quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Celular e câncer de cérebro - Postado por JairoLen

São tantas as notícias e propagandas pró e contra tudo que a hipocondria já está virando doença séria... Outro dia um pai de paciente me ilustrou bem isso: nem sabíamos, mas descobrimos que temos 12 problemas na boca quando um creme dental apareceu para solucionar estas 12 patologias... Pobres de nós, quantas doenças!!!

Em relação às novas doenças, o uso do celular preocupa bastante os pais, não só socialmente e economicamente, mas como causa de câncer de cérebro - o que já foi especulado e afirmado em diversos canais de notícias.

Um estudo bastante amplo, publicado no British Medical Journal, avaliou 350 mil pessoas durante 18 anos, todos usuários prolongados de celular (pessoas que passam muitas hora por dia com celular grudado no ouvido).
No estudo, pesquisadores da Sociedade Dinamarquesa de Câncer mostraram que não houve aumento de casos de câncer de cérebro nesta população em relação aos não usuários prolongados de celular nem com os índices de câncer de cérebro na era pré-celular.
Portanto, sem riscos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o monitoramento deve ser contínuo e não se deve descartar a possibilidade das ondas eletromagnéticas fazerem algum mal. A OMS, no início deste ano, classificou a radiação dos celulares como "possivelmente cancerígena para humanos", ainda que nada tenha sido comprovado.

Fácil de se concluir alguma coisa, não?

Dizem que na boca o celular faz mal mesmo: milhares de bactérias e a toxicidade da bateria de lítio.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Engatinhar - Postado por Jairo Len

Perguntas frequentes como "quando nosso filho vai começar a engatinhar?" ou "quais são os problemas para o futuro se meu filho pular a fase de engatinhar?" eu ouço todos os dias.
Para conseguir entender melhor os pais, com frequência eu apelo ao Google e procuro algum termo top-ten. Fiz isso com engatinhar. Poucas vezes li tantas asneiras - desta vez com assinatura de pediatras e psicólogos - falando sobre o tema.
Em sites com alguma credibilidade, inclusive, profissionais falando que é "fundamental" engatinhar, que "não se pode pular esta fase", e assim por diante.
Engatinhar não é fundamental, apesar de ser considerado por muita gente leiga (ou não) um critério maior do desenvolvimento, não é.
Manter-se sentado (entre 6 e 7 meses) ou ficar em pé/andar com apoio (10 ou 11 meses) é muito importante e uma criança que não faça estas coisas deve ser avaliada com critério, mas aqueles que não engatinham (10 a 20% das crianças) não tem qualquer atraso nem terão problemas no futuro - desde que os outros pontos do desenvolvimento estejam em dia.
Li um interessante estudo do Prof. David Tracer, antropólogo da Universidade de Denver, Colorado, avaliando bebês da Papua Nova Guiné, aonde nenhuma criança engatinha. Ele notou que elas são carregadas e colocadas no chão sempre sentadas, e muito cedo se estimula a andar. Todas andam sem engatinhar antes. Tornam-se hábeis caçadores e se locomovem perfeitamente pela floresta sem nunca ter engatinhado.
Tracer notou, através de suas observações, que engatinhar é um fator cultural. Não é inato engatinhar.

Portanto, esqueça a vizinha comadre e o compadre Google.
Engatinhar não é obrigatório.

Evoluimos (?) - agora somos bípedes

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pizza é verdura (Nos EUA) - Postado por Jairo Len

O Congresso norte-americano aprovou, ao votar nova lei orçamentária, a manutenção dos parâmetros nutricionais das merendas escolares, mantendo o molho de tomate da pizza como a porção diária de verdura.
Ou seja, a healthy food diária continua sendo o molho industrializado na pizza. Obama até tentou mudar a situação, propondo o dobro da quantidade de tomate - mas isso inviabilizaria a pizza, que nadaria em pomodoro. O Instituto Americano de Comida Congelada, por exemplo, não hesitou em atacar a iniciativa do governo. "Você basicamente faz com que uma pizza seja impossível de comer se colocar esse monte de molho nela, e as pizzas são uma parte importante do almoço escolar", declarou Corey Henry, porta-voz do instituto".
Batata - Os lobistas dos plantadores de batata também conseguiram manter a guloseima de forma chips com sal nas merendas, não obstante a tentativa de mudança por parte do Departamento de Agricultura.

Bizarrices à parte, esta discussão é fruto da política de subsídios à agricultura, há décadas, priorizando setores como trigo e batata...
O preço disso são 12,5 milhões de crianças obesas nos EUA. Claro que não às custas de merenda escolar, mas de uma alimentação farta, prática, muitas vezes baseada em alimentos industrializados e de alto teor calórico.

