segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Transporte de crianças - Postado por Jairo Len

A lei oportuna e fundamental que obriga o transporte de crianças em assentos e cadeirinhas apropriadas entre em vigor amanhã, finalmente. Já postei sobre esta lei há algum tempo, mas tenho recebido e-mails e telefonemas sobre o assunto. Compilo as dúvidas e faço mais um resumo:

Para quem vale?
Para todos os veículos, exceto táxis, vans, transporte coletivo, transporte escolar, carros alugados e demais veículos com mais de 3,5 toneladas.

Como deve ser o transporte em cada faixa etária?
- Até 1 ano - bebê conforto ou cadeirinha, no banco de trás, voltado para trás.
- De 1 a 4 anos (9 a 18 kg) - cadeirinha, banco de trás, voltado para frente.
- De 4 a 7 anos e meio - assento de elevação (ou booster), no banco de trás.
- De 7 anos e meio a 10 anos (mínimo de 1,45 m de altura) - banco de trás, cinto de 3 pontos do veículo.

Como  fazer com cadeirinhas compradas no exterior que não tem o selo do Inmetro?
- Não há problemas, desde que tenham as certificações dos seus países de origem. As lojas são proibidas de vender cadeiras sem selo do Inmetro.

Posso amamentar ou dar mamadeira retirando o bebê do assento?
- Não...se fizer isso, multa de R$ 191,54 e sete pontos na carteira. Não há exceções.

Qual é o melhor lugar para a cadeirinha? No centro do banco ou perto das janelas?
Havendo cinto de 3 pontos, no meio. Dá mais trabalho para colocar e retirar a criança, oferece mais segurança em caso de batidas laterais. A lei não fala nada sobre isto - de acordo com a legislação, tanto faz.

E transporte de crianças em motocicletas?
Só a partir dos sete anos e meio. Proibido antes disso.

E se o carro só tem cintos de 2 pontos (a lei obriga a fixação em cintos de 3 pontos)?
Multa...Hora de trocar de carro, também...

Como será a fiscalização?
Não tenho idéia...Acho que os "agentes de lei" não vão pedir certidão de nascimento nem fazer antropometria das crianças... Mas sabemos que, no início, eles estarão ávidos para multar...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Molusco contagioso - Postado por Jairo Len

Quero falar hoje de uma doença de pele muito comum, mas que só conhece quem já teve um filho acometido: o Molusco contagioso ou Molusco infeccioso.
Semanalmente tenho casos lá na Clínica e de vez em quando as escolas mandam uma cartinha dizendo que na classe do seu filho houve um caso de Molusco.
O Molusco, na verdade, é uma pequena verruga viral causada pelo poxvírus. Acomete crianças de qualquer idade, sendo rara antes de um anos e mais comum entre dois e quatro anos. O contágio se dá por contato direto ou indireto (toalhas, roupas, mãos de cuidadores...) e a incubação é bem demorada, com as primeiras lesões aparecendo após um ou dois meses do contágio.
O interessante é que há uma predisposição individual a ter ou não ter Molusco - a maioria das crianças que tem contato não adquire as lesões. Só algumas, sempre as mesmas...
As lesões são muito pequenas, 2 a 6 mm de diâmetro cada uma, brancas ou “perolizadas”, com uma umbilicação central. Em geral não coçam, mas há crianças que relatam prurido. Aparecem com frequência na face, tronco e axilas. Multiplicam-se na mesma região do corpo, podendo chegar a dezenas de lesões.
A melhor forma de curar é com a retirada mecânica das lesões (o dermatologista é quem faz), usando um creme anestésico antes. Duas ou três sessões podem ser necessárias, com intervalos bimestrais.
Existem algumas pomadas que podem ser usadas (como o Aldara), há que use o Verrux ou Duofilm, e já me contaram até simpatias para resolver o problema. Baseado em evidências, recomendo mesmo a retirada de cada lesão.
Se você receber a cartinha da escola, não há nada para ser feito como forma de prevenção - só ficar de olho nas micro-lesões, como estas:




terça-feira, 24 de agosto de 2010

Circuncisão - Postado por Jairo Len

O assunto é para discussões infindáveis e eu não pretendo aqui tentar convencer ninguém a ser contra ou a favor - aliás, nunca fui de fazer isso. Na Clínica, lido com uma população de pais e mães de ótimo nível sócio-cultural, que tiveram oportunidade de estudar e aprimorar seus conhecimentos em qualquer assunto. Apesar das discussões sobre circuncisão masculina serem infindáveis, vivemos numa época de livre arbítrio, e é simples decidir isso para seu próprio filho. Cabe ao pediatra expressar sua opinião e expor seus argumentos aos pais - simples, sem complicação, sem mentiras.
Hoje, no UOL, temos duas notícias interessantes: uma delas mostra o declínio das circuncisões nos EUA e a outra mostra algumas estatísticas sobre o câncer de pênis (2% dos cânceres masculinos são de pênis!). O declínio das circuncisões nos EUA se deve a forte campanha dos anti-circuncisão, que a comparam à mutilação genital feminina. Quem leu meu post sobre mutilação genital feminina sabe que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Já a reportagem sobre câncer de pênis relaciona a doença à presença de fimose e prepúcio, mesmo retrátil. Os circuncidados apresentam incidência bem menor de câncer de pênis (assim como de infecções urinárias e de DSTs). Relaciona-se o câncer de pênis diretamente à higiene da glande.
No dia a dia, eu coloco os benefícios da circuncisão, inicialmente, pelo incômodo para a criança e os pais ficam por anos...e anos...nas massagens, cremes, choros...a fim de exteriorizar a glande. Semanalmente eu "reduzo" fimoses (reduzir é a manobra, forçada, para abaixar o prepúcio e expor a glande), o que traz alguns dias de muito incômodo para as crianças...
Costumo dizer que o bebê vai chorar bem menos  fizer a circuncisão do que ficar no puxa-puxa do prepúcio por meses e anos...
Além do que, nas consultas dos meninos aos cinco, seis...sete anos...quando, no exame pediátrico, eu examino o genital e exteriorizo a glande, nota-se que fazia "tempo" que não se lavava a região. Pergunto para as mães "quem é o responsável" pela limpeza genital do filho. A resposta: "Ele mesmo, porque não deixa eu mexer. E o pai, raramente...".
Isso justifica fazer a circuncisão?
Quando oriento os pais, penso em todos os fatores: o sofrimento para as massagens, as minhas consultas para fazer a "redução" forçada, as infecções locais e urinárias, a falta de higienização nos mais velhos, a necessidade de se fazer a cirurgia nos mais velhos e adolescentes, a redução nas doenças sexualmente transmitidas e AIDS...
Peço que os pais conversem com amigos que tem filhos circuncidados e não-circuncidados... Lembro que não conheço ninguém que se arrepende de ter feito o procedimento no seu filho.
Mas, acima de tudo, falo para os pais que a decisão que eles tomem (fazer/não fazer) é a absolutamente certa. 

"Só existe opção quando se tem informação ... Ninguém pode dizer que é livre para tomar o sorvete que quiser se conhece apenas o sabor limão" - Gilberto Dimenstein, jornalista.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Cuidado com as amizades! - Postado por Jairo Len

Se seu melhor amigo torna-se obeso, suas chances de também ficar obeso nos próximos dois anos aumentam em 57%. Caso seu amigo também o considere como um melhor amigo, a probabilidade salta para 171%.
O estudo, com 12 mil participantes, está publicado na edição de julho/2010 do New England Journal of Medicine e os autores são professores das universidades de Harvard e San Diego. Portanto, tem credibilidade...
Vieses a parte, outras estatísticas do mesmo gênero, no estudo:
Se um irmão engorda, a chance do outro engordar é de 40%.
Se o marido ou a mulher engordam, a chance de ser seguido é de 35%. E pessoas do mesmo sexo tem mais influência sobre as outras do que pessoas de sexos opostos.
Neste estudo procurou-se afastar todas as causas externas, como mudanças de cidade, de bairro, da proximidade com fast-food... O importante mesmo é só a amizade.
De alguma forma, o cérebro interpreta a norma de saúde baseando-se naqueles com quem interagimos. Essa interpretação influencia no quanto comemos, nos exercitamos ou mesmo o que consideramos estar fora do peso ideal. Isso mostra que as redes sociais parecem muito mais fortes do que imaginamos, superando até mesmo a ação da mídia. Vale para obesidade, magreza, fumo, álcool, vinho, etc..

Quinhentos anos antes de Cristo, Pitágoras parece que já sabia disso...

