terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Muito Além do Peso - Postado por Jairo Len

A obesidade infantil é um problema mundial - no Brasil afeta 33% nas crianças.
Muita se fala (inclusive eu, aqui no blog), a imprensa, as escolas...

Talvez você já tenha ouvido falar no documentário "Muito Além do Peso", de Estela Renner, uma produção nacional considerada a mais impactante em relação à obesidade infantil já realizada.

Em 1h20 a diretora mostra a epidemia que a obesidade já se tornou, entrevista especialistas, cita nominalmente todas as grandes marcas de bebidas e comidas que fazem as crianças se tornarem cada vez mais obesas, mostra como estamos cercados pelo excesso de calorias e suas consequências...

Acho que vale a pena todos assistirem. Pais (de magros ou gordos), educadores, avós (obrigatório).

O filme pode ser visto de inúmeras formas, desde Youtube até download em alta qualidade:

Visite o site do documentário MUITO ALÉM DO PESO e escolha como prefere assistir.

Uma verdade inconveniente...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Vacina contra Gripe e Narcolepsia - Postado por Jairo Len

O EMEA (European Medicines Agency), através de estudos multicêntricos, avaliou que uma das vacinas monovalentes contra a gripe suína (H1N1), a Pandemrix®, da GSK, foi associada ao aumento de casos de narcolepsia em crianças e adolescentes que a receberam. Isto foi entre 2009 e 2010, exclusivamente na Europa.


A narcolepsia é uma doença associada a distúrbios importantes no sono, excessiva sonolência diurna - o portador da doença pode dormir profundamente a qualquer instante.
Em 40 milhões de pessoas vacinadas com a Pandemrix® há cerca de 600 a 800 casos suspeitos de narcolepsia, números bem maiores que na população normal.

Pesquisadores do EMEA e a GSK estão estudando que a relação entre a vacina e a doença e o porque de só ter afetado crianças e adolescentes. Ainda não há conclusões.

Não há esta associação com as demais vacinas contra gripe, como a trivalente que aplicamos todos os anos no Brasil. A Pandemrix®, inclusive, não foi usada no Brasil.

É claro que a discussão é importante no momento em que todos estão "ansiosos" pela chegada da nova vacina trivalente contra gripe (cepas 2013), o que em geral só ocorre no nosso outono.

De qualquer forma, o que sabemos no momento é que o custo/benefício de mega-vacinações contra a gripe (influenza) ainda é muito importante, que vale a pena que todos sejamos vacinados assim que houver disponibilidade.

Quem quiser se aprofundar no assunto e também perceber como a agência de saúde européia está tratando do assunto com seriedade pode ler o ofício do EMEA clicando aqui.



terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Surto de Gripe nos EUA - Postado por Jairo Len

Tenho recebido inúmeros e-mails, telefonemas e SMSs sobre a epidemia de gripe nos EUA, neste inverno do hemisfério norte.
Quem vai passar férias e carnaval por lá está preocupado.

Todos os invernos nos EUA são caracterizados por um aumento nos casos de gripe - doença viral causada pelos vírus influenza A e B. Neste ano, os casos realmente aumentaram bastante - e teremos reflexo disso no nosso outono/inverno, a partir de junho aqui no Brasil.
Ainda nem de longe se compara à epidemia de gripe suína de 2010 (o H1N1), que teve uma taxa de letalidade bem maior que as gripes que todos os anos causam epidemias.

Na prática

Grande parte da nossa população recebeu a vacina trivalente contra gripe nos 3 últimos anos (2010-2011-2012), e a vacina foi "a mesma" nestes 3 anos. A vacina trivalente é feita com 3 cepas do vírus influenza:
- Influenza A (H1N1) - o famoso vírus da gripe suína, continua presente na vacina 2013
- Influenza A (H3N2) - este vírus foi atualizado na vacina 2013
- Influenza B - este vírus foi atualizado na vacina 2013


Neste ano a epidemia está sendo causada pelos Influenza A (H3N2)
e Influenza B, não por gripe suína (o H1N1).

E a nova vacina, 2013, tem novas cepas destes vírus - porque os vírus causadores desta epidemia atual são novos. Esta vacina só está disponível nos Estados Unidos. Chegará ao Brasil só a partir de abril/maio (como acontece anualmente).
De modo que a proteção pela vacina que todos pudemos receber nos anos anteriores aqui no Brasil não é completa, para a epidemia norte-americana.

