quarta-feira, 28 de maio de 2014

Antibióticos...vamos ter saudades deles - Postado por Jairo Len

Já escrevi algumas vezes aqui no blog sobre antibióticos, sobre a necessidade de ser sempre prescrito com motivos reais, e escolhidos com cautela.
Nesta época do ano (outono), o uso de antibióticos aumenta muito, proporcionalmente ao aumento das doenças infecciosas.
E ainda sinto uma incrível resistência de algumas famílias ao uso deles...mesmo quando está clara e evidente a necessidade.
"Não estraga os dentes?" - essa é a pergunta clássica - que faz sentido se fosse feita em 1960, quando se usava a tetraciclina em crianças e grávidas. Essa escurecia os dentes. Não se testava antes, foi realmente uma época obscura.

Saudades - porque teremos saudades dos antibióticos?
Há mais de 10 anos não houve nenhum lançamento de um novo antibiótico em pediatria. Não que tenhamos grande necessidades, ainda nos viramos bem com os que temos atualmente - mas não inventaram nada novo...
Há três anos o FDA, orgão regulatório norte-americano, não recebe nenhum pedido de aprovação de antibióticos por via oral.
Os laboratórios praticamente não se interessam em pesquisá-los. Ganham rios de dinheiro com remédios oncológicos e imunobiológicos. Se lançam um antibiótico, em cinco anos a patente é quebrada e inundam-se as farmácias com similares e genéricos (a maioria deles de baixa qualidade).

Bactérias cada vez mais resistentes tem chegado aos nossos hospitais - e arrisco dizer que no nosso dia-a-dia também. Não as "super-bactérias", mas algumas que demandam uso de dois antibióticos (numa simples otite, por exemplo).

Concordo que muitos médicos abusam de antibióticos na sua prática clínica, usando alguns muito fortes para infecções que podem ser combatidas de forma mais suave. Exemplo? Certamente você já viu o uso de quinolonas (ciprofloxacino, levofloxacino) para tratar sinusites ou infecções urinárias... São medicamentos ótimos, mas não como primeira opção.

E concordo 100% que a maioria dos pacientes não tem qualquer culpa disso!! Compram e tomam conforme a prescrição. Usar "mal-usado" e por pouco tempo é um fator importantíssimo de resistência bacteriana, mas isso não é algum muito comum, ainda mais em tempo de receitas controladas para comprar antibióticos.

Por falar nisso, desde a implementação do controle de compra de antibióticos, incrivelmente a venda deles aumentou. Não consegui entender...

Temos hoje em dia inúmeras ferramentas (ainda caras e restritas, diga-se) para saber de forma não invasiva, sem picar a criança, se a infecção é viral ou bacteriana, quais vírus e quais bactérias, eventualmente. Devemos usá-las, sempre que disponíveis.

Mas quando é necessário e adequadamente prescrito, o antibiótico deve ser usado sem medo - são os remédios que mais contribuíram para a diminuição da mortalidade nos últimos 80 anos.
E falar mal deles é covardia...!



segunda-feira, 5 de maio de 2014

Leites, Compostos Lácteos, Fórmulas Lácteas - Qual o leite ideal? - Postado por Jairo Len

Post atualizado em 12/03/2016

Devido a um número recorde de perguntas e dúvidas, reedito meu post sobre "qual o leite ideal" para cada faixa etária. Ainda que seja algo bem simples, tipo tabela, concordo que existe muita dúvida, além de uma questão burocrática, da ANVISA, que faz uma tremenda confusão nas embalagens.
Estamos falando aqui de crianças que não são amamentadas pelas mães, ok?


Entre o nascimento e 1 ano de idade - SEMPRE FÓRMULAS LÁCTEAS


Nesta fase, quando não há leite materno ou em caso de complementação, sempre se deve usar as fórmulas lácteas. São elas o NAN Supreme, Comfor ou Pró, o Aptamil ProFutura ou Premium, Similac e Enfamil Premium. Também são fórmulas o Nestogeno e o Milupa, que, segundo os próprios fabricantes, não atingem o mesmo nível de nutrientes que os primeiros.

Não é recomendável que as crianças abaixo de 1 ano de idade sejam alimentadas com leites integrais ou compostos lácteos. Nesta faixa etária, só fórmulas lácteas.

Entre 1 e 2 anos de idade - FÓRMULA OU COMPOSTOS LÁCTEOS


O ideal, a meu ver, é sempre manter a fórmula láctea. Inclusive há aquelas próprias para esta faixa etária, que é o caso do Aptamil 3 e o NAN 3 Comfor. Mas as crianças que tomam Similac 2, Aptamil ProFutura 2, NAN Supreme 2 ou Enfamil 2 podem continuar o uso destas. Portanto, fórmulas lácteas são excelentes para a alimentação no segundo ano de vida.

Quando não há boa aceitação da fórmula láctea, outra opção para o segundo ano de vida são os compostos lácteos. São eles o Milnutri (da Danone), Neslac Comfor (da Nestlé)Enfagrow (Da Mead Johnson) e o Ninho Fases 1+ (da Nestlé). Compostos lácteos são mais simples que as fórmulas lácteas, mas sem dúvida são melhores que os leites integrais. 

Após os 2 anos de idade

A partir desta idade, a criança pode tomar quaisquer leites, compostos ou fórmulas existentes no mercado. Quem está tomando o Milnutri, Enfagrow, Neslac ou Ninho Fases 1+ pode manter, idem para Aptamil 3 ou NAN 3 Comfor. Inclusive a Nestlé produz o Ninho Fases para os mais velhos: o Ninho Fases 3+ (acima dos 3 anos).
Mas também os leites integrais UHT, em pó ou integrais frescos podem ser usados. Não mais restrições ou indicações específicas.



Tipo de alimento
Faixa etária
Nomes Comerciais
Fórmulas lácteas
Do nascimento até 1 ano de idade
NAN Supreme, Comfor ou Pró, Aptamil Premim ou ProFutura, Enfamil, Similac, Milupa, Nestogeno
Fórmulas lácteas
Entre 1 e 2 anos de idade
Aptamil 3 ou
NAN Comfor 3. Podem-se manter as fórmulas número "2" 
Compostos lácteos
Opção entre 1 e 2 anos de idade
Neslac Comfor, Milnutri, Enfagrow ou
Ninho Fases 1+
Compostos lácteos
Após os 2 anos de idade, podem ser mantidos
Milnutri, Enfagrow, Neslac ou Ninho Fases 1+, Ninho Fases 3+  
Leites Integrais
Opção após os 2 anos de idade
Ninho Integral ou Instantâneo, Leites Integrais UHT ou Frescos.



Simples assim...!