quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Pais sem limites - Postado por Jairo Len

Não sou muito de copy-paste aqui no blog, mas li um texto do escritor e novelista Walcyr Carrasco (Época On Line) que achei excelente, por isso vou copiar aqui.

Uma visão da falta de limite dos pais, e por isso a falta total de limites dos seus filhos... 

Achei interessante porque o texto vem de alguém "fora" dos muros pediátricos, não é um psicólogo, um pediatra, um educador ou uma mãe falando. É um cidadão desabafando.

E mostrando que, em quase tudo, a culpa é dos pais, maus educadores.

Como o texto é de livre leitura (não precisa assinatura), copio aqui na íntegra.


Pais Sem Limites - Por Walcyr Carrasco, 15/09/2015

A educação liberal é confortável para os pais. Mas os filhos precisam saber o que são deveres e obrigações


O avião estava cheio. Eu no fundão. Duas poltronas atrás de mim, uma criança começou a chorar. Abriu o berreiro. Ninguém disse uma palavra, fazer o que quando uma criança chora? A mãe, em vez de tentar acalmar o filho, reclamou em voz alta.

– Criança chora mesmo, e daí? Vocês ficam me olhando, mas o que posso fazer? Criança é assim: chora.

Tudo bem. Criança chora. Mas a gente ouve. Ninguém havia reclamado do incômodo em voz alta. Suponho que algumas pessoas tenham olhado para a mãe como se pedindo que fizesse alguma coisa. Em vez de acalmar o filho, ela brigou. Sinceramente, nem olhar a gente pode? E mais sinceramente ainda: como será a educação desse menino, se a mãe prefere reclamar com quem se sente incomodado com o choro, no lugar de acalmar o filho? Vai ter noção de limite? Ou se transformará num briguento, achando que tem direito a tudo? No caso dos aviões, eu acho que há uma irresponsabilidade enorme dos pais. Como podem expor um bebê de colo a viagens aéreas? Sim, existem os casos de extrema necessidade. Mas não são a maioria. Um bebê sente dor nos ouvidos, talvez até mais intensa que nós. Quando eu sinto, tento mascar chiclete, chupar bala, ou pelo menos, racionalmente, posso entender o que está acontecendo e suportar. Um bebê não. De repente, vem aquela dor horrível, ele não sabe o porquê. Chora. Grita. Os outros passageiros têm de suportar o barulho, ficam até com dor de cabeça. Mas um bebê é um bebê, e todos temos de entender. E os pais? Como obrigam a criança a suportar essa dor? E os passageiros os gritos? Eu já vim da Turquia certa vez, em uma viagem que durou o dia todo, com duas crianças pequenas logo atrás de mim. Classe executiva. Gritaram e choraram quase a viagem toda. E não têm razão? Como suportariam passar o dia todo sentados, cintos afivelados? Os pais eram pessoas simpáticas. Tinham ido a turismo. É certo deixar os filhos presos um dia inteiro? É justo enlouquecer os outros passageiros? Claro que criança tem o direito de viajar. Mas é preciso escolher o roteiro mais adequado.

Certa vez fui a uma pousada na serra carioca. Deliciosa. Um diretor de cinema, mais tarde, comentou:

– Eu ia sempre lá. Mas eu e minha mulher cometemos um crime. Tivemos uma filha. Na pousada não aceitam crianças.

É fato. Já existem hotéis e pousadas que não hospedam crianças. Muita gente acha um horror. Por outro lado, o problema não está nos pais? Em qualquer lugar onde os pais estejam com os filhos, agem como se eles tivessem direito a tudo. Podem correr, gritar. Dá para ler um livro embaixo de uma árvore, no alto da serra, com crianças correndo e gritando? E com os pais apreciando a algazarra tranquilamente, sem se importar com os outros hóspedes?

Eu poderia citar outros exemplos. Visitas que chegam com filhos que pulam no sofá. Ou brincam com algum objeto de estimação. Que batem no prato e dizem que não gostam da comida, em restaurantes. (E com razão. Agora criança tem de apreciar sashimi quando quer hambúrguer?) O problema  está nos pais.

