quinta-feira, 29 de julho de 2010

Segurança e risco - Postado por Jairo Len

O bebê-conforto, a primeira cadeira automotiva dos recém-nascidos, é a garantia de segurança dentro do carro e um risco quando usado fora dele.
Publicado na revista Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria, o alerta mostra que, só nos Estados Unidos, 9 mil crianças sofrem acidentes em bebê-conforto "mal usado" ao ano. Os acidentes (todos compilados em visitas ao pronto-socorro) vão desde galos a hemorragias intracranianas. Sessenta porcento deles ocorrem dentro de casa.
Teoricamente, os bebês-conforto são para uso exclusivo no carro ou acoplados aos carrinhos. Nunca para transporte de bebês carregados pelos pais, apoiados em cima dos sofás, mesas, cadeiras... Pode também deixá-los no chão...
Algumas dicas rápidas para aumentar a segurança:
- Sempre que você deixar o bebê-conforto com a criança sobre qualquer superfície, abaixe a alça para apoiar e impedir que ele balance.
- Touch supervision (tem tradução?): Fique sempre por perto, bem perto.
- Ao reposicionar o bebê-conforto no carro, sempre verifique, "com um tranco", se está bem fixo.
Baby bouncer escandinavo
Alça apoiada no chão
- E, claro, sempre invista ($$$) num bom produto.
- Para usar em casa, o ideal são os baby bouncers.


terça-feira, 27 de julho de 2010

O que causa doença? - Postado por Jairo Len

Após uma pausa de duas semanas, volto a postar no blog.
Passei as férias no frio, com neve, garoa fina, dias de sol, mudanças bruscas de temperatura, piscina...
As crianças - que em junho e início de julho ainda tossiam e tinham coriza - melhoraram após todos os abusos do frio. Bonecos de neve, horas sentados no gelo, sorvete, pés molhados (congelados...), mãos nem sempre 100% limpas, comida diferente.
E ninguém ficou doente. As tosses melhoraram, as corizas sumiram.
O "segredo" é que basicamente estávamos em férias, e não havia de onde pegar uma bactéria ou um vírus respiratório (escapamos dos gastrointestinais...).
Em breve, as aulas recomeçam e o ciclo todo retorna.
As mães e pais mandando seus filhos doentes ou convalescentes para a escola, os outros se contaminando. Tenho esperança que um dia isto mude, e que os pais se conscientizem da importância deste detalhe para a saúde dos seus filhos e dos filhos dos outros.

"Antes de sair para mudar o mundo, dê três voltas dentro de sua própria casa" [Provérbio chinês]



terça-feira, 13 de julho de 2010

Tombos e traumas - Postado por Jairo Len


O número de ligações telefônicas a respeito de batidas, tombos, quedas e demais traumatismos aumentou nas férias. As crianças - em casa ou viajando, com tempo livre - se machucam mais...
A maioria das quedas não requer nenhuma conduta médica, e a idéia aqui não é fazer um tutorial de rotinas em traumatismo - mas sim acalmar os pais que, invariavelmente, ligam desesperados para mim.
O que devemos nos preocupar em cada tipo de tombo ou batida?

QUEDAS DA PRÓPRIA ALTURA - exemplos: aquelas em que a criança estava sentada e caiu para trás, estava andando, caiu ou tropeçou e bateu no batente da porta, caiu do sofá ou da cama dos pais para o chão, de cabeça. Estas quedas não trazem risco intracerebral. O risco aí são os cortes. Claro que, havendo cortes, uma avaliação sobre a necessidade de suturar ou não deve ser feita. Mas não há risco de hemorragia intracraniana. As crianças muitas vezes vomitam em seguida, mas isto tem relação com o susto, o choro e a labirintite traumática.

QUEDAS DE MÉDIA ALTURA (70 cm ou mais) ou em POUCO MOVIMENTO - exemplos: queda do colo dos pais, do cadeirão, do trocador, da bicicleta, da mureta, batidas de cabeça, de frente, entre duas crianças correndo...
Separamos em dois: nas crianças abaixo de um ano de idade e que bateram a cabeça (rosto, queixo, cabeça) uma avaliação médica é necessária. Nesta faixa etária existe maior risco de fraturas ósseas. Nunca vi um problema intracraniano (hemorragia), mas já vi algumas fraturas - nasais, mandibulares, cranianas.
Para os maiores de um ano, basta "observação".
Aí, o maior detalhe. O que é "observação", no caso de traumatismo craniano?
O importante é que, passado o choro, o sono que o stress causa e os eventuais vômitos imediatos, a criança fique bem.
Não deve, após uma hora (e até 24 horas) começar a vomitar.
Pode dormir, não há problemas, principalmente se é horário normal de se dormir. Mas os pais devem ver, a cada 3 horas, se a criança não está "desmaiada", "inconsciente". Para isso, não é necessário despertá-la. Basta chegar perto da cama, movimentar um pouco, virar seu filho de lado. As crianças sempre se ajeitam, reclamam, mudam de posição... Nestes casos, tudo bem. Se alguém (adulto ou criança) estiver inconsciente, não esboçará nenhuma reação. Isso é um detalhe importante.
Ou, por exemplo, se notar que seu filho, após um traumatismo, está extremamente sonolento durante o dia, falando arrastado, perda de memória: estes são dados importantes. Necessidade de avaliação neurológica, mesmo nas quedas moderadas.

