quinta-feira, 31 de março de 2011

Feijão - Postado por Jairo Len

Nada contra o feijão, eu juro. Afinal, sua cultura começou 7.000 anos a.C. - talvez o plantio mais antigo feito pela nossa civilização.
O feijão é uma leguminosa que tem um preço acessível em comparação a outros alimentos que contenham nutrientes, além de seu plantio ser fácil, podendo ser o alimento mais importante em diversas regiões do Brasil (como no miserável sertão nordestino).
O problema é que muitas mães tem o feijão como um alimento "fundamental e indispensável" para seus filhos, que muitas vezes (e talvez por causa de tanta insistência) tem verdadeiro pavor deste alimento.
Me falam "ele come muito mal...porque come de tudo, menos feijão...vai ficar desnutrido...".
Não é verdade. O feijão não é um alimento tão importante, que seja indispensável à nossa nutrição. Aliás, pouquíssimos países do mundo tem o feijão como um hábito diário. Na Europa, nem pensar. Vá lá umas favas em algum prato mais requintado...

"Mas feijão não tem muito ferro?"
O feijão tem ferro, sim. Mas muito menos do que as fontes de ferro de origem animal. E o ferro do feijão é ligado a fitatos (como todo o ferro de origem vegetal). Isso diminui demais sua absorção, não sendo considerado uma boa fonte deste mineral. Vale para o espinafre e demais verduras escuras.

Para quem não tem acesso ($$) à carne, frango, ovo...podemos dizer que o feijão é uma boa solução - até porque contém proteínas e outros minerais, com baixíssimos níveis de gordura.
Para os demais, ele continua um ótimo alimento.
Mas não é fundamental. O que fez a gente sobreviver desde que éramos homens de Neanderthal foi proteína animal e carboidratos.

Evoluimos, sem comer feijão

segunda-feira, 28 de março de 2011

Facebook e depressão - Postado por Jairo Len

The Impact of Social Media on Children, Adolescents, and Families. Com este título o Pediatrics - a mais importante e respeitada publicação pediátrica - mostra, na edição eletrônica de hoje, a sua preocupação em relação às redes sociais e seu impacto no plano emocional e psicológico de crianças e adolescentes (e adultos, porque não?).
De acordo com a Academia Americana de Pediatria, as redes sociais (Facebook, Orkut, MySpace, Twitter, entre outras) apresentam aos seus participantes uma visão distorcida da realidade.
Uma realidade que nem sempre é a "realidade". A vida como ela não é.
"Registros dos amigos, atualizações de status e fotos de pessoas felizes no Facebook podem fazer com que algumas crianças se sintam mal por pensarem que não estão à altura".
Crianças e adultos. Afinal, cada um atualiza o seu perfil, suas fotos e suas passos conforme queira.
Só momentos felizes, glamour, alegria...
Seria um como um"The Sims" , aonde as pessoas criam seu mundo perfeito. E os espectadores (voyeurs, arrisco) invejam, almejam, e podem entrar em "Facebook depression" - uma nova doença que os pesquisadores de Boston descobriram.

Como proteger nossos filhos e nos proteger? Difícil resposta. Adulto e vendo diariamente tantos problemas dos outros (de saúde, dos casamentos, de dinheiro, de drogas, de solidão, de envelhecer), é mais fácil ter uma visão da realidade, visão de que nem tudo é o que aparenta ser e que existem valores muito mais importantes que são conquistados aos poucos, no dia a dia, e que são impossíveis de serem "descritos" em painéis de Facebook ou em fotos felizes com legendas curtas.
Para as crianças é mais complicado ter esta visão.
Não acredito que censurar os filhos pode trazer qualquer solução, mas o dilema é mostrar que a vida na tela do notebook não é exatamente assim. As diretrizes da Academia Americana de Pediatria encorajam os pediatras a incentivar os pais a conversarem com seus filhos sobre o uso da internet, do Facebook e outros riscos on-line. De enxergar com filtros.
"O Facebook é onde todos os adolescentes 'se encontram' agora. É a loja da esquina", disse O'Keefe, pediatra de Boston, uma das responsáveis pelo estudo.
Para a pediatra, os benefícios do Facebook para crianças não devem ser negligenciados, como se conectar com amigos e família, compartilhar fotos e trocar ideias.
O que os pesquisadores querem é que os pais fiquem atento a tudo isso: às mudanças de comportamento, aos riscos de fazer amizades com desconhecidos on line, ao ciberbullying e à necessidade de sempre se atentar, ouvir e conversar com os filhos.