Muitos foram reprimidos quando crianças. Antes era assim: podia, não podia. A educação tradicional impunha limites, às vezes de forma rígida. Eu mesmo acredito que o excesso de rigidez é péssimo. Por outro lado, essas crianças vão crescer, e terão de viver com normas. A vida é cheia de isso pode e aquilo não pode. O respeito ao outro implica entender os próprios limites. Senão é aquilo: todo mundo querendo furar fila, tirando vantagem. O fato é que muitos dos pais modernos, como a mulher que esbravejou no avião, acham que criança pode tudo. Já conversei com professoras, segundo as quais, hoje, boa parte dos pais delega a educação básica dos filhos à escola. Há casos, extremos, em que a professora tem de explicar a importância de escovar os dentes todos os dias. Não estou falando de famílias sem condições financeiras, no caso. Mas também de gente bem de vida, para quem é mais fácil não discutir deveres e obrigações com os filhos. Deixar rolar.

Mas um dia os filhos terão de aprender a viver em sociedade. Podem contar com a mãe ou o pai para chorar as pitangas se forem demitidos. Um ombro sempre é bom. Mas só terão empregos e oportunidades se souberem o que são limites, deveres, obrigações. A educação extremamente liberal é atraente. Principalmente, porque confortável para os pais. Mas fica a pergunta: se os pais não dão noção de limites, como os filhos um dia vão ter?


Link original do texto: época online - clique aqui


Essa é clássica...

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Nossa má alimentação - Postado por Jairo Len

Por "nossa", entenda-se a alimentação infantil no Brasil que anda, de acordo com estatísticas, deturpada e pouco saudável.
Pesquisa do Ministério da Saúde (2013) revela alguns dados que todos sabemos sobre a esquizofrênica alimentação infantil.

Ao mesmo tempo que as mães são queimadas em praça pública e querem cortar os pulsos quando não conseguem amamentar seus bebês, as estatísticas mostram que muitas destas mães oferecem, ainda no primeiro e principalmente no segundo ano de vida, alimentos pouco saudáveis para seus bebês:
- 60% dos bebês abaixo dos 2 anos já comeram bolachas recheadas e bolos prontos.
- 32% dos menores de 2 anos já tomaram néctar de caixinha e refrigerantes (!!!!!)
- Grande parte já ofereceu iogurtes, que são açucarados e, na maioria das vezes, contém corantes, além de inúmeros aditivos químicos.

É claro que o sistema não colabora... Para os maiores, basta uma hora de canal de TV infantil para que sejam bombardeados com os lançamentos alimentares mais trash do planeta, como bolachas mega-recheadas ou porcaritos de pacote...

Agora ainda há a crucificação do suco natural. As mães estão fugindo do corredor das frutas. Tenho insistido que há limites de quantidade para quaisquer alimentos. Concordo que há exagero no consumo de sucos naturais, muitas vezes adoçados, várias vezes ao dia (até em cardápios de berçários/maternais eu noto isso), mas com uma boa orientação há lugar para todos os alimentos naturais... 

Vejo no dia a dia da Clínica que tudo anda esquisito... Ao mesmo tempo que algumas mães não querem dar lactose ou glúten para bebês absolutamente normais (por convicções dietético-religiosas próprias), outras liberam na gelatina, néctar de caixinha ("única opção para a lancheira"), iogurtinhos infantis, sorvete (paletas...). E muitas vezes estas mães são as mesmas. Que restringem aqui e liberam ali... Marcam uma idade e...liberam tudo.

Sem falar do incorrigível problema nas classes econômicas mais baixas, aonde em cada porta de escola há um ambulante lotado de pipocas-de-isopor e salgadinhos super-salgados e oleosos a menos e R$ 1 por pacote. Não que isso não atinja a todos, mas os estudos mostram que quando menor o poder aquisitivo, maior a ingestão de calorias vazias.

Exemplos e hábitos...
Nos adultos, só 37% consomem o recomendado diariamente de frutas e hortaliças, e 25% consomem refrigerante 5 ou mais dias por semana.
Acho que em crianças esses índices não devem ser muito diferentes.

Enfim...
O estudo serve para nos lembrar da importância da alimentação no nosso dia-a-dia, principalmente em relação aos nossos filhos.
Não acho difícil fazer uma alimentação bem adequada nos primeiros 2 anos (estendida aos 5 anos), evitando açúcar, alimentos super-industrializados (como refrigerantes, néctares, bolachas recheadas e bolinhos prontos).

Bom senso é tudo, para aqueles que tem...


#Quem nunca?