QUEDAS OU TRAUMATISMOS MAIS IMPORTANTES: por exemplo, quedas do muro, da beliche, acidentes automobilístiscos, queda de objeto pesado sobre a cabeça (um caso recente? A trave de futebol do clube caiu na cabeça do goleirão de 12 anos de idade) - Nestes casos a avaliação médica e radiológica é fundamental, aonde você estiver. Independente de vômitos, de sonolência, etc. Sempre será necessária uma tomografia ou ressonância magnética.

Um último detalhe: em relação aos cortes e suturas, uma avaliação médica é sempre importante, principalmente nos cortes mais profundos. Se estiver viajando, a uma, duas ou três horas de um centro médico bom, vale a pena se deslocar. Se estiver numa cidade do interior, pergunte se há um cirurgião plástico "bom" para fazer a sutura. Uma sutura, após 12 horas, não pode mais ser refeita...

E, em todos os casos acima, consulte sempre o seu pediatra antes de decidir qual conduta deve tomar.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Cuidado com a Dengue! - Postado por Jairo Len

Um ano e meio após o minha postagem Dengue - finalmente uma boa notícia, eu infelizmente posto que o cenário da Dengue é pior do que nunca. Emprestando uma frase célebre, "nunca antes na história deste país" houve tantos casos de Dengue, em números absolutos e em mortalidade.
Não pense que o problema é o pratinho de água em baixo da sua planta... É claro que manter os ambientes secos ajuda, mas eu acredito que as medidas de controle ambiental, aquelas além do nosso popular alcance, não estão sendo feitas.
Não entrarei no assunto "críticas" ao governo ineficiente e incapaz em matéria de saúde.
São mais de 300 casos por 100 mil habitantes, considerada ALTA incidência. No estado de São Paulo o número de casos aumentou 4.000 % - com 99 mortes até agora.
Como você pode se proteger?
Inseticidas (todos os tipos) e uso de repelentes (a medida mais eficaz). O uso do repelente deve ser exaustivo, sem trégua.
Copio aqui meu post de abril de 2010 com algumas recomendações no uso de repelentes:
"Os repelentes são a única forma de proteção para as crianças - nos jardim de casa ou do prédio, na escola, no parque...
No Brasil (e no mundo, em rara concordância) existem dois tipos de repelentes eficazes e seguros: o DEET e a ICARIDINA. Óleos de citronela, eucalipto, andiroba e parentescos não são eficazes a ponto de você ficar tranquilo que seu filho não será picado.
Apesar das restrições de idade, devemos usar o bom senso na hora da aplicação. A meu ver, no nosso pa-tro-pi é extremamente importante proteger-se da dengue.
Recomendo a Icaridina (nome comercial = Exposis) para crianças acima dos 6 meses de idade.
E a Icaridina (nome comercial = Exposis) ou DEET (Off Kids, Autan, Repelex) acima de 1 ano de idade. Estamos falando de áreas com mosquitos Aedes aegypti, aonde o risco de dengue é bastante possível.
Os repelentes podem causar alergia de pele e respiratória em quaisquer idades, portanto não devem ser usados se causam coceira ou vermelhidão na pele, ou crianças que tem tosse/espirros logo após a aplicação.
Evite as mãos das crianças (que vão à boca) e seja generoso na aplicação.
Sabia que os repelentes tem área de ação de apenas 4 cm? Portanto é bom passar com capricho.
E, evidentemente, isso prova que as "pulseiras" repelentes não servem para nada.
Para um dia inteiro no campo, o repelente deve ser repassado a cada 4 ou 6 horas para garantir a eficácia."

terça-feira, 6 de julho de 2010

Mutilação genital feminina - Postado por Jairo Len

Um assunto que está muito longe da nossa realidade (Brasil), mas que é preciso ser conhecido por todos. Não acho que a gente consiga mudar esta condição... Mas o primeiro passo é a indignação, o conhecimento, a "não-ignorância".
Mutilação genital feminina (MGF) - é uma prática adotada em diversos países da África e Oriente Médio, e consiste literalmente na mutilação dos órgãos genitais femininos, especificamente para que a mulher não sinta desejo nem prazer sexual. A mutilação é feita logo ao nascimento, podendo ser realizada até os 15 anos de idade...
Existem quatro tipos de MGF:
Tipo 1 - a remoção total ou parcial do clitóris,
Tipo 2 - é a retirada do clitóris e dos pequenos lábios,
Tipo 3 - estreitamento do orifício vaginal pela criação de uma membrana "selante", corte ou aposição dos pequenos lábios e/ou dos grandes lábios (a chamada infibulação),
Tipo 4 - qualquer outra forma de intervenção por razão não médica (sabe Deus o quê...).

