sexta-feira, 30 de abril de 2010

Repelentes - Postado por Jairo Len


Outono deveria ser a estação das doenças respiratórias, pelas variações de temperatura e umidade relativa do ar. Mas no país tropical os casos de dengue tem aumentado em progressão geométrica. De cada dez mosquitos que eu mato em casa (no Alto de Pinheiros), nove são Aedes aegypti, aqueles das patas listradas em preto-e-branco e possíveis transmissores da dengue.
É claro que as medidas de controle da proliferação do mosquito são as mais importantes, mas não parecem surtir efeito (principalmente porque tem que ser feitas por 100% da população, mesmo em terrenos baldios, casas à venda, etc.).
Resta-nos a proteção individual.
Os repelentes são a única forma de proteção para as crianças - nos jardim de casa ou do prédio, na escola, no parque...
No Brasil (e no mundo, em rara concordância) existem dois tipos de repelentes eficazes e seguros: o DEET e a ICARIDINA. Óleos de citronela, eucalipto, andiroba e parentescos não são eficazes a ponto de você ficar tranquilo que seu filho não será picado.
Apesar das restrições de idade, devemos usar o bom senso na hora da aplicação. A meu ver, no nosso pa-tro-pi é extremamente importante proteger-se da dengue.
Recomendo a Icaridina (nome comercial = Exposis) para crianças acima dos 6 meses de idade.
E o DEET (Off Kids, Autan, Repelex) acima de 1 ano de idade. Estamos falando de áreas com mosquitos Aedes aegypti, aonde o risco de dengue é bastante possível.

Os repelentes podem causar alergia de pele e respiratória em quaisquer idades, portanto não devem ser usados se causam coceira ou vermelhidão na pele, ou crianças que tem tosse/espirros logo após a aplicação.
Evite as mãos das crianças (que vão à boca) e seja generoso na aplicação.
Sabia que os repelentes tem área de ação de apenas 4 cm?
Portanto é bom passar com esmero. E, evidentemente, isso prova que as "pulseiras" repelentes não servem para nada.
Para um dia inteiro no campo, o repelente deve ser repassado a cada 4 ou 6 horas para garantir a eficácia.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Shantala - Postado por Jairo Len

Com frequência as mães me questionam sobre a necessidade e os benefícios de fazer a Shantala nos seus bebês.
A Shantala é uma massagem realizada nos bebês a partir de 1 mês de idade. Sua origem data dos anos 1970, quando o médico francês Frédérick Leboyer, passeando em uma rua em Calcutá (Índia), viu uma mãe, paraplégica, aplicando um ritual de massagem no seu filho. Leboyer fotografou, filmou, acompanhou a massagem durante dias e divulgou pelo mundo. A mãe indiana chamava-se Shantala, daí a homenagem...
Acredito que a técnica atual de Shantala não tenha sido exatamente como a mãe indiana fazia - a história e o sucesso das massagens em bebês transformou a Shantala. Inclusive em um filão extremamente rentável através de livros, óleos, DVDs, paramentação, cursos, etc... Basta dar uma pesquisada na internet para ver como existem milhares de ramificações explorando o tema.
Vamos ao que importa: qual é o benefício da Shantala para a criança?
Acredito que seja muito bom para as crianças, assim como as demais técnicas de massagem fazem muito bem aos adultos (Shiatsu, Ayurvética, etc.).
Ao aplicar a Shantala no seu filho os pais tem um contato interessante com o bebê, silencioso, com carinho, acalmando-o e acalmando-se, hidratando a pele, relaxando e alongando os músculos. Todos ficam mais tranquilos, o sono é melhor.
É claro que você vai achar por aí todas as interpretações e "viagens" a respeito da Shantala (até que ela simula um parto normal!!!), mas eu acho que o maior benefício é o contato entre os pais e filhos. Deixemos os filósofos frustrados abusararem da criatividade...
Só óleos ou cremes de ótima procedência e hipoalergênicos devem ser usados.
Na internet existem centenas de tutoriais ensinando a realizar a Shantala. Apesar na idade recomendada ser nos bebês abaixo de um ano, acredito que em todas as idades as crianças vão se beneficiar com "rituais" como a Shantala.
"Nutrir a criança? Sim. Mas não só com o leite. É preciso pegá-la no colo.
É preciso acariciá-la, embalá-la. E massageá-la. É necessário conversar com a sua pele, falar com suas costas. Que têm sede e fome, como sua barriga. Sim, os bebês tem necessidade de leite, mas muito mais de serem amados e receberem carinho. Serem levados, emb
alados, acariciados, pegos e massageados" [Frédérick Leboyer]