Pergunto sempre a meus pacientes que moram nos Estados Unidos como isso funciona na prática. Os brasileiros, por lá, seguem uma alimentação muito mais saudável que seus pares norte-americanos. Afinal, quem conhece os hipermercados de lá sabe que comida saudável não falta.
Realmente muitas merendas são à base de pizza, hot dog e comida mexicana, mas se a educação alimentar for boa em casa os estragos serão bem menores.

"Super saudável" - Olha quanto tomate.... (mas uma delícia, né?)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Recém-nascidos e temperatura - Postado por Jairo Len

Nos últimos dias recebi alguns e-mails e ligações sobre "como vestir o bebê" - certamente pais e mães em discordância sobre o quanto agasalhar recém-nascidos. Soma-se a isso o clima de São Paulo, com variações imprevisíveis na temperatura diária - temos amplitude térmica de 15º C em dias comuns, com mínima de 16ºC e máxima de 31ºC...
O quanto colocar de roupas e climatizar é motivo de discórdia entre o casal, isso sem contar quando as avós (100% friorentas) também opinam.
Bebês sentem o mesmo frio e o calor que nós adultos - eles já tem sensibilidade térmica e capacidade de regular a temperatura como a gente.
Nos primeiros meses de vida podem ter menos capacidade de adaptação a extremos, mas não estamos falando de deixar recém-nascidos na neve ou na sauna.
Acho que os bebês passam calor, em geral. Pelo menos na minha amostragem, muitos estão com excesso de roupa. Além do bebê-conforto, acessório de segurança fundamental que é um habitáculo, quente e não ventilado.
Sempre dou o exemplo na sala de consulta, num dia de temperatura amena: eu estou de manga comprida e avental, o pai de camisa polo, a mãe com uma malha bem fina...mas ninguém está com casaco de lã ou cobertor. Portanto...o bebê pode estar como um de nós...
Lembro sempre que as mãos e pés dos bebês são sempre frias - não servem de termômetro ou termostato.
O mesmo vale para a climatização de ambientes: guardados os cuidados em extremos e umidificação do ar, todos que moram num país tropical merecem uma temperatura regulada, com ar condicionado ou aquecedores, quando for o caso.
No quesito temperatura, bebês, crianças e adultos tem o mesmo direito.

Modelito adequado para países com neve, por exemplo...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Só sei que nada sei - Postado por Jairo Len

Sempre falo aqui no blog que o importante é MODERAÇÃO. Céu ou terra, oito ou oitenta... Isso não serve como modelo de saúde e bem estar.
Uma meta-análise publicada no American Journal of Hypertension mostrou que dieta com grande restrição de sal, apesar de reduzir a pressão sanguínea, aumenta os níveis de colesterol, gorduras e hormônios no sangue, além do risco de doenças cardíacas.
Na verdade, vale para quem não tem hipertensão. Para estas pessoas (não-hipertensos), a dieta com pouco sal aumentou em até 2,5% os níveis de colesterol e em 7% os triglicérides. Além disso, também houve aumento nos hormônios que regulam o nível de sódio (sal) no sangue, que são responsáveis por fazer o corpo preservar a substância no corpo ao invés de eliminar pela urina. E não reduziu a pressão arterial. Portanto, foi inútil.
De modo que tudo aquilo que se fala tanto sobre o sal não vale para todos.

O post na verdade não é para falar sobre hipertensão e ingestão de sal (mas fica a dica...).
Postei para relembrar que o importante é viver de forma balanceada, sem tantas restrições sem comprovação, sem exageros para cá e para lá - e isso vale para as crianças também.

E lembrar que muito mais importante do que o que entra pela nossa boca pode ser o que sai dela.

Liberou? Não...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

"Tapa na Bunda", o livro - Postado por Jairo Len

 Polêmica no mundo da psicologia infantil. O livro está dando o que falar.
"Tapa na Bunda - Como Impor Limites e Estabelecer um Relacionamento Sadio com as Crianças em Tempos Politicamente Corretos". A autora é Denise Dias, musicoterapeuta, pedagoga, psicopedagoga, especialista em psicossomática e possui experiências no Creative Children Therapy, Children’s Health and Educational Management Inc., United Cerebral Palsy of Miami, Jackson Memorial Hospital, Perdue Medical Center, na Flórida, Estados Unidos, com destaque no trabalho com crianças, adolescentes e adultos psiquiátricos, portadores de necessidades especiais e crianças que sofreram abusos físicos e sexuais. Não é pouco...

No livro, a psicóloga defende uma educação de resultados, "mesmo que sejam necessárias palmadas" (e não surras, como ela mesmo coloca). Afirma que os pais atuais perderam a noção de como impor limites aos seus filhos. "A obra pretende ajudar os pais que têm dúvidas sobre como impor limites e alcançar resultados eficazes, mostrando que existe uma divisão clara entre violência e respeito, agressão e disciplina. De acordo com a terapeuta, o maior problema é que as pessoas confundem o tapa com uma surra. 'Os pais de hoje sofrem por não ter a certeza de como agir como pais e pecam na permissividade', alerta".