Quem quiser ler o artigo na íntegra, aqui vai o link: AAP Publications March 2011.

Agora diga que nunca invejou este rapaz...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Vacinas II - Postado por Jairo Len

Continuo falando sobre vacinas.
Nesta semana duas mães me perguntaram sobre calendários alternativos ou individualizados de vacinação, aqueles esquemas que alguns pediatras fazem: determinada vacina, não aplicar, outras, mudar radicalmente a data de aplicação.
Pérolas como "BCG só aos 6 meses" (enquanto a regra geral é de se aplicar BCG ainda na maternidade). Ou "meningite C não precisa", só na adolescência, como nos EUA...

Vamos lá: é uma irresponsabilidade e uma insanidade inventar regras de vacinação.
Para que nenhum médico queira fazer seu próprio calendário de vacinas, entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Associação Brasileira de Imunizações criaram, com bases científicas, dados epidemiológicos e bom senso um calendário que deve ser seguido. Atualizado anualmente. No mundo todo é assim - evitando arroubos de criatividade individual.
É claro que pequenas variações - como adiantar um mês ou postergar um mês alguma vacina por conta de uma doença ou uma consulta - podem ser realizadas.


O que não se pode permitir é que algumas vacinas extremamente importantes deixem de ser aplicadas na idade certa.
A meningite, por exemplo, tem incidência de 4,62/100.000 habitantes em São Paulo, nos últimos anos. É de baixa incidência, mas existe. E devastadora, quando ocorre.
Como as doenças preveníveis são de frequência baixa, estes médicos (e alguns pais também) contam com a sorte. Azar é das crianças, sem poder de escolha, serem atendidas por estes pediatras.

terça-feira, 22 de março de 2011

Vacina no posto ou vacinas particulares - Postado por Jairo Len

Tem sido frequente o questionamento sobre "aonde vacinar o meu filho? A vacina oferecida nos postos de saúde é igual à vacina das clínicas particulares?"
O assunto é simples, e evitarei qualquer dó sociológica para responder. Quem pode pagar, tem à disposição nas clínicas de vacinação o que há de melhor, mais seguro e completo em matéria de vacinas.
A vacina das clínicas particulares não é igual à dos postos de saúde. Aliás, como tudo o que o governo oferece "graciosamente", em troca dos nossos impostos.
Apesar de ser bem técnica, espero que a explicação abaixo tire as dúvidas.

Antes de mais nada, lembro que o PNI (Programa Nacional de Imunizações) do Brasil é um dos mais completos do mundo, no quesito número de doenças protegidas. À exceção da vacina contra catapora e contra hepatite A, o governo disponibiliza todas as outras vacinas existentes. Estas duas vacinas só podem ser aplicadas em clínicas particulares.
Porém, a diferença em relação às outras vacinas não é sutil...

- Vacina tríplice bacteriana (DPT): no PNI usa-se a vacina produzida no instituto Butantan, a DPT de célula inteira, uma vacina que causa índice alto de reações adversas. Nas clínicas particulares, só existe a DPaT, a vacina acelular, usada em todos os países "desenvolvidos" do mundo. Nesta vacina o componente da coqueluche é feito por engenharia genética, não se usa o capside da bactéria. Resultado: muito menos reações.

- Poliomielite: os postos ainda usam a Polio Oral (Sabin), em desuso total em países como EUA, toda a Europa e Escandinávia, Japão e Israel. Nas clínicas particulares só se usa Polio Inativada, aplicada na mesma seringa que a DPT. Esta vacina confere alta proteção e risco zero de causar a PPV - poliomielite pós-vacinal - um raríssimo efeito colateral da vacina Sabin. Foi por este motivo, a PPV, e também para acabar com a circulação de um vírus vivo e inativado, que o mundo desenvolvido parou de usar a Sabin.

