quarta-feira, 27 de novembro de 2013

"Epidemia Alérgica" e a Vitamina S - Postado por Jairo Len

Já postei sobre a "Vitamina S" aqui no blog - o "S" de sujeira...importante para o desenvolvimento de fatores imuno-alérgicos das crianças. 

Não estamos falando de sujeira orgânica, de lixões ou esgoto a céu aberto - e sim os contatos diários que as crianças tem: chão, terra, areia, etc...
Artigo do New York Times, publicado ontem, reitera alguns aspectos interessantes (e científicos) da importância dos contatos com germes e alérgenos desde cedo.
A "epidemia alérgica" das últimas décadas deixou duas a três vezes mais pessoas com doenças alérgicas e asma.
Uma das curiosidades é o "efeito fazenda": crianças criadas desde muito cedo em fazendas, tendo contato com currais, estábulos e paióis, tem menores índices de alergia se comparados a crianças da cidade. Tanto aos alérgenos da fazenda (como o pólen, por exemplo), como os demais.
O mesmo sabemos a respeito de alergia a animais de estimação: quanto mais cedo a criança tiver contato com cachorros, por exemplo, menor é a chance de desenvolver alergia.

Estudo realizado na Finlândia em 2012 constatou que a diversidade vegetal fora das casas está relacionada a uma variedade maior de bactérias presentes sobre a pele humana dentro das casas. Adolescentes expostos a essa biodiversidade maior apresentam risco menor de sofrer alergias

O raciocínio é simples. Estes contatos precoces funcionam como uma "imunoterapia", que aos poucos acostumam o corpo às substâncias que causam alergia.
Mas este raciocínio não funciona para tudo que causa alergia. O leite de vaca, por exemplo, é daquelas coisas que quanto mais cedo é oferecida, maior o risco de alergia.
Portanto, vale para a "vitamina S' mesmo.



Relaxe...


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Desacelerando - Postado por Jairo Len

Já postei aqui no blog sobre hiperativismo parental, uma espécie de obsessão dos pais em envolver seus filhos em infindáveis atividades lúdico-socias-culturais-intelectuais... Sou contra.

Fiquei contente em saber que está chegando ao Brasil o movimento "SlowKids", evento em prol da desaceleração da rotina das crianças.
É um movimento que apregoa tempo livre para as crianças. 

O jornalista britânico Carl Honoré, que autor do livro "Sob Pressão" (Ed. Record), foi o primeiro a usar o termo "slow parenting", uma filosofia de criar filhos sem procurar compromissos para os pequenos em todas as brechas do dia. 
Em um dos interessantes capítulos do livro, ele diz que o tédio é muito importante para que as crianças tenham criatividade para achar o que fazer. 
Honoré acha também que crianças até os 5 anos não necessitam agenda com atividades estruturadas - a escola basta - e o resto é tempo livre.

É claro que o evento que inaugurou o "SlowKids" em São Paulo já foi uma pequena forma de hiperativismo - aonde 1500 pessoas se encontraram no parque da Água Branca para brincar sem eletrônicos, interagindo com os pais. Hora marcada para começar e acabar...
 
Acho que desacelerar é ir ao parque da Água Branca (já fui, recomendo!!) sem hora marcada, sem banners, sem monitores. Domingo é dia de cada um fazer o que quer, é dia de descanso...

De qualquer forma, entendo que é necessário promover a idéia, que sou 100% a favor.
No dia-a-dia da Clínica vejo como é infindável o número de atividades que os pais estruturam para os filhos - começando às vezes aos 5 meses de idade, em aulinhas de música e de multi-atividades (inclui cinema para as mães com seus bebês no colo, mamando ao ritmo de Almodóvar)...

Repetindo a frase final do meu post sobre esse excesso: crianças precisam também de estímulos bem simples, como sentar por horas e brincar de forma não-pedagógica com seus pais ou cuidadores. Brincadeiras intuitivas, sem manual de instrução, sem fisioterapeutas orientando, sem hiperativismo parental... 

 

 
  

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Doença psiquiátrica ou normalidade? - Postado por Jairo Len

Assunto que afeta crianças e adultos (principalmente mulheres...), a eterna polêmica de excessos de diagnóstico e medicação para distúrbios psiquiátricos está de volta.
Não estamos falando de esquizofrenia, mas sim de PMD, TDAH, TOC, ciclotimias...
O número de mães que usam anti-depressivos na minha população da Clínica é bem grande...
"A 'caixa da normalidade' está cada vez menor e a culpa é do excesso de diagnósticos de doenças mentais, diz o psiquiatra americano Dale Archer, autor do best-seller 'Better than Normal', recém-lançado no Brasil com o título 'Quem Disse que É Bom Ser Normal?' - conforme a reportagem da Folha on line. Concordo.

É claro que é muito mais fácil, principalmente para adultos, que seja prescrito um anti-depressivo no lugar de se fazer uma boa psicoterapia. Tapa-se o sol com a peneira por alguns anos e os resultados nos anos seguintes pode ser desastroso.
É óbvio que existem indicações bem exatas para os medicamentos.
Nos meus pacientes, por exemplo, temos um critério muito rigoroso e atento para medicar ou não - principalmente os déficits de atenção - passando por inúmeras avaliações e critérios bem definidos. Idem para os TICS e os TOCS. 
Acredito que pelo "medo" que os pais tem de dar psicotrópicos para seus filhos, a psicoterapia ainda funciona muito!

Folha - Para a psiquiatra e psicanalista Regina Elisabeth Lordello Coimbra, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, as pessoas estão menos tolerantes às emoções: "Há pouco lugar para a tristeza. E a exaltação e excitação são confundidas com felicidade. Vivemos de uma forma mais estimulante, na qual emoções mais depressivas, reflexivas, não têm espaço."

"É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe...", mas vamos com calma.

Para ler a íntegra da reportagem da Folha, clique aqui.