quinta-feira, 4 de abril de 2013

Culpa, Não! - Postado por Jairo Len

Confesso que não gosto muito das revistas mensais sobre crianças (tipo Crescer, Pais & Filhos, etc)... Porque quando se tem muito para falar (e para ler) os assuntos acabam sendo redundantes, conflitantes ou gerar problemas que as mães nem imaginavam que poderiam ter.
De qualquer forma, leio-as por força da profissão, ainda que sempre atrasadas...

Porém, lendo uma Pais & Filhos (edição de novembro 2012) vi uma reportagem excelente, sobre a culpa, que quase todas as mães carregam.
"Nasce uma criança, nasce uma culpa" - não sei o autor, mas sempre repito essa frase.

O texto fala sobre alguma culpas básicas, como o tipo de parto, o trabalho e a amamentação. Vou falar um pouco sobre esta última...

Vejo uma enorme cobrança em cima das mães que, por inúmeros motivos, não conseguem amamentar de forma exclusiva. Cobranças dos outros, delas mesmas, dos grupos-de-mães-da-internet, dos maridos, das sogras, cunhadas, vizinhas... 
Em primeiro, vamos aos números (isso é estatística, não é invenção): 97% das mães conseguem iniciar a amamentação. Três porcento não conseguem amamentar seus filhos de forma exclusiva por mais de uma semana...
Destas que conseguem, 43% já não amamentam de forma exclusiva aos 3 meses de idade do bebê.
Então, vamos ao primeiro raciocínio: diferente do que se fala, não é uma enorme parte das mães que amamenta de forma exclusiva até os 6 meses.

Segunda parte: diferente do mundo de Alice, nem todas as mães tem 180 dias de licença-maternidade, o que dificulta muito a amamentação exclusiva. Afinal, voltar ao trabalho (período integral) aos 3 ou 4 meses de idade dificulta um pouco amamentar. Correto?

Nestas 3% que não amamentaram, em geral existem impedimentos importantes para que isso tenha acontecido. Nos casos que vejo, problemas como mastectomia pós-câncer de mama, uso de medicamentos incompatíveis com amamentação, cirurgia de redução mamária, problemas maternos peri-natais.
Estas mães muitas vezes sofrem bullying por não amamentar, acredita?
E, em outro extremo, as crianças adotadas, aonde a mãe não tem como amamentar. "Você não amamenta?" Ninguém merece.

A reportagem, ainda que um superficial, procura desmitificar alguns destes pontos. Na verdade, houve mais do que o texto - foram fóruns, reuniões-on-line, etc). O debate foi capitaneado pelo Dr. Leonardo Posternak, pediatra. De acordo com ele, "apesar do leite materno ser o mais adequado para a criança, há várias outras maneiras da mãe demonstrar seu amor pelo filho".

Concordo, mas vou além: nenhuma mãe precisa demostrar nada a ninguém - amor pelos filhos é inato, e realmente a amamentação, a meu ver, não conta pontos nisso, principalmente se houve qualquer impedimento para sua realização.
Mais: o leite materno é obviamente o leite ideal para as crianças, mas existem inúmeras fórmulas lácteas extremamente completas que podem suprir, quando não for possível amamentar. Estamos falando de fórmulas excelentes, preparadas com rigor de higiene, água limpa, boas mamadeiras. Isso infelizmente não vale para todas as classes sociais.
Num lugar do Brasil aonde se alimenta filhos com ratão ou calangos, não imagine que o leite seja uma fórmula láctea, com água mineral e em mamadeira esterilizada...

O "modelo" de crianças não-amamentadas já é conhecido (por exemplo, filhos adotivos), são crianças saudáveis, que não adoecem mais que os demais. Basta que tudo seja feito com higiene, qualidade, carinho e amor.



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