- Hepatite B: aplicada nas clínicas particulares também na mesma seringa que a DPaT + Hemófilus + Polio (vacina Hexavalente), diminui o número de injeções na criança. Caso não seja este o problema, copio abaixo o trecho de um estudo sobre vacinas:
"Estudo realizado pelo Dr. Reinaldo Menezes Martins (do Comitê Técnico Assessor do Ministério da Saúde) e col, comparando a imunogenicidade da vacina contra Hepatite B produzida pela GSK (Engerix) e a do instituto Butantã (Butang) demonstrou, entre outras coisas, que a porcentagem de soroproteção da vacina Butang em adultos entre 31 e 40 anos de idade foi de 79,8 % contra 92.4% da Engerix B®."

- Rotavírus: nos postos existe à disposição a vacina contra rotavírus monovalente (da GSK). A vacina é belga, segura e bem produzida, mas só protege contra um sorotipo deste vírus, o que equivale a 70% dos casos no nosso meio. Nas clínicas particulares se aplica a vacina pentavalente, norte-americana, que protege contra cinco sorotipos de rotavírus - 99,5% dos casos brasileiros. Esta vacina (a pentavalente) é utilizada de rotina nos Estados Unidos e a mais indicada para nós.

- Pneumococos: nos postos utiliza-se a pneumocócica conjugada 10-valente (da GSK), também belga, segura e eficaz. Nas clínicas particulares usa-se a pneumo 13-valente (da Pfizer/Wieth). Estes 3 sorotipos a mais de pneumococos são extremamente importantes no Brasil, pois 2 deles são pneumococos muito comuns por aqui. É uma vacina que chegou há 6 meses no Brasil, muito aguardada pela comunidade pediátrica. Esta vacina (a 13-valente) é utilizada de rotina nos Estados Unidos, no PNI deles. Nossas crianças também merecem...

- Meningite C: talvez a diferença menos contundente. O governo utiliza a vacina da Chiron. As clínicas aplicam a vacina da Baxter. Ambas são muito seguras, mas a vacina da Baxter é a única que apresenta níveis protetores a partir da primeira dose aplicada (com 2 ou 3 meses de vida). Como é uma doença gravíssima e correspondente a 70% dos casos de meningite bacteriana em São Paulo, julgo a diferença relevante, ao menos ao aplicar a primeira dose.

Por fim, gostaria de colocar um trecho da entrevista publicada na revista Veja desta semana, com o Dr. Jorge Kalil, diretor do Instituto Butantan:
O Senhor assumiu a presidência do maior fabricante de vacinas do país, o instituto Butantan. Por que o Brasil exporta apenas 5% de sua produção total?
Nosso processo de produção precisa se adequar aos padrões de qualidade estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde. A OMS exige, por exemplo, que cada etapa da fabricação da vacina seja feita em um ambiente com o sistema de ar condicionado isolado, o que reduz drasticamente o risco de contaminação do produto. Não temos isso. Aqui, todas as salas estão ligadas a um único sistema. O mesmo vale para as roupas utilizadas pelos pesquisadores que devem ser trocadas a cada etapa da produção da vacina. Nós também não temos isso. A OMS preconiza que o número de partículas de detergentes usados na limpeza das salas e dos materiais seja o dobro do que temos hoje. Todas essas adequações lá estão em andamento. Até 2015 o número de doses produzidas, hoje na casa de 200 milhões ao ano, vai dobrar - e poderemos exportar mais.
O não cumprimento das exigências da OMS influencia a qualidade da vacina brasileira?
Na eficácia, não. Nossas vacinas são tão boas quanto quaisquer outras produzidas pelos grandes laboratórios internacionais. A diferença está nos eleitos colaterais. Em geral, independentemente do local onde são fabricadas, elas podem causar um quadro leve de febre ou diarreia. Se, durante o processo de fabricação, sobra um restinho de microrganismo, essas reações adversas tendem a se agravar - o que, apesar de prejudicar a ação da vacina, pode comprometer a adesão aos programas de imunização. Atualmente, com as nossas vacinas, a incidência desse, sintomas mais severos é de um caso em I milhão.

