sexta-feira, 27 de abril de 2012

Boa notícia para os disléxicos - Postado por Jairo Len

Calcula-se que 4 a7% das crianças em idade escolar tenham dislexia.
A dislexia - conforme conceito atual proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - é um transtorno do neurodesenvolvimento que é caracterizado pela dificuldade específica de leitura, não explicada por déficit de inteligência, falta de oportunidade de aprendizado, motivação geral ou acuidade sensorial diminuída, seja visual ou auditiva. A escrita também é prejudicada nos disléxicos.

Na sua teses de doutorado, a fonoaudióloga Cintia Alves Salgado Azoni, da UNICAMP, desenvolveu um software que chamou de Prefon (Programa de Remediação Fonológica). Após seis meses de sessões semanais, crianças disléxicas que usaram o Prefon mostraram mais rapidez para nomear cores ou imagens (o tempo caiu de um minuto e meio para 40 segundos, em média) e melhora no nível de leitura. Reconhecimento e nomeação de cores também melhoraram em tempo e qualidade.

O Prefon não depende de leitura e escrita, de modo que pode ser usado por crianças antes da alfabetização.

Nenhum disléxico "se cura" da