sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dr. Google ajudando - Postado por Jairo Len

Quase todos nós utilizamos o Google como primeira ferramenta de informação sobre aqueles assuntos que não dominamos.
Em medicina, os chamados "leigos" (os que não são médicos e afins) buscam informações no Google antes mesmo de perguntar para o médico - ou imediatamente após.
No meu dia-a-dia é assim. Temos que nos acostumar.
Ainda que o Google traga informações de sites nem sempre confiáveis, acho uma ferramenta importantíssima - mas que deve ser usada com cautela. Pode causar mais confusão e pânico do que esclarecimento...

Li na Folha.com: "Pais salvam bebê com tratamento descoberto na internet".
No País de Gales, um casal foi buscar, via Google e outros sites de busca, alguma forma "nova" para o problema que seu filho recém-nascido apresentou: uma hérnia diafragmática, doença rara e muito importante.
Já existe cirurgia para tratar a hérnia diafragmática (que é um "buraco" no diafragma, que aparece ainda na formação fetal, impedindo os pulmões de se desenvolver) - mas o tratamento atual tem severas limitações, não ajudando em todos os casos.

Acharam, via Google, um procedimento chamado Oclusão Traqueal Fetoscópica, desenvolvido recentemente. Somente um cirurgião do King's College Hospital, em Londres, realiza o procedimento em toda a Grã-Bretanha - procedimento ainda em fases iniciais de uso.
"A cirurgia consiste em inserir um minúsculo balão na traqueia do bebê, impedindo a saída normal do líquido pulmonar. Dessa maneira o fluido se acumula nos pulmões, que são forçados a crescer."

A cirurgia foi realizada ainda no útero materno, por laparoscopia, e hoje a criança tem um ano de idade e passa bem.

A meu ver, um exemplo que o Google pode ajudar bastante.
É evidente que os médicos que cuidavam do bebê, ainda na seara da medicina fetal, deveriam ter noção que este procedimento existe - e não deixar que os pais descobrissem por sua conta. Poderiam, antes dos pais, "ter dado um Google".


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A confusão dos "leites" - Postado por Jairo Len

Post revisto/atualizado em 17/10/2016

Mais uma notícia para confundir as mães e pais. "O Procon investiga composto lácteo da Nestlé que tem 'cara' de leite".
Trata-se do Ninho Fases (1+, 3+), que é um produto classificado como composto lácteo, uma vez que não é um leite como os outros (Ninho Integral ou Instantâneo). Mas a embalagem deles é muito semelhante.
O que isso tem de importante na prática?
A meu ver, absolutamente nada.

Tanto os Ninho Fases como o Instantâneo ou Integral são excelentes "leites" para as crianças. Cada um com suas particularidades.

Os Ninho Fases são compostos lácteos ou leites de crescimento aonde a gordura láctea foi totalmente retirada e foi acrescida gordura vegetal (mais saudável), além de vitaminas, ferro, prebióticos... E, claro, para o gosto ficar bom, acrescido também de xarope de milho.
É a intenção da Nestlé de tornar os Ninhos leites mais parecidos com as fórmulas lácteas (como o NAN 1, 2 ou 3), que sem dúvida são os alimentos mais adequados para crianças até dois anos de idade (incluindo o Neslac Comfor, o composto lácteo mais completo da Nestlé).

O fato da gordura ser vegetal (nos compostos lácteos Ninho Fases) é, a meu ver, um ponto excelente na alimentação infantil.
Pouquíssimo colesterol, como em um leite desnatado.

As calorias destes compostos são as mesmas dos leites comuns.
Por causa do xarope de milho, a escovação dos dentes é necessária após o Ninho Fases (e, convenhamos, após quaisquer alimentos ou leites).

Além destes tipos todos de Ninho, a Nestlé ainda tem o Ninho Levinho (semi-desnatado) e o Ninho Zero Lactose (para casos específicos). Uma linha bastante completa.

Este imbróglio dos leites e compostos lácteos não vai levar a nada...exceto causar mais confusão na cabeça dos pais.


