quarta-feira, 20 de março de 2013

Assimetrias cranianas e o "capacete" - Postado por Jairo Len

De vez em quando alguém me conta que viu um bebê usado um capacete."O que é aquilo? Porque está usando?"



Alguns pais até acham que é para proteção (e querem um para seus filhos!!).

Na verdade este capacete (o da foto) é uma órtese craniana, utilizada para corrigir as assimetrias cranianas, que são fruto de uma desproporção ou achatamento em uma ou mais regiões da circunferência craniana. Isso ocorre por questões intra-uterinas e também podem ocorrer no decorrer do primeiro ano de vida.
Com a recomendação atual de se dormir "de barriga para cima" e com a cabeça virada para os lados, variando os lados, o índice de assimetrias aumentou. Até porque muitos pais não conseguem variar os lados - e alguns bebês tendem a virar mais para um só lado (torcicolo congênito). 

O nome técnico para esta assimetria é Plagiocefalia. Que vem do grego (plagio=obliquo e cefálios=cabeça) e significa assimetria oblíqua da cabeça, ou seja, olhando-se por cima, percebe-se uma desproporção ou achatamento em uma ou mais regiões da circunferência craniana.

Às vezes é bastante visível, incomoda os pais. Do ponto de vista neurológico, não há qualquer problema. E com o passar dos anos melhora bastante do ponto de vista visual, na maioria das crianças.

A avaliação (se está melhorando o suficiente ou não) deve ser feita nos primeiros meses de vida. De forma clínica ou de modo mais preciso, com escaneamento por laser, realizado em clínicas especializadas.

Tratar ou não tratar com a órtese (capacete) é a questão que deve ser discutida com o pediatra, o neurologista ou neurocirurgião e a família, principalmente. Antes do uso capacete podem ser feitos, no intuito de corrigir a assimetria, exercícios, fisioterapia, treinamento postural, etc. A avaliação deve ser criteriosa, caso a caso.

Quando há indicação de uso da órtese craniana, a idade mínima é de 4 meses de idade e a máxima, 1 ano e 6 meses. Quanto antes se inicia o tratamento, melhor. E a duração é de 3 a 6 meses - usando a órtese 23 horas por dia.


As fotos utilizadas são do site cranialcare.com.br


terça-feira, 12 de março de 2013

Pedocracia - Postado por Jairo Len

Confesso que não conhecia este termo: Pedocracia. Li hoje em uma reportagem na Folha on line. É o nome das famílias "governadas" por crianças. Lá, quem dita as regras são os filhos - pais se submetem à eles.

É claro que o termo não existe nos dicionários, mas acho que em breve vai existir.

A cada dia, na Clínica, vejo dezenas de casais e famílias tentado educar seus filhos, como vem acontecendo há séculos. 
Sempre me perguntam: "- Como devo educar meus filhos?".
Minha resposta começa sempre da mesma forma: não existe um único jeito de se educar crianças. Cada pai e cada mãe (e juntos) devem educar da maneira que acham mais certo.
Com cerca de 1 ano e 4 meses, as crianças estão prontas para reclamar da forma com que são tratadas. Muitos (todos?) se jogam no chão quando contrariados, atiram objetos longe, fazem birra.
Brinco com os pais: essas atitudes significam que as crianças estão falando: "Eduque-me, por favor".
Mas vejo  mães e pais que não conseguem simplesmente ignorar este tipo de birra, o que julgo que é ideal para ser feito. Por motivos diversos (não cabe aqui esta discussão), culpam-se, não conseguem ver seus filhos sofrendo assim, cedem às suas vontades nestas horas. E independe da idade: com 1 ano e meio, jogam-se no chão, mais tarde um pouco mordem e batem nos pais (vejo muito isso lá na Clínica), depois batem nos amigos, e assim as coisas vão... Na adolescência, crianças que não tiveram limites são um caso à parte. Todos sabemos as dificuldades que virão.

"Uma geração inteira de pequenos ditadores, na explicação de Marcia Neder, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Educação da USP e autora do livro "Déspotas Mirins - O Poder nas Novas Famílias". "Vivemos uma 'pedocracia'", diz, dando nome ao fenômeno das famílias sob o governo das crianças. "Há 50 anos, elas não tinham querer. Agora, mandam."
A falta de limites é sinal da derrota dos pais, na visão de Marcia Neder. "A criança foi a grande vitoriosa do século 20." "Vamos pagar o preço de ver esses tiranos crescidos."  (folha on line).

O psicanalista Renato Mezan, da PUC-SP, complementa: "O problema é que a balança foi toda para o outro lado: da rigidez à frouxidão. Por um lado, é um avanço social, há mais diálogo na família e mais decisões consensuais. Mas, por outro, os pais têm medo de exercer a autoridade legítima. É uma crise de autoridade generalizada. A ideia de que colocar limites pode ser danoso à criança é 'idiota'", afirma Mezan. Segundo ele, a inexistência de regras gera ansiedade dos dois lados. (folha on line)

Noto que, para algumas famílias, não há outra forma se se criar - só aquela sem quaisquer limites. Mesmo que isso incomode muito quem está em volta, que é obrigado a conviver no mesmo mundo. Mas noto também, 5 ou 10 anos depois, como estas mesmas famílias estão atônitas com os filhos. E - muito interessante - a maioria dos pais destes tiranos, nesta primeira infância dos seus filhos, orgulha-se de como seus próprios filhos "estão" educados. Julgam que os outros - que impõem limites - são uns carrascos.

De acordo com Içami Tiba, "um aspecto crucial na educação é a autoridade. Muitos pais temem perder o amor dos filhos se forem firmes nas regras e nas cobranças. Todo mundo sabe que adolescente contrariado é encrenca na certa. Como uma criança birrenta, ele reclama, briga e faz escândalo, dentro de uma escala proporcional a seu tamanho. Nesse ponto os pais não podem ceder. Precisam estar conscientes de que, como todo mundo, os jovens não dão afeto a pessoas que não respeitam." A força dos pais está em transmitir aos filhos a diferença entre o que é aceitável ou não, adequado ou não, entre o que é essencial e supérfluo, e assim por diante."

Portanto, para um mundo melhor, "abaixo a pedocracia". Não é fácil educar, não há um jeito único ou certo, mas parece que a maioria das pessoas sensatas sabe muito bem o que não deve ser feito. Pelo menos com os filhos dos outros...



 


quarta-feira, 6 de março de 2013

A vacina contra Gripe chegou - Postado por Jairo Len

Já está disponível a vacina contra Gripe (Influenza) - cepas 2013, aqui no Brasil.
A vacina, como nos anos anteriores, é TRIVALENTE, contra os três tipos mais comuns de vírus Influenza.
Porém, a composição viral difere dos 3 anos anteriores. Ainda temos o A-H1N1 (gripe suína), mas são novos os A-H3N2 e o B.
Estes dois últimos são os vírus que causaram a epidemia nos Estados Unidos. Devemos ter um aumento significativo da doença no Brasil a partir de maio, como ocorre todos os anos.

Sugiro que todas as pessoas sejam imunizadas. Devemos "aproveitar" que este ano a vacina chegou antes da doença.

Crianças a partir dos 6 meses de idade já podem receber a vacina. Na Clínica Len de Pediatria vacinamos rotineiramente todos os bebês nesta faixa etária.

RELEMBRANDO - Na primeira vez que crianças (6 meses a 9 anos) recebem a vacina contra gripe, a vacinação é feita em duas doses, com intervalo de 1 mês. Para quem já recebeu a vacina anteriormente, independente da idade, o reforço é feito sempre com uma única dose.

Independente de quando foi aplicada a vacina no ano passado (2012), a vacina 2013 já pode ser aplicada, mesmo que faça menos de 1 ano da dose anterior. São vacinas diferentes, protegem contra gripes diferentes.

Clínica Len - Vacinamos crianças e adultos. Mas, por questões logísticas, só os nossos pacientes, familiares e seus acompanhantes.

Nos EUA, houve epidemia.