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O sal é o vilão da vez - Postado por Jairo Len

De acordo com pesquisas norte-americanas, o excesso de sal na alimentação mata mais que o cigarro, naquele país. É uma afirmação evidente, uma vez que o sal pode ser excessivo desde a primeira infância, sendo consumido pela vida toda. Sal não é proibido para menores, sal é barato, está à disposição em qualquer lugar e não é (ainda) politicamente incorreto.
Enfim, é o fator (isolado) que é o maior responsável pela mortalidade nos Estados Unidos e, provavelmente, no mundo todo.
Como podemos reduzir o teor de sódio nos alimentos?

Em primeiro lugar, em casa. Oriente quem cozinha na sua casa a usar o mínimo possível de sal. Nem sempre o paladar da "cozinheira" (seja ela quem for...) é regrado para o sal. Apesar de ser uma coisa óbvia, sempre ouço o comentário das mães: "...é...acho que a nossa cozinheira coloca muito sal na comida...". Oriente-a.
Lembre-se que pessoas que tem "gosto" por pimenta na comida, em geral, capricham no sal.
Na cozinha, para uso culinário, procure deixar saleiro "de mesa", e não aquele potinho com sal + colherzinha... Isso já melhora bastante e diminui as doses. E, na mesa, não utilize saleiro.
Lembre-se que pessoas normais não conseguem notar uma redução de 25% no sal da comida. Portanto, diminua.

Acostume as crianças desde cedo a consumirem pouco sal. Papinhas de bebê devem ser reguladas na quantidade de sal (mesmo que os bebês comam melhor com mais sal).

O uso de sal light, hipossódico, também é uma forma de combate ao excesso de sódio na alimentação. Nem todos gostam, mas tenho certeza que quem é acostumado desde cedo não nota diferença. Porém, por ser um pouco menos potente, não adianta exagerar na dose de sal light...senão dá na mesma...

Procure lavar os enlatados e conservas (palmito, milho, ervilha, etc...) antes de utilizar nas saladas. Para as crianças que gostam destes alimentos, como azeitona, por exemplo, é interessante trocar a água (dessalgar, como se faz com bacalhau).

Macarrão instantâneo (do tipo Miojo) é uma tese de doutorado para hipertensão. Cada pacotinho do tempero tem cerca de 95% do sal que um adulto deve comer por dia.
Os salgadinhos e porcaritos de pacote também são uma mina de sal.
Molhos prontos (como o catchup e shoyu) idem:
Cheque os rótulos. Tudo o que contiver mais de 300 mg de sódio por porção (de 30 g) faz mal e deve ser consumido com moderação.

O consumo ideal (máximo) para um adulto é de 6 gramas de sal por dia. Cada pacotinho (daqueles de avião ou fast food) contém 1 g de sal.

Como qualquer coisa na vida, o problema do sal é o abuso, e por longos períodos de tempo. Portanto, até que descubram que o sal faz muito bem para a saúde (como aconteceu com o ovo), os cientistas de Harvard recomendam muito cuidado...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

As crianças aprendem o que vivenciam - Postado por Jairo Len

É uma coisa que todos sabem - as crianças aprendem através da observação do que os cerca. Os pais dos meus pacientes estão acostumados com o quadro, atrás da minha mesa (e em todas as salas de consulta) com os dizeres da psicóloga Dorothy Law Nolte, escritos em 1954: As crianças aprendem o que vivenciam ("Children Learn What They Live"). É um texto verdadeiro e o nome de um livro da psicóloga inglesa, falecida em 1995.

