quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Vacina contra Dengue | Dengvaxia - Postado por Jairo Len

Como todos já sabem, está disponível na rede particular de vacinação a primeira vacina contra dengue, a Dengvaxia, produzida pelo laboratório Sanofi, na França.
A vacina protege contra os 4 sorotipos de dengue.

Alguns números relevantes:

- Confere 66% de proteção (ou seja, 2/3 dos vacinados adquirem proteção completa)
- Diminuiu 81% o risco de internação pela doença
- Reduz 93% os casos graves da dengue

O que eu penso sobre a vacina?
Deve ser aplicada em quem puder receber. 
Os números de proteção não chegam a 100%... Mas se pensar em uma doença transmitida por mosquito, difícil de se evitar e com mortalidade no nosso meio, vale a pena a proteção.
Quem já teve dengue, sabe o que é a doença...

A faixa etária para aplicação é entre 9 e 45 anos de idade, o que restringe um pouco a população alvo...
Em testes populacionais a vacina mostrou-se segura. 
É aplicada em 3 doses, com 6 meses de diferença cada uma.

Quanto aos valores cobrados, há uma discussão filosófica... A ANVISA determinou o preço máximo de venda às clínicas, pela Sanofi, que gira em torno de R$ 138,00 (julho/2016).
As clínicas de vacinação não tem valor fixo, e a vacina está sendo vendida a R$ 250 a 300,00. Lembro que os custos de vacinar são bem altos, incluindo todo a manuseamento, armazenagem, enfermeiras e médicos sempre presentes, perdas (a vacina é multidose, caso não sejam aplicadas as 5 doses de cada frasco em 6 horas, deve ser descartada...) e o incrível imposto cobrado no ponto-de-venda final.

Na Clínica Len de Pediatra, inicialmente, não estamos realizando a vacinação (pelos motivos de faixa etária e por ser multidose). 

Evidentemente o governo Brasileiro deveria realizar a vacinação na população, ainda que o número de doses disponíveis não seja ilimitado. Para quem está gastando cerca de 40 bilhões de reais para fazer uma olimpíada, isso seria troco de banana.


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Férias e Farmacinha - Postado por Jairo Len

Só quem está na retaguarda das férias sabe o quanto é necessário viajar com crianças e ter em mãos os principais remédios usados no dia a dia. Apesar das doenças também tirarem férias - nessa época o índice de infecções cai muito - é nas viagens que outros problemas podem aparecer.

Aqui na clínica recomendamos sempre uma lista básica de medicamentos para levar na mala, sempre, obviamente, recomendando não usar sem antes falar com o pediatra.

É sempre bom ter:

- antitérmico/analgésico,
- medicamento para enjoos e náuseas,
- remédio de diluição oral para vômitos (fundamental...),
- um antialérgico de amplo uso (a meu ver, à base de cortisona, para crianças que já tomaram),
- pomada para irritações de pele e picadas de inseto,
- Para os que tossem com frequência e fazem uso, os medicamentos para tosse, principalmente os sprays broncodilatadores,
- colírio e antibiótico (estes, por precisarem receita especial, devem ser criteriosamente discutidos com seu pediatra).

Se vai de avião, é sempre bom levar em mãos medicamento analgésico/antitérmico e também para vômitos.


Posso dizer que, tudo nessa lista, uma hora pode salvar suas férias com crianças.
Ótimas férias em família para todos!

É simples viajar com crianças!


terça-feira, 21 de junho de 2016

Horas de sono - qual o ideal? - Postado por Jairo Len

Os bebês tem que ler isso, urgente! Eles precisam saber o quanto é importante dormir e quantas horas de sono por dia...!

Pela primeira vez, a  American Academy of Sleep Medicine (AASM) publicou um consenso sobre o necessário de horas de sono ao dia para crianças e adolescentes, para promover a otimização da saúde física e mental (deles...e acho que dos pais, também).

Não acho que sejam números inéditos, já postei aqui e no site algumas vezes sobre isso, mas de qualquer forma segue mais uma das recomendações (para cada 24 horas):

Bebês de 4 a 12 meses: 12 a 16 horas de sono (incluindo sonecas)
Crianças de 1 a 2 anos: 11 a 14 horas de sono (incluindo sonecas)
Crianças 3 a 5 anos: 10 a 13 horas de sono (incluindo sonecas)
Crianças 6 a 12 anos: 9 a 12 horas 
Adolescentes de 13 a 18 anos: 8 a 10 horas

Pensando sobre isso...

Dormir é muito importante para as crianças.
Muitos tem um padrão de sono complicado, vejo aqui na clínica, semanalmente, problemas de pouco sono em todas as faixas etárias. Muitas vezes é por causa da própria criança, que realmente não dorme, mesmo com todo esforço possível dos pais.
Para se cumprir essa meta de horas de sono, principalmente para quem estuda de manhã (e acorda 6h ou 6h30) é fundamental dormir cedo.
Crianças a partir de 3 ou 4 anos que dormem às 22h ou 23h00 e acordam cedo para a escola estarão, sempre, dormindo pouco.
Concordo que muitos pais tem um ritmo frenético de trabalho e querem estar com seus filhos no final da noite, mas devemos sempre pensar nessa equação.

Há duas semanas pedi uma avaliação neurológica (uma neurologista especializada em distúrbios escolares) para um paciente de 6 anos de idade, que estava naquela fase de avaliação em psicopedagoga, psicoterapeuta disso, testes daquilo, fono, processamento auditivo central...
A primeira medida que a médica tomou foi pedir que o menino durma mais 1h30 por noite. A mãe me contou que, em poucos dias, essa simples mudança já se mostrou muito eficaz na melhora do rendimento escolar. É claro que as avaliações continuam sendo realizadas e todos os profissionais tem e terão seu fundamental valor...mas simplesmente dormir mais um pouco já aliviou demais.

Adolescentes são um caso a parte, e os smartphones e a NetFlix são os grandes vilões da privação de sono. Mas não custa insistir e conversar muito com eles, mostrando que quem acorda 6h30 deve dormir, no máximo, 22h30. Tenho uma adolescente em casa, sei como isso funciona...

