sexta-feira, 14 de março de 2014

Vacina contra Gripe/Influenza - Postado por Jairo Len

Recebemos a vacina contra Gripe/Influenza, cepas 2014.

A vacina, como nos anos anteriores, é trivalente, que contempla três cepas virais. Por curiosidade, são estas:
- A/Califórnia/7/2009 (H1N1) - a famigerada gripe suína

- A/Victória/361/2011 (H3N2) - o representante do Influenza A
- B/Massachusetts/02/2012 - o Influenza B

Recomendo que todos recebam a vacina contra gripe. A idade mínima é de seis meses. Inclusive, entre seis meses e dois anos de idade, a imunização contra Influenza é rotina, faz parte do calendário de vacinação da maioria dos países.
A vacina é segura, e é marcante a diferença de casos de gripe em vacinados e não-vacinados: vejo isso no meu dia a dia da clínica. Portanto, funciona bem. Nos últimos anos não tive casos de Influenza em nenhuma criança que recebe as vacinas anualmente.

Como a vacina muda a cada ano, ela pode ser aplicada mesmo que não faça um ano da última dose recebida. Se você recebeu em julho de 2013, por exemplo, já pode ser imunizado com a vacina trivalente 2014.

Não sabemos ainda quando começa a campanha pública de vacinação, mas com certeza será atrasada (como sempre, após os casos aumentarem muito), será restrita a alguns grupos (incluindo presidiários) e, certamente, haverá um gigantesco alarde - afinal, estamos em ano eleitoral. 


Esta é a vacina que usamos na Clínica Len - da GSK, produzida na Bélgica.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Vacina contra HPV - Postado por Jairo Len

Complementando o post de 23 de janeiro, sobre a campanha do governo para vacinar meninas de 11 a 13 anos contra o HPV - Papilomavírus Humano, gostaria de repetir alguns dados e dar algumas sugestões (aos pais)... Lembro que a vacina é a Gardasil, produzida pela MSD, quadrivalente.

Continuo achando a campanha do governo tosca e eleitoreira, por dois motivos básicos:

- A faixa etária, 11 a 13 anos, é absurda. A vacina deveria ser estendida, no mínimo, aos 18 anos de idade (a Gardasil é aprovada para uso entre 9 e 26 anos, ambos os sexos).

- O esquema de vacinação que vai ser feito é: dose agora, dose após 6 meses e dose depois de 5 anos. Apesar de aprovado em alguns países, esse esquema não é usado rotineiramente em nenhum lugar (civilizado) do mundo, não consta em bula, a MSD não reconhece nem indica essa posologia. Todos que entendem de vacina sabem que o melhor esquema de vacinação é sempre aquele com mínimo intervalo entre as doses, para não se 'perderem" as doses subsequentes.

Dinheiro não me parece faltar para estender a faixa etária nem fazer as doses rapidamente, todas terminadas em 6 meses - que é o esquema preconizado pela OMS, MSD, AAP, FDA, SBIM e dezenas de outras siglas...: 
- Primeira dose agora
- Segunda dose após 2 meses
- Terceira dose após 6 meses
Isso posto...vamos lá... A vacina é segura e aprovada no mundo inteiro. Existe uma vigilância gigantesca em efeitos colaterais e futuros, as agencias de saúde sérias pelo mundo (não estou falando da ANVISA) tem estatísticas online, dados atualizados... É claro que existem efeitos adversos, como em qualquer vacina ou medicamento, mas são efeitos conhecidos, transitórios.

O que eu recomendo?
Continuo achando que todas as meninas e meninos devem receber a vacina no início da adolescência. 

Fazer no SUS?
Ao que me consta a vacina do SUS é importada, produzida pela MSD - portanto a mesma usada em clínicas particulares. O esquema de doses é esdrúxulo, portanto quem quer vacinas suas filhas pelo SUS deve fazer:
- Primeira dose no SUS
- Segunda dose após 2 meses, em clínicas particulares 
- Terceira dose no SUS após 6 meses da aplicação da primeira dose.
Claro, se puder pagar pela segunda dose (valor médio = R$ 400,00).

Eu, particularmente, conhecedor das rigorosas exigências da vigilância sanítária para com as clínicas particulares de vacinação, a qual me submeto anualmente, e conhecedor dos postos de saúde, recomendo que, se há condições financeiras, cada pessoa pense muito bem aonde vai levar seus filhos para vacinar. 