A intenção é, com a diminuição do prazer sexual, diminuir os casos de infidelidade conjugal, preservar a virgindade e aumentar o valor das filhas, que são vendidas ainda jovens para os seus futuros maridos, décadas mais velhos.
Obviamente o procedimento traz inúmeros riscos à saúde da recém-nascida (infecções e necrose local) e aumenta em 55% a mortalidade dos filhos destas mães, no momento do parto, no futuro...
A grande polêmica que reacendeu a chama da MGF foi uma nota da Academia Americana de Pediatria (AAP) recomendando que os pais (imigrantes que vivem nos EUA) deixem que médicos façam este procedimento ao invés de mandar suas filhas para o país de origem (na África) para ser feito conforme a tradição. A AAP já retirou a nota de circulação. O que você acha? Mais uma vez eu admiro a AAP.
É como a liberação do aborto. No Brasil são feitos 2 milhões de abortos ao ano, a gigantesca maioria sem qualquer condição de higiene. A curetagem pós-aborto é o segundo procedimento ginecológico mais realizado nos hospitais brasileiros. Quantas meninas/mulheres morrem ao ano por causa de abortos mal-praticados? Tenho certeza que você conhece alguma mulher que provocou um aborto (pelo simples fato de não desejar a gravidez) mas pode fazê-lo em condições adequadas de higiene e acompanhamento médico. Quem morre "de aborto" são as meninas mais pobres.

A MGF é erroneamente chamada de circuncisão feminina - a circuncisão é a cirurgia que retira só o prepúcio, a pele que recobre a glande peniana ou clitoriana. Sua retirada (nos meninos) não diminui o prazer sexual e é feita exclusivamente por motivos de higiene e saúde. A meu ver, quem melhor realiza este procedimento são os médicos. Tenho uma enorme casuística sobre circuncisão masculina e inúmeros casos infelizes realizados por não-médicos. Entendo a posição da Academia Americana de Pediatria em relação à mutilação genital feminina.

Felizmente, apesar da aparente inércia mundial sobre o tema, existe uma campanha enorme contra a MGF, desde ONGs, associações médicas e a OMS. Dê uma olhada na página da OMS sobre este assunto. Conteúdo em espanhol ou inglês.

O continente da Copa do Mundo.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Boa viagem - Postado por Jairo Len

Mais um semestre acaba e as férias começam hoje. Nestes últimos dias tenho feito as recomendações, check ups e revisões antes das viagens. O impresso mais pedido lá na Clínica é a receita com os medicamentos indicados para levar na farmácia-básica.
Acho fundamental, principalmente para quem sai do Brasil, levar consigo alguns medicamentos que podem ajudar muito lá fora. Na minha lista para viagens ao exterior, sempre indico um antibiótico, um antialérgico, remédio para enjoos e vômitos, uma pomada que sirva para as dermatites mais comuns, um colírio e opcionalmente os medicamentos para tosse e resfriados - ainda que estes últimos sejam compráveis, sem receita, em qualquer lugar.
A lista pode ser mais completa dependendo de cada criança e suas doenças recorrentes. Cortisona é fundamental para os muito alérgicos, asmáticos e os que sofrem com as laringites recorrentes.
O mais importante é que você tenha para quem ligar (pediatra) antes de usar estes medicamentos. A idéia não é a auto-medicação.
Para quem vai aos Estados Unidos, sempre lembro daquele famoso texto que virou comercial da DM9, "Wear Sunscreen - Use filtro solar". Mas, além de usar filtro solar, COMPRE filtro solar por lá: o preço é cinco vezes MENOR do que aqui, aonde os impostos sobre este produto são altíssimos (considerados itens de luxo). Por lá, não há protetor solar por mais de $10 ou 12 dólares, das melhores marcas.

Aliás, divagando um pouco...como os preços por lá e até na Europa conseguem ser tão menores que por aqui? Tenho mães de pacientes que viajam uma vez ao ano para os EUA só para comprar as roupas, tênis e "cosméticos" para seus filhos. Tenho certeza que é uma economia, além do prazer que é viajar. Ontem um pai me contou que foi para o Club Med em Punta Cana (República Dominicana) com os três filhos. Gastou menos, incluindo passagem aérea e estadia - do que gastaria no resort brasileiro.
De qualquer forma, independentemente do lugar que você escolheu, boa viagem e aproveite o tempo livre com os filhos!
Punta Cana...Bonito, não?