terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Parto em casa com água - Postado por Jairo Len


A não ser que você seja um peixe, não vejo qualquer sentido do parto ser na água.
Em "alta" na mídia desde o nascimento do "sem rosto" Benjamin, filho de Gisele Bundchen, o parto domiciliar e na água, a meu ver, é um grande retrocesso. Tanto ao período pré-histórico, aonde se nascia nas cavernas, como no período mezo-proterozóico, quando a gente era parecido com um girino.
Quanto a não ser anestesiada (e jurar que não teve dor), sem remédios e sem intervenção médica (dentro do hospital), acho uma opção de cada mulher, é claro. Sou amplamente a favor do livre-arbítrio, desde que isso não possa causar qualquer mal ao recém-nascido.
Evidentemente os índices de mortalidade materna e infantil no momento do parto caíram bruscamente nos últimos 100 anos às custas de um melhor atendimento na hora do parto. Eu posso relatar inúmeras histórias de bebês e mães que se não estivessem no hospital teriam morrido devido a complicações - inesperadas - na hora de um parto normal ou cirúrgico. Não é um exemplo ou outro que vão dar aval a se "reinventar" esta moda.
Imagine você se a moda pega. Vizinhas parteiras despreparadas, sangramentos, falta de vacinação e anticoagulante nos bebês, icterícias, hipotermias... Pelo menos dentro de um hospital ainda existe algum controle de qualidade. Além de oxigênio, aspiradores no caso de aspiração de mecônio, monitorização...
Falo isso porque a população não pode ser dividida nos que "podem" ou nos que "não podem" ter o parto em casa devido a seus recursos econômicos. É evidente que Benjamin teve um aparato gigantesco que estaria a sua disposição se algo desse errado. Mas não é essa a realidade das mães que procuram estes caminhos. O parto domiciliar em geral é feito por parteiras (obstetras, aposentem-se!) e sem neonatologistas.
Sempre brinco com os pais que "a maioria dos partos poderiam mesmo ser em casa ou no táxi." Mas aqueles casos específicos, que precisariam de suporte, vão fadar a criança a um problema neurológico para sempre se não forem muito bem conduzidos. Já vi vários casos assim, principalmente na minha época de residência médica, nos plantões do Amparo Maternal - aonde o parto era em casa ou no táxi por absoluta falta de recursos econômicos e suporte do governo. Eu via como alguns recém-nascidos chegavam...

O ginecologista e obstetra Júlio Elito, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também prefere que as mães adeptas dos partos humanizados utilizem as salas especiais dos hospitais. “É possível ter um parto natural, sem intervenção médica, sem remédios e sem anestesia, no hospital, onde os recursos estão à mão”.
Algum argumento?

3 comentários:

Agradeço todos os comentários!
De acordo com normas do Conselho Federal de Medicina, determinadas orientações só podem ser feitas após consulta médica ou avaliação/seguimento - portanto não posso responder perguntas detalhadas e individualizadas neste canal.
Obrigado

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