Recebi a dose da vacina de febre amarela em um posto de saúde (uma vez que não havia outra opção) - e tenho certeza que se a vigilância sanitária vistoriar aquele posto de forma rigorosa, vai achar um monte de problemas... E essa mesma percepção foi tida por inúmeros pacientes meus que eventualmente usam os postos de saúde.
Há exceções, é claro... Mas em saúde o que importa é seguir a regra, não a exceção.



quarta-feira, 5 de março de 2014

O que uma criança de 4 anos de idade deve saber? - Postado por Jairo Len

O que uma criança de 4 anos de idade precisa saber?

A pergunta é interessante...e a maioria das pessoas acaba pensando em escalas de desenvolvimento: contar até 50...saber o nome dos avós e bisavós, somas matemáticas simples...

Segundo Alicia Bayer, no  artigo publicado em um conhecido portal de notícias americano – The Huffington Post , o que não só a entristeceu, mas também a irritou, foram as respostas, pois ao invés de ajudarem a diminuir a angústia dessa mãe, outras mães indicavam o que seus filhos faziam, numa clara expressão de competição para ver quem tinha o filho que sabia mais coisas com 4 anos. Só algumas poucas indicavam que cada criança possuía um ritmo próprio e que não precisava se preocupar. 

Alicia Bayer listou o que realmente acredita que as crianças devem saber nesta idade:

Veja alguns exemplos abaixo:

- Deve saber que a querem por completo, incondicionalmente e em todos os momentos.

- Deve saber que está segura e deve saber como manter-se a salvo em lugares públicos, com outras pessoas e em distintas situações.

- Deve saber seus direitos e que sua família sempre a apoiará.

- Deve saber rir, fazer-se de boba, ser vilão e utilizar sua imaginação.

- Deve saber que nunca acontecerá nada se pintar o céu de laranja ou desenhar gatos com seis patas.

- Deve saber que o mundo é mágico e ela também.

- Deve saber que é fantástica, inteligente, criativa, compassiva e maravilhosa.

- Deve saber que passar o dia ao ar livre fazendo colares de flores, bolos de barro e casinhas de contos de fadas é tão importante como praticar fonética. Melhor dizendo, muito mais importante.

E o que os pais destas crianças devem saber?

- Que cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer cálculos a seu próprio ritmo, e que isso não tem qualquer influência na forma como irá andar, falar, ler ou fazer cálculos posteriormente.

- Que o fator de maior impacto no bom desempenho escolar e boas notas no futuro é que se leia às crianças desde pequenas. Sem tecnologias modernas, nem creches elegantes, nem jogos e computadores chamativos, se não que a mãe ou o pai dediquem um tempo a cada dia ou a cada noite (ou ambos) para sentar-se e ler com ela bons livros.

- Que ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa da turma nunca significou ser a mais feliz. Estamos tão obstinados em garantir a nossos filhos todas as “oportunidades” que o que estamos dando são vidas com múltiplas atividades e cheias de tensão como as nossas. Uma das melhores coisas que podemos oferecer a nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.

- Que nossas crianças merecem viver rodeadas de livros, natureza, materiais artísticos e a liberdade para explorá-los. A maioria de nós poderia se desfazer de 90% dos brinquedos de nossos filhos e eles nem sentiriam falta.

- Que nossos filhos necessitam nos ter mais. Vivemos em uma época em que as revistas para pais recomendam que tratemos de dedicar 10 minutos diários a cada filho e prever um sábado ao mês dedicado à família. Que horror! Nossos filhos necessitam do Nintendo, dos computadores, das atividades extraescolares, das aulas de balé, do grupo para jogar futebol muito menos do que necessitam de nós. Necessitam de pais que se sentem para escutar seus relatos do que fizeram durante o dia, de mães que se sentem e façam trabalhos manuais com eles. Necessitam que passeiem com eles nas noites de primavera sem se importar que se ande a 150 metros por hora. Tem direito a ajudar-nos a fazer o jantar mesmo que tardemos o dobro de tempo e tenhamos o dobro de trabalho. Tem o direito de saber que para nós são uma prioridade e que nos encanta verdadeiramente estar com eles.

Com informações de:
www.justrealmoms.com.br

The Huffington Post - versão em espanhol