segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Hiperativismo Parental - Postado por Jairo Len

De volta das férias, confesso que fiquei confuso de tanta coisa interessante que pude ler nestes dias de "ócio". Apesar de ser a favor de desconectar, não deu para ficar 100% sem iPad e iPhone... Procuro ler de tudo, mas os assuntos relacionados à saúde (incluindo a parte física, emocional e psicológica) são os que mais me agradam.
Pude ler um texto sensacional do colunista da folha Helio Schwartsman sobre o que ele chama de hiperativismo parental. Já falei muito sobre isto no blog, mas não com esse nome...

"A seção de puericultura da Livraria Cultura traz 2.038 itens. Ali abundam títulos como "Criando Filhos Vitoriosos" ou "Como Multiplicar a Inteligência do Seu Bebê". Será que pais têm realmente todo esse poder sobre o futuro de suas crianças?". De acordo com Helio, adoraríamos que a gente pudesse ter esse controle, mas as evidências mostram que não é bem assim.
Juntando a pedagogia, a linguística e a genética, pesquisadores tem mostrado que a carga genética tem um peso muito importante no que seremos - e isso é definido das primeiras 48 horas de concepção...

"Isso significa que podemos desistir de educar as crianças e deixar que a biologia siga seu curso? Nem tanto. Os fatores genéticos tendem a ser mais fortes que os efeitos da criação, compreendida como o ambiente que irmãos gêmeos, fraternos ou adotivos compartilham e é em larga medida definido pelos pais, mas ainda sobra um enorme espaço para o chamado ambiente não compartilhado, que é um outro nome para a história única de cada indivíduo  - algo que a ciência ainda não sabe como medir e nem mesmo analisar direito." 

Acho que o assunto é infindável, e nem é sobre esta questão complicada que quero debater aqui.

Vejo no dia-a-dia da Clínica que muitos (a maioria) dos pais tem quase que uma obsessão em estimular seus filhos. Em cada idade, uma coisa diferente surge. De atividades como pintura e aulas de música aos 6 meses, berçários (com o intuito único de estímulo) antes de 1 ano de idade, livros que ensinam como estimular, peças de teatro, DVDs, saraus infantis, exposições e viagens inacreditáveis e cansativas... Tudo com o intuito de criar filhos mais inteligentes.

É claro que estimular é extremamente importante, mas o que acho a linha que divide o normal e o obsessivo é tênue, e que nenhum pai deve se sentir culpado por não achar atividades lúdicas ou pedagógicas (e intelectuais) o tempo todo para os seus filhos.

Crianças precisam também de estímulos bem simples, como sentar "horas" e brincar de forma não-pedagógica com seus pais ou cuidadores. Brincadeiras intuitivas, sem manual de instrução, sem fisioterapeutas orientando, sem hiperativismo parental...






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