Valerie Kuhlmeier e Kristen Dunfield, pesquisadoras da Queen’s University, no Reino Unido, observaram em um estudo feito com bebês até 21 meses que estes identificam quando uma pessoa tenta ajudá-los com alguma tarefa e respondem de maneira positiva em ações posteriores.
Essa foi a primeira vez que conseguimos demonstrar que as crianças muito jovens podem ser seletivas em suas ações”, diz Dunfield. “Antes disso já se sabia que as crianças procuravam ajudar outros indivíduos ao seu redor. Mas nesse caso, observamos que elas podem escolher a quem ajudar, ou seja, direcionam suas ações com mais ou menos afinco dependendo da pessoa próxima.”
Ou seja, ajudam quem as ajuda. Aprendem desde muito cedo como devem agir, ser gentis, retribuir. Coisas que ensinamos no dia a dia, sem perceber, aos nossos filhos.
O estudo está publicado na revista Psychological Science, edição de abril de 2010.

Atrás da cadeira, o quadro com o texto "As crianças aprendem o que vivenciam":

As crianças aprendem o que vivenciam
Se as crianças vivem ouvindo críticas, aprendem a condenar.
Se convivem com a hostilidade, aprendem a brigar.
Se as crianças vivem com medo, aprendem a ser medrosas.Se as crianças convivem com a pena, aprendem a ter pena de si mesmas.
Se vivem sendo ridicularizadas, aprendem a ser tímidas.
Se convivem com a inveja, aprendem a invejar.
Se vivem com vergonha, aprendem a sentir culpa.
Se vivem sendo incentivadas, aprendem em ter confiança em si mesmas.
Se as crianças vivenciam a tolerância, aprendem a ser pacientes.
Se vivenciam elogios, aprendem a apreciar.
Se vivenciam a aceitação, aprendem a amar.
Se vivenciam a aprovação, aprendem a gostar de si mesmas.
Se vivenciam o reconhecimento, aprendem que é bom ter um objetivo.
Se as crianças vivem partilhando, aprendem o que é generosidade.
Se convivem com a sinceridade, aprendem a veracidade.
Se convivem com a equidade, aprendem o que é justiça.
Se convivem com a bondade e a consideração, aprendem o que é respeito.
Se as crianças vivem com segurança, aprendem a ter confiança em si mesmas e naqueles que as cercam.
Se as crianças convivem com a afabilidade e a amizade, aprendem que o mundo é um bom lugar para se viver.


terça-feira, 20 de abril de 2010

Umidificador de ar - Postado por Jairo Len

Chegou a época do ano em que o uso de umidificador de ar é imprescindível para crianças com sintomas respiratórios.
Para os que não tem sintomas respiratórios como: tosse matinal, coriza, laringite, broncoespasmo...não há necessidade, pode-se conviver com a umidade subsaariana que faz em São Paulo (20 a 40%).
Recomendo o uso de umidificadores sempre que a umidade relativa do ar estiver abaixo de 50% e acho fundamental abaixo dos 40%.
RELEMBRANDO:
- Umidificadores funcionam "a frio", fazendo uma névoa ou um vento úmido. Eficazes e seguros.
- Vaporizadores funcionam "a quente", fazendo vapor d'água. Esquentam um pouco o ambiente e podem causar queimaduras. Portanto devem ficar fora do alcance de crianças.
- Bacias com água e toalhas molhadas são soluções bem rústicas... Caso aonde você viva não exista nenhuma forma de umidificação mais moderna à venda, vamos lá...
- O excesso de umidade também é prejudicial, a longo prazo (mofo...). Não existe uma auto-regulagem nos umidificadores à venda. Portanto, o bom senso prevalecerá. Deixe ligado na potência "mínima" e se sentir que há umidade nas janelas e paredes, deixe pouco tempo ligado.

domingo, 18 de abril de 2010

Vacina H1N1 - Postado por Jairo Len

Uma mãe de paciente sugere mudar o nome do blog para "Blog da Gripe Suína"...
Infelizmente é o assunto pediátrico do momento, e percebo que o tema não está esgotado.
Portanto (sinto muito...) aqui vão mais alguns tópicos:

- A única contraindicação de aplicação da vacina são doenças febris agudas. Ou seja, FEBRE. Resfriados sem febre, tosse, coriza, diarréia e uso de antibióticos não são motivos para não aplicar a vacina.

