terça-feira, 29 de junho de 2010

Medicamentos Genéricos - Postado por Jairo Len

Se você perguntar para o seu médico se ele confia nos medicamentos genéricos, provavelmente vai ouvir um "mais ou menos"...
A maioria dos médicos que atuam em clínicas particulares e hospitais de referência não prescreve medicamentos genéricos, principalmente se forem remédios para doenças importantes, que precisam rápido tratamento (como infecções). Os hospitais de ponta aqui em São Paulo (Einstein e Sírio) não usam medicamentos genéricos.
Porque isso ocorre no Brasil?
O problema é que não existe uma vigilância constante da qualidade e bioequivalência dos remédios genéricos (e similares, idem). Nos originais, confia-se na marca, no laboratório produtor.
Folha de São Paulo, edição de hoje - Nas palavras do professor de farmacologia e clínica médica da USP Antonio Carlos Zanini: "Perdi a confiança nos genéricos", "Se é um medicamento do qual possa depender a vida, eu não uso e não deixo ninguém em casa usar", diz. Zanini, que comandou a vigilância sanitária nos anos 80, diz que a fiscalização é falha. "Hoje, exige-se teste no licenciamento do genérico e, daí para a frente, ninguém sabe o que ocorre", diz.

Eu costumo comparar o uso de genéricos à linguiça: se lançarem a linguiça genérica (produzida sabe-deus-aonde) você compraria? Mas se a Sadia ou a Perdigão produzissem a linguiça genérica, talvez você possa comprar, certo? Genérico só de fabricantes confiáveis. Para meus pacientes, quando é o caso, indico a marca de genérico a ser usada. E realmente nunca uso em situações de risco - nem genéricos nem similares.
Se o tratamento ambulatorial de uma pneumonia depende do efeito do antibiótico intra-muscular injetável, não posso usar um produto de efeito duvidoso. Tenho que ter certeza absoluta que o remédio faz efeito. Ninguém vai aceitar, em caso de falha terapêutica, a desculpa que "foi o remédio". O Rocefin (ceftriaxona original Roche) custa R$ 82,60 contra R$ 14,42 do genérico. Qual é o milagre?

Em pediatria ainda temos o problema do gosto dos remédios. Os genéricos, para baratear o preço, não tem grande preocupação com o sabor.
Porém, acho que para uso prolongado e monitorizável (por exemplo, distúrbios de colesterol) os genéricos de bom fabricante podem ser usados. Em pediatria temos pouquíssimas situações assim.

2 comentários:

  1. Parabéns pelo seu blog.
    Charles
    30.06.2010

    silvafonseca@gmail.com

    www.charlesfonseca.blogspot.com

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  2. tenho problema de pressao alta estava tomamando zaarpres 50 por 12,5 e estava controlada ai acabou nao encontrava ele tive que comprar generico quando senti algunas coisas quando fui verificar a pressa estava 14,10 entao eu quero saber ate que ponto os genericos sao confiaveis o laboratorio e da medley maise1975@r7.com

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Agradeço todos os comentários!
De acordo com normas do Conselho Federal de Medicina, determinadas orientações só podem ser feitas após consulta médica ou avaliação/seguimento - portanto não posso responder perguntas detalhadas e individualizadas neste canal.
Obrigado

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