terça-feira, 27 de novembro de 2012

Tragédia na Piscina - Postado por Jairo Len

Acredito que todos já leram ou ficaram sabendo da criança de 3 anos que morreu afogada ontem, na aula de natação de uma escola particular em Moema, aqui em São Paulo.
Em julho passado, uma menina de 4 anos foi encontrada afogada na piscina de um hotel na Costa do Sauipe, Bahia.

Estatísticas norte-americanas: nos Estados Unidos, ocorrem cerca de 10 afogamentos de crianças (1 a 4 anos) ao dia, cerca de 4.000 por ano. A maior causa de mortalidade em crianças até 14 anos é acidental, sedo um quarto delas afogamentos.
- Dezenove porcento dos afogamentos ocorrem em piscinas públicas (hotéis, academias, escolas) supervisionadas por salva-vidas ou profissionais habilitados.
- Em 7 de cada 10 afogamentos as crianças estão sob os cuidados dos pais e foram deixadas sem supervisão por menos de 5 minutos.
- Piscinas são "14 vezes mais perigosas" do que veículos em relação à mortalidade infantil.

A maioria das crianças que morrem afogadas fazem aulas regulares de natação e tem acesso à piscinas "autorizadas" pelos pais ou cuidadores - casos como o da escola em São Paulo ou o hotel na Bahia. Não são crianças que escapam e pulam na piscina.

Porém, em todos os casos, há negligência doas adultos responsáveis.

As duas professoras foram presas imediatamente por homicidio doloso, pagaram fiança de R$ 10 mil reais (para quem vai esse dinheiro?) e estão em liberdade. É claro que a maior "prisão" das suas vidas estas professoras vão carregar para sempre, independente de qualquer ação penal...

Quem se reponsabiliza por crianças na água tem que ser muito sério e atento. Com grupos grandes (mais de 2 crianças  por adulto), muito mais. Escolas precisam rever estes procedimentos de segurança... Afogamentos em crianças são silenciosos.

Sempre insisto muito com os pais sobre os riscos de piscina, mar e crianças. Estatísticas mostram que o problema é sério, ocorre em todas as classes sociais.
Crianças não sabem se defender de um monte de coisas, e expô-las a esses riscos é uma falha dos adultos.
Instituições tem que cuidar e se responsabilizar por tudo que ocorre nos seus domínios. Quem se lembra do balanço que matou a menina do Grande Hotel São Pedro, meses atrás?

Enormes indenizações e prisão dos responsáveis jamais vão diminuir a tristeza dos pais, mas já seria um bom começo para aumentar o cuidado de cada um com o próximo.
Fiquemos sempre atentos.



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Febre Maculosa - Postado por Jairo Len

Da série "o pulso ainda pulsa" (Titãs), falo hoje sobre a Febre Maculosa.
A doença tem sido falada e temida porque está em fase de epidemia em alguns estados, como São Paulo. Epidemia significa mais casos que o normal observado (neste ano, mais de 40).

A Febre Maculosa é a igual à Febre das Montanhas Rochosas (Rocky Mountain Spotted Fever), doença conhecida nos Estados Unidos.

A bactéria causadora é a Ricketsia ricketsii, e a transmissão é feita por um carrapato, o Amblyoma cajanense, vulgo carrapato-estrela - comum em cavalos, boi, vaca, cachorros e... capivaras. Este carrapato pode ser grandinho (como uma joaninha) ou muito pequeno, quase um pontinho preto.
 
Carrapato-estrela

As culpadas pela transmissão, desta vez, são as capivaras. São roedores gigantes e pacatos (e protegidos pelo IBAMA) que habitam locais luxuosos, como hotéis e condomínios de luxo (em São Paulo, por exemplo, Itu é uma das regiões mais afetadas) e podem ser reservatórios infindáveis deste carrapato. Basta passear em áreas aonde vivem as capivaras.