- A vacina trivalente chegou às clínicas de vacinação e, devido à óbvia procura, já está acabando. Na CEDIPI, já acabou. De acordo com a CEDIPI, a vacina chega de novo na segunda semana de maio. Quem se vacinou lá disse que a espera foi de 2 horas ou mais...

- Outras clínicas e laboratórios não informam em seus sites se ainda tem. No Delboni, até hoje (domingo), havia vacina disponível. Portanto, telefone antes de ir...

- Quando a vacina trivalente acabar (temporariamente), volta a ser opção a vacina monovalente dos postos de saúde. Devido à baixa adesão da população, não há falta da vacina. Inclusive as crianças e adolescentes de 3 a 19 anos tem recebido à vacina (com alguma insistência e eventual justificativa médica)...

- A gripe suína já está entre nós. Na escola dos meus filhos há inúmeros casos e, especificamente a turma da minha filha (6 a 7 anos) está com aulas suspensas. Houve, na turma, 5 casos comprovados laboratorialmente de H1N1. Todas as crianças tiveram doença leve ou moderada, sem quaisquer complicações.

- A conduta da escola em suspender as aulas da turma foi extremamente correta. Quando há indícios de transmissão "horizontal", dentro da classe, esta é a atitude certa (e todos sabem como fui contra as férias de julho de 2009 estendidas em 3 semanas...).

- Para facilitar as "buscas" dos pais pela vacina trivalente, peço que quem tiver informações aonde tem ou não tem a vacina, me informem através dos "comentários" que temos em baixo de cada postagem. Não é questão de "pânico", é só para facilitar a vida de todos.

- Para finalizar, informo que ainda não conseguimos adquirir a vacina trivalente na Clínica Len de Pediatria.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Vacina Trivalente - Mais detalhes - Postado por Jairo Len

Além das informações sobre a vacina trivalente contra influenza (suína + sazonais) que você encontra no post anterior, compilo aqui algumas dúvidas e atualizações:

- Não recebemos ainda a vacina da Solvay na Clínica Len de Pediatria. A Solvay, nos anos anteriores, não vendeu a vacina para as clínicas - só para grandes empresas que fizeram sua própria campanha de vacinação. Neste ano, parece, estão "despreparados" para atender o varejo... Já fiz a encomenda e reserva de doses, converso diariamente com o representante da Solvay mas...infelizmente não há prazo exato.

- A CEDIPI e o laboratório Delboni Auriemo (inúmeras unidades) estão aplicando esta vacina, a R$ 85,00 por dose. Talvez existam outros lugares aplicando, mas desconheço.
- Para receber a vacina, não há necessidade de receita ou pedido médico (exceto para gestantes).

- Qualquer pessoa com mais de 6 meses de idade pode receber a trivalente. Não há limite máximo de idade. E não existe nenhuma restrição ou escalonamento de faixas etárias, como na vacinação do governo.

- Portanto, existem (só) duas vacinas: a monovalente H1N1 (exclusiva dos postos de saúde) e a trivalente (H1N1 + sazonal A e sazonal B) - esta exclusiva da rede privada. Além da vacina trivalente da Solvay, está para entrar no mercado a vacina da Sanofi-Aventis.

Como não sei quando receberei a vacina, recomendo que quem queira aplicá-la nos seus filhos e recebê-la de imediato, procure um dos locais que aplicam. Assim que a Clínica Len receber a trivalente, aviso.

sábado, 10 de abril de 2010

A vacina trivalente chegou! - Postado por Jairo Len

FINALMENTE a vacina trivalente contra gripe suína, gripe sazonal A e sazonal B chegou e está disponível.
Ainda não recebemos na Clínica Len de Pediatria. A distribuição é feita diretamente pela Solvay Pharmaceuticals, que priorizou as grandes clínicas que só fazem vacinas, como a CEDIPI. Mas, claro, é uma questão de dias e a Clínica Len vai receber, conforme acordo pré-firmado com a Solvay... Aviso aqui no blog assim que eu receber as doses.
De qualquer forma, até porque este blog não é de acesso exclusivo dos meus pacientes, recomendo mais uma vez que TODOS recebam esta vacina, na clínica particular de vacinas mais perto de sua casa (a Clínica Len vacina exclusivamente seus pacientes e familiares).
Copio abaixo o e-mail que a CEDIPI mandou para seus colaboradores e pacientes. Leia com atenção, porque todas as dúvidas possíveis são respondidas. O preço da dose, lá na CEDIPI, é de R$ 85,00.

