segunda-feira, 27 de maio de 2013

Bancos de Cordão Umbilical: a nova cartilha - Postado por Jairo Len

Sempre reclamo da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas hoje faço um elogio: a confecção da nova cartilha sobre armazenamento do sangue de cordão umbilical (SCU), um assunto que passa pela cabeça de 100% dos pais à espera de um bebê.
Nunca fui um admirador da idéia de bancos privados de sangue de cordão umbilical. Nestes bancos privados, os pais contratantes pagam todos os custos e armazenam para uso próprio o SCU. 
A outra opção existente são os bancos públicos de SCU, aonde os custos são pagos pelo SUS e o sangue de cordão fica à disposição de qualquer pessoa que precisar.

A nova cartilha da ANVISA estabelece regras coibindo, inclusive, a propaganda enganosa que alguns bancos privados vinham fazendo.

"O 'folder' da empresa [que guarda os cordões] não pode dizer que vai poder tratar alzheimer", afirma Carmino de Souza, presidente da ABHH (Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular), que é "absolutamente contrária" ao banco privado. 
"Mesmo a indicação mais óbvia, o tratamento de uma leucemia aguda, é falacioso: o genoma da célula-tronco do cordão já carrega a predisposição da leucemia. Você vai fazer um transplante desse sob risco maior de recaída."
Para ele, trata-se de uma "propaganda enganosa". "A possibilidade de alguém coletar seu sangue de cordão e usá-lo é tão remota quanto caírem três aviões no mesmo lugar ao mesmo tempo." 

DADOS - De 2003 a 2010, há registro de três casos em que as células de bancos privados foram usadas pelo dono do cordão no país. Em outros cinco, o material serviu a parentes. Já os bancos públicos, lembra a Anvisa, são responsáveis pela maior parte dos transplantes. De 2003 até abril deste ano, 163 transplantes foram feitos com as células dos bancos públicos. 

Para Carlos Chiattone, hematologista diretor da ABHH, a abordagem pelos bancos privados é feita de forma antiética. "A pessoa se vê sob pressão emocional para aderir ao serviço." 

Na cartilha, a ANVISA não se coloca a favor ou contra os bancos privados, não aconselha nem desaconselha a adesão. Mas coloca dados claros que permitam os pais tomarem a decisão que achem mais correta.
Para ter acesso à cartilha no site da ANVISA, clique aqui.




3 comentários:

  1. Parabéns pelo blog com esclarecimentos sempre úteis e de assuntos super atuais.

    Quando estava grávida também fiquei em dúvida e optei por não coletar. Queria fazer a doação mas infelizmente no hospital em que meu filho nasceu, apesar de ser uma grande maternidade de SP, não é possível.

    É uma pena que em SP isso somente pode ser feito no Einstein e no Amparo Maternal.

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  2. Realmente... Não escrevi sobre esse detalhe... Infelizmente em São Paulo só estas duas maternidades realizam a coleta para bancos públicos.
    O dilema de muitos pais acaba sendo "guardar e pagar por isso" ou simplesmente desprezar o conteúdo de células tão "valiosas" à sociedade.

    Mas há grande relutância de demais maternidades em aceitarem os bancos públicos, uma vez que a parcela econômica que lhes cabe por só fazerem coletas privadas é substancial...

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