Este é leite...
Estão são compostos lácteos...



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Odor axilar e desodorantes para crianças - Postado por Jairo Len

Queixa relativamente frequente, o odor axilar em crianças de 6, 7 ou 8 anos de idade é, na maioria das vezes o início da produção de alguns hormônios de forma fisiológica (normal).
Mães e pais se preocupam por achar que se trata de puberdade precoce. Mas não é. A puberdade precoce tem outros sintomas iniciais, como aparecimento de mamas (em meninas) e aumento do pênis e testículos (nos meninos). Na puberdade precoce os pelos e odores vão acontecer, mas de forma posterior.
De qualquer forma, a avaliação clínica pediátrica e a eventual realização de exames diferenciam facilmente puberdade precoce do simples início do odor axilar.
Ester odor axilar é mais comum nas meninas.
A grande preocupação dos pais, além de afastar possibilidade de doença é, claro, lidar com os inconvenientes do odor. É simples: usar desodorante e higienizar bem as axilas na horas dos banhos.

Sempre recomendo isso, e relembro aos pais que não é qualquer desodorante que pode ser usado.
A ANVISA está fazendo consulta pública para liberar determinados desodorantes a partir dos 8 anos de idade. O problema pode começar antes dos 8 anos...
De qualquer forma, os desodorantes que recomendo devem ser em roll-on ou em pasta, sem cheiro e sem álcool. Podem ser usados diariamente, de forma tão natural como se usa um hidratante ou um filtro solar.

Por curiosidade, a última legislação cosmética infantil data de 2001. "Crianças", para a ANVISA, tem até 12 anos. Para elas não havia liberação de desodorantes.
Pasta de dente, perfume, sabonete, condicionador e shampoo, liberados em qualquer idade.
Esmalte, a partir dos 5 anos, removível com água e sabão.
Batom, brilho labial e blush/rouge, a partir dos 3 anos (aplicados por um adulto) e a partir dos 5 anos (com supervisão de um adulto). A nova lei inclui, neste grupo, a sombra.

Os critérios da ANVISA são farmacológicos.

Cabe a nós, pais, ter um mínimo de noção para não fazer de suas filhas uma "Barbie Face" ou bonecas para maquiar similares...


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Células de cordão e a ficção científica - Postado por Jairo Len

Já escrevi aqui no blog e no site da Clínica Len sobre o congelamento de sangue de cordão umbilical. Sou a favor, desde que seja feito em prol dos bancos públicos.
O que se congela é o sangue de cordão umbilical, fonte de células-tronco hematopoiéticas - que podem servir, no futuro, para dar origem a células de sangue. Idealmente e somente utilizado por terceiros, não pelo próprio doador.

O que os bancos-de-cordão privados estão prometendo, agora, é o congelamento de células-tronco mesenquimais - aquelas que podem se transformar em quaisquer tecidos (pele, ossos, músculo, gordura).
Realmente a pesquisa científica mostra que os estudos com células-tronco mesenquimais são extremamente promissores, mas ainda não há quaisquer indicações de se "auto-congelar" suas próprias células.
Mayana Zatz, a maior cientista em genética do Brasil, relembra, em reportagem da Folha, que nós todos temos células gordurosas, retiráveis a qualquer momento, que podem servir como células-tronco mesenquimais.

Este congelamento proposto pelos bancos-de-cordão privados ainda está na seara da ficção científica. Apesar de alegarem que estas células de cordão são "virgens", sem sofrer interferência do meio ambiente, e blá-blá-blá... as instâncias científicas são unânimes em dizer que não há qualquer confirmação da aplicabilidade da técnica, da preservação das células, do seu uso na prática, etc...

No futuro estas condições hão de existir? É bem capaz.
Mas, por enquanto, as poucas vezes que foram usadas células-tronco mesenquimais - com muito sucesso - estas foram retiradas da gordura dos pacientes, já crescidos.


Nem sempre o futuro é como se imagina...