segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A falta de vacinas nas clínicas de vacinação - Postado por Jairo Len

Quem tem filhos abaixo de um ano de idade deve estar percebendo uma falta de vacinas, nas clínicas particulares de vacinação.
Especificamente as vacinas produzidas pelo Laboratório GSK (que comprou a parte de imunizações da NOVARTIS), responsável pela maioria das vacinas importadas no Brasil.

Vacinas muito importantes, como a Hexavalente e Pentavalente, que protegem contra difteria, coqueluche, tétano, hemófilus B, poliomielite e hepatite B não virão mais para o Brasil, pelo menos até 2016. Estas vacinas são usadas em bebês de 2, 4 e 6 meses, e crianças de 1 ano e 4 meses.

Algumas clínicas particulares ainda tem estoques, porém pequenos, que logo acabarão.Algumas destas doses podem ser postergadas, outras não (como aos 2 e 4 meses).

Nosso plano B será o uso da vacinação do PNI (programa nacional de imunizações), realizados nos postos de saúde. Nos postos de saúde, salvo em exceções históricas, não costuma ocorrer falta de imunobiológicos.
O esquema vacinal não é tão confortável, porque com 2 e 4 meses temos uma picada a mais, em postos de saúde. Habitualmente estas vacinas que o PNI oferece podem causar maiores reações adversas, mas que são bem administráveis com anti-térmicos.
Mas do ponto de vista de proteção, é igual, mesmas doenças.
O mesmo ocorre com a vacina aplicada entre 4 e 5 anos de idade.

As demais vacinas aplicadas nestas faixas etárias (2-4-6 meses e 16 meses), preferencialmente devem ser realizadas (para quem possa pagar, obviamente) nas clínicas particulares de vacinação.
Não são iguais do ponto de vista de proteção: a Pneumocócica do PNI é 10-valente, enquanto na rede privada usamos a 13-valente (importantíssima no hemisfério sul), e a vacina contra rotavírus do PNI é monovalente (70% de proteção) contra a Pentavalente (99% de proteção) aplicada na rede particular.

Outra vacina GSK/Novartis em falta é a vacina contra meningite B, tema de outros posts. Ainda não regularizou, infelizmente. Ficou só na promessa do laboratório produtor.

Como curiosidade, a GSK alega que devido ao aumento da população mundial (!!!) e a dificuldade técnica de se produzir uma vacina - que demora cerca de 6 a 29 meses por dose - enfrentamos essa falta generalizada de imunobiológicos.

O Brasil investe pouquíssimo nisso, não há nenhum interesse dos grandes produtores mundias de vacinas se estabelecerem por aqui... Aliás, me parece que quem pode está saindo...

Nós continuamos aqui. Firmes e fortes, driblando ou tentando driblar estas adversidades, sempre com muita transparência e respeito aos pacientes e suas famílias.

Utilidade pública: segue abaixo link do PDF da prefeitura de São Paulo com os postos de saúde que fazem vacinações de forma permanente:

POSTOS DE VACINAÇÃO 


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Glúten não tem culpa - Postado por Jairo Len

Entre os modismos alimentares, a intolerância ao glúten (e à lactose) estão em alta, há alguns anos.
Ninguém sabe exatamente porque, mas de repente estes alimentos passaram a engordar e fazer um mal gigantesco.
Particularmente as dietas (não só para emagrecer) sem glúten e sem lactose se tornaram obsessão, e quanto mais famosa a pessoa menos glúten e lactose ela pode comer!

Cerca de 1% da população tem algum grau de intolerância ao glúten, proteína que está presente em todos os alimentos à base de trigo, aveia, cevada, centeio e malte. Ou seja: pão, macarrão, bolachas, torradas, cerveja, tudo que contenha aveia, etc... Os sintomas desta intolerância, cujo nome é Doença Celíaca, são dores abdominais, distensão, diarreia ou obstipação, vômitos, inapetência, sempre que se ingere alimentos que contenham glúten. O grau de sintomas é bastante variado, mas só ocorre em 1% das pessoas (e em 80% dos famosos..!!!). Os celíacos realmente devem evitar o glúten por toda a vida, sem dúvidas.

Essa mania de dietas sem glúten tem chegado nas crianças - cujas mães se auto-declaram intolerantes e não querem dar glúten aos seus filhos.
Tenho insistido para estas mães que o contato com trigo e outros cereais deve ser precoce, dos 6 meses em diante, para evitar alergias futuras.

Evidente que cortar o glúten vai acarretar uma perda de peso, uma vez que se restringem inúmeros alimentos calóricos do dia-a-dia. Assim como cortar carboidratos...
Estas dietas restritivas, porém, tem efeito limitado e podem gerar alto grau de ansiedade.

Em breve acharemos outro culpado para nossos males, e o glúten e a lactose serão absolvidos.
Quem será o próximo?


Muito cuidado!