A decisão de como e aonde vacinar seus filhos cabe aos pais, dentro de suas possibilidades econômicas, inclusive. O que não posso deixar de mostrar é que existem diferenças marcantes nos tipos de vacina.
E relembro que o nosso riquíssimo país (para algumas coisas...) poderia oferecer à sua população o que há de melhor em matéria de vacinas, assim como na saúde como um todo e na educação.
Salve-se quem puder.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Mitos em longevidade - Postado por Jairo Len

O post não é uma ode à dolce vita. Nem sei exatamente se é longevidade que as pessoas buscam tentando ter hábitos "extra saudáveis" de vida. Hábitos às vezes radicais, que necessitam uma logística complicada, tanto dos casais, como dos filhos, dos pediatras, da escola...
Li hoje uma reportagem da jornalista Iara Biderman sobre um estudo, o Longevity Project, da Universidade da Califórnia - o mais longo estudo sobre longevidade já realizado, que iniciou em 1921 (90 anos atrás).
O estudo mostra que ter hábitos vegetarianos ou com muitos vegetais, dietas especiais, esportes, tranquilidade, estar sempre sorrindo, entre outros...não leva à longevidade.
Leva, evidentemente, a uma qualidade de vida, com mais saúde (menos doenças crônicas e remédios). Mas realmente não foi achada relação entre hábitos alimentares, saúde plena e vida mais longa, por exemplo.

Uma coisa que julguei muito interessante: a característica predominante na infância dos que vivem mais tempo com saúde foi o senso de responsabilidade. São crianças que, quando adultos, tem mais cuidados consigo (não radicalismos) e evitam comportamentos de risco. De acordo com a psicóloga Leslie Martin, essa personalidade não significa vida "certinha" sem graça. "Os registros mostram que foram pessoas criativas, intelectualmente ativas e que construíram carreiras e redes de relacionamento muito interessantes."
Ou seja, não foram ortoréxicas ou viciadas em esporte, não precisaram fazer meditação transcendental no Tibete, quando adultas comeram de tudo um pouco (mesmo não sendo orgânico), bebiam moderadamente e socialmente se tinham vontade, não comiam alimentos com pré e próbióticos fervorosamente, ração humana e leite só de soja. Talvez deram-se ao luxo de conseguir acordar e ficar sem fazer nada por horas e não precisaram tomar toneladas de fórmulas anti-oxidantes para atingir a longevidade.

O estudo mostra também outros mitos quebrados: otimismo não traz longevidade (preocupação moderada sim), divórcio reduz a expectativa de vida do homem (e não das mulheres), manter-se produtivo por toda a vida faz viver mais tempo (e não trabalhar pouco e se aposentar cedo) e que as experiências traumáticas durante a vida fazem as pessoas superarem dificuldades, tornarem-se mais fortes e viverem mais tempo.

É claro que se a gente abusar de tudo o que gosta não vai dar certo...


segunda-feira, 14 de março de 2011

Roncos e Apnéia Noturna - Postado por Jairo Len

A dificuldade respiratória noturna (e diurna) é um problema que acomete boa parte das crianças. Em muitas delas esta dificuldade não é notada pelos pais, exceto quando, por qualquer motivo, o filho vai dormir na cama deles: aí é notada a respiração ruidosa, com roncos e até apnéias. As apnéias são as interrupções respiratórias, neste caso obstrutivas.
É muito importante que seja feito o diagnóstico e a conduta nestes casos de patologia respiratória obstrutiva do sono (PROS).
Para que uma criança tenha roncos e apnéia é necessário que exista, portanto, uma obstrução na via respiratória. Esta obstrução pode ser no nariz (septo, cornetos, pólipos), nas amidalas ou na adenóide (vulgo carne esponjosa). Na maioria das vezes o problema é "misto", com alergia associada à rinite, a amidalas e adenóide grandes.

Qual é o problema dos roncos e apnéias?
São dois problemas, para simplificar.
Um, para o presente: estas noites muito mal dormidas (a criança parece que dorme, mas não descansa) serão refletidas em dias de pouca produtividade, cansaço, sono, dispersão, mau humor, baixo rendimento escolar. E isso se arrasta por anos e anos, trazendo prejuízos em vários setores do aprendizado. As alterações craniofaciais se iniciam...
Outro, para o futuro: a respiração oral, portanto, traz inúmeras alterações a longo prazo na "ortopedia" craniofacial. O palato (céu-da-boca) vai ficando profundo, a arcada dentária não se desenvolve adequadamente, a fala pode ser prejudicada a médio prazo. O apinhamento dentário, por falta de espaço, pode ocorrer. Podem aparecer assimetrias faciais discretas, olheiras crônicas, mordida cruzada. O rosto de um adulto que sempre respirou pela boca pode ser reconhecido, devido a suas características adquiridas com o tempo: filtro nasal alongado, lábio superior curto e afilado, olheiras, boca entreaberta.
E, no futuro, corrigir o problema desta respiração obstruída pode ser muito difícil.