1. Qual é a composição da vacina?
A vacina, trivalente, contém 3 cepas de vírus influenza:
A / California / 7/2009 (H1N1)
A / Perth / 16/2009 (H3N2)
B / Brisbane / 60/2008

2. A vacina contém timerosal (conservante composto de mercúrio. Um dos produtos comerciais que contém timerosal é o Merthiolate)? Contém adjuvante?
Não. A vacina não contém timerosal ou adjuvante.

3. Quem pode/deve ser vacinado?
Qualquer pessoa que deseje proteção contra a influenza, a partir de 6 meses de idade, pode se vacinar.

4. Qual é o esquema de vacinação nas diferentes idades? Quem já tomou vacina na campanha pública pode/deve se vacinar?
As vacinas utilizadas na rede pública (todas) são vacinas monovalentes, isto é, visam proteger contra o vírus H1N1. Por isso, se as pessoas querem proteção contra os outros vírus (H3N2 e B) podem tomar, também, a vacina trivalente.
É importante salientar que para crianças (6 meses a 9 anos de idade incompletos) recomenda-se 2 doses, com intervalo mínimo de 3 semanas, para proteção adequada contra o H1N1. Assim, crianças que tomaram a 1ª dose na Campanha podem, se os pais preferirem, receber a 2ª dose de H1N1 como parte da vacina trivalente.
A seguir, um esquema proposto para diferentes situações de vacinação prévia contra o H1N1.

Adultos (e crianças com mais de 9 anos de idade)
Recebeu 1 dose de H1N1 > pode receber 1 dose da vacina trivalente (intervalo mínimo: 3 semanas).
Não recebeu H1N1 > 1 dose da vacina trivalente.
Gestantes > ver abaixo

Crianças (6 meses a 9 anos)
1 dose de H1N1 na Campanha > pode receber 1 dose de vacina trivalente (intervalo mínimo: 3 semanas).
2 doses de H1N1 na Campanha > não é necessária outra dose.
Nenhuma dose na Campanha > 2 doses da vacina trivalente.

5. Mulheres grávidas podem ser vacinadas? Em qualquer fase da gravidez?
As grávidas representam um grupo de risco aumentado para formas graves de influenza. Em Nova York, por exemplo, na 1ª fase da pandemia pelo H1N1, mulheres grávidas tiveram um risco 7,2 vezes maior de serem hospitalizadas em comparação com não grávidas. Por isso, e porque a segurança da vacina contra influenza na gravidez é bem conhecida e foi reafirmada com a vacinação de centenas de milhares de grávidas no Hemisfério Norte, recomenda-se que as grávidas sejam vacinadas, em qualquer fase da gravidez. Como para todos os adultos, também na gravidez uma dose é suficiente para imunizar contra o H1N1.

Esquema proposto para gestantes:
1 dose de H1N1 na Campanha > desnecessária outra dose para H1N1. Se o médico da gestante optar por proteção contra H3N2 e B > uma dose da vacina trivalente (neste caso: trazer receita médica).
Não tomou na Campanha > uma dose da vacina trivalente

6. Quais as reações que a vacina pode causar?
As reações relatadas até agora têm sido leves e de curta duração consistindo, na maioria das vezes, em inchaço, vermelhidão e dor no local da injeção. Febre, cefaléia, fadiga e dores musculares são mais raras ainda. A vacina não causa sintomas de gripe como tosse, dor de garganta, catarro ou coriza.
Uma preocupação às vezes manifestada é de reações neurológicas, principalmente com um tipo de paralisia conhecido como síndrome de Guillain-Barré. Após a administração de mais de 100 milhões de doses da vacina contra H1N1, uma vigilância muito cuidadosa de eventos adversos na América do Norte e Europa não mostrou qualquer evidência de aumento na incidência desta doença.

7. Pessoas com alergia a ovo podem ser vacinadas?
Apenas pessoas que têm sintomas muito relevantes após ingestão de ovos ou produtos que contêm ovos (dificuldade respiratória, queda de pressão sanguínea, urticária generalizada) não podem ser vacinadas (ou devem receber a vacina em ambiente hospitalar). Outras formas de alergia a ovo, mais brandas, não contraindicam a vacinação.