"Os amigos têm tudo em comum, e a amizade é a igualdade"

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A difícil escolha da escola - Postado por Jairo Len

Não quero simplificar o assunto, que é passível de congressos internacionais e encontros de pais, mas muitas vezes fico impressionado com a obsessão dos pais na busca da "melhor" escola para os seus filhos. Como este é um assunto das consultas pediátricas, acabo me envolvendo no assunto - ainda que a minha experiência seja exclusivamente prática, através destas conversas com os pais é que eu vou conhecendo melhor as escolas de São Paulo. Resolvi escrever este assunto após ler mais um excelente artigo da psicóloga Rosely Sayão. Ela questiona a necessidade da exagerada importância que os pais costumam dar ao rendimento dos seus filhos e da escola.
Não que devemos procurar uma escola qualquer, mas sempre digo que a escola deve ser um pouco "a cara dos pais e de seus filhos". E isso vai direcionar se será tradicional, construtivista, montessoriana, bilíngue, religiosa, internacional... O ideal que que seja (salvo necessidade especial) o mais perto de casa possível. Nos Estados Unidos existe até o costume de se mudar de casa para perto da escola. Vivemos eu outra realidade.
Mas o troca-troca de escolas, a busca (aos 3 anos de idade) por escolas com altos índices de aprovação no vestibular e a cisma com algumas escolas ainda me surpreende.
A meu ver, o que vai diferenciar os alunos das boas escolas de São Paulo é muito mais uma característica individual de cada criança e cada família (que podemos e devemos ajudar a moldar, em casa) do que as pequenas diferenças entre cada estabelecimento de ensino.
Como o assunto não é pedagogia, mas sim comportamento dos pais, convido você a ler o texto da psicóloga Rosely Sayão, na edição digital da Folha de São Paulo (só para assinantes Folha ou UOL).
Caso não seja assinante, posso enviar por e-mail este artigo.
Harvard School - por esta eu acho que vale uma cisma...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Pulseirinhas nas maternidades - Postado por Jairo Len

Mais uma lei parva acaba de ser aprovada pela câmara dos vereadores de São Paulo - a obrigatoriedade de todas as maternidades públicas e privadas da Cidade adotarem o uso de pulseiras eletrônicas com sensores de alarme nos recém nascidos - desde a sala de parto até a saída. E, em todas as portas da maternidade, os sensores de alarme (como nas lojas dos shoppings). Só os funcionários tem a chavinha para tirar a pulseira.
Esta medida evitaria o sequestro de bebês, que de vez em quando acontece nas maternidades públicas.
Porque eu acho a lei tacanha?
Porque acho que isso esta medida não vai resolver o problema por inteiro. Segurança em maternidades não se discute - mas não é assim que se resolve. Certamente o caminho de segurança não é este.
Quem conhece o Amparo Maternal, por exemplo, sabe que é praticamente impossível adaptar todas as saídas com aqueles sensores, como nas portas das lojas. São equipamentos caros e que requerem manutenção, precisam estar em perfeito funcionamento... As pulseirinhas precisam higienização e esterilização - além de, certamente, terem um sistema relativamente simples de abertura. Basta alguém conseguir uma chavinha (ou gambiarra) para abri-las. Tenho dúvidas se a reposição das pulseiras e sensores vai ser feita em hospitais aonde faltam luvas de procedimento e materiais básicos.
O sequestro de bebês muitas vezes envolve quadrilhas profissionais - nem sempre é uma infeliz adolescente que sequestra, como aquele caso ocorrido em maio na zona leste de São Paulo.
Talvez uma pulseirinha com chip (rastreável, que não dependa de sensores, como a dos presos em liberdade condicional) seria mais útil. Mas ainda assim, a meu ver, o problema não está neste ponto.
A segurança de maternidades pode ser vista, por exemplo, no Albert Einstein. O andar da maternidade é absolutamente fechado. Ninguém entra e ninguém sai sem identificação. Não é preciso um sistema sofisticado, basta uma porta e um segurança. No São Luiz, todos os "aquários" dos bebês tem um segurança na porta - mas ainda acho que o entra e sai por lá deveria ser mais controlado... Na Pró Matre, mesmo "vestido" de médico, só se entra no hospital com identificação ou com biometria (impressões digitais). Certamente estas maternidades não precisam adotar o sistema de pulseirinhas anti-furto.

Seria possível adotar uma segurança assim nas maternidades públicas? É claro que seria. Basta um pingo de seriedade. Quem já trabalhou em hospitais públicos sabe que o problema não é exatamente a falta de dinheiro, e sim a falta de vergonha dos administradores.

