mercado caro e milionário, prometendo aumento de músculos e melhoria no condicionamento físico em curto prazo.
Os suplementos alimentares são formulações em pó ou cápsulas contendo ingredientes como vitaminas (A, C, B), minerais, ervas e botânicos (ginseng, guaraná em pó), aminoácidos (BCAA, arginina, ornitina, glutamina), metabólitos (creatina, L-carnitina), extratos (levedura de cerveja) ou combinações dos ingredientes acima...

Existe uma indicação precisa para estes suplementos: atletas de alta performance, com alto nível de treinamento. O uso de suplementos se justifica pelo grande desgaste metabólico a que são submetidos esses atletas, como treinamentos em vários períodos do dia, por longas horas. Triatletas profissionais, por exemplo, gastam excessivamente calorias, proteína, energia e é impossível se alimentar "tanto" - até porque nem o estômago aguentaria.
Para quem não gasta tanta energia assim...os suplementos podem trazer sobrecarga renal e hepática e acúmulo de gordura - uma vez que o excedente vai ser filtrado pelos rins e fígado ou guardado na forma de tecido adiposo.
Além disso, em pesquisa no Reino Unido, encontraram 20% de suplementos com pitadas de hormônios anabolizantes.

Portanto, aquele adolescente (16 anos, 1,80 de altura e 61 kg) não vai ficar com o corpo de um nadador olímpico por usar colheradas de creatina várias vezes ao dia - nem por usar colostro de leite de búfala ou metabótitos de hormônio de crescimento. Fazer esportes com regularidade, se alimentar bem e caso possível, dormir também - são os fatores que com o  tempo vão trazer o desejado corpo perfeito (aliás, exclusividade de pouquíssimos terráqueos)...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Distúrbios do Sono - Postado por Jairo Len

Começo o ano postando sobre o sono das crianças - ou melhor - a insônia, problema que atinge cerca de 10% das crianças, conforme dados da literatura norte-americana.
Por aqui acho que a frequência de distúrbios de sono maior, ainda mais se avaliarmos objetivamente o problema - não somente as queixas dos pais. Porque, para muitos pais, crianças acordando 2 ou 3 vezes à noite não é um problema.
Um estudo publicado no Pediatrics deste mês, chamado "Prevalence, Patterns, and Persistence os Sleep Problems in the First 3 Years of Life" mostra a necessidade de um maior pragmatismo na abordagem deste problema. Pelo menos para os norte-americanos, pragmáticos em tudo.
O que concluem é que os bebês que não dormem bem nos primeiros 3 anos de vida tem chances de se tornarem crianças que não dormem bem e isto vai trazer problemas na esfera cognitiva e física.
Não acho que seja uma novidade... Mas é interessante como nos EUA eles colocam os problemas no papel, provam que existe.

Nesta publicação do Pediatrics, o importante para mim é mostrar aquilo que eu sempre falo para os pais: é fundamental para as crianças aprenderem a dormir desde cedo, fazendo uma rotina desde os primeiros meses de vida. Muitos entram no bom ritmo de sono de forma bem natural (desde que os pais queiram e ajudem), mas muitos outros não. Depende da ajuda mais ativa dos pais.

Aí começam os problemas. Qual é o método ideal?
De canadenses malucos que acham que os bebês devem dormir entre os pais, na cama deles - até o método "nana, nenê", do neurofisiologista espanhol Edward Estivill - cada um deve achar a solução para os seus filhos. Eu particularmente gosto desde último, o "nana, nenê". É claro que o método serve mais como uma base de condutas adequadas, e cada um pode individualizar o que vai fazer em casa.
Tracy Hogg, a encantadora de bebês, também tem seu método, meio termo.

O que coloco para os pais é que dormir bem é possível, sempre. O velho papo da rotina, do ambiente calmo após 18h00, das mamadas com horários programados, rituais para dormir...é super importante e funciona muito bem - desde que feito desde cedo, desde que o bebê chega em casa da maternidade.
Os casos mais difíceis (crianças mais velhas) eu chego até a encaminhar a uma psicóloga especializada em sono infantil, que, de forma pontual, acerta os ponteiros para que as crianças durmam bem.

Resumindo: dormir bem é fundamental e nossos filhos merecem isso.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Boas férias - Postado por Jairo Len

Como nos anos anteriores, além de desejar ótimas férias para todos, faço algumas lembranças e recomendações para as viagens com crianças - retiradas das perguntas que me fazem no dia-a-dia.

Em primeiro lugar, uma coisa que não consigo entender - deve ter algum motivo, não pode ser por pura mediocridade: nossos passaportes (novos, de capa azul) não tem os nomes da mãe e pai - só o nome do indivíduo. Não esqueça de levar junto a carteira de identidade ou certidão de nascimento  originais dos seus filhos para o aeroporto. Neste ano, nas duas vezes que saímos, tivemos problemas - não fosse as carteiras de identidade que carregamos sempre, teríamos que passar no juizado de menores. E o mais patético é que os agentes da polícia federal parece que estão vivenciando a situação pela primeira vez na vida...
Ou seja, o passaporte não mostra que seus filhos são seus filhos - você tem que provar. País da piada pronta, como diria José Simão.
Outro ponto prático - mas dúvida frequente: água mineral é vendida à vontade após a passagem pela polícia federal, nos saguões de embarque. Compre. Não dependa dos comissários de bordo, que parecem estar sempre em greve...(Obs: nas companhias norte-americanas, sejamos justos).