Já os bebês...estes são um caso a parte... Aliás, dezenas de livros a parte...
Mas o que tenho percebido é que o primeiro ponto para que um recém-nascido durma bem é a vontade que os pais tenham que ele durma bem.
Quando pai e mãe querem muito que seu filho durma bem e a noite toda, e que juntos cheguemos ao melhor modo de resolver isso, funciona.
Entre métodos mais brandos e mais radicais, orientações profissionais, experiências de amigos, alimentação correta, choros assistidos (ou menos assistidos), uma hora há bons resultados. Nem sempre os que a maioria quer (como 12 horas de sono em 12 semanas de idade - excelente livro da Suzy Giordano), mas de alguma forma se conseguem resultados desde cedo.

Enfim...
Dormir é importante em qualquer idade. Quanto mais as crianças dormirem, mais nós, os pais, dormiremos. Cabe aos adultos cuidar disso desde cedo.


Quem tem adolescente em casa tira essa foto todo dia, se quiser...

quarta-feira, 1 de junho de 2016

A falta de Vacinas - Postado por Jairo Len

Como todos os pais de crianças até um ano sabem, enfrentamos neste ano uma falta de vacinas na rede particular como "nunca antes vista na história deste país".

A bem da verdade, há principalmente uma vacina em falta, a HEXAVALENTE (e sua irmã quase gêmea, a PENTAVALENTE).  Protege contra difteria, coqueluche, tétano, meningite por hemófilus B, hepatite B e poliomielite.
O único laboratório que produz essa vacina para venda no Brasil é a GSK, que enfrenta problemas na produção e aumento da demanda mundial. Vivemos do excedente de produção, e desde 2015 não há excedente... A vacina é aplicada em 4 doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforço no segundo ano de vida.
O que fazer?
Desde outubro de 2015 as crianças tem sido vacinadas nos postos de saúde, salvo raras exceções, quando mínimos lotes chegaram a nós. O esquema de vacinação público é eficaz, ainda que a vacina tenha bem maior índice de reações. 
É muito importante que não se deixe de vacinar os bebês. Muitos pais torcem o nariz, querem aguardar a vacina chegar...mas a recomendação é vacinar, nos postos.
Os reforços, para os maiores de 1 ano (e que foram vacinados em clínicas particulares) não podem ser feitos nos postos de saúde - porque a vacina oferecida pelos postos não é adequada, falta um dos componentes... Para esses, estamos aguardando normalização de fornecimento para atualizar a vacinação.
Promessa de normalização pela GSK: julho de 2016 (será?)

A outra vacina em falta é a contra Meningite B.
Na verdade, a GSK lançou a vacina em 2015, a Sociedade Brasileira de Imunizações colocou a vacina no calendário "oficial", mas a vacina NUNCA chegou em quantidade suficiente para imunizar todas as crianças. Aos poucos vamos recebendo, as crianças tem feito uma ou duas doses (ideal são 2 doses, se começar a vacinar após um ano de idade. No primeiro ano de vida, serão 3 doses). 

A vacina é cara e apresenta bastante reação (50%), com febre e dor no local da aplicação. Mesmo assim é uma vacina que, se disponível, devemos aplicar em todas as crianças.
Não há epidemia.
Promessa de normalização pela GSK: junho de 2016 (será?)

Infuenza 2016 (tri ou quadrivalente)...
Quase todos já estão vacinados, e a vacina já está em falta. Na Clínica Len de Pediatria ainda temos, para crianças e adultos (Quadrivalente Sanofi). Vacinamos exclusivamente nossos pacientes e familiares.
Promessa de normalização: só em 2017

Demais vacinas, todas do calendário de vacinas, não estão em falta!
 





sexta-feira, 6 de maio de 2016

Surto de Caxumba em São Paulo - Postado por Jairo Len

Desde o início deste ano, já são quase 300 casos notificados na cidade de São Paulo, contra 41 casos de Caxumba no mesmo período do ano de 2015.
Portanto, há uma epidemia de Caxumba.

A Caxumba é uma doença viral causada por um paramyxovírus, o vírus da caxumba ou rubulavirus (seu nome oficial). 
Tem incidência no mundo todo, e a apresentação mais comum é a parotidite, um inchaço das glândulas salivares parótidas, localizadas em baixo da orelha, estendendo-se até a região mandibular.
Mas o quadro clínico completo pode aparecer como uma virose, com febre, dores no corpo, mal estar.
Após o contágio - que se dá por saliva, secreções, objetos contaminados - a doença pode se desenvolver após 12 a 24 dias, em média.
Os doentes transmitem caxumba entre 3 dias antes da doença aparecer (!!!) até 4 dias após a cura completa.
Importante lembrar que nem todas as Caxumbas dão o inchaço na parótida. Às vezes dão só febre, mal-estar... E mais importante ainda: nem todas as parotidites (o inchaço...) são causadas pelo vírus da caxumba, aliás, a maioria delas não é, o que é muito bom... Existem inúmeros vírus que causam uma parotidite igual à caxumba. A diagnóstico da parotidite e da causa dela são feitos através de um exame simples de sangue.

Qual a importância da causa da parotidite? A Caxumba, apesar de ser uma virose benigna, pode ter raras complicações, como a orquite (infecção dos testículos), infecção de sistema nervoso central, ooforite (dos ovários), pancreatite, entre outras.

A maioria das crianças é vacinada e raramente apresenta Caxumba, pelo menos até os 10 anos de idade, duração da proteção de quem fez todas as vacinas em dia. 

Os bebês abaixo de 12 meses também estão protegidos pelos anticorpos maternos passados durante a gestação, desde que a mãe seja vacinada ou que já teve a doença.
A primeira dose da vacina é aplicada com um ano de idade...

O mais importante do post é lembrar que a Caxumba é evitada, 100%, com a vacina, eficaz e barata.
Crianças são sempre vacinadas entre 1 e 2 anos de idade, com duas doses. Mas adolescentes e adultos estão vulneráveis, devendo ser vacinados a cada 10 anos.


O inchaço da parótida (fonte: Medscape)


terça-feira, 5 de abril de 2016

Vacina contra Influenza 2016 - Algumas Dúvidas - Postado por Jairo Len

Estes últimos quinze dias foram intensos na pediatria, principalmente por causa da vacina contra influenza, a própria doença e o surto de preocupação e dúvidas...
Algumas das dúvidas mais frequentes que recebi, coloco aqui.

