segunda-feira, 25 de abril de 2011

Vacina contra Influenza - Postado por Jairo Len

A Secretaria Estadual de Saúde inicia hoje a campanha de vacinação contra influenza, nos postos de saúde.
Mais um ano e o governo economiza, vacinando os maiores de 60 anos, crianças entre 6 meses e dois anos, grávidas e algumas tribos (profissionais da saúde e indígenas). Tenho certeza que "temos" dinheiro para vacinar todos, principalmente as crianças até 10 anos de idade, os escolares, que sofrem muito com a doença.
Na Clínica já estamos vacinando "todos" há mais de um mês. Neste ano não faltou vacina.

A vacina que o governo oferece é importada (não se sabe de onde, mas imagino que seja belga ou francesa) e também vacina produzida pelo Instituto Butantan. Será a trivalente, contra H1N1 (gripe suína), influenza A e influenza B.

Encoraje quem se encontra nesta faixa etária (e depende da saúde pública) a ser vacinado: grávidas, crianças até dois anos e maiores de 60 anos. A vacina é segura (nenhum dos 100 milhões de imunizados morreu por causa da vacina em 2010) e a doença é bastante séria. 
Influenza é gripe, não é resfriado, e é causa de óbito de 2 a 3 mil pessoas por ano, no Brasil.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ecstasy e estragos - Postado por Jairo Len

O ecstasy é uma droga sintética, moderna, com largo uso nas baladas e noitadas - neste caso, em especial, por adolescentes e adultos jovens. Diferente de maconha e cocaína ou crack, seu acesso é mais "fácil", sem cheiro, sem estigma de maconheiro, sem a idéia de submundo do crack ou da evolução infeliz dos cocainômanos.
Este é o problema, a facilidade de seu uso.
Mais problemas: um estudo publicado no Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry mostra que o uso crônico de ecstasy causa danos cerebrais irreversíveis.
Avaliando dois grupos, o estudo prova que volume do hipocampo entre os voluntários que usavam ecstasy era 10% menor e o volume total da substância cinzenta do cérebro era 4,6% menor. A média de consumo da droga entre os usuários era de três vezes por mês e não havia diferença significativa entres os dois grupos quanto ao consumo de álcool e outras drogas.
"Só" três vezes ao mês e o hipocampo - nosso centro da memória - perde 10% da sua capacidade.
O ecstasy também altera o metabolismo da serotonina. É demonstrada também uma maior frequência de apneia do sono entre os usuários, justamente por causa da redução da atividade da serotonina, já que esse neurotransmissor exerce grande influência no controle da respiração, especialmente na ativação do centro cerebral da respiração em resposta ao aumento do teor de gás carbônico no sangue.

Estes dados são importantes e podem servir de argumentos "físicos" quando você conversar com seus filhos sobre este assunto. Aliás, não deixe de conversar sobre os problemas que as drogas naturais e sintéticas podem ocasionar. Proteja-os da "bala" ou "pílula do amor".


Esta é a cara da "bala". O barato sai caro.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Raios X e Radiação - Postado por Jairo Len

Com a chegada do outono em São Paulo, trazendo aumento significativo de patologias do trato respiratório das crianças, associado ao pânico gerado pelo acidente nuclear em Fukushima, no Japão, tenho ouvido a seguinte pergunta, com frequência:
"- Não é muita radiação fazer um raio X de tórax ou seios da face?"
A resposta é não...não é muita radiação.
Para você ter uma idéia, um raio X de tórax (uma incidência), realizado em uma máquina moderna, nos submete à mesma radiação que a radiação ambiental que somos submetidos em um dia qualquer.
Ou seja, sem problemas. De andar pela rua temos a mesma exposição "nuclear"...
O mal da radiação é seu acúmulo. Pacientes internados com doenças graves, que necessitam controle radiológico quase diário, podem receber a radiação de até 150 a 180 exames ao longo de um ano.
Já uma tomografia apresenta radiação bem maior - algo em torno da radiação "de seis meses" que uma criança pode receber.
Nas grávidas, os limites são mais severos.