Cachorros não sabem ler, não evitam a área...

O ciclo: o carrapato infectado precisa ficar pelo menos 4 horas na pele da pessoa, e pica. Dois a catorze dias após a picada começam os sintomas da doença: febre alta, dor no corpo, dor da cabeça, inapetência, queda do estado geral. Aparecem pequenas manchas avermelhadas, as máculas, que crescem e tornam-se salientes. As lesões podem evoluir para petéquias, hemorrágicas (tipo chupão) e acometer mãos e pés. Nos homens a dor nos testículos costuma aparecer.
  
O diagnóstico preciso é feito por exames laboratoriais modernos, que demoram para ter resultados.
Portanto, na suspeita de Febre Maculosa, o tratamento empírico com antibióticos deve ser iniciado imediatamente. Sem tratar, até 20% de mortalidade.
Não há transmissão de pessoa para pessoa - só o carrapato-estrela transmite.

Não existe vacina contra Febre Maculosa. A prevenção é feita evitando as áreas infestadas, procurando carrapatos nos cachorros após passeios (e nos humanos também) e utilizando repelentes que impeçam a instalação doestes carrapatos na nossa pele.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Febre - Postado por Jairo Len

A febre é o sintoma mais comum em pediatria. Não existe criança que não vai ter febre algumas vezes na vida.
Ainda preocupa muito os pais - não só pela causa, mas também como medir, como medicar, quando medicar, como vestir a criança, e se convulsionar?...

Febre é o aumento da temperatura corpórea, acima dos 37,1ºC. Não existe, com limites definidos, o que chamam de "subfebril" ou "estado febril".

Portanto, 37,2ºC é febre. Assim como 39,5ºC. Exceto em recém-nascidos até 3 meses, o grau de febre, se está alta ou baixa, não define a causa e o que precisa ser feito.

Não acho que a febre seja uma boa reação do organismo.
Se fosse, a gente não ficaria tão derrubado quando tem febre. Febre acontece em infecções, estados inflamatórios, pós-operatório, reumatismo e doenças oncológicas. Faz as crianças ficarem menos ativas, mais caídas, com dor de cabeça, sem apetite e às vezes vomitando.
Em temperaturas elevadas, acima de 38-39ºC, as reações de defesa do nosso corpo não são catalizadas - não funcionam bem. Ficamos indefesos.

Portanto, a febre deve ser combatida.

Primeiro, deve ser aferida (medida). Em um post de 2010, falei sobre os tipos de termômetro que eu prefiro. Continua atual. Leia aqui este post.

Medicar a partir de qual temperatura?
Minha regra é simples: sempre que você notar, só de olhar, que seu filho está com febre. Pode ser 37,2º, pode ser 38ºC (acima dos 38º em geral as crianças dão sinais bem claros de febre). Esperar um pouco, se a febre está baixa, se a criança está "ótima", não tem qualquer problema. Mas acima dos 38º, não vale a pena esperar.

O banho morno (nunca frio) ajuda a abaixar a temperatura de forma rápida. Traz conforto à criança, mas tem efeito efêmero: logo a febre vai subir novamente.

Medicação - os medicamentos mais comuns para abaixar a febre são o ibuprofeno (Alivium®), a dipirona (Novalgina®) e o paracetamol (Tylenol®).
Usar um ou outro para abaixar a febre depende do gosto de cada um. Eu prefiro os dois primeiros (crianças acima dos 6 meses de idade). 
Todos os antitérmicos demoram 30 a 60 minutos para fazer efeito, podendo demorar até 90 minutos para funcionar. Não tem efeito imediato. É nesta hora que o banho morno ajuda, traz resultados imediatos.
Muitas crianças passam "a noite toda" com febre, os pais não conseguem abaixar a temperatura - mesmo intercalando os três anti-térmicos. Não é nossa intenção que a febre fique alta por várias horas, mas isso não é tão prejudicial, de forma isolada. Crianças aguentam 12 horas de febre incessante. Em geral isso ocorre nas primeiras 24 horas, no início da infecção.