Concluindo: quem não se vacinou por aqui em 2012, não adianta "correr" e se vacinar aqui no Brasil. Primeiro, praticamente não há mais vacinas de gripe, e em segundo lugar porque a proteção é parcial (cerca de 15% de proteção para a atual epidemia).

O que fazer?

Não há uma recomendação precisa. Mas não se recomenda, por enquanto, que as viagens sejam canceladas.
Mas nos anos anteriores não houve epidemia entre os turistas - até porque a doença se espalha nas escolas, escritórios, ambientes mais fechados. Nem nos parques (Disney...) houve aumento significativo de casos.
O que não quer dizer que podemos desencanar da gripe. Todos aqueles velhos cuidados com mãos limpas, álcool gel direto, etc... devem continuar. E crianças, que gostam de ficar penduradas em corrimãos e demais apoios (os meus são assim...) devem ser mantidas fazendo outras coisas (como um mini-iPad, perfeito para viagens...!).

Não se recomenda carregar na bagagem o anti-viral Tamiflu, até porque seu uso é bem criterioso, depende inclusive do exame positivo para Influenza.

Se vacinar ao chegar nos EUA sempre é bom - isso é feito lá inclusive nas farmácias. Não sei realmente como está a disponibilidade, se todas as farmácias tem, etc.

Assim que eu tiver mais detalhes, eu posto aqui no blog.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Hiperativismo Parental - Postado por Jairo Len

De volta das férias, confesso que fiquei confuso de tanta coisa interessante que pude ler nestes dias de "ócio". Apesar de ser a favor de desconectar, não deu para ficar 100% sem iPad e iPhone... Procuro ler de tudo, mas os assuntos relacionados à saúde (incluindo a parte física, emocional e psicológica) são os que mais me agradam.
Pude ler um texto sensacional do colunista da folha Helio Schwartsman sobre o que ele chama de hiperativismo parental. Já falei muito sobre isto no blog, mas não com esse nome...

"A seção de puericultura da Livraria Cultura traz 2.038 itens. Ali abundam títulos como "Criando Filhos Vitoriosos" ou "Como Multiplicar a Inteligência do Seu Bebê". Será que pais têm realmente todo esse poder sobre o futuro de suas crianças?". De acordo com Helio, adoraríamos que a gente pudesse ter esse controle, mas as evidências mostram que não é bem assim.
Juntando a pedagogia, a linguística e a genética, pesquisadores tem mostrado que a carga genética tem um peso muito importante no que seremos - e isso é definido das primeiras 48 horas de concepção...

"Isso significa que podemos desistir de educar as crianças e deixar que a biologia siga seu curso? Nem tanto. Os fatores genéticos tendem a ser mais fortes que os efeitos da criação, compreendida como o ambiente que irmãos gêmeos, fraternos ou adotivos compartilham e é em larga medida definido pelos pais, mas ainda sobra um enorme espaço para o chamado ambiente não compartilhado, que é um outro nome para a história única de cada indivíduo  - algo que a ciência ainda não sabe como medir e nem mesmo analisar direito." 

Acho que o assunto é infindável, e nem é sobre esta questão complicada que quero debater aqui.

Vejo no dia-a-dia da Clínica que muitos (a maioria) dos pais tem quase que uma obsessão em estimular seus filhos. Em cada idade, uma coisa diferente surge. De atividades como pintura e aulas de música aos 6 meses, berçários (com o intuito único de estímulo) antes de 1 ano de idade, livros que ensinam como estimular, peças de teatro, DVDs, saraus infantis, exposições e viagens inacreditáveis e cansativas... Tudo com o intuito de criar filhos mais inteligentes.

É claro que estimular é extremamente importante, mas o que acho a linha que divide o normal e o obsessivo é tênue, e que nenhum pai deve se sentir culpado por não achar atividades lúdicas ou pedagógicas (e intelectuais) o tempo todo para os seus filhos.

Crianças precisam também de estímulos bem simples, como sentar "horas" e brincar de forma não-pedagógica com seus pais ou cuidadores. Brincadeiras intuitivas, sem manual de instrução, sem fisioterapeutas orientando, sem hiperativismo parental...