sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Genéricos - Postado por Jairo Len

Diariamente mães e pais me perguntam:
- O que você acha dos medicamentos genéricos? Confia neles?
Recente pesquisa mostra que metade dos médicos brasileiros não prescreve medicamentos genéricos, por não ter certeza da eficácia deles.

Vou expor a minha visão do assunto.
Remédio é coisa séria. Quando prescrevo um antibiótico para tratar uma pneumonia, ele (o antibiótico) sem dúvida é a parte mais importante do tratamento. Se algo der errado, o culpado serei eu, certo? Portanto não pode haver, no meu tratamento, nenhum viés. Confio no raio X (é uma imagem, eu vi), confio que a mãe está dando o antibiótico, e tenho que confiar, muito, neste medicamento.
Analogia
Para ilustrar este raciocínio (confiança), sempre dou o seguinte exemplo para os pais:
Imagine que o governo criasse a linguiça genérica. Frigoríficos terão isenção de impostos e fabricarão linguiças por um terço do preço.
Você compraria uma linguiça genérica fabricada pela Sadia, certo? E se fosse a linguiça genérica fabricada pelo "Zé do Porão", você compraria?
Porque não??? O governo jura que fiscaliza!
Com antibióticos e quaisquer outros medicamentos, o raciocínio é o mesmo.
Temos que confiar muito no fabricante, no laboratório produtor.

Em crianças raramente temos tratamentos a longo prazo, aonde, a meu ver, os genéricos de boas marcas podem ser usados. Quem usa medicamentos para o colesterol, pressão, e demais coisas mensuráveis a longo prazo, pode fazer seu controle e ver se o genérico tem funcionado.
Mas eu, para tratamentos de infecções, não qualquer genérico. Se tem marcas que eu confio, ok. Caso contrário, de forma alguma.

Mais um agravante, na pediatria: alguns genéricos são intragáveis, as crianças não tomam por causa do gosto ruim.

Quais são as boas marcas, os genéricos confiáveis?
Por motivos éticos, não posso listar aqui as marcas que eu confio ou não. Isso é subjetivo demais, vem de experiências pessoais, de tratamentos que não funcionaram, de remédios intomáveis, e relatos de pacientes. Cada médico e cada paciente tem suas preferências, e isso deve ser discutido no momento da prescrição.

E se for genérica, você "esprimenta"?

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