segunda-feira, 10 de maio de 2010

Obesidade infantil - Postado por Jairo Len

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"Tenho uma pergunta.
Você sabe que eu tive problemas com obesidade a vida inteira, né? Acabei fazendo a cirurgia do estômago e plásticas, etc. Agora minha filha de 7 anos também esta acima do peso.
Você acredita que tem alguma coisa que eu possa fazer agora, ou só quando ela for mais velha? Eu não quero que ela tome remédios e faça regime a vida inteira, como eu fiz. Não acho que tenha me ajudado em nada a não ser acabar com meu metabolismo e minha auto-estima. Me da sua opinião!"
Perguntas como esta são muito frequentes. A abordagem é que não mudou muito nas últimas décadas. Como evitar que a filha de 7 anos sofra tudo o que a mãe sofreu?
Em primeiro lugar, acho que 7 anos já é tarde para cuidar do problema (ainda que a solução exista). Aos 2 anos (ou quando o problema começar) já temos que ser rigorosos com o controle de peso das crianças.
Um fator que é um problema: a genética. Se a mãe foi obesa, existe uma chance maior da filha seguir os mesmos passos. Obesidade não é só alimentação - existem inúmeros fatores hormonais envolvidos. Mas a abordagem é em cima da alimentação, até que se invente a cura por outras maneiras. Cura? Isso mesmo. Devemos encarar a obesidade infantil como doença.
Sempre dou o exemplo para as mães de famílias que tem filhos diabéticos. O diabetes tipo 1 independe de obesidade. São crianças sadias que, de uma hora para outra, se tornam diabéticas.
Como num passe de mágica, aquela casa se torna um exemplo e perfeição "dietética". Não entra açúcar, as quantidades e porções são controladas, não há exceções.
As mães de crianças obesas devem agir da mesma forma. Controle alimentar. Seja rigorosa. A vigilância deve ser total, dentro e fora de casa, na escola, nas festinhas infantis. Ainda que, diferente dos diabéticos, aqui as exceções podem ser mais frequentes. O leite e laticínios devem ser light, as bolachas doces e salgadinhos devem ser banidos. Sucos de frutas naturais são saudáveis mas engordam - substitua por água. Controle a quantidade de comida ingerida. Saiba dizer NÃO quando a criança quer comer mais. Não deixe a criança levar os saquinhos de balas das festas. Se deixar, assim que chegar em casa confisque o saquinho de balas (de preferência sem seu filho perceber - eles logo esquecem após o merecido sono pós-festinha). Brigadeiro e outros docinhos? Pode comer 1 (um). E chega.
Insista para que os avós sigam as mesmas orientações de dieta que você faz com seu filho. Existem outras maneiras de demonstrar amor...
Meninas (e meninos) que entram na adolescência muito obesos são um problema sério - metabólico e comportamental.
Ainda que óbvio, vale a pena lembrar que o reforço deve sempre ser positivo. Ficar controlando a dieta e dizendo "você está gorda...nada te entra...não vou mais comprar roupa..." é péssimo.

Na minha experiência, se a mãe e o pai emagreceram ou são magros, toda essa insistência e controle vão dar resultados no futuro. Em algum momento estas crianças emagrecem. Pode levar alguns anos, mas funciona. Não desista.
E lembre-se que a temida anorexia nervosa não é causada por controles alimentares na infância, desde que realizados sem atacar a auto-estima da criança.
Se o pai ou a mãe continuam obesos, a chance dos filhos emagrecerem é bem pequena.
Quanto aos exercícios físicos, são muito saudáveis. Mas não os vejo como uma solução ou divisor de águas, principalmente antes do início da adolescência.

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