Trivalente ou Quadrivalente?
Existem duas vacinas contra influenza, uma que contém 3 vírus (trivalente) e outra que contém 4 vírus (quadrivalente). São esses os vírus:
- A - Califórnia ( H1N1)
A - Hong Kong (H3N2)
- Brisbane 

- B - Phuket (esse só tem na quadrivalente)
A indicação depende da faixa etária, porque para os menores de 3 anos só a trivalente é indicada em bula. A quadrivalente, só para os maiores.
AMBAS protegem para a epidemia atual, porque precisamos nos proteger do influenza A (a circulação do influenza B-Phuket é mínima em São Paulo, segundo estudo que tive acesso hoje. 
No caso de falta da trivalente, os menores de 3 anos podem receber a vacina quadrivalente (uso off label, que depende de cada clínica de vacinação). Aqui na Clínica Len temos usado, quando disponíveis, vacinas adequadas para cada faixa etária.

Vacinou com a Tri, precisa reforço da Quadrivalente?
A meu ver, não, conforme expliquei acima.

Vacinação no escritório - devemos fazer?
Sim! Se aonde trabalha (ou mesmo em escolas) há campanha de vacinação, todos devem ser vacinados, tanto faz se for com a Tri ou Quadrivalente.

Após quanto tempo a vacina faz efeito?
Após 7 a 14 dias, de acordo com cada pessoa. Lembrando que quem foi vacinado há menos de um ano provavelmente ainda tem imunidade contra o H1N1 (que representa 50% dos casos de influenza da atual epidemia).

A Clínica Len tem a vacina?
Evidentemente, pela alta procura, a compra de lotes de vacina está muito difícil. Temos conseguido pouquíssimas doses, que estamos aplicando, exclusivamente para crianças pacientes da clínica, conforme disponibilidade.

Existem vacinas de 2015 neste ano?
Posso garantir que nas clínicas particulares de vacinação só há disponibilidade da vacina "nova", de 2016, tri ou quadrivalente.

Esse "desespero coletivo" é para tanto...se justifica?
A meu ver a busca pelas vacinas é importante, mas não acho que passar 4 horas em uma fila seja muito saudável... Cada um tem uma visão de necessidade e epidemias, mas eu acho que está havendo um alarde muito maior que o necessário, um desespero "insano" dos pais. É evidente que há uma epidemia, não se nega, mas o que tenho visto em relação ao influenza em 2016 eu nunca vi antes, em 24 anos de pediatria.
Muito mais útil seria orientar escolas a NÃO ACEITAR CRIANÇAS COM MAIS DE 37,1ºC de temperatura, ou com claros sinais de doença respiratória.
Ainda vejo (falo de pacientes meus, que sempre oriento) crianças que são mandadas com febre para a escola. Crianças que tiveram febre na madrugada, vão cedo para a escola.
Sabemos que a vacina é muito importante, mas "sozinha" não resolverá a epidemia.

Todos serão vacinados?
Todos os grupos de risco serão vacinados, a meu ver. Não faltará vacina. Mas é IMPOSSÍVEL vacinar 5 milhões de pessoas em 2 semanas, em uma cidade com São Paulo, por exemplo.

Devo deixar de mandar meus filhos para a escola e para a natação, assim como outras atividades?
Isso vai de cada pessoa, cada pediatra e cada escola. É claro que se há 50% de uma sala de aula com influenza, não é sadio mandar as crianças para as aulas. Em 2009, durante a pandemia de H1N1, interrompia-se aulas de uma turma por UMA semana quando havia mais de 10% de crianças comprovadamente infectadas (cerca de 3 crianças).

Quando isso tudo acalma? Como se proteger, fora a vacina?
Não sei não... Com o inicio da vacinação para a população, pelo governo, na semana que vem, acho que tudo melhora - digo em relação à busca pelas doses de vacina. 
A epidemia, se todos tivermos todas as medidas de higiene e RESPONSABILIDADE, deve perder forças também nas próximas semanas.
É importante voltar àquelas medidas de álcool gel em escolas, álcool nas superfícies contaminadas, lavagem de mãos.
Máscaras - só realmente quem está doente ou em imunossupressão, e, claro, em ambientes médico-hospitalares aonde se faça necessário.


segunda-feira, 21 de março de 2016

Vacina contra Gripe/Influenza 2016 - Postado por Jairo Len

Já está disponível nas clínicas de vacinação particulares de São Paulo a vacina contra Influenza A+B, cepas 2016.

A vacina disponível é a trivalente, contra 3 tipos de influenza:
- A - Califórnia (o H1N1)
- A - Hong Kong (H3N2)
- B - Brisbane 

A vacina quadrivalente, que contempla mais um tipo de influenza B, só deve chegar em meados de abril.

Neste ano tenho visto (aliás, quem tem filhos tem visto...) um aumento dos casos de influenza A nas últimas semanas. Recomendo que já se aplique a vacina trivalente para todos, principalmente crianças, para evitar os casos de influenza A.

A dose é indicada a partir dos 6 meses de idade, não havendo limite máximo de idade.

Não se sabe quando o governo vai iniciar a campanha pública de vacinação, mas recomendo que todos os "grupos" escolhidos para vacinação pública (que não é para todos) sejam vacinados. Reforcem para os pais e avós, cuidadores, gestantes...que não deixem de se imunizar.

As vacinas contra Influenza A+B são bastante seguras e tem raros efeitos adversos, sempre benignos. O mais comum é dor no local da aplicação. Em adultos não-vacinados nos últimos anos a reação pode ser mais sistêmica, com febre. Quem recebe a vacina anualmente não costuma apresentar reações.
Gestantes e nutrizes podem e devem ser imunizadas.

Como uma das cepas de influenza "A" é nova, recomendo que, mesmo quem foi vacinado há menos de um ano já receba, de imediato, a dose de 2016.

Por aqui não estamos tão evoluídos em relação a vacinar em qualquer lugar, mas é fácil achar uma clínica....

segunda-feira, 14 de março de 2016

Piolho - Postado por Jairo Len

Doença pré-histórica, praga bíblica, a pediculose é a infestação do couro cabeludo por piolhos (Pediculus capitis), um artrópode muito mais comum do que se imagina, de distribuição mundial.
Não há dúvida que o número de casos aumentou nos últimos meses, tenho recebido diariamente ligações dos pais estarrecidos com o diagnóstico.