O sequestro de crianças em famílias humildes ainda é um problema sério. São mães com baixo nível econômico e cultural, expostas a uma desproteção enorme (por parte da família e governo). Na maioria das vezes não ocorre nas maternidades, e sim nos primeiros dias de vida do bebê.
Mas adotar pulseirinhas eletrônicas, a meu ver, é tapar o sol com a peneira.
E, posso estar errado...mas vai ter muita gente faturando alto com a implementação do sistema...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Transplante de medula óssea - Postado por Jairo Len

 Nas consultas pré-natais, aquelas em que os pais vem conversar comigo antes do bebê nascer, um assunto sempre abordado é a doação/armazenamento do sangue de cordão umbilical. Minha postura é fazer a doação deste sangue, e não o armazenamento "próprio". Infelizmente só o Hospital Albert Einstein, das maternidades particulares, oferece o serviço de coleta e doação. Se nascer no São Luiz ou na Pró Matre, não há esta opção.
Sempre me perguntam qual seria a possível utilização deste sangue doado - explico que pode ser usado para salvar a vida de milhares de pessoas que necessitam de um transplante de medula óssea. Algumas doenças, como leucemias e linfomas, só tem tratamento através deste tipo de transplante.
A medula óssea é um tecido esponjoso que fica dentro dos nossos ossos e produz todas as células do sangue (plaquetas, eritrócitos, leucócitos).
Alguém que precisa de um transplante de medula óssea pode encontrar uma medula compatível em irmãos, com chances de 25% de ter um irmão compatível. Caso não tenha esta sorte, vai ter que procurar nos bancos públicos e particulares de medula. Existe um cadastro de doadores chamado REDOME - registro nacional de doadores de medula óssea - que certamente você pode fazer parte - aonde uma simples amostra de sangue do doador fica catalogada. Se alguém precisar de uma medula e esse doador compatível estiver no REDOME, ele será chamado. Não existem banco de medula "prontos" (só os de sangue de cordão). Os demais são colhidos na hora da necessidade. A coleta é feita através de internação hospitalar e anestesia: o material é puncionado da medula óssea de grandes ossos ou através de máquinas que filtram o sangue e coletam só as células precursoras (aférese) - modalidade que dispensa a internação.
Quem já fez essa doação garante que os efeitos (de dor) são mínimos e a satisfação de salvar uma família (imagine que não é só o doente que morre...) é a melhor possível. Infelizmente nem sempre se acha este doador cadastrado - mudou, viajou, sumiu, desistiu... A chance de se encontrar uma medula compatível, no Brasil, é cerca de 1 para 100.000. Temos 1,4 milhões de doadores cadastrados. Como o Brasil tem uma miscigenação gigantesca, as chances são menores. Enquanto a espera por aqui é de mais de sete meses, no Japão é de cerca de um mês. O Brasil também compra bolsas de sangue de cordão umbilical pelo mundo, tendo gastos nas casa dos milhões de dólares por ano. Algumas maternidades públicas já estão aderindo à doação do sangue de cordão, a rede BrasilCord. Se quiser saber mais sobre o assunto, dê uma lida na página do Einstein sobre o assunto.

A idéia deste post é clarear um pouco o assunto transplante de medula óssea. Para uma dose extra de altruísmo:
-Hemocentro da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
Rua Marquês de Itu, 579 – Vila Buarque – São Paulo-SP
Segunda à Sexta das 7:00h as 18:00h e aos sábados 7:00h as 15:00h. Não é necessário agendar!
Informações no telefone: (11) 2176-7000 ramal :7249

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Intolerância à lactose e Alergia à proteína do leite de vaca - Postado por Jairo Len

