segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Piscina e Mar - Postado por Jairo Len

Com a proximidade do verão e das férias, as dúvidas sobre uso de piscina e banhos de mar são muito frequentes.
Começo pelo uso "recreativo" de piscina e mar: não existe uma idade mínima ou qualquer recomendação específica. Se o mar e a piscina em questão são limpos, sem excesso de substâncias químicas e estão em temperatura agradável, as crianças, em qualquer idade, podem usar. Bom senso. Pessoalmente não vejo a necessidade de colocar um recém-nascido até 6 meses de idade dentro da piscina de casa ou no mar, mas diariamente pais e mães divergem sobre o assunto e querem minha opinião (obviamente o pai quer colocar o bebê na piscina e a mãe não quer...).
Entre 6 meses e 1 ano o bebê já começa a interagir, já sabe aonde está, brinca com a água...Tenho certeza que a partir desta faixa etária não será só o pai que vai se divertir...

AULAS DE NATAÇÃO
Assunto controverso... A frase que eu falo na Clínica: "se quiser, dou o atestado para o bebê fazer natação a partir dos 6 meses. Mas só recomendo natação para bebês a partir dos 2 ou 3 anos de idade". Tenho dezenas de pacientes que fazem natação a partir dos 6 meses.
Não vejo nenhuma necessidade, de uma forma geral. Não é uma atividade que traga um benefício comprovado - inclusive vários países no mundo não permitem estas aulas de natação antes de 3 ou 4 anos de idade. Exceções existem, certo?
As piscinas das academias são aquecidas a cerca de 30ºC (um meio de cultura perfeito), são utilizadas por centenas de crianças por dia, que fazem suas "necessidades" na fralda, na piscina mesmo... Nem todas as mães só levam seus filhos à natação se estiverem 100% sadios. Coriza, tosse... Particularmente sempre recomendo que uma criança só retorne à aulinha de natação, após um processo infeccioso, quando estiver totalmente curada, sem uso de quaisquer remédios - um processo que dura cerca de 2 semanas. Você acha que todas as mães seguem essa recomendação?
Serem tratadas com ozônio ou salinizadas é básico (porque o cloro é muito alergênico), mas lembro que as bactérias e vírus não são mortos por estes métodos - e vivem até 24 horas nas piscinas aquecidas.
Todas crianças pegam mais infecções? Não, de forma alguma. Mas sem dúvida há comprovação científica de aumento de otites, rinosinusites e outras infecções do trato respiratório nas crianças que fazem natação. Cada caso deve ser avaliado individualmente...
Outra questão abordada pelas mães é a climatização do ambiente. Piscina aquecida e vestiário não aquecido são um problema? Para muitas crianças, sim.
O choque térmico infantil nem sempre é inóquo, principalmente nas épocas mais frias (São Paulo em frio em qualquer época do ano).

E o mais importante de tudo: muitos pais querem natação precoce para seus filhos para que os mesmos aprendam a nadar, não se afoguem... Até os 4 a 5 anos de idade, uma criança, mesmo que saiba nadar muito bem nas aulinhas de natação, pode se afogar. Principalmente se "cair" na piscina sem querer, acidentalmente - não quando está nadando de forma espontânea, brincando na água com adultos em volta...
Todo cuidado é pouco. Já tive casos de quase-afogamento em crianças na Clínica - que sabiam nadar e faziam aula de natação - mas que só tinham 3 ou 4 anos de idade quando tentou pegar um brinquedo ou escorregou e caiu na água.
Na faixa de 1 a 4 anos o afogamento é a segunda causa externa de morte no Brasil.
ESTADOS UNIDOS: Os afogamentos em água doce são mais frequentes em crianças, principalmente em menores de 10 anos. Estima-se que existam mais de 4.500 casos de morte por ano só nos EUA (53% em piscinas), onde 50.000 novas piscinas são construídas por ano, somando-se a 2.2 milhões de piscinas residenciais e 2.3 milhões não residenciais. Nas áreas quentes do EUA, Austrália e África do Sul, 70 a 90% dos óbitos por afogamento ocorrem em piscinas de uso familiar. No Brasil, onde o número de piscinas domésticas é infinitamente menor, o afogamento em água doce ocorre mais em rios, lagos e represas perfazendo a metade dos casos fatais.

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