Roupas - A criança deve estar vestida de forma "fresca", sem excesso de roupa - mas pode ser coberta, de leve, se estiver sentindo frio - o que e comum no momento da febre. O ambiente deve estar ventilado e arejado.

Outra reação bastante típica (mas incomum) das febres altas é o que se chama de viremia ou bacteremia: você vê a criança com as mãos muito frias, tremores finos e calafrios de corpo todo, extremidades pálidas e até arroxeadas. A febre vai subir, com certeza.
Esta reação muitas vezes é confundida com a convulsão febril.  

Quem já viu as duas coisas sabe que são diferentes.

Na convulsão febril  a criança tem realmente uma convulsão (90% das vezes). Corpo todo, braços, pernas, perda de consciência, como nas convulsões da epilepsia.
Ocorre em 1 a 2% da população, crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. A primeira vez, em geral, acontece antes dos 2 anos de idade.
Na temperatura de 38,5ºC. Nem é febre tão alta. E sempre no início da febre. Você nem percebeu que a criança estava doente. Inicia com febre e convulsão, juntas, de repente. Não dura mais de 15 minutos.
Apesar do susto (inesquecível), é uma convulsão benigna, auto-limitada, sem complicações secundárias, que não se repete nas primeiras 24 horas. Vai se repetir em 30-40% das vezes, numa próxima infecção.
Em caso de uma convulsão, a conduta é sempre se dirigir ao pronto atendimento mais próximo. A criança normalmente chega sem convulsão no PS, devido à rápida duração.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Check up em crianças - Postado por Jairo Len

É dúvida frequente dos pais a idade em que se deve fazer um check up laboratorial em seus filhos.
De um modo geral, existem algumas diretrizes para se pedir ou não exames laboratoriais de rotina para as crianças, e isso depende muito do histórico familiar.

Diferente dos adultos (que somem dos médicos nos períodos de calmaria), as crianças são levadas para consultas de rotina desde o nascimento. Checamos o crescimento, ganho de peso, exame físico geral (palpação abdominal, ausculta cardio-pulmonar, genitais, pressão arterial...). Isso já traz bastante informação e nos direciona na necessidade de exames eventuais de laboratório.

Se há casos de doenças hereditárias na família, os exames são necessários. Basicamente aquelas doenças que podem se manifestar ainda na infância, principalmente os problemas endocrinológicos.
Aos 2 anos deve ser feita a checagem do colesterol para aquelas crianças cujos pais que tenham níveis muito elevados (400, 500 mg/dl ou mais).
Se é aquela família aonde o colesterol (pai ou mãe) é acima de 220 mg/dl, o exame é feito com 5 anos de idade. Nesta idade também é importante checar a função tiroideana daquelas que tem casos de hipotiroidismo - isso é mais comum em meninas.
Para os demais, sempre se faz um super check up aos 10 anos. Incluo sempre o exame de idade óssea, para ter certeza que está tudo certo para o início da puberdade.

A consulta de rotina com oftalmologista deve ser feita aos 3 anos de idade.
Em relação ao odontopediatra, a idade máxima para a primeira visita é 2 anos.
As escolas pedem uma audiometria (exame para detectar problemas auditivos) aos 5 anos, em geral.

Muitos pais querem fazer exames (como ultrassom abdominal) de vez em quando. Isso "piora" quando houve algum caso mais importante de doença em conhecidos, amigos, parentes.
Lembro sempre que estas doenças (como tumores abdominais, por exemplo) infelizmente tem um crescimento rápido, coisa de 1-2 meses, e não adianta fazer exames anuais em crianças à procura disso.

Ficar atento a alterações físicas, emocionais e comportamentais é muito importante - as crianças são bastante sensíveis. Se há qualquer suspeita, investigamos.