Alguns pontos são muito importantes na abordagem da doença:

- Não existem tratamentos preventivos ou profiláticos. Não adianta usar shampoos piolhicidas semanalmente - pelo contrário - isso pode trazer ainda mais resistência aos medicamentos, fato que já está ocorrendo no mundo todo. Além de dermatites no couro cabeludo, porque estes produtos são agressivos para a pele em caso de uso frequente.

- Crianças e adultos devem ser tratados de forma rigorosa. Iniciamos o tratamento com shampoos à base de permetrina e deltametrina, de tratamento em lavagem única ou por 4 ou 5 dias seguidos. Em casos mais resistentes, crianças maiores e adultos existe a opção de tratamento por via oral (ivermectina). Algumas vezes é necessário repetir o tratamento, caso ainda permaneçam as lêndeas ou piolhos.

- Após o tratamento, o cabelo deve ser "vistoriado" diariamente. Pente fino + condicionador devem ser usados por 5 dias para se certificar da erradicação. Isso contando após o fim do tratamento.

- Considera-se uma criança tratada quando não houver mais piolhos ou lêndeas (aqueles ovinhos que ficam aderidos ao couro cabeludo), a meu ver nos 10 dias seguintes ao tratamento.

- Além do tratamento tópico e oral, é FUNDAMENTAL a higiene ambiental. Fronhas, roupa de cama e toalhas devem ser trocados diariamente até a erradicação, até que criança esteja livre dos piolhos. Ideal é lavar roupa de cama e banho com água quente ou passar a ferro. Carpetes e tapetes do quarto, se houver, devem ser aspirados diariamente. Assim como em outros cômodos que a criança fique.

- As escolas devem ser cobradas, no sentido de avisar os pais em casos de pediculose (avisar a sala toda, para que cada um vistorie muito bem seus filhos). Se há um caso na sala e não for adequadamente tratado, a recontaminação será semanal, a epidemia na classe nunca acabará... 
A meu ver as crianças não tratadas (em que não se percebe a pediculose) são a gigantesca fonte de contaminação dos demais.

- Nos Estados Unidos e Canadá existem centenas de clínicas especializadas em remoção de piolhos, mostrando que o problema não é nem simples, nem só nosso. Por aqui acho que ainda não existem esses serviços. Quem se habilita?

É franquia. Quem se habilita a trazer para o Brasil?

quinta-feira, 3 de março de 2016

Neuroses e Neuróticas Alimentares - Postado por Jairo Len

Quem segue a Clínica Len no Facebook (/clinicalen) acompanhou a gigantesca repercussão de um post que fiz na semana passada. Em cima de uma "charge", esta aí da foto, fiz alguns comentários do que penso sobre a ortorexia alimentar que vem tomando conta de alguns pais (mas principalmente das mães). 

Não foi uma "ode à má alimentação", mas sim uma crítica ao policiamento (através de postagens, textos, fotos...) que vem acontecendo com alimentos que não são proibidos (por lei) nem são considerados venenos pela medicina e pela nutrologia.
Exemplifiquei com as bisnaguinhas, o arroz branco (e vale para tudo normal, não integral), os sucos naturais. Glúten (sensu latu) já tem sido vetado por algumas famílias não-celíacas, a lactose está com dias contados.

Quem trata seus filhos comigo, aqui na Clínica, sabe como é minha orientação alimentar, a busca de - pelo menos até os 2 anos - uma alimentação sem açúcar, sem corantes, sem alimentos ultra-processados ou industrializados. Refrigerantes e néctares deveriam ser proibidos para crianças de quaisquer idades. Obviamente ninguém é a favor de bolachas recheadas pode dentro e por fora nas lancheiras, nem bolinhos prontos.

Costumo dizer que o "única" forma de alimento industrializado que devemos oferecer para os menores de 2 anos são as fórmulas lácteas (para aquelas mães que não conseguiram amamentar, ok??). Aliás, não sei qual é o novo "hit" das dietas radicais, mas algumas mães já vem me questionando se não devemos dar leite "in natura" para as crianças (mesmo abaixo dos 2 anos). A resposta é NÃO, e isso já foi tema de posts anteriores.

Mas o que mais me deixou impressionado foram os comentários, no post, de algumas pessoas. Além de discordar do que escrevo, o que é a base do debate e do aprendizado, foram extremamente grosseiras, mal-educadas ou mal-aprendidas, agressivas, radicais. Gratuitamente, porque todas minhas respostas foram educadas. Xingamentos a mim e aos envolvidos de alguma forma em demais comentários. Só lendo para crer.

Continuo convicto que a alimentação deve ser a melhor possível, mas que os pais (os normais do ponto de vista alimentar) estão ficando loucos pelo que se lê por aí. Cada dia uma novidade maligna.
O que serão dos raros almoços de família?
Uma macarronada (macarrão italiano normal) com almôndegas deve ser um crime. E o bolo de cenoura com cobertura de chocolate? Chamem o conselho tutelar!!! Imagine então o pudim de leite caseiro que sua avó fazia? Leite, ovos, açúcar, leite condensado... 
Não estamos falando de dar isso ao bebê de 8 meses de idade, e sim a uma criança já crescida. De vez em quando, quando a vida em sociedade, em família, entre amigos permitir. 
Que atire a primeira pedra quem nunca deu um picolé de frutas, na praia, para seus filhos (e olha que minha geração sobreviveu às raspadinhas, queijadinhas e chup-chups...)

O mundo está ficando muito chato...e as pessoas mais chatas ainda. Entram na sua "casa", que tem portas abertas, para te ofender.
Eu, particularmente, quando discordo de uma postura, ou ignoro (se julgar que ela não atinge o alvo) ou argumento, baseado em conhecimentos adquiridos nos meios corretos. MAS SEMPRE COM EDUCAÇÃO, um dos maiores valores que me foram ensinados.


O pomo da discórdia, que ofendeu a tantas, gerou os sentimentos mais neandertais possíveis,,,



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Zika e Crianças II - Postado por Jairo Len

Já escrevi sobre Zika aqui no blog, mas como os pais ainda estão muito preocupados e as informações recebidas muitas vezes são confusas, é bom deixar alguns pontos bem claros.

O primeiro deles: a Zika pode causar microcefalia e alterações neurológicas em crianças previamente sadias, até os 7 anos de idade, mesmo se infectadas após o nascimento? NÃO
Rodou um áudio/spam pelo whatsapp, e mesmo algumas outras fontes falaram sobre isso.
É FALSO...
Crianças ou adultos em quaisquer idade não tem qualquer risco de doença neurológica causada diretamente pela Zika.

