quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Prevenção da Obesidade nos Primeiros 1.000 dias - Postado por Jairo Len

Os "primeiros 1.000 dias" compreendem o período do início da gestação até dois anos de idade - e é neste período que há a formação de inúmeros tecidos e órgão do nosso corpo, como a formação do cérebro, grande parte das células de gordura, do tecido ósseo, e assim por diante.
Sabemos que muitas informações que o organismo recebe neste período vão ser lembradas por toda a vida - cerca de 100 anos, no caso dos nossos filhos.
A obesidade é um problema cada vez mais frequente e vem se tornando um assunto de saúde pública.
No meu dia a dia do consultório pediátrico posso perceber como nós, pediatras, temos oportunidades de contribuir com esta prevenção através de medidas simples.
O que é importante quando falamos de obesidade?

Alimentação:

- Estimular e apoiar o aleitamento materno exclusivo. Apesar de ser algo natural, vejo que há necessidade, muitas vezes, de intervenção e ajuda para que amamentação seja duradoura. 
- O leite de vaca não é adequado antes do 1° de vida pois oferece excesso de proteínas, ( 2 X mais que o necessário para o bebê ) e este é um ponto crucial para que a criança se torne obesa. Hormônios importantes como a insulina são alterados desde cedo quando não usamos o alimento ideal. E, mesmo usando o leite ideal, é extremamente importante que as quantidades oferecidas sejam adequadas, e não exageradas. 
- A introdução de alimentos complementares, a partir dos 6 meses de vida, também deve ter um cuidado especial com rotina diária e evitando sempre o excesso de sódio e de gorduras.
- Oferecer frutas, verduras, leguminosas e proteínas sempre em proporção adequada. 
- Evitar alimentos com açúcar, industrializados, sucos e excesso de carboidratos. 
- Refrigerantes e demais refrescos ou néctares industrializados devem ser banidos por completo.

Exercício físicos:
- As atividades físicas são de grande importancia nesta fase. Atividades cotidianas, como o "senta e levanta" dos bebês mais novos; de andar com apoio e ajuda dos mais velhos, perto de um ano de idade; o andar e correr livremente em espaços abertos.
- O tempo gasto na frente da televisão e tablets definitivamente diminui o tempo disponível para as atividades livres - isso inúmeros estudos já comprovaram.

Hábitos 
- É comprovado que pais obesos apresentam maiores índices de filhos obesos, por questões genéticas, epigenéticas e socio-ambientais. Desta forma, as famílias obesas devem ser abordadas como um todo para mudança de hábitos da casa e uma alimentação saudável e balanceada para todos.

Correção do problema:
- É fundamental que a família (mãe, pai, avós e cuidadores) estejam cientes de que a obesidade é um problema. 
- Devem ser orientados pelo pediatra desde os primeiros sinais de que o bebê está ganhando mais peso que o necessário. 
- Todos devem trabalhar juntos para prover a melhor alimentação e hábitos saudáveis.
Metade dos casos de obesidade infantil inicia-se até os Primeiros 1.000 dias de vida. Por isso, todos os cuidados citados devem feitos em conjunto para oferecer um futuro saudável.

Texto publicado no blog "Começar Saudável", da Nestlé.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Paracetamol com parafusos dentro - Postado por Jairo Len

Há duas semanas a imprensa mostrou alguns medicamentos que foram suspensos pela ANVISA, desta vez por erros grosseiros de produção e controle de qualidade (??).

Entre eles, por exemplo, o lote 1998101 do paracetamol 500 mg do Laboratório Teuto Brasileiro S.A., com validade até novembro de 2015. "Um consumidor identificou que, em um dos blisters do medicamento, havia um parafuso no lugar do comprimido", diz a Anvisa em nota.
Também, da Teuto, havia Cetoconazol com blister de Atenolol dentro, a neomicina + bacitracina no lugar da Nistatina, e a atorvastatina de 20 mg continha comprimidos de 10 mg dentro. 
Imagine um laboratório que comete erros grosseiros na apresentação final. O que você acha da QUALIDADE na fabricação dos medicamentos? Quem garante isso?

Com a criação dos medicamentos genéricos, inúmeros laboratórios sem qualquer tradição farmacêutica cresceram muito, viraram gigantes e maiores produtores de remédios. Não há, nunca houve, um rigoroso controle de qualidade e a fiscalização é parca. Não que a ANVISA deva abrir comprimido por comprimido, mas todos os casos acima foram identificados pelos consumidores finais.

Cada vez mais tenho certeza em escolher e prescrever medicamentos pelo LABORATÓRIO, e não pelo preço. Ser genérico, no Brasil, não garante QUALQUER qualidade. Pelo contrário: requer atenção, requer checar se o remédio está funcionando. Se é um medicamento para tratar um infecção aguda, como uma pneumonia, nem pensar: sempre medicamentos originais, se houver disponibilidade.

As diferenças de preços, hoje em dia, não são tão importantes, na maioria das vezes. Não há como negar que algumas vezes os genéricos ou similares custam um terço do preço do original...mas neste caso a pergunta é se "dá para comprar o original". Não importa que o outro custa 3 vezes menos.
Se você não faz isso na hora de comprar linguiça ou telefone celular, não faça com medicamentos.

Para comprar parafusos, Leroy Merlin.
Para medicamentos, fique de olho no fabricante!!!


Em casos de dor de cabeça, não exagere na dose.