terça-feira, 19 de junho de 2012

Na contra-mão - Postado por Jairo Len

Confesso que nesta semana estou bastante impressionado com o que leio nos jornais e na internet.
Não sei o que se passa na cabeça das pessoas (e nem quero saber)... Mas algumas reportagens me fizeram quase perder as esperanças... A ciência caminha mas tem muita gente que não sai da contra-mão.

Contra-mão - a primeira notícia foi semana passada, a cobertura do protesto das mães que querem ter o direito de ter o parto em casa. Me poupem. Se não tem o que fazer, posso dar uma lista de sugestões de ações cívicas e humanitárias para estas pessoas. E parem de aporrinhar o CRM-RJ que, de forma corretíssima, advertiu um importante obstetra que disse se a favor desta técnica medieval, em entrevista.
Lembro que todas as declarações públicas de gente importante tem um enorme peso nas decisões individuais de cada pessoa - portanto devem ser providas de responsabilidade. E, aos pós-adolescentes que saíram nas ruas para protestar, relembro que no Brasil o parto domiciliar não é proibido. Protestar para que?

Ciência - Ao mesmo tempo, nesta semana, soubemos uma pesquisa da OMS mostrou que a mortalidade materna e infantil caiu de forma importante nos países em desenvolvimento, fruto de ações de cuidados pré-natais, de parto e pós-natais. Mostrando a importância do sistema de saúde nesta prevenção. A atenção na hora do parto é um dos pilares fundamentais.

Contra-mão - notícia da Folha on line mostra movimento dos pais que estão "perdendo o medo" e levando seus bebês, desde recém-nascidos, para dormir na cama junto com eles. Muitos compraram camas maiores e já estão cientes que não podem beber muito álcool nem usar drogas, porque isso aumenta o risco de mortalidade das crianças. Juro que li isso.

Ciência - nesta semana foi realizado o primeiro transplante de pele realizado com pele clonada, da própria pessoa. Uma criança sul-africana queimada por querosene (80% do corpo) recebeu a própria pele clonada, feita em um laboratório de Boston, Massachussets (ainda existe gente anti-americana?). Ela teria 10% de chances de sobreviver sem esta pele, e está se recuperando muito bem.
Ciência - e nesta semana também pudemos ler que médicos na Suécia substituíram um vaso sanguíneo bloqueado, em uma menina de dez anos, usando, pela primeira vez, uma veia criada em laboratório a partir de células-tronco da própria paciente. Sem quaisquer riscos de rejeição. Funcionou perfeitamente.


O futuro já chegou à medicina, mas tem muita gente que não percebeu ainda. 

Com uma homenagem à Escandinávia, termino o post com uma frase do filósofo dinamarquês Søren Aabye Kierkegaard, que resume um pouco do pensamento existencialista:
"A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para a frente".


6 comentários:

  1. Jairo, descobri seu blog ha pouco tempo e ja virei seguidora assidua, li todosos posts passados e entro toda semana para ver as novidades, muito interessante e instrutivo e me fez gostar e confiar ainda mais em voce como pediatra do meu pequeno Tiago conhecendo mais de suas opinioes sobre o mundo.

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  2. Sigo meu post anterior. Sobre esse post em especial concordo 100% com vc, adiciono apenas minha frustacao(sera essa a palavra?) com os acancos da ciencia em relacao ao cancer. Esta semana vivi a perda do pai de uma gde de amiga de 60 anos e descobri o filho de uma amiga de 12anos que esta internado com serio caso de cancer tambem. Quando teremos cua para essa doenca tao maligna e que nao se conhece prevencao?? Abraco, Nicole

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  3. Caro Jairo. Também concordo em 100% em gênero, número e grau com você acerca deste post. A ciência, em particular, a medicina tem evoluido de sobremaneira. O homem já foi a Lua e Marte. Robôs "travestidos" de médicos realizam procedimentos cirúrgicos. Só o cancer, que ainda continua vencendo a batalha. Impressionante o número de casos que se descobrem a cada momento. Falar em "cura definitiva " de cancer ainda é algo muito intrigante!Parabéns pelo blog!

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  4. O manifesto que o sr citou não foi pelo direito de parir em casa.Apenas o nome foi dado ao evento: Marcha do parto em casa para justamente confrontar e chamar a atenção do CREM-RJ/SP que denunciar um médico (dos poucos)que ainda assiste parto natural/normal.Essa denuncia em nada muda o quadro vergonhoso que o Brasil ocupa no ranking mundial como campeão de cesarianas, e quando a via de nascimento é vaginal, geralmente são partos frankesteins, onde é feita todo tipo de intervenções, as quais a OMS desaconselha e que não tem embasamento científico nenhum para serem realizadas.Muito mais mães e filhos tem morrido em hospitais vitimas de cirurgias pra extração de feto(cesariana)e outros erros que não são divulgados, e não temos conhecimento de denuncia e nem de sindicancia para apuração dos fatos e possivel punição dos médicos envolvidos.Por isso justifico a manifestação que pelo contrario do que foi citado, não é so das mulheres, mas sim de familias, pessoas conscientes que não aceitam o sistema como está, e não concordam com o tratamento desumano que recebem mãe e filho nas maternidades.Se o atendimento fosse digno e respeitoso nos hospitais, as familias não estariam buscando outra opção, e se o o CREMERJ/SP realmente não tivesse nada de mais grave pra denunciar/apurar ainda sim não justifica denunciar ummédico que não disse nenhuma bobeira em rede nacional, pois suas palavras apenas confimaram o que a OMS preconiza e o que os paises desenvolvidos já faz a muito tempo, inclusive com muito bons resultados.

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    1. Obrigado por seus comentários. Concordo com você que o sistema obstétrico no Brasil é falho, o numero de cesáreas é gigantesco em relação ao preconizado pela OMS e que mais do que passeatas na orla carioca seria interessante estas pessoas agirem nas "bases", cobrando a melhoria deste serviço, estimulando o parto natural, o pré-natal (IMPORTANTÍSSIMO) e o pós-natal.
      O parto domiciliar não é a resposta à falha do nosso sistema obstétrico (e de toda a saúde, que é péssima no serviço público brasileiro). É claro que os partos normais vão aumentar de número, mas certamente os riscos maternos e infantis também. Uma coisa é nascer em casa com TODO O SUPORTE, obstetriz/obstetra, pediatra, material de suporte, sistema de back up preparado (mesmo assim, você sabe, com riscos). Outra coisa são os partos domiciliares com pouca assistência. Sabidamente um maior risco de mortalidade materna e infantil.

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  5. Dr Jairo, concordo plenamente, as pessoas parecem estar regredindo e alienadas com a grande falta do que fazer com o excesso de informações... Como, nos dias de hoje, podemos pensar na logística de um parto em casa, ainda mais em SP?? E as possíveis complicações.. imagina ter de sair de casa com um recém nascido e ou a mãe,precisando de atendimento emergencial??? Que loucura!!!
    Toda essa moda retrô de resgaste de algmas vivências passadas.. não pode ser aplicada à Ciência.. imagina usar uma pedrinha de cânfora no pescoço.. para evitar contágio de algumas doenças ao invés da vacina!! Total Absurdo!! Se precisar de ajuda na listinha de afazeres úteis.. tenho uma enorme aqui comigo tb!! rss
    Bjss Gio Concon

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Agradeço todos os comentários!
De acordo com normas do Conselho Federal de Medicina, determinadas orientações só podem ser feitas após consulta médica ou avaliação/seguimento - portanto não posso responder perguntas detalhadas e individualizadas neste canal.
Obrigado

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