É claro que já se pode ler, na internet, todo o tipo de comentário sobre o livro, obviamente a maioria contra. Aliás, salvo exceções, quem se presta a escrever livremente na internet geralmente é do contra, meio radical. Ninguém escreve para elogiar (eu escrevo!!!).

Na verdade, acho que o termo "tapa" não requer nem propriamente contato físico ou agressão. Educar necessita, sem dúvida, algum grau de autoritarismo. Conosco (agora adultos) foi assim, nos julgamos bem educados, de um modo geral. Como nossos pais (agora avós) foi assim.
Num mundo muito pior e inseguro, porque vai ser diferente com os filhos?
É claro que educar não tem uma regra básica, não existe one size fits all. Não há um livro (nem dezenas deles) que ensinem alguém a educar seus filhos.

Mas é interessante como todos nós reconhecemos crianças "mal-educadas" em qualquer lugar, e conseguimos relacionar elas ao modo de educar dos seus pais. Eu resumiria que falta de educação é não respeitar os limites do próximo, invadir. Mexendo que não deve, subir calçado aonde não pode, fazer barulho em locais inapropriados, correr no restaurante, bater e cuspir nos próprios pais, não respeitar de diversas formas os mais velhos, e assim por diante. E como vivemos em sociedade gregária, estas regras são importantes. Por favor e obrigado.
Obviamente educar é muito mais do que isso, mas essa é a ponta do iceberg. Valores são ensinados nas mínimas coisas.

O problema não é a palmada ou não. É educar ou não, achar que seu filho está fazendo "errado" ou não.
Exemplo prático: Se eu acho lindo uma criança de dois anos bater insistentemente a colher no prato, num jantar, em um restaurante silencioso, ela não terá a oportunidade de ser educada. Se eu acho que ela está fazendo errado, basta tentar educar, desviar a atenção, propor um passatempo silencioso, se necessário, a frase mágica "não faça isso" pode ser proferida. Tirar a colher, se necessário levantar e fazer algo mais interessante para a criança (óbvio!!). Enfim, educar.
E educar demora muito, anos, décadas. Cada fase com sua forma de educação.


Não é um livro recomendando palmadas que vai mudar a forma de se educar, mas o tema principal, a meu ver, é: eduque seus filhos, por favor. Alguns psicólogos sabem o problema que é não fazer isso.

Não é assim?

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Shampoo Johnson & Johnson é cancerígeno? Postado por Jairo Len

Publicações na mídia norte-americana e por aqui no Brasil acusam a farmacêutica Johnson & Johnson de utilizar em seus shampoos as substâncias 1,4 dioxano e formaldeído.

De acordo com inúmeras instituições de pesquisa e controle cosmético (por exemplo, a safecosmetics.org e www.ewg.org), estes dois produtos químicos tem poder carcinogênico, e estão presentes em muitos shampoos infantis da marca.

A J&J se defende, com o seguinte texto, que retirei do site da própria empresa:
"Declaração sobre a formulação dos produtos JOHNSON´S® baby.
Os ingredientes usados na linha JOHNSON´S® baby, incluindo os conservantes que liberam traços de resíduos de formaldeído, têm o objetivo de proteger o produto da proliferação de bactérias nocivas. Estes conservantes são seguros e aprovados pelos órgãos regulatórios em cada país ou região onde os produtos são comercializados, incluindo Brasil, Estados Unidos, União Europeia e China. Alguns produtos podem conter formulações diferentes ao redor do mundo, e todos estão em conformidade com as premissas legais de cada órgão regulatório, bem como dentro dos padrões de segurança da empresa. Importante ainda esclarecer que, mesmo não representando risco à saúde e mantendo seu compromisso de sempre responder a demanda de alguns consumidores que vêm demonstrando preocupação sobre o formaldeído e o 1,4-dioxano em produtos de higiene pessoal para crianças e bebês, a Johnson & Johnson vem trabalhando na reformulação da sua linha de produtos JOHNSON´S® baby desde 2009. Com isso, a empresa assumiu o compromisso de reformular gradualmente os produtos que contêm essas substâncias em sua formulação. Já reduzimos globalmente o número de formulações contendo formaldeído em 33% e 70% dos produtos da linha baby foi reformulado em relação ao 1,4-dioxano."

O que eu acho?
Em uma era de tanta preocupação em produtos seguros para a saúde, orgânicos, carbono-zero, as indústrias farmacêuticas poderiam se preocupar mais com os ingredientes de suas fórmulas, mais ainda aquelas voltadas para crianças e recém-nascidos. Olhando nos sites especializados que eu listei acima, você pode ver que a cobrança em cima dos produtores não é de hoje, e as providências já poderiam ser tomadas.
Faça suas boas opções de compra, leia a composição (evite os produtos que contenham componentes PEG 80 e sodium myreth sulfato, por exemplo).

A liberdade de escolha foi feita para isso.