O grande problema da Zika (ainda que numa esfera de muita controvérsia e estudo, ainda) é quando acomete gestantes, podendo passar por via trans-placentária para os fetos, tendo potencial de causar má-formações congênitas (sendo a microcefalia a mais importante).
REPETINDO: isso só ocorre na gestação, e não em bebês já nascidos que venham a ser contaminados através da picada do mosquito, em nenhuma idade.


Como falei no post anterior, existe uma doença, a Síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma neuropatia potencialmente grave, que teve seu aumento relatado após a epidemia de Zika, não só no Brasil como em outros países.
Síndrome de Guillain-Barré ocorre sempre precedida por uma doença infecciosa. Sempre que temos aumento de doenças infecciosas, como é o caso da Zika, a ocorrência de SGB também aumenta. Não especificamente pela Zika, mas por quaisquer viroses. É algo para ficar alerta. Não houve esse aumento, no Brasil, em crianças.

Mas não está facil se manter esclarecido. Olhe a manchete dúbia de hoje (15 de fevereiro de 2016) do Estadão: "Zika pode provocar alteração neurológica até idade escolar, acreditam médicos". Logo em seguida explicam que essa alteração neurológica é EXCLUSIVA dos infectados intra-útero, que mesmo sem microcefalia e alterações mais graves podem apresentar dificuldades escolares. Ahhh, tá...
Não sei se é má-fé do jornaliasta ou ignorância do estagiário, mas uma manchete assim assusta, ainda mais vinda de um jornal dessa importância.


Assim como a Zika, outras doenças por mosquitos (como a Dengue e o Chikungunya) são bem chatas, sempre, e o meio de evitá-las ainda é evitando o mosquito. Não esperemos as vacinas. Repelentes (DEET e Icaridina) para todos, crianças a partir dos 6 meses estão liberadas para uso (de acordo com o FDA, norte-americano).




quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Novos Calendários de Vacinação - Postado por Jairo Len

Muitos pais tem me perguntado sobre as mudanças no calendário infantil de vacinação do governo em 2016, e se há mudanças nos calendários de vacinação das clínicas particulares. Estas mudanças foram anunciadas na imprensa...

Em resumo, para facilitar: não há mudanças no esquema de vacinação das clínicas particulares (que seguem o calendário oficial da Sociedade Brasileira de Imunizações e da Sociedade Brasileira de Pediatria).

O texto distribuído pela CEDIPI (clínica importante de vacinação aqui em São Paulo) explica bem:

"O Programa Nacional de Imunizações (PNI) segue a lógica de saúde pública em que o foco é a saúde coletiva e o controle de surtos e epidemias. Leva em consideração uma série de parâmetros, tais como: disponibilidade das vacinas em quantidades suficientes para suprir a população-alvo, determinação dos grupos de maior risco para determinadas infecções, a custo/efetividade da vacina, a possibilidade de produção pelos laboratórios nacionais através de transferência tecnológica, etc... Já os calendários elaborados pelas sociedades médicas, que são basicamente os adotados pelas clínicas e serviços privados de imunização, levam em consideração também a imunidade coletiva, porém, o foco principal é na saúde individual, com recomendações, e eventuais indicações para todas as vacinas licenciadas no país, independentemente da disponibilização gratuita na rede pública."

O governo, a fim de melhorar a logística e diminuir gastos (claro, em saúde) mudou para pior, como, por exemplo, diminuindo uma dose da vacina pneumocócica-10 no primeiro ano de vida. Em nenhum lugar do planeta desenvolvido se faz esse esquema, só com duas doses no primeiro ano de vida... Mudou também algo nos reforços de segundo ano de vida, aumentou uma vacina injetável contra poliomielite aos 6 meses, o que já deveria ter sido feito há décadas (mas em injeção única, não em duas picadas).

A única mudança nos calendários das sociedades médicas - mas não é do governo - é que a vacina contra difteria, coqueluche e tétano (tríplice adulto) para as crianças mais velhas passa a ser aplicada com 10 anos de idade (era com 12 anos). No governo ainda não se aplica esta vacina, fundamental na adolescência. Só é aplicada nas gestantes...
A vacina contra meningite B também entra no calendário "particular", mas ainda está bem difícil de ser achada.




terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Zika e Crianças - Postado por Jairo Len

A Zika é uma doença viral descoberta há mais de 70 anos, causada por um vírus, o Zika Vírus. O primeiro caso isolado foi relatado em Uganda, na Floresta de Zika, no ano de 1947, em macacos.

A transmissão do vírus Zika para humanos se dá exclusivamente pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a Dengue e a Febre Chikungunya. Ainda não há certeza sobre outras formas de transmissão, como sexual ou através do aleitamento materno.

No Brasil, os primeiros casos foram relatados em 2015.

A DOENÇA - após a picada, os primeiros sintomas podem acontecer em 3 a 12 dias, e são caracterizados por febre, dores no corpo e articulações, dor de cabeça, exantema (vermelhidão pelo corpo), conjuntivite e dor retro-orbital (atrás dos olhos). Os sintomas são mais brandos que a Dengue e Chikungunya, que tem quadro clínico bastante parecido.

Estes sintomas duram 3 a 7 dias, e a aos poucos vão desaparecendo. Não há necessidade de tratamento específico - só são tratados os sintomas, com analgésicos e antitérmicos, e bastante líquido. Muitos dos infectados não desenvolvem sintomas, e a doença passa despercebida.

Teoricamente a Zika é uma doença benigna, porém houve casos relatados de aumento de complicações neurológicas em locais onde houve epidemia de Zika, como na Polinésia Francesa, em 2014. Essa complicação é a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) , uma neuropatia potencialmente grave.  A ocorrência é bastante rara, mas não se pode negar a relação da Zika com a SGB.
 
ZIKA e CRIANÇAS

Crianças e adultos são afetados da mesma forma pela doença. A Zika não é mais grave em crianças, não traz maior índice de complicações, não é uma doença mais importante nos mais novos, mesmo recém-nascidos.