8. Uso de remédios contraindica a vacinação?
Em princípio o uso de qualquer remédio, ou conjunto de remédios, não contraindica o uso da vacina.

9. Mulheres que estão amamentando podem ser vacinadas?
Não apenas podem - não há qualquer problema especial de segurança da vacina nessas mulheres - como constituem (juntamente com outras pessoas que cuidam de crianças pequenas) um grupo prioritário para a vacinação: além da própria proteção, imunizá-las é uma forma indireta de proteger seus filhos, especialmente os menores de 6 meses de idade, que não podem ser vacinados.

10. Quem teve gripe depois do início da pandemia (maio-junho de 2009) precisa ser vacinado?
Quadros clínicos rotulados como "gripe" podem ser causadas por outros vírus, além do vírus influenza. Mesmo quando se trata de um vírus influenza, não é obrigatoriamente H1N1. Por isso, apenas aquelas pessoas (relativamente poucas) que tiveram diagnóstico laboratorial confirmado e seguro de influenza H1N1 não precisam ser vacinadas.


quarta-feira, 7 de abril de 2010

H1N1 - Atualizando - Postado por Jairo Len

Após um mês de vacinação contra H1N1, acho que vale a pena dar uma atualizada e relembrar alguns detalhes - percebo, pelos e-mails que recebo, que ainda restam dúvidas e mais dúvidas sobre a vacina monovalente que o governo oferece. E alguns relatos interessantes...

- A vacina já foi aplicada em cerca de 9 milhões de pessoas, incluindo os bebês de 6 meses a 2 anos. Até onde se saiba, não matou ninguém. Portanto, mais uma vez esqueçam os e-mails e terias conspiratórias falando barbaridades sobre as vacinas contra gripe.

- O e-mail mais patético (e comentado) mostra um video do YouTube com uma ex-ministra da saúde da Finlândia, Dra. Rauni Kilde, falando muito mal das vacinas de gripe. Teoricamente, uma pessoa respeitada (Finlândia = país sério). Porém Dra. Rauni Kilde, ministra entre 1975 e 1986, é vidente, ufóloga, já diz ter sido abduzida inúmeras vezes por ETs, e tem convicção de que, desde 1946, inúmeras pessoas (zumbis) tem seus cérebros chipados em experiências governamentais.
Se tiver tempo, confira o vídeo no YouTube e o perfil da Dra. Kilde na Wikipedia.(http://en.wikipedia.org/wiki/Rauni-Leena_Luukanen-Kilde)

- Reações à vacina (Dra. Kilde à parte) aconteceram: febre, dores no local de aplicação, mal estar. Em geral, desaparecem após 24 horas. Pela minha casuística, mais do que em vacinas de rotina.
A vacina da GSK tem apresentado mais reações, e a vacina do Butantan (a única leitosa que eu já ouvi dizer) não causa nenhuma reação. Mesmo com mais reações, confio mais nas vacinas da GSK, justamente porque temos acesso a todos os dados de fabricação, imunogenicidade, reações.

- "Se não tem tu, vai tu mesmo" - Conforme eu havia falado, aguardei algumas semanas para recomendar a vacina em meus pacientes. A vacina trivalente só deve chegar em maio/2010 e alguns casos de H1N1 já tem aparecido. Portanto, vamos proteger quem está nas faixas etárias de vacinação do governo.

- Aliás, "top-ten" de indignação dos pais, a não-vacinação das crianças escolares (acima dos 2 anos de idade). O mundo todo vacinou esta faixa etária, professores e cuidadores de crianças. Por aqui, não. Nos Estados Unidos, além da vacinação do governo (para todos), quem quiser recebe a vacina em qualquer farmácia (Walgreens, etc) na hora, sem burocracia.
Resumo: para crianças acima dos 2 anos, a única coisa a fazer é esperar a vacina chegar à clínicas particulares. E quem não puder pagar, "top-top-top", como faria o ministro do Lula, Marco Aurélio Garcia, quando da queda do avião da TAM.

