terça-feira, 5 de abril de 2016

Vacina contra Influenza 2016 - Algumas Dúvidas - Postado por Jairo Len

Estes últimos quinze dias foram intensos na pediatria, principalmente por causa da vacina contra influenza, a própria doença e o surto de preocupação e dúvidas...
Algumas das dúvidas mais frequentes que recebi, coloco aqui.

Trivalente ou Quadrivalente?
Existem duas vacinas contra influenza, uma que contém 3 vírus (trivalente) e outra que contém 4 vírus (quadrivalente). São esses os vírus:
- A - Califórnia ( H1N1)
A - Hong Kong (H3N2)
- Brisbane 

- B - Phuket (esse só tem na quadrivalente)
A indicação depende da faixa etária, porque para os menores de 3 anos só a trivalente é indicada em bula. A quadrivalente, só para os maiores.
AMBAS protegem para a epidemia atual, porque precisamos nos proteger do influenza A (a circulação do influenza B-Phuket é mínima em São Paulo, segundo estudo que tive acesso hoje. 
No caso de falta da trivalente, os menores de 3 anos podem receber a vacina quadrivalente (uso off label, que depende de cada clínica de vacinação). Aqui na Clínica Len temos usado, quando disponíveis, vacinas adequadas para cada faixa etária.

Vacinou com a Tri, precisa reforço da Quadrivalente?
A meu ver, não, conforme expliquei acima.

Vacinação no escritório - devemos fazer?
Sim! Se aonde trabalha (ou mesmo em escolas) há campanha de vacinação, todos devem ser vacinados, tanto faz se for com a Tri ou Quadrivalente.

Após quanto tempo a vacina faz efeito?
Após 7 a 14 dias, de acordo com cada pessoa. Lembrando que quem foi vacinado há menos de um ano provavelmente ainda tem imunidade contra o H1N1 (que representa 50% dos casos de influenza da atual epidemia).

A Clínica Len tem a vacina?
Evidentemente, pela alta procura, a compra de lotes de vacina está muito difícil. Temos conseguido pouquíssimas doses, que estamos aplicando, exclusivamente para crianças pacientes da clínica, conforme disponibilidade.

Existem vacinas de 2015 neste ano?
Posso garantir que nas clínicas particulares de vacinação só há disponibilidade da vacina "nova", de 2016, tri ou quadrivalente.

Esse "desespero coletivo" é para tanto...se justifica?
A meu ver a busca pelas vacinas é importante, mas não acho que passar 4 horas em uma fila seja muito saudável... Cada um tem uma visão de necessidade e epidemias, mas eu acho que está havendo um alarde muito maior que o necessário, um desespero "insano" dos pais. É evidente que há uma epidemia, não se nega, mas o que tenho visto em relação ao influenza em 2016 eu nunca vi antes, em 24 anos de pediatria.
Muito mais útil seria orientar escolas a NÃO ACEITAR CRIANÇAS COM MAIS DE 37,1ºC de temperatura, ou com claros sinais de doença respiratória.
Ainda vejo (falo de pacientes meus, que sempre oriento) crianças que são mandadas com febre para a escola. Crianças que tiveram febre na madrugada, vão cedo para a escola.
Sabemos que a vacina é muito importante, mas "sozinha" não resolverá a epidemia.

Todos serão vacinados?
Todos os grupos de risco serão vacinados, a meu ver. Não faltará vacina. Mas é IMPOSSÍVEL vacinar 5 milhões de pessoas em 2 semanas, em uma cidade com São Paulo, por exemplo.

Devo deixar de mandar meus filhos para a escola e para a natação, assim como outras atividades?
Isso vai de cada pessoa, cada pediatra e cada escola. É claro que se há 50% de uma sala de aula com influenza, não é sadio mandar as crianças para as aulas. Em 2009, durante a pandemia de H1N1, interrompia-se aulas de uma turma por UMA semana quando havia mais de 10% de crianças comprovadamente infectadas (cerca de 3 crianças).

Quando isso tudo acalma? Como se proteger, fora a vacina?
Não sei não... Com o inicio da vacinação para a população, pelo governo, na semana que vem, acho que tudo melhora - digo em relação à busca pelas doses de vacina. 
A epidemia, se todos tivermos todas as medidas de higiene e RESPONSABILIDADE, deve perder forças também nas próximas semanas.
É importante voltar àquelas medidas de álcool gel em escolas, álcool nas superfícies contaminadas, lavagem de mãos.
Máscaras - só realmente quem está doente ou em imunossupressão, e, claro, em ambientes médico-hospitalares aonde se faça necessário.


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