segunda-feira, 23 de março de 2015

Aleitamento X Inteligência - Postado por Jairo Len

Além das dezenas de tristes notícias sobre política e economia, ainda tivemos a infelicidade de ler, semana passada, notícia sobre um estudo brasileiro, publicado em uma das revistas do grupo "Lancet", relacionando tempo de aleitamento materno e aumento do Q.I. ao longo da vida adulta.

O estudo, feito em Pelotas (RS), analisou cerca de 3.500 bebês, por 30 anos. Concluiu-se que "se o bebê mama por mais tempo, maior serão os níveis de inteligência, escolaridade e renda financeira quando adulto".

Ainda que os pesquisadores julguem que todas as variáveis foram isoladas (como escolaridade familiar, nível sócio-cultural, renda familiar), os próprios pesquisadores assumem que, por se tratar de estudo observacional, outros fatores não-mensuráveis não foram levados em conta (como toda a relação mãe-bebê, afetividade e paz familiar, relação entre pais e filhos, entrosamento dos pais na vida estudantil, etc...). Tampouco escreveu-se na imprensa que este estudo, iniciado há 30 anos, não avaliou crianças que usam fórmulas lácteas aonde temos DHA e ARA, nucleotídeos e tantos outros nutrientes essenciais.

OBVIAMENTE NÃO FAÇO UMA ODE AO ALEITAMENTO ARTIFICIAL, MAS achei o alarde da imprensa e o alcance da notícia um desserviço às mães. Não há qualquer necessidade de se listar benefícios do aleitamento materno na "Lancet". Todos sabem a importância de amamentar - pelo menos todos os que leem internet tão específica, a parte voltada para nutrizes, pais, gente intelectualizada que gasta seu tempo com isso. 

Sempre defendo e uso os maiores recursos para garantir que as mães amamentem seus filhos, inclusive medicamentos controlados (como o Equilid, que muitos conhecem), recomendação de enfermeiras especialistas em lactação, etc...

Mas, obviamente, há uma porcentagem de mães que, mesmo tentando de qualquer forma e com toda a ajuda, não conseguem amamentar seus filhos de forma exclusiva.
É para estas mães que parecem que estas notícias e tantas outras notícias "xiitas" sobre amamentação são feitas...

A função de todos que se preocupam com amamentação deveria ser facilitar a vida de quem tenta amamentar seus filhos, e não ficar perturbando quem não conseguiu.
Por facilitar leia-se tentar ajudar populações de mães carentes, ir a campo (em maternidades da periferia), fazer um programa de auxílio às nutrizes assim que elas deixam a maternidade, ter uma puericultura de bom nível em postos de saúde.

E, se queremos mesmo crianças inteligentes no futuro, garantir uma excelente alimentação nos primeiros 5 anos de vida, quando o cérebro se desenvolve 98%. Começando pela orientação de uma ótima fórmula láctea quando houver o desmame, seja lá quando ele acontecer, e garantindo também todos os nutrientes dos primeiros anos de vida.

Sem hipocrisia, ajudando as pessoas da forma que elas precisam.

Já escrevi sobre isso algumas vezes, o assunto é eterno...

quinta-feira, 5 de março de 2015

Repelentes e Dengue, Zika e Chikungunya - Postado por Jairo Len

Após circular um áudio (falso, spam) sobre a mutação da dengue e dos mosquitos, houve um pânico geral sobre a doença e o uso correto de repelentes de insetos.
O áudio é muito mal feito, a meu ver, mas serviu para alertar sobre algo importante, que é o uso dos repelentes... 

Vamos lá: a dengue continua a mesma, nada de mutações. Uma doença viral que pode ter suas complicações. Já escrevi sobre dengue no blog, vamos falar hoje só sobre repelentes.

Existem vários tipos de repelentes, desde os naturais (sabidamente ineficazes por longo tempo) como os químicos, que são os mais indicados
"Felizmente" os norte-americanos também sofrem com mosquitos e carrapatos, por lá transmitindo doenças como a febre do Nilo, doença de Lyme e a febre das montanhas rochosas: por isso, há pesquisa e recomendações bem claras sobre o uso de repelentes.

Por lá e por aqui, no Brasil, temos DOIS tipos de produtos recomendados e eficazes:
- o DEET - comercialmente conhecidos como Off, Autan, Repelex, entre outros

- a Icaridina (ou Picaridina) - vendido com a marca Exposis.

Ambos são eficazes contra os mosquitos que transmitem dengue, Zika e febre chikungunya.

Portanto, primeira dúvida respondida: os dois produtos podem ser usados para proteger contra dengue.

Segunda dúvida importante: qual é a idade mínima? Há recomendações da ANVISA, que em geral só libera o uso a partir dos 2 anos de idade, alguns deles a partir dos 6 meses de vida.

A Academia Americana de Pediatria libera o uso de DEET e Icaridina a partir dos 2 meses de idade. "Tem certeza?" (essa é a terceira dúvida...). Sim...sim...
Neste artigo, em inglês, as recomendações da Academia Americana de Pediatria.
Eu, particularmente, recomendo que até os 6 meses de idade só utilizemos repelentes em casos de extrema necessidade. Nesta faixa etária a proteção de barreira é mais importante e segura.

Como aplicar? Algumas regras e dicas.

O modo de aplicar também é importante, deve ser cuidadoso como quando passamos um filtro solar, em toda a área necessária

Se for em loção ou spray, tanto faz, em matéria de eficácia. Nas crianças maiores (que param quietas para aplicação) eu recomendo os sprays, mais fáceis de usar. 
Ideal não aplicar nas mãos das crianças, principalmente aquelas que põe a mão na boca o tempo todo (99% delas).

NUNCA se deve aplicar o spray diretamente no rosto: sempre use as suas mãos para passar na face das crianças.

Dependendo cada marca e concentração, a reaplicação é necessária após algumas horas. Sempre siga as recomendações do produto.

Existem repelentes próprios para uso diretamente nas roupas, como o Exposis Spray - Gatilho. Ideal para carrapatos, inclusive.

O uso de protetores solares e repelentes, ao mesmo tempo, pode ser feito. Nunca com produtos "combinados", tipo 2 em 1. Mas usando o protetor solar antes, e após alguns minutos, o repetente. 

Perfumes atraem mosquitos... Portanto, pelo menos para ir à escola, evite perfumar as crianças.

Pulseirinhas e adesivos de citronela tem efeito bastante limitado. Não conte exclusivamente com estes métodos.

Repelentes, nas concentrações e apresentações adequadas, não são tóxicos. MAS, como quaisquer produtos de uso na pele, podem causar alergias cutâneas.

RESUMINDO: use repelentes, quaisquer marcas boas vendidas na farmácia, diariamente. Crianças a partir dos 2 meses podem usar, mas é nos escolares que o uso deve ser diário.



Tanto faz. O importante é usar.