quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Pulseirinhas nas maternidades - Postado por Jairo Len

Mais uma lei parva acaba de ser aprovada pela câmara dos vereadores de São Paulo - a obrigatoriedade de todas as maternidades públicas e privadas da Cidade adotarem o uso de pulseiras eletrônicas com sensores de alarme nos recém nascidos - desde a sala de parto até a saída. E, em todas as portas da maternidade, os sensores de alarme (como nas lojas dos shoppings). Só os funcionários tem a chavinha para tirar a pulseira.
Esta medida evitaria o sequestro de bebês, que de vez em quando acontece nas maternidades públicas.
Porque eu acho a lei tacanha?
Porque acho que isso esta medida não vai resolver o problema por inteiro. Segurança em maternidades não se discute - mas não é assim que se resolve. Certamente o caminho de segurança não é este.
Quem conhece o Amparo Maternal, por exemplo, sabe que é praticamente impossível adaptar todas as saídas com aqueles sensores, como nas portas das lojas. São equipamentos caros e que requerem manutenção, precisam estar em perfeito funcionamento... As pulseirinhas precisam higienização e esterilização - além de, certamente, terem um sistema relativamente simples de abertura. Basta alguém conseguir uma chavinha (ou gambiarra) para abri-las. Tenho dúvidas se a reposição das pulseiras e sensores vai ser feita em hospitais aonde faltam luvas de procedimento e materiais básicos.
O sequestro de bebês muitas vezes envolve quadrilhas profissionais - nem sempre é uma infeliz adolescente que sequestra, como aquele caso ocorrido em maio na zona leste de São Paulo.
Talvez uma pulseirinha com chip (rastreável, que não dependa de sensores, como a dos presos em liberdade condicional) seria mais útil. Mas ainda assim, a meu ver, o problema não está neste ponto.
A segurança de maternidades pode ser vista, por exemplo, no Albert Einstein. O andar da maternidade é absolutamente fechado. Ninguém entra e ninguém sai sem identificação. Não é preciso um sistema sofisticado, basta uma porta e um segurança. No São Luiz, todos os "aquários" dos bebês tem um segurança na porta - mas ainda acho que o entra e sai por lá deveria ser mais controlado... Na Pró Matre, mesmo "vestido" de médico, só se entra no hospital com identificação ou com biometria (impressões digitais). Certamente estas maternidades não precisam adotar o sistema de pulseirinhas anti-furto.

Seria possível adotar uma segurança assim nas maternidades públicas? É claro que seria. Basta um pingo de seriedade. Quem já trabalhou em hospitais públicos sabe que o problema não é exatamente a falta de dinheiro, e sim a falta de vergonha dos administradores.

O sequestro de crianças em famílias humildes ainda é um problema sério. São mães com baixo nível econômico e cultural, expostas a uma desproteção enorme (por parte da família e governo). Na maioria das vezes não ocorre nas maternidades, e sim nos primeiros dias de vida do bebê.
Mas adotar pulseirinhas eletrônicas, a meu ver, é tapar o sol com a peneira.
E, posso estar errado...mas vai ter muita gente faturando alto com a implementação do sistema...

Um comentário:

  1. Essa tecnologia e usada em outros países, inclusive no Canada e EUA. Tem seu mérito e, ao meu ver, funciona como uma medida de proteção a mais.
    Concordo contigo que, nas maternidades particulares, será um "plus"... e que, nas maternidades publicas, alguém dará um jeito de desviar a verba de manutenção, higienização, etc., diminuindo assim a sua eficácia. Sem contar no tal "jeitinho brasileiro" que darão para burlar o sistema, como vc já mencionou acima! A criatividade do nosso povo, quando o intuito e se dar bem ou burlar os sistemas, e realmente impressionante! E muito triste viver numa sociedade onde esse tipo de problema, essas atitudes, já são previstas e esperadas. Pior ainda... aqueles que são pessoas serias, direitas, não se mobilizam para lutar contra os problemas, mas simplesmente os aceitam como parte da cultura brasileira.
    ttt

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