sexta-feira, 8 de abril de 2011

Massacres e tragédias - Postado por Jairo Len

Não sei nem como chamar o fato ocorrido ontem no Rio de Janeiro...É tragédia, massacre, atentado...enfim, chocou todos e cada um de nós do seu modo.
E os nossos filhos? Ficaram chocados? Devemos protegê-los destas e outras notícias de tragédias?
Confesso que ontem à noite eu não assisti (propositalmente) os jornais na TV e nem fique lendo manchetes na internet sobre a morte das 12 crianças - e isso poupou indiretamente a minha filha de assistir junto o noticiário. Não deixei de assistir por causa dela, mas realmente por mim.
Em pediatria você tenta resolver problemas pequenos ou grandes, vê o esforço e desespero das famílias por causa de uma internação, a aflição dos pais por uma pneumonia, a desestrutuação de uma família no caso de doenças graves. Dedicamos anos a uma criança e sua doença. E, de repente, doze crianças são mortas de forma imbecil e covarde. Vejo de tudo, mas algumas coisas não dá para engolir (imagino que o mesmo ocorra com você).
Voltando ao assunto: como devemos proceder com os nossos filhos?
Não devemos tentar "esconder" o massacre.
Em entrevista ao UOL Educação, o psiquiatra Içami Tiba é categórico: "A melhor posição dos pais é dizer que é impossível controlar esse tipo de coisa", afirma Tiba. "Esse tipo de situação é como um tsunami, um terremoto [um fato que está além da nossa vontade, uma tragédia que ninguém pode evitar]."
Tiba diz que, se todos tem o hábito de assistir os jornais juntos, isso deve continuar mesmo em dias de calamidades.
Segundo ele, o ideal é que os pais mostrem que também ficaram chocados e inseguros, mas que "todos têm que ficar juntos para se fortalecer". "Isso é o que vai oferecer conforto".

Não acho que faça bem para ninguém assistir os jornais, mas é importante saber o que se passa ao nosso redor. E concordo com Tiba quanto ao fato que é impossível omitir dos filhos o mundo real, o mundo que vivemos.
E se a criança não que ir para a escola? "Não tem essa de não vou", diz Tiba, com firmeza. "Não podemos deixar que essa situação faça mais mal que já fez."
Tiba insiste para que os pais demonstrem sua perturbação com o fato, mas que se mostrem seguros e solidários. 
Não é fácil convencê-los que o mundo é seguro. Lembro que muitos de nós não queríamos ir ao banheiro com medo da "loira" - figura do imaginário infantil, inexistente - "que habitava os banheiros das escolas com algodão no nariz..."
Imagine o medo de gente como Wellington.

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