quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Febre Faringoconjuntival...a doença do momento - Postado por Jairo Len

"Virose"...
Nenhuma mãe se contenta muito com este diagnóstico, mas 90% das doenças em crianças, nesta época do ano, são causadas por vírus.
E, na primavera, o mais comum deles é o ADENOVÍRUS, um vírus que foi descoberto em 1950, e ganhou este nome porque foi isolado, inicialmente, no tecido da adenóide. 
Nome à parte, o adenovírus se distribui pelo corpo todo. Uma doença muito comum em crianças, e "epidêmica" agora, é a febre faringoconjuntival, caraterizada por:
- Febre (às vezes alta, até 40º)

- Gânglios no pescoço,
- Conjuntivite (olho vermelho e/ou coceira e/ou secreção e lacrimejamento)
- Dor de garganta, tosse
- Dores musculares
Os mais afetados são os menores de 4 anos de idade, mas ocorre nas crianças mais velha também. 
A incubação é de 2 a 14 dias, quando começam os sintomas.
A transmissão é extremamente fácil: secreção ocular, espirros (gotículas), mãos contaminadas, brinquedos contaminados. Já houve relato de transmissão em piscinas contaminadas e até surtos hospitalares, brinquedotecas, etc...

A doença é benigna e auto-limitada, só são tratados os sintomas e a conjuntivite (colírios lubrificantes, colírios com antibiótico, compressas...depende de casa caso).

De qualquer forma, existem alguns diagnósticos diferenciais com doenças de sintomas parecidos, algumas bacterianas, algumas imunológicas, e a avaliação pediátrica é sempre indispensável.

Adenovírus


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Recall da Vacina contra Meningite C - Postado por Jairo Len

A imprensa noticiou nesta semana um recall realizado pela Wyeth/Pfizer, em relação à sua vacina contra meningite C. 

Esta vacina é usada nas clínicas particulares em crianças a partir dos 3 meses de idade (a vacina á aplicada aos 3 meses, 5 meses e uma dose entre 1 e 2 anos de vida).

O recolhimento de 12 lotes da vacina se deu de forma espontânea, pela própria Wyeth/Pfizer, no fim de setembro.

De acordo com o laboratório e autoridades sanitárias, a vacina recolhida continha traços de óxido de ferro. 

Esta substância não apresenta qualquer toxicidade nem altera a eficácia da vacina. Crianças que a receberam não apresentam nenhuma necessidade de observação ou revacinação.

Fonte/Foto: Folha de São Paulo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Mais Sobre Vacinas - Postado por Jairo Len

Posto hoje sobre algumas dúvidas muito comuns que os pais me perguntam sobre vacinas. É um assunto que me interessa muito, e que tem atualização com grande frequência.

- Porque são tão frequentes as mudanças na programação das vacinas?
Anualmente são lançados "novos" calendários de vacinação, tanto pela Academia Americana de Pediatria como pela Sociedade Brasileira de Pediatra e Sociedade Brasileira de Imunizações. Além das atualizações eventuais. Isso causa mudança nas rotinas de imunização imprevistas nas cadernetas de vacinas (a nossa, na Clínica Len, tem toda a vacinação programada, a lápis...e alteramos com muita frequência)...

- A "nova" vacina contra meningites A-C-W-Y é muito importante? Todos devem tomar? Porque o governo não aplica?
A vacina é muito segura e eficaz, a acho que todas as crianças acima dos 2 anos de idade, adolescentes e adultos devem recebê-la. A meningite C é extremamente importante, e os bebês são imunizados desde os 2 meses de vida. As meningites bacterianas A, W e Y são menos frequentes no Brasil, mas existem e devemos nos proteger.
Porém, as campanhas de vacinação do governo levam em conta inúmeros fatores para incluir vacinas no seu calendário oficial, eventualmente esta vacina fará parte do calendário oficial de vacinações.

- As vacinas aplicadas nos postos de saúde são diferentes das aplicadas nas clínicas particulares?
Infelizmente ainda há uma diferença em 90% das vacinas utilizadas no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Não obrigatoriamente no quesito qualidade, mas sim em relação à reações, cobertura vacinal e número de picadas.O mais importante, a meu ver, é a cobertura vacinal. As principais diferenças são:

- Rotavírus: o PNI usa a vacina monovalente, que protege contra 70% dos rotavírus. Nas clínicas particulares, vacina pentavalente (99% de cobertura)
- Pneumocócica: o PNI usa a Pneumo 10-valente. Todas as clínicas particulares usam a Pneumo 13-valente. Estes 3 sorogrupos a mais de pneumococos são extremamente importantes no hemisfério sul, causadores de meningites e pneumonias.
- Poliomielite: as clínicas usam a polio-inativada em todas as doses nos 2 primeiros anos de vida. Isso aumenta muito a soroconversão e, pelo fato da vacina ser combinada (Hexavalente ou Pentavalente) há diminuição no número de picadas.
- Catapora: aplicada aos 12 meses de idade na rede particular. O PNI, não sei porque, aplica aos 15 meses.
- HPV: realizada no PNI em esquema tabajara só em meninas, com reforços bem controversos do ponto de vista científico. Todos os adolescentes, meninos e meninas, devem receber a vacina. Aplicada conforme recomendação do fabricante, aos "zero - dois meses - seis meses".

- As datas de vacinas e reforços são rigorosos?
Não muito... Não é bom atrasar as primeiras doses, para que a criança inicie a proteção. Mas os reforços podem ter flexibilidade, em algumas casos de semanas, outros de meses.

- Porque as vacinas são tão caras?
Assim como em whisky e vinhos, as vacinas tem um imposto gigantesco embutido. Mesmo que sejam itens básicos, fundamentais e não temos vacinas nacionais à venda (ainda bem!), pagamos altos impostos. Além disso, por ser um produto imunobiológico, sua importação requer cuidados importantes e está na mão de pouquíssimos distribuidores (ou seja, uma espécie de monopólio).

- Adultos devem ser vacinados?
Sem dúvidas. Orientados pelos seus médicos (clínicos e ginecologistas) adultos devem receber vacinas contra: tétano, difteria, hepatites A e B, meningite A-C-W-Y, sarampo, caxumba, rubéola...