terça-feira, 28 de junho de 2011

Crianças e colesterol - Postado por Jairo Len

Com grande frequência encontro níveis de colesterol e triglicérides altos nas crianças.
É uma preocupação de muitos pais, e existem diretrizes específicas para esta triagem.

Quando o pediatra deve solicitar exames?

Se pai e/ou mãe tem níveis muito altos de colesterol (ex.: 300 a 600 mg/dl) a triagem deve começar aos 2 anos de idade.
Se o nível de colesterol de pai e/ou mãe está entre 200 e 300 mg/dl, o exame deve ser feito quando os filhos tiverem cerca de 5 anos de idade.
Para todos os outros, check up no máximo até os 10 anos de idade.
Este raciocínio de triagem é global, mas é importante que o pediatra avalie cada fração do colesterol: o bom (HDL) e o mau colesterol (LDL). A relação entre eles é muito importante.

O que mais encontro são os filhos de pais com dislipidemia, ou seja, doença metabólica familiar que aumenta o colesterol. Estas crianças já tem um colesterol um pouco elevado - índices ao redor ou mais de 200 mg/dl. É uma "doença" da família. Procuramos fazer uma dieta restritiva de gorduras por 3 meses, mas os resultados práticos são pequenos. São futuros usuários das "estatinas" (sinvastatina, atorvastatina, rosuvastatina), os medicamentos usados para abaixar o colesterol. Em alguns casos, com fatores de risco (como doenças cardíacas em pais ou avós antes dos 55 anos de idade) pode-se usar abordagem medicamentosa desde a infância, a partir dos 8 anos de idade.

Como reduzir o colesterol?

A alimentação hoje em dia (pelo menos aqui no Brasil) já tende a ser mais saudável, tendo pouco impacto nas dietas para redução do colesterol.
O que ainda é um vilão, a meu ver, é o leite integral e seus derivados (queijo, manteiga, sorvetes com leite, requeijão, creme de leite, etc.). O leite integral pode ser banido do dieta de qualquer criança com mais de 2 anos de idade ("pode" não significa que é obrigatório para todos). Já temos até leites magros infantis, como o Ninho Levinho. Estes leites magros tem todo o cálcio e proteína que são importantes no leite, mas com menos gorguras e colesterol.
São raras as crianças que se alimentam diariamente de fast-food, frituras (em óleos saturados), carnes e embutidos gordos. Bolachas recheadas talvez sejam um problema em algumas casas. Ovos (a gema) contém bastante colesterol e pode ser controlado em algumas crianças.
Importante avaliar e individualizar cada caso, para não deixar uma criança neurótica se não houver 100% de necessidade.

Praticar esportes é um hábito saudável e faz bem para todos, mas tem pouca ação na redução de colesterol nas crianças. Devem ser estimulados como forma de prevenção da obesidade e doenças cardio-vasculares.

Remédios, em casos muito especiais, com estreita monitorização.

Dos males do século (sal, sol, BPA, mercúrio, ozônio, radiação,...) acho que o colesterol é um que realmente merece nossa atenção.

Alterar o DNA talvez seja nossa maior solução...

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