Portanto, sem medo do raio X simples. É claro que sempre devemos pedir exames laboratoriais com muito critério. Mas nesta época do ano eles são necessários, até para podermos reduzir a prescrição de antibióticos, usando-os de forma mais criteriosa.

Não é bem assim...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Orgânicos ou não? - Postado por Jairo Len

A questão dos orgânicos é complicada, em vários aspectos. Não pretendo chegar aqui a nenhuma conclusão, mas colocar algumas questões do dia-a-dia. Nas consultas pediátricas os orgânicos são assunto diário.
Em primeiro lugar, quero lembrar que a "nossa geração" e a dos nossos pais foi alimentada desde criancinha com alimentos sem grandes controles agrícolas, com agrotóxicos hoje proibidos, sem preocupações. E somos longevos, bem longevos. Não se atribui nenhuma doença crônica ao uso de pesticidas nos alimentos - os hábitos ruins que comprometem anos de vida são o cigarro, o excesso de sal e gorduras, o stress. Não se comprovou que quem consome só orgânicos (tirando outros viéses) vive mais ou melhor.
Nada contra estes alimentos. 
O que penso é que para se produzir um alimento orgânico é preciso muita cautela e responsabilidade.
Não se jogam pesticidas só para matar pulgão e gafanhotos - também se controlam bactérias e fungos presentes nas raízes, nas folhas, que podem ser nocivos à saúde.
De modo que para produzir um orgânico é necessária uma tecnologia, seriedade, estudo, controle de pragas.

Como sabemos que a certificação é válida? É séria? (estamos no Brasil, só para lembrar). Há multas e fiscalização para se ter certeza que você não está comprando gato por lebre?
Vende-se, por aqui, remédio falso para câncer - lembro que o último escândalo envolveu a produção de Androcur (para câncer de próstata) pela centenária botica Veado D'Ouro, em 1998.
Voltando aos agrotóxicos... É preciso ter certeza que o produto orgânico é de verdade e bem feito.
Em contrapartida, existe uma legislação e teórica fiscalização da produção agrícola não-orgânica - não é um oba-oba - temos níveis máximos de química a ser usada, e limitações dos tipos de agrotóxicos.
Ainda restará a questão: vale pagar mais caro pelo orgânico "de verdade", o bom produto? Deixo a resposta para cada um, que sabe o quanto pode gastar. O mercado destes produtos é valiosíssimo, rentável, grande. De acordo com nutricionistas, os produtos mais bombardeados por agrotóxicos são tomate, morango, uvas, pêssego, pimentão. Já ouvi dizer (de um produtor) que a laranja também.
Essa informação vale para quem queira usar "alguns" orgânicos, se obsessão. Os orgânicos sérios podem ser mais nutritivos, mas não creio que esta diferença seja fundamental.
No conjunto a obra ("Nutrição") acho que existem fatores mais importantes que o fato do alimento ser ou não orgânico. Uma alimentação adequada e balanceada é uma chave para a saúde a longo prazo.
A chave da questão é achar o produto "de verdade"

terça-feira, 12 de abril de 2011

Bisfenol na berlinda - Postado por Jairo Len

BJá postei anteriormente sobre o bisfenol-A (leia o post), uma substância com possíveis efeitos maléficos na saúde. O bisfenol-A é usado para fazer certos tipos de plásticos (como mamadeiras e copos de transição).
A Justiça de São Paulo finalmente tomou uma atitude: determinou que, em 40 dias, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) regulamente a obrigatoriedade de informação "adequada e ostensiva" sobre a presença da substância BPA (bisfenol A) nas embalagens de alguns tipos de produtos - como as mamadeiras e recipientes de bebidas.
O bisfenol-A é proibido na União Européia, Canadá, China e Malásia para a produção de copos e mamadeiras infantis. Nos Estados Unidos os fabricantes não usam mais BPA nestes produtos.

