segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Parece milagre? Cuidado - Postado por Jairo Len

Coisas que só acontecem no Brasil (e congêneres em IDH)...
O Victoza (liraglutida) é um medicamento injetável, indicado para tratamento e controle do diabetes tipo 2. Já vinha sendo usado, aqui no Brasil, como medicamento para emagrecimento, mesmo em pessoas sem diabetes tipo 2.
Não bastasse, a revista Veja, num arroubo de "Dieta Já", "Corpo", "M de mulher", publica uma reportagem de capa enaltecendo os milagres que o Victoza pode fazer. "Praticamente sem efeitos colaterais".

Não vou fazer comentários a respeito da ética da revista... Quem conhece a Veja imagina que foi só um surto esquizofrênico, que trocaram as matérias com alguma outra revista da editora.

O importante é que as pessoas tenham muito critério em usar a liraglutida. Principalmente os médicos que estão prescrevendo para qualquer obeso.
Nos anos 70-80, o hit para emagrecer era o Triac, um análogo do hormônio tiroideano. Milhares de pessoas usaram, emagreceram, e viram suas tiróides parar de funcionar anos depois. Ah!! Engordaram bastante, de novo.

O raciocínio é básico: um medicamento injetável que serve para tratar diabetes e emagrece alguém que não está de regime deve ser bastante potente e alterar bastante todo o metabolismo endocrinológico. Parar de usá-lo após alguns meses deve trazer alguma reação... Engordar de novo? Ter o metabolismo da glicose alterado? Alterações na produção de insulina? Diabetes tipo 2?
O Victoza não tem seu uso aprovado em nenhum lugar do mundo para emagrecer não-portadores de diabetes. Aqui no Brasil, a exemplo de outros medicamentos, foi só chegar e ser vendido à toa, sem qualquer indicação, e ser usado por quem queira...

A meu ver:
- a ANVISA deveria ser muito rigorosa, mantendo sua prescrição exclusiva aos endocrinologistas, e com controle estreito (receita B2)
- os médicos que estão prescrevendo para "qualquer um", devem lembrar que são médicos. Usar um medicamento potente sem indicação é imperícia e imprudência.
- O Conselho Federal de Medicina deveria orientar estes médicos e também fiscalizá-los,
- os obesos que estão usando o medicamento, pensar no futuro e imaginar que em obesidade "there's no free lunch"...
Para quem não viu, a capa da Veja, num arroubo de revista de 2ª linha

2 comentários:

  1. Olá amigo,
    Como sempre pertinente e preciso em suas colocações ... minhas filhas não poderiam estar em melhores mãos!
    Grande abraço,

    Luca

    ResponderExcluir
  2. Como sempre, excelente artigo, sou sua fã!

    ResponderExcluir

Agradeço todos os comentários!
De acordo com normas do Conselho Federal de Medicina, determinadas orientações só podem ser feitas após consulta médica ou avaliação/seguimento - portanto não posso responder perguntas detalhadas e individualizadas neste canal.
Obrigado

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.