Fora isso, questão burocrática, vamos à prática.
Não esqueça de ter em mãos alguns remédios básicos, a farmacinha. Além dos analgésicos (Tylenol, Alivium, Novalgina), é sempre bom ter medicação para náuseas e vômitos, antialérgicos, pomada para picada de insetos e, determinadas crianças, leve um antibiótico.
Esta lista é muito individualizada, cada pediatra recomenda uma ou outra coisa. Consulte o seu.

Para os voos, sempre recomendo que os pais tenham em mãos o Dramin B6 gotas. Muitas crianças ficam enjoadas e mareadas em viagens aéreas, e o medicamento pode ser fundamental. Analgésico também é bom levar na bolsa.
Comidinha de bordo (salgadinhos, porcaritos, balinhas): tenha em mãos. Não se esqueça.

Para o litoral brasileiro, fundamental ter repelentes, à base de DEET (Off Kids) ou Icaridina (Exposis). Liberados em crianças acima dos 2 anos de idade e usados com moderação, quando necessário, a partir dos 6 meses de vida.
Bloqueadores solares, nem preciso falar, todos já carregam. Se estiver nos EUA, encha a mala... O preço é 4 vezes menos e as opções, infinitas. Como tudo, aliás.

Boas férias! Férias são a grande oportunidade da gente não poder reclamar da falta de tempo para os filhos...

E tire muitas fotos... Uma às vezes fica ótima...!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Lei da Palmada é aprovada - Postado por Jairo Len

A votação ainda vai para o senado, mas a Lei da Palmada foi aprovada pela câmara dos deputados ontem.
Já me perguntaram algumas vezes o que eu acho desta lei - que proíbe e pune os pais que fizerem qualquer tipo de violência física em seus filhos. Mesmo uma "palmada".
Já existe a proibição de bater em crianças no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas não há uma forma de punição bem direta aos pais, coisa prevista em lei, aonde a polícia pode resolver o problema (como agora com a Lei da Palmada).
Estas leis visam proteger as crianças de sevícias físicas, espancamento, maus tratos, e a "síndrome da criança espancada".
Não acredito que os deputados realmente estejam pensando naquela palmada "educativa" que quase todos nós (acima dos 30 ou 40  anos) recebemos dos nossos pais, e sim nos exageros que vemos o tempo todo por aí.
O problema: é tênue a linha que separa as duas situações e isso depende de inúmeros fatores culturais, sociais e econômicos. A meu ver ninguém vai chamar a polícia porque um pai deu um tapa na mão do seu filho que estava colocando um clips na tomada 110 volts (após o pais ter pedido dez vezes que a criança não faça aquilo).
Mas ficará mais fácil denunciar os pais de crianças que estão recebendo maus tratos físicos.

É claro que não faltam leis neste país - falta civilidade e falta que as leis sejam cumpridas.
De qualquer forma, acho a lei válida, desde que posta em prática com bom senso. Resta saber se as incríveis estatísticas sobre a síndrome da criança espancada vão diminuir.

Em tempo, a meu ver também deveriam ser severamente punidos aqueles que promovem a falta de remédios para doenças crônicas em crianças, falta de vagas e professores bem remunerados em escolas, de merenda escolar de qualidade e de leito em hospitais infantis. Cadeia para eles!

O problema é mundial e acredito que a lei seja para inibir abusos

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Transtorno Dismórfico Corporal - Postado por Jairo Len

Com nome de trava-língua, o Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) é uma doença descrita há muitas décadas e certamente você conhece algum portador da moléstia.
O Transtorno Dismórfico Corporal é um transtorno mental que se caracteriza por afetar a percepção que o paciente tem da própria imagem corporal, levando-o a ter preocupações irracionais sobre defeitos em alguma parte de seu corpo (por exemplo: nariz torto, olhos desalinhados, imperfeições na pele etc). Essa percepção distorcida pode ser totalmente imaginária ou estar baseada em alterações sutis da aparência, resultando numa reação exagerada, com importantes prejuízos na vida pessoal, familiar, social e profissional. Acomete mais frequentemente as mulheres e inicia-se em geral na adolescência.
Para você ter ideia da seriedade da doença, o TDC é um "primo" do TOC - o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, que todos tem em mente como um problema bem sério.

O TDC piora ainda mais a fragilizada auto-estima dos adolescentes, principalmente das meninas, que imaginam como ideal de beleza aquilo que se vê nas revistas femininas. Mulheres mais crescidas, idem.
Tentam se tratar com comprimidos milagrosos (muito cuidado com os medicamentos de origem duvidosa), dietas esquisitas, cirurgias plásticas sem nenhuma necessidade e assim por diante.
É claro que o TDC se mistura um pouco com os cuidados e obsessões físicas que todos temos hoje em dia, mas psiquiatricamente é tudo bem diferente.
O portador de TDC nunca está contente consigo mesmo, e merece ser tratado.

Essa é clássica...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Elogie do jeito certo - Postado por Jairo Len

Sempre escrevo aqui no blog que não existe um modo único e certeiro de se educar uma criança (em todos os sentidos).
Mas para a construção deste processo muitas vezes recebemos dicas preciosas.
De uma mãe (que me parece educar muito bem suas duas filhas) recebi um texto muito interessante nesta semana. No texto, o psicólogo Marcos Meier mostra uma sutil diferença em como se fazer elogios para a criança. Muitos de nós talvez já façam isso naturalmente, outros não... De qualquer forma, vale a leitura:

Clique aqui:  Elogie do jeito certo, texto de Marcos Meier