- Outra coisa básica que as mães vem percebendo é o despreparo, descaso e mau atendimento que muitos postos de saúde prestam. Isso já é conhecido dos médicos há décadas.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sling - Postado por Jairo Len



Confesso que nunca me agradou ver um recém-nascido sendo carregado em um sling.
Acho que o sling é um modismo reeditado... Sua origem é antiga, você lê relatos de civilizações que há séculos o usavam para transportar seus bebês. Estrelas Hollywoodianas usam, o mundo passou a usar novamente.

Sabe porque o sling não me agrada?
Falo isso do sling "rústico", aquele que - como há séculos - é feito com um simples pedaço de tecido. Alguns, feitos em casa, usam até argolas de cortina...E, claro, de diversos modelos à venda por aí sem qualquer certificação de segurança...

Que os slings são causa de problemas na coluna das mães, isso é comprovado.
Mas você sabia que nos Estados Unidos atribui-se ao sling, nas últimas duas décadas, 14 mortes de bebês?
Por este motivo, uma comissão de lá, o Consumer Product Safety Commission, recomenda que "os pais e responsáveis devem tomar especial cuidado ao carregar bebês com menos de quatro meses nos slings, que podem causar sufocamento". Ainda nas palavras da comissão: "Nos primeiros meses, os bebês não controlam a cabeça pela fraqueza dos músculos do pescoço. O tecido pode apertar o nariz ou a boca do bebê, bloqueando sua respiração e sufocando-o em um minuto ou dois. O sling mantém a criança em uma posição curva, dobrando o queixo em direção ao peito, e as vias aéreas podem ficar comprometidas. O bebê não conseguirá chorar por socorro".

Obviamente você terá segurança ao usar mochilas de transportar bebês (BabyBjorn, Canguru, etc...), que são um pouco mais complicadas de usar, mas certamente mais anatômicas e seguras para os pais e os bebês.
Nem 8 nem 80...
Caso decida-se por usar um sling, compre um que seja feito de forma responsável: slings seguros, certificados, observando-se as restrições e tempo de uso.

"Quando se é demasiado curioso de coisas praticadas nos séculos passados, é comum ficar-se ignorante das que se praticam no presente" [René Descartes - 1596/1650]

Postagem revisada em 10 de março de 2011.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Uso de adoçantes artificiais em crianças - Postado por Jairo Len

Nesta semana conversei com alguns pais preocupados com o excesso de peso de seus filhos - aliás, uma das coisas que eu mais alerto quando percebo o exagero.
Engordar na infância é um forte preditor de obesidade no futuro. Aquelas crianças que são eutróficas (peso e estatura proporcionais) e que começam a engordar entre 4 e 7 anos de idade são uma "certeza" de problemas com o peso por toda a vida.
Como abordar o problema?
Independente de genética (que tem enorme culpa), o mais importante são os hábitos alimentares de cada família.
Alimentos com mais de 4 calorias por grama (chocolates, bolachas recheadas, salgadinhos de pacote...) são criminosos para estas crianças. O mesmo posso dizer de tudo que contenha açúcar - sucos prontos, refrigerantes, doces, chocolate (de novo).
Neste ponto, as mães e pais - bombardeados por spams e falsos e-mails - temem o uso de adoçantes artificiais no dia a dia das crianças. Sem exageros, não há problemas.
Aspartame, acessulfame K, sucralose, stevia e sacarina podem ser usados em quantidades pequenas sem quaisquer restrições. Quantidades pequenas são aquelas que as crianças normais conseguem comer no dia a dia. Adultos conseguem exagerar, tomar 2 ou 3 litros de refrigerantes ao dia...
Se é para dar alimentação não-natural, prefiro gelatina diet a gelatina tradicional, e o mesmo vale para os chicletes, balas, sucos prontos, refrigerantes, sorvetes, etc.
Diet ou não, estes alimentos infelizmente fazem parte do dia a dia das crianças - e aí é fazer a troca do menos-ruim para o ruim (não pelo adoçante, mas pelos corantes, acidulantes, aromas artificiais, espessantes, anti-oxidantes...).
Em pequenas quantidades, nenhum adoçante faz mal às crianças.
(OBS: alimentos "bons" também podem ser dados nas formas light ou diet, como os iogurtes, requeijão e outros laticínios, pães, etc.).