"De acordo com a pesquisadora Fabiana Dupont, membro do grupo de estudos sobre desreguladores endócrinos da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), o produto afeta, principalmente, os fetos e já foi relacionado a câncer de mama e de próstata, diabetes, obesidade, puberdade precoce, puberdade tardia, problemas cardíacos e comportamentos sociais atípicos em crianças." (Fonte: folha.com)
Proibir ou não...chegaremos lá.
Mas é direito de cada um de nós saber se o que compramos tem BPA ou não.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Massacres e tragédias - Postado por Jairo Len

Não sei nem como chamar o fato ocorrido ontem no Rio de Janeiro...É tragédia, massacre, atentado...enfim, chocou todos e cada um de nós do seu modo.
E os nossos filhos? Ficaram chocados? Devemos protegê-los destas e outras notícias de tragédias?
Confesso que ontem à noite eu não assisti (propositalmente) os jornais na TV e nem fique lendo manchetes na internet sobre a morte das 12 crianças - e isso poupou indiretamente a minha filha de assistir junto o noticiário. Não deixei de assistir por causa dela, mas realmente por mim.
Em pediatria você tenta resolver problemas pequenos ou grandes, vê o esforço e desespero das famílias por causa de uma internação, a aflição dos pais por uma pneumonia, a desestrutuação de uma família no caso de doenças graves. Dedicamos anos a uma criança e sua doença. E, de repente, doze crianças são mortas de forma imbecil e covarde. Vejo de tudo, mas algumas coisas não dá para engolir (imagino que o mesmo ocorra com você).
Voltando ao assunto: como devemos proceder com os nossos filhos?
Não devemos tentar "esconder" o massacre.
Em entrevista ao UOL Educação, o psiquiatra Içami Tiba é categórico: "A melhor posição dos pais é dizer que é impossível controlar esse tipo de coisa", afirma Tiba. "Esse tipo de situação é como um tsunami, um terremoto [um fato que está além da nossa vontade, uma tragédia que ninguém pode evitar]."
Tiba diz que, se todos tem o hábito de assistir os jornais juntos, isso deve continuar mesmo em dias de calamidades.
Segundo ele, o ideal é que os pais mostrem que também ficaram chocados e inseguros, mas que "todos têm que ficar juntos para se fortalecer". "Isso é o que vai oferecer conforto".

Não acho que faça bem para ninguém assistir os jornais, mas é importante saber o que se passa ao nosso redor. E concordo com Tiba quanto ao fato que é impossível omitir dos filhos o mundo real, o mundo que vivemos.
E se a criança não que ir para a escola? "Não tem essa de não vou", diz Tiba, com firmeza. "Não podemos deixar que essa situação faça mais mal que já fez."
Tiba insiste para que os pais demonstrem sua perturbação com o fato, mas que se mostrem seguros e solidários. 
Não é fácil convencê-los que o mundo é seguro. Lembro que muitos de nós não queríamos ir ao banheiro com medo da "loira" - figura do imaginário infantil, inexistente - "que habitava os banheiros das escolas com algodão no nariz..."
Imagine o medo de gente como Wellington.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Bullying - Postado por Jairo Len

