terça-feira, 13 de julho de 2010

Tombos e traumas - Postado por Jairo Len


O número de ligações telefônicas a respeito de batidas, tombos, quedas e demais traumatismos aumentou nas férias. As crianças - em casa ou viajando, com tempo livre - se machucam mais...
A maioria das quedas não requer nenhuma conduta médica, e a idéia aqui não é fazer um tutorial de rotinas em traumatismo - mas sim acalmar os pais que, invariavelmente, ligam desesperados para mim.
O que devemos nos preocupar em cada tipo de tombo ou batida?

QUEDAS DA PRÓPRIA ALTURA - exemplos: aquelas em que a criança estava sentada e caiu para trás, estava andando, caiu ou tropeçou e bateu no batente da porta, caiu do sofá ou da cama dos pais para o chão, de cabeça. Estas quedas não trazem risco intracerebral. O risco aí são os cortes. Claro que, havendo cortes, uma avaliação sobre a necessidade de suturar ou não deve ser feita. Mas não há risco de hemorragia intracraniana. As crianças muitas vezes vomitam em seguida, mas isto tem relação com o susto, o choro e a labirintite traumática.

QUEDAS DE MÉDIA ALTURA (70 cm ou mais) ou em POUCO MOVIMENTO - exemplos: queda do colo dos pais, do cadeirão, do trocador, da bicicleta, da mureta, batidas de cabeça, de frente, entre duas crianças correndo...
Separamos em dois: nas crianças abaixo de um ano de idade e que bateram a cabeça (rosto, queixo, cabeça) uma avaliação médica é necessária. Nesta faixa etária existe maior risco de fraturas ósseas. Nunca vi um problema intracraniano (hemorragia), mas já vi algumas fraturas - nasais, mandibulares, cranianas.
Para os maiores de um ano, basta "observação".
Aí, o maior detalhe. O que é "observação", no caso de traumatismo craniano?
O importante é que, passado o choro, o sono que o stress causa e os eventuais vômitos imediatos, a criança fique bem.
Não deve, após uma hora (e até 24 horas) começar a vomitar.
Pode dormir, não há problemas, principalmente se é horário normal de se dormir. Mas os pais devem ver, a cada 3 horas, se a criança não está "desmaiada", "inconsciente". Para isso, não é necessário despertá-la. Basta chegar perto da cama, movimentar um pouco, virar seu filho de lado. As crianças sempre se ajeitam, reclamam, mudam de posição... Nestes casos, tudo bem. Se alguém (adulto ou criança) estiver inconsciente, não esboçará nenhuma reação. Isso é um detalhe importante.
Ou, por exemplo, se notar que seu filho, após um traumatismo, está extremamente sonolento durante o dia, falando arrastado, perda de memória: estes são dados importantes. Necessidade de avaliação neurológica, mesmo nas quedas moderadas.

QUEDAS OU TRAUMATISMOS MAIS IMPORTANTES: por exemplo, quedas do muro, da beliche, acidentes automobilístiscos, queda de objeto pesado sobre a cabeça (um caso recente? A trave de futebol do clube caiu na cabeça do goleirão de 12 anos de idade) - Nestes casos a avaliação médica e radiológica é fundamental, aonde você estiver. Independente de vômitos, de sonolência, etc. Sempre será necessária uma tomografia ou ressonância magnética.

Um último detalhe: em relação aos cortes e suturas, uma avaliação médica é sempre importante, principalmente nos cortes mais profundos. Se estiver viajando, a uma, duas ou três horas de um centro médico bom, vale a pena se deslocar. Se estiver numa cidade do interior, pergunte se há um cirurgião plástico "bom" para fazer a sutura. Uma sutura, após 12 horas, não pode mais ser refeita...

E, em todos os casos acima, consulte sempre o seu pediatra antes de decidir qual conduta deve tomar.

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De acordo com normas do Conselho Federal de Medicina, determinadas orientações só podem ser feitas após consulta médica ou avaliação/seguimento - portanto não posso responder perguntas detalhadas e individualizadas neste canal.
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