A intolerância à lactose (IL) e alergia à proteína do leite de vaca (APLV) são duas "doenças" distintas, mas que tem muitos sintomas em comum.
A confusão é generalizada, pelos pais e pelos pediatras.
Mesmo que não faça parte do seu currículo-médico/familiar, sempre existe alguém por perto que tenha um filho nestas condições e acho que vale a pena (tentar) entender um pouco mais do assunto.
Intolerar a lactose (IL) significa ter alguma dificuldade na digestão da lactose, que é o carboidrato do leite (de vaca, de cabra, materno). Não é comum em crianças - aparece mais quando crescemos... Nas crianças, o que vemos é ficarem temporariamente intolerantes à lactose após uma diarréia forte. Dura uma ou duas semanas, e tudo volta ao normal. É o que mais vemos.
Em alguns casos, a IL aparece sem motivos, nos primeiros anos de vida. Tenho alguns pacientes portadores de IL "crônica". Eles tem, em geral, muitas dores de barriga, náuseas, episódios diarreicos.
O tratamento da intolerância à lactose é a retirada da lactose da alimentação. Como todos os leites (vaca, cabra...) e derivados contém lactose, a solução são os leites à base de soja ou os leites com baixo teor de lactose (ex.: Zymil) ou isentos de lactose (NAN sem lactose, Enfamil sem lactose). Para os casos crônicos, existem os comprimidos de lactase (a enzima que digere a lactose), importados. Muitos intolerantes à lactose conseguem tomar pequenas quantidades de leite e seus derivados, escolhidos a dedo.

Já a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma condição comum nos bebês, mesmo aqueles amamentados exclusivamente ao seio, e pode durar toda a infância. Mas é raro nos adultos. As mães nutrizes, mando ingerem leite de vaca e seus derivados, produzem leite com estas proteínas - que podem causar alergia nos recém-nascidos. Os sintomas nos bebês são as cólicas fortes, refuxo, obstipação intestinal, sangramento intestinal, eczemas de pele e até distúrbios respiratórios, como tosse, chiado. O tratamento é a isenção de 100% do leite de vaca/derivados que a mãe nutriz ingere ou a retirada de 100% do leite de vaca da dieta da crianças. Alguns se beneficiam com fórmulas de soja, mas a alergia cruzada (à soja também) é comum. Existem fórmulas especiais, como o Pregomin, Alfaré e Neocate, feitas especialmente para estas crianças. Caríssimas, mas que atualmente são fornecidas pelo Governo (através de uma Via Crucis, do Pretório ao Calvário). O leite de cabra não é uma boa opção, por conter proteínas semelhantes à de vaca e por ser paupérrimo em diversos nutrientes.

O diagnóstico para as duas condições, IL e APLV, é basicamente clínico - mas alguns exames laboratoriais eventualmente são solicitados. Fazemos as "provas terapêuticas", troca de leites, testes cutâneos caseiros. A história familiar é importante.
Viu como parece e é confuso, imbricado, sobreposto? É sempre assim. O importante é, com paciência e colaboração do pediatra e da família, se chegar a uma conclusão e ajudar a criança.


Será que nas outras espécies isso existe?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Comprovando o óbvio - Postado por Jairo Len

Um estudo publicado na revista Journal of Epidemiology and Community Health, edição de julho de 2010, mostrou que a afeição e carinho maternais transbordantes dada aos bebês até um ano de vida torna-os mais bem preparados para enfrentar os problemas da vida na idade adulta.
Eu acho óbvio, mas é sempre bom que haja comprovação científica. E é claro que o pacote (afeição e carinho) nunca vem sozinhos - em geral estas mesmas mães moram em casas bem estruturadas, aonde não deve faltar muita coisa material e não-material também, o que pode ajudar no preparo futuro das crianças. De qualquer forma, as crianças vindas de casas "iguais" em potencial, mas sem o mesmo carinho e afeição, não se tornaram adultos bem preparados. E o contrário também aconteceu: mesmo com baixo nível sócio-econômico, mais carinho = mais preparo.
O ESTUDO: na pesquisa realizada durante vários anos com 482 pessoas no estado americano de Rhode Island, os cientistas compararam dados sobre a relação dos bebês de 8 meses com sua mãe (ou o cuidador principal) e seu desempenho emocional, medido por testes, aos 34 anos de idade. Qualquer que fosse o meio social, ficou constatado que os que foram objeto de mais carinhos aos 8 meses tinham os níveis de ansiedade, hostilidade e mal-estar mais baixos. A diferença chegava a 7 pontos no item ansiedade em relação aos outros; de mais de 3 pontos para hostilidade e de 5 pontos para o mal-estar
A avaliação foi feita através de escalas e testes psicológicos rigorosos. E o mais interessante é que, como houve acompanhamento, os dados não foram coletados através de "lembranças" do passado, e sim de dados objetivos coletados quase 35 anos antes.

Segundo o estudo, isto confirma que as experiências, mesmo as mais precoces, podem influenciar na vida adulta. As memórias biológicas construídas cedo podem "produzir vulnerabilidades latentes".
Óbvio?