O assunto bullying é "top of mind" quando se fala em educação e escolas, hoje em dia.
Uma escola no RJ teve que pagar R$ 35 mil de indenização a uma aluna que sofria bullying - porque, evidentemente, a escola fez vista grossa do problema.
Bullying, palavra difícil, nunca foi traduzida para o português.
Qual é a tradução de bullying?
Falta de educação em casa, falta de "base", falta de pai e/ou mãe - associados a uma escola fraca e omissa, que não protege seus alunos. Como o bullying não é só um fenômeno escolar, acho que os verdadeiros culpados são os pais.
Quando éramos criança, o bullying já existia. Tinha outro nome - não me pergunte qual - mas tinha.
É claro que as intrigas, panelinhas, fofocas e brigas eventuais fazem parte da infância e ajudam na formação dos indivíduos gregários que somos.
O excesso disso, a repetição e o exagero é que devem ser punidos de forma séria. Quem não tem capacidade de viver em sociedade, em harmonia com seus pares, deve ter tratamento adequado. E repito que a omissão vem de casa.
Pais de filhos violentos e provocadores parecem cegos. Nos casos que eu conheço desta falta-de-educação e falta-de-pais (chamada de bullying), fica evidente como os pais não sabem impor limites aos seus filhotes. A escola muitas vezes é conivente. Não faz a sua parte na educação, sua obrigação.
Na escola em que eu estudei o pré, o fundamental e o ginásio (lembra deste nome?) esta "falta de civilidade" era combatida de forma rigorosa. "Se os pais não educam, nós educamos. Se é impossível educar sem a ajuda dos pais, tchau". Cartas de advertência, suspensão e expulsão.
Acho que muitos foram salvos por esta conduta. Tanto os agredidos, como, principalmente, os agressores.

Na seara pediátrica, procuro separar o que é "culpa" da omissão dos pais e escola do que é doença, que tem tratamento. Um caso recente é de um menino de 9 anos com "TOD", transtorno opositor-desafiador, uma doença neurológica que merece tratamento medicamentoso. Quem olhasse de longe poderia até dizer que é bullying. Neste caso não houve omissão de ninguém. O TOD é caracterizado por uma enorme frustração ao "não", crianças que não aceitam regras e são violentas para impor seu ponto de vista. De certa forma, torna impossível o convívio social. Se não tratado adequadamente, vira "transtorno de conduta" - coisa séria, seriíssima.
Os pais, atentos, perceberam e estão tratando conforme as recomendações do neurologista. O resultado, excelente.

Algumas escolas estão se mobilizando, fazendo o papel de educação que seria destinado aos pais. Debates, conversas, fóruns, palestras. Numa reportagem do G1, vi que no Rio algumas escolas estão usando a técnica de José Datrino, o profeta Gentileza. Seu lema: gentileza gera gentileza. Clique aqui para ler mais sobre "o profeta".
Vamos praticar?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Doença Celíaca - Postado por Jairo Len

Não é minha intenção fazer do blog um "ABC" da saúde, mas acho que algumas doenças são bem interessantes de serem conhecidas pelas pessoas...
Uma delas é a "Dença Celíaca", uma intolerância alimentar aos alimentos que contém glúten: trigo, cevada, centeio, aveia e malte.
A doença é hereditária e acomete 1% da população, três a cinco vezes mais em mulheres, como toda doença auto-imune.
O diagnóstico é feito a partir do segundo semestre de vida...até a idade adulta. Muitas vezes o quadro clínico é bem leve, passando de forma despercebida.
Quando tem sintomas, são aqueles gastro-intestinais típicos:
- Diarréia recorrente
- Flatulência e cólicas intestinais crônicas,
- Inchaço abdominal, vômitos
- Baixo ganho de peso, falta de apetite, atraso da puberdade,
- Anemia por falta de ferro
- Outros sintomas extra-intestinais, mais raros (artrite, dermatite)

O diagnóstico se faz através de exames de sangue específicos para esta doença e o tratamento é a retirada do glúten da alimentação. O mais difícil é a retirada do trigo, presente em pães, massas, biscoitos, macarrão, entre outros.
Você já deve ter visto em embalagens e rótulos: "este alimento contém glúten" ou o contrário. A lei que obriga esta informação foi uma conquista das associações de celíacos, como a ACELBRA, para facilitar a vida dos portadores desta doença.

Até que houve boa vontade do pessoal da padaria, mas...