O grande problema, que todos sabemos, é a gravíssima relação entre a Zika e gestantes, aonde há confirmação de malformações cerebrais nos fetos. Isso ocorre exclusivamente em gestantes, no primeiro trimestre da gestação. Jamais quando a criança é infectada pelo Zika após o nascimento.
O diagnóstico infelizmente ainda está sendo feito em poucos laboratórios no país, como o Instituto Evandro Chagas. Laboratórios particulares, como Fleury, Delboni, entre outros, ainda não tem o exame disponível.

PROTEÇÃO e PREVENÇÃO

A única forma de evitar a doença é evitar a picada do mosquito. Não há vacina ou medicação profilática contra o Zika.
O uso de repelentes é fundamental nas áreas epidêmicas. Icaridina (Exposis) e DEET (Off, Repelex, Autan) são efetivos e podem ser usados a partir dos 6 meses de idade. Em casos mais importantes, em epidemia, sem outras formas de proteção, o DEET pode ser usado a partir dos 2 meses de idade. Gestantes podem usar a Icaridina sem restrições.
ATENÇÃO: estas faixas etárias são recomendações da Academia Americana de Pediatria e o FDA, ambos norte-americanos). No Brasil, a ANVISA libera em outras faixas etárias.

Todas as outras forma de proteção são bem vindas: telas-mosquiteiras, inseticidas elétricos, inseticidas comuns, velas de citronela...enfim: o importante é se proteger.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Mosquitos e Doenças - Postado por Jairo Len

Todos sabemos que uma epidemia de doenças causadas por mosquitos (principalmente o aedes aegypti) está ativa, causando três doenças virais: Dengue, Chikungunya e Zyka.
Essas doenças tem sintomas parecidos, como febre alta, dores articulares e musculares, dor de cabeça, dor nos olhos, exantema (manchas vermelhas pelo corpo), mal estar geral.
Sem entrar no mérito que é uma vergonha ter um epidemia dessas doenças, e que o governo (federal, estadual e municipal) não fazem absolutamente nada por isso, além de por a culpa em nós - através de propagandas para que cada um cheque sua própria casa, como se isso bastasse - acho importante que haja um ampla proteção individual contra mosquitos
Me parece um assunto "esgotado", mas recebo perguntas diárias dos pais de como faze-lo, o que é seguro, o que funciona.

Em primeiro lugar, proteção de barreira, aonde incluímos as inúmeras formas de telas mosquiteiras (que devem ser item obrigatório das nossas janelas de casas e apartamentos). Para os bebês, telas próprias para carrinhos e berço ajudam bastante.

Os inseticidas são fundamentais, iniciando por aqueles elétricos, de tomada. Quaisquer marcas são boas, todos contém o mesmo tipo de inseticida. Podem e devem ser usados em quaisquer idades, na casa toda incluindo o quarto. Muito cuidado só com a ingestão acidental - já vi dois casos neste ano - de bebês que tiram o aparelho da tomada e colocam na boca.
Estes inseticidas elétricos ajudam, mas não garantem 100%, é claro. Se há infestação de mosquitos, o uso de inseticidas spray pode ser realizado.
Ainda tenho dúvidas de os repelentes ultrassônicos de tomada funcionam, não conte com eles.
Existem alguns aparelhos elétricos de "queimar" os mosquitos, com luzes ultravioleta, uma ventoinha, que  funcionam como aquelas viciantes raquetes, mas atraem os insetos. Funcionam bem para áreas externas e cobertas, mas também sem garantir que os mosquitos não entrem em casa...

Repelentes ainda são um modo fundamental de proteção, e devem ser usados à vontade nas crianças acima dos 6 meses de idade (e em alguns casos acima dos 2 meses). Escrevi sobre isso em um post recente: clique aqui para ler o post. Sempre com todos os cuidados da aplicação de um produto químico em uma criança, porque todos podem causar alergias cutâneas ou irritação de mucosas, e mantendo os frascos sempre afastado das crianças - já tive também alguns casos de ingestão acidental em crianças.

Pulseirinhas, adesivos e clips de citronela também tem seu efeito bem restrito, não conte só com isso.

Grávidas, especialmente, devem usar e abusar dos repelentes a base de Icaridina, porque todos vemos uma relação entre mais de 700 casos de microcefalia, no Nordeste, e infecção pelo Zika - um fato gravíssimo.

Proteja-se...

Boas férias!






segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A falta de vacinas nas clínicas de vacinação - Postado por Jairo Len

Quem tem filhos abaixo de um ano de idade deve estar percebendo uma falta de vacinas, nas clínicas particulares de vacinação.
Especificamente as vacinas produzidas pelo Laboratório GSK (que comprou a parte de imunizações da NOVARTIS), responsável pela maioria das vacinas importadas no Brasil.

Vacinas muito importantes, como a Hexavalente e Pentavalente, que protegem contra difteria, coqueluche, tétano, hemófilus B, poliomielite e hepatite B não virão mais para o Brasil, pelo menos até 2016. Estas vacinas são usadas em bebês de 2, 4 e 6 meses, e crianças de 1 ano e 4 meses.

Algumas clínicas particulares ainda tem estoques, porém pequenos, que logo acabarão.Algumas destas doses podem ser postergadas, outras não (como aos 2 e 4 meses).

Nosso plano B será o uso da vacinação do PNI (programa nacional de imunizações), realizados nos postos de saúde. Nos postos de saúde, salvo em exceções históricas, não costuma ocorrer falta de imunobiológicos.
O esquema vacinal não é tão confortável, porque com 2 e 4 meses temos uma picada a mais, em postos de saúde. Habitualmente estas vacinas que o PNI oferece podem causar maiores reações adversas, mas que são bem administráveis com anti-térmicos.
Mas do ponto de vista de proteção, é igual, mesmas doenças.
O mesmo ocorre com a vacina aplicada entre 4 e 5 anos de idade.

As demais vacinas aplicadas nestas faixas etárias (2-4-6 meses e 16 meses), preferencialmente devem ser realizadas (para quem possa pagar, obviamente) nas clínicas particulares de vacinação.
Não são iguais do ponto de vista de proteção: a Pneumocócica do PNI é 10-valente, enquanto na rede privada usamos a 13-valente (importantíssima no hemisfério sul), e a vacina contra rotavírus do PNI é monovalente (70% de proteção) contra a Pentavalente (99% de proteção) aplicada na rede particular.

Outra vacina GSK/Novartis em falta é a vacina contra meningite B, tema de outros posts. Ainda não regularizou, infelizmente. Ficou só na promessa do laboratório produtor.

Como curiosidade, a GSK alega que devido ao aumento da população mundial (!!!) e a dificuldade técnica de se produzir uma vacina - que demora cerca de 6 a 29 meses por dose - enfrentamos essa falta generalizada de imunobiológicos.

O Brasil investe pouquíssimo nisso, não há nenhum interesse dos grandes produtores mundias de vacinas se estabelecerem por aqui... Aliás, me parece que quem pode está saindo...

Nós continuamos aqui. Firmes e fortes, driblando ou tentando driblar estas adversidades, sempre com muita transparência e respeito aos pacientes e suas famílias.

Utilidade pública: segue abaixo link do PDF da prefeitura de São Paulo com os postos de saúde que fazem vacinações de forma permanente:

POSTOS DE VACINAÇÃO 


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Glúten não tem culpa - Postado por Jairo Len

Entre os modismos alimentares, a intolerância ao glúten (e à lactose) estão em alta, há alguns anos.
Ninguém sabe exatamente porque, mas de repente estes alimentos passaram a engordar e fazer um mal gigantesco.
Particularmente as dietas (não só para emagrecer) sem glúten e sem lactose se tornaram obsessão, e quanto mais famosa a pessoa menos glúten e lactose ela pode comer!

Cerca de 1% da população tem algum grau de intolerância ao glúten, proteína que está presente em todos os alimentos à base de trigo, aveia, cevada, centeio e malte. Ou seja: pão, macarrão, bolachas, torradas, cerveja, tudo que contenha aveia, etc... Os sintomas desta intolerância, cujo nome é Doença Celíaca, são dores abdominais, distensão, diarreia ou obstipação, vômitos, inapetência, sempre que se ingere alimentos que contenham glúten. O grau de sintomas é bastante variado, mas só ocorre em 1% das pessoas (e em 80% dos famosos..!!!). Os celíacos realmente devem evitar o glúten por toda a vida, sem dúvidas.

Essa mania de dietas sem glúten tem chegado nas crianças - cujas mães se auto-declaram intolerantes e não querem dar glúten aos seus filhos.
Tenho insistido para estas mães que o contato com trigo e outros cereais deve ser precoce, dos 6 meses em diante, para evitar alergias futuras.

Evidente que cortar o glúten vai acarretar uma perda de peso, uma vez que se restringem inúmeros alimentos calóricos do dia-a-dia. Assim como cortar carboidratos...
Estas dietas restritivas, porém, tem efeito limitado e podem gerar alto grau de ansiedade.

Em breve acharemos outro culpado para nossos males, e o glúten e a lactose serão absolvidos.
Quem será o próximo?


Muito cuidado!





quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Pais sem limites - Postado por Jairo Len

Não sou muito de copy-paste aqui no blog, mas li um texto do escritor e novelista Walcyr Carrasco (Época On Line) que achei excelente, por isso vou copiar aqui.

Uma visão da falta de limite dos pais, e por isso a falta total de limites dos seus filhos... 

Achei interessante porque o texto vem de alguém "fora" dos muros pediátricos, não é um psicólogo, um pediatra, um educador ou uma mãe falando. É um cidadão desabafando.

E mostrando que, em quase tudo, a culpa é dos pais, maus educadores.

Como o texto é de livre leitura (não precisa assinatura), copio aqui na íntegra.


Pais Sem Limites - Por Walcyr Carrasco, 15/09/2015

A educação liberal é confortável para os pais. Mas os filhos precisam saber o que são deveres e obrigações


O avião estava cheio. Eu no fundão. Duas poltronas atrás de mim, uma criança começou a chorar. Abriu o berreiro. Ninguém disse uma palavra, fazer o que quando uma criança chora? A mãe, em vez de tentar acalmar o filho, reclamou em voz alta.

– Criança chora mesmo, e daí? Vocês ficam me olhando, mas o que posso fazer? Criança é assim: chora.

Tudo bem. Criança chora. Mas a gente ouve. Ninguém havia reclamado do incômodo em voz alta. Suponho que algumas pessoas tenham olhado para a mãe como se pedindo que fizesse alguma coisa. Em vez de acalmar o filho, ela brigou. Sinceramente, nem olhar a gente pode? E mais sinceramente ainda: como será a educação desse menino, se a mãe prefere reclamar com quem se sente incomodado com o choro, no lugar de acalmar o filho? Vai ter noção de limite? Ou se transformará num briguento, achando que tem direito a tudo? No caso dos aviões, eu acho que há uma irresponsabilidade enorme dos pais. Como podem expor um bebê de colo a viagens aéreas? Sim, existem os casos de extrema necessidade. Mas não são a maioria. Um bebê sente dor nos ouvidos, talvez até mais intensa que nós. Quando eu sinto, tento mascar chiclete, chupar bala, ou pelo menos, racionalmente, posso entender o que está acontecendo e suportar. Um bebê não. De repente, vem aquela dor horrível, ele não sabe o porquê. Chora. Grita. Os outros passageiros têm de suportar o barulho, ficam até com dor de cabeça. Mas um bebê é um bebê, e todos temos de entender. E os pais? Como obrigam a criança a suportar essa dor? E os passageiros os gritos? Eu já vim da Turquia certa vez, em uma viagem que durou o dia todo, com duas crianças pequenas logo atrás de mim. Classe executiva. Gritaram e choraram quase a viagem toda. E não têm razão? Como suportariam passar o dia todo sentados, cintos afivelados? Os pais eram pessoas simpáticas. Tinham ido a turismo. É certo deixar os filhos presos um dia inteiro? É justo enlouquecer os outros passageiros? Claro que criança tem o direito de viajar. Mas é preciso escolher o roteiro mais adequado.

Certa vez fui a uma pousada na serra carioca. Deliciosa. Um diretor de cinema, mais tarde, comentou:

– Eu ia sempre lá. Mas eu e minha mulher cometemos um crime. Tivemos uma filha. Na pousada não aceitam crianças.

É fato. Já existem hotéis e pousadas que não hospedam crianças. Muita gente acha um horror. Por outro lado, o problema não está nos pais? Em qualquer lugar onde os pais estejam com os filhos, agem como se eles tivessem direito a tudo. Podem correr, gritar. Dá para ler um livro embaixo de uma árvore, no alto da serra, com crianças correndo e gritando? E com os pais apreciando a algazarra tranquilamente, sem se importar com os outros hóspedes?

Eu poderia citar outros exemplos. Visitas que chegam com filhos que pulam no sofá. Ou brincam com algum objeto de estimação. Que batem no prato e dizem que não gostam da comida, em restaurantes. (E com razão. Agora criança tem de apreciar sashimi quando quer hambúrguer?) O problema  está nos pais.

Muitos foram reprimidos quando crianças. Antes era assim: podia, não podia. A educação tradicional impunha limites, às vezes de forma rígida. Eu mesmo acredito que o excesso de rigidez é péssimo. Por outro lado, essas crianças vão crescer, e terão de viver com normas. A vida é cheia de isso pode e aquilo não pode. O respeito ao outro implica entender os próprios limites. Senão é aquilo: todo mundo querendo furar fila, tirando vantagem. O fato é que muitos dos pais modernos, como a mulher que esbravejou no avião, acham que criança pode tudo. Já conversei com professoras, segundo as quais, hoje, boa parte dos pais delega a educação básica dos filhos à escola. Há casos, extremos, em que a professora tem de explicar a importância de escovar os dentes todos os dias. Não estou falando de famílias sem condições financeiras, no caso. Mas também de gente bem de vida, para quem é mais fácil não discutir deveres e obrigações com os filhos. Deixar rolar.

Mas um dia os filhos terão de aprender a viver em sociedade. Podem contar com a mãe ou o pai para chorar as pitangas se forem demitidos. Um ombro sempre é bom. Mas só terão empregos e oportunidades se souberem o que são limites, deveres, obrigações. A educação extremamente liberal é atraente. Principalmente, porque confortável para os pais. Mas fica a pergunta: se os pais não dão noção de limites, como os filhos um dia vão ter?


Link original do texto: época online - clique aqui


Essa é clássica...

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Nossa má alimentação - Postado por Jairo Len

Por "nossa", entenda-se a alimentação infantil no Brasil que anda, de acordo com estatísticas, deturpada e pouco saudável.
Pesquisa do Ministério da Saúde (2013) revela alguns dados que todos sabemos sobre a esquizofrênica alimentação infantil.

Ao mesmo tempo que as mães são queimadas em praça pública e querem cortar os pulsos quando não conseguem amamentar seus bebês, as estatísticas mostram que muitas destas mães oferecem, ainda no primeiro e principalmente no segundo ano de vida, alimentos pouco saudáveis para seus bebês:
- 60% dos bebês abaixo dos 2 anos já comeram bolachas recheadas e bolos prontos.
- 32% dos menores de 2 anos já tomaram néctar de caixinha e refrigerantes (!!!!!)
- Grande parte já ofereceu iogurtes, que são açucarados e, na maioria das vezes, contém corantes, além de inúmeros aditivos químicos.

É claro que o sistema não colabora... Para os maiores, basta uma hora de canal de TV infantil para que sejam bombardeados com os lançamentos alimentares mais trash do planeta, como bolachas mega-recheadas ou porcaritos de pacote...

Agora ainda há a crucificação do suco natural. As mães estão fugindo do corredor das frutas. Tenho insistido que há limites de quantidade para quaisquer alimentos. Concordo que há exagero no consumo de sucos naturais, muitas vezes adoçados, várias vezes ao dia (até em cardápios de berçários/maternais eu noto isso), mas com uma boa orientação há lugar para todos os alimentos naturais... 

Vejo no dia a dia da Clínica que tudo anda esquisito... Ao mesmo tempo que algumas mães não querem dar lactose ou glúten para bebês absolutamente normais (por convicções dietético-religiosas próprias), outras liberam na gelatina, néctar de caixinha ("única opção para a lancheira"), iogurtinhos infantis, sorvete (paletas...). E muitas vezes estas mães são as mesmas. Que restringem aqui e liberam ali... Marcam uma idade e...liberam tudo.

Sem falar do incorrigível problema nas classes econômicas mais baixas, aonde em cada porta de escola há um ambulante lotado de pipocas-de-isopor e salgadinhos super-salgados e oleosos a menos e R$ 1 por pacote. Não que isso não atinja a todos, mas os estudos mostram que quando menor o poder aquisitivo, maior a ingestão de calorias vazias.

Exemplos e hábitos...
Nos adultos, só 37% consomem o recomendado diariamente de frutas e hortaliças, e 25% consomem refrigerante 5 ou mais dias por semana.
Acho que em crianças esses índices não devem ser muito diferentes.

Enfim...
O estudo serve para nos lembrar da importância da alimentação no nosso dia-a-dia, principalmente em relação aos nossos filhos.
Não acho difícil fazer uma alimentação bem adequada nos primeiros 2 anos (estendida aos 5 anos), evitando açúcar, alimentos super-industrializados (como refrigerantes, néctares, bolachas recheadas e bolinhos prontos).

Bom senso é tudo, para aqueles que tem...


#Quem nunca?















quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Campanha de vacinação contra poliomielite - Postado por Jairo Len

Todos os anos, em agosto, surge a dúvida se os pais devem levar seus filhos para receber a dose da vacina contra poliomielite oral (Sabin) na campanha nacional realizada pelo governo.

Sempre recomendei que as crianças que recebem a vacina injetável não necessitam dos reforços orais (como ocorre nos Estados Unidos, Europa, Israel, Canadá...).

Porém...

Diferente de anos anteriores, neste ano (2015) há uma falta da vacina contra poliomielite injetável (realizada nos primeiros anos de vida), em todas as clínicas particulares de vacinação.
Ainda não há falta generalizada, mas todos temos sentido a dificuldade de adquirir, nos laboratórios, as vacinas tetravalente, pentavalente e hexavalente - todas elas contém a poliomielite inativada intra-muscular.

Por este motivo, recomendamos que todas as crianças entre 1 e 5 anos (incompletos) recebam uma dose da vacina contra poliomielite oral (Sabin) nos postos de vacinação/campanha do governo.

A vacina Sabin só é dada nos postos públicos de vacinação. 


As Clínica Len de Pediatria não tem a vacina Sabin à disposição. Já solicitamos à Vigilância Epidemiológica Lapa/Pinheiros e ao Nível Central (CCD/Programa Nacional de Imunização) o recebimento de doses da vacina contra poliomielite oral, que, se dispusermos, será realizada de forma gratuita para todos.


Será que nossos netos verão um Brasil melhor?