A avaliação deste problema todo deve ser feita pelo pediatra e pelo otorrinolaringogista. O otorrino vai, através do exame clínico, avaliar aonde está o problema. Através de exames de imagem pode dimensionar qual é a abordagem que deve ser tomada. O exame que demonstra definitivamente a qualidade do sono é a polissonografia. Nem sempre é necessária, e por mais que já humanizaram este exame, ele ainda é trabalhoso - pois monitora a noite toda de sono, no laboratório. É medida toda a atividade cerebral, as apnéias, os momentos de baixa oxigenação, etc.... A polissonografia não é nada invasiva, não pica e não dói, mas...
Das poucas vezes que pedi o exame, ele serviu para mostrar graficamente aos pais aquilo que já sabíamos - a necessidade de se tomar uma conduta o mais rápido possível na respiração obstruída dos seus filhos.
Nem sempre as noites garantem o descanso necessário...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vacina contra Gripe 2011 - Postado por Jairo Len

A vacina trivalente contra Gripe 2011 já chegou às clínicas de vacinação. Neste ano, bem mais cedo que em 2010 - quando tivemos a vacina contra influenza disponível só em agosto.
O segredo desta disponibilidade precoce é que a vacina 2011 é igual à vacina 2010 - ou seja - a Organização Mundial da Saúde orientou que as cepas virais devem ser as mesmas que da vacina do ano passado. Não houve mutação viral importante que justificasse novas cepas na vacina 2011.
A vacina (2010 e 2011) é composta por 3 tipos de vírus: o vírus da gripe suína (H1N1), um influenza A (H2N3) e um influenza B.

Quem deve receber a vacina contra gripe 2011?

De um modo geral, TODOS devem ser vacinados anualmente contra gripe. Porém, algumas particularidades - porque a vacina é igual à do ano passado - devem ser observadas:
- As pessoas que receberam a vacina H1N1 (monovalente, do governo, nos postos de saúde) devem ser imunizadas com uma dose da trivalente 2011.
- Os bebês abaixo dos 8 meses de idade não receberam a vacina no ano passado (porque não tinham a idade mínima, 6 meses). Nesta faixa etária a vacina contra influenza é mandatória - portanto os bebês devem ser imunizados com a trivalente.
- Quem foi vacinado com a trivalente 2010 só precisa reforço após um ano, independente da idade. Antes disso, está protegido, porque a vacina imuniza por 12 meses. Não faz mal receber a vacina antes de um ano da dose anterior, mas há necessidade.
Para os maiores de 18 anos, já está disponível a vacina subcutânea, com uma "micro" agulha e um quinto da dose. Não dói absolutamente nada. A vacina intranasal ainda não foi licenciada no Brasil.

Com a Gripe Suína (em 2009) as pessoas perceberam que GRIPE (doença causada pelo vírus influenza A ou B) é coisa séria, e não deve ser confundida com resfriado comum. A vacina é segura e eficaz - pudemos perceber em 2010 como não houve o stress de 2009, e isso se deu graças à vacinação em massa realizada no ano passado.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Surto de conjuntivite - Postado por Jairo Len

São Paulo tem enfrentado no último mês um surto de conjuntivite viral.
Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, a membrana que reveste o branco dos olhos. Conjuntivites podem ser de origem traumática, alérgica, química, viralou bacteriana. Estas duas últimas são as infecciosas - contagiosas - principalmente a viral.
O surto veio do sul do país e a causa é um novo sorotipo de vírus que as pessoas ainda não tem imunidade.
Os sintomas são os mesmos das conjuntivites virais habituais:
- vermelhidão e secreção ocular,
- lacrimejamento,
- prurido,
- sensação de areia nos olhos,
- inchaço nas pálpebras.
As chatíssimas conjuntivites virais duram cerca de sete a 15 dias, podendo chegar a um mês de sintomas.
O contágio se dá por secreções oculares - coçar o olho e... pegar na maçaneta, nadar em piscinas comunitárias, usar teclados e telefones, óculos 3D, compartilhar toalhas, dar um aperto de mãos...
As pessoas que tem conjuntivites devem tomar muito cuidado para não passar para os demais - usar álcool gel nas mãos o tempo todo e evitar mexer em objetos de uso comum. Escola, nem pensar. Trabalhar, de óculos (escuro ou não) e com muita precaução ao usar os próprios objetos, sem deixar rastros...
O tratamento é à base de limpeza e lubrificação ocular, e eventualmente algum colírio receitado pelo oftalmologista - só para amenizar o desconforto ocular até a resolução da doença, que é de forma espontânea.
Uma curiosidade sem resposta: basta olhar para alguém com conjuntivite "feia" que seus olhos começam a coçar. Por que será?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ar condicionado - Postado por Jairo Len

Existem alguns assuntos pediátricos aonde nunca se chegará a uma conclusão. Exemplos: uso de chupeta, de sling, como educar, métodos pedagógicos...e uso de ar condicionado (AC).
Antes de tudo eu gostaria de lembrar que meu blog traz opiniões pessoais minhas e baseadas em leitura científica.  Não tenho o hábito de publicar os comentários ofensivos - mas você não imagina o número de e-mails e comentários mal-educados que eu recebo sobre estas postagens aonde há um fervor ideológico em questão. Este blog é direcionado para você, que quer uma opinião a mais, que quer saber a visão de um pediatra (que lê e estuda bastante) sobre os mais diferentes assuntos que possam interessar a todos nós. Discussões e críticas construtivas são sempre bem vindas e só melhoram o debate.

Voltando ao ar condicionado... Ame-o ou deixe-o. Há que não viva sem (como eu), há quem não consiga entrar em um ambiente refrigerado por eles. Mas do ponto de vista de doenças respiratórias pediátricas, ele não é um vilão, desde que saibamos usar.
No berçário que seu filho nasceu, desde as primeiras horas de vida, já é usado o ar condicionado.
O aparelho de ar condicionado (split, de janela, portátil ou central) deve ter uma manutenção rigorosa e programada - mensal, de preferência. Os filtros e a tubulação devem ser limpos com produtos especiais para este fim, e esta limpeza deve ser feita por profissionais (os mesmos que instalara o ar, por exemplo).
Uma verdade sobre AC é que eles definitivamente ressecam o ar. E o ar com baixa umidade é um vilão para as doenças respiratórias, para muitas crianças. Outras não sofrem com isso...
Para aquelas crianças que tem doenças respiratórias (asma, bronquite, rinite ou sinusite) e que claramente tem uma piora quando expostas ao AC, recomendo que nos dias mais secos se use, concomitantemente, um umidificador de ar. Mas - claro - se notar que mesmo assim as crises respiratórias são deflagradas, não use.
Estas recomendações não valem para uso do ar condicionado no carro. Esse não tem jeito... É fundamental...
O ideal é ter algum relógio portátil (Made in China), com higrômetro, para sabermos a umidade relativa do ar dentro do ambiente. Às vezes está chovendo lá fora e a umidade de um quarto pode estar em 40%.
Abaixo de 40% é fundamental umidificar o ar, com ou sem uso de ar condicionado (atenção: vale para as crianças e adultos com problemas respiratórios).
Não existe uma temperatura ideal para deixar um AC programado, mas 24 ou 25ºC, genericamente, é uma boa. Ligar a noite toda, usar o sleep, programar o timer, é uma questão de gosto.

Os neurocientistas juram que o nosso organismo não dorme acima de 28ºC. Não descança. Você acha que dorme, mas não entra em sono REM como deveria. O resultado são dias mais cansados, com baixo rendimento.

Portanto, o ar condicionado não é um vilão. É como sushi ou sashimi - goste ou não, desde que bem preparado, com higiene e alguns cuidados, só faz mal para quem tem muita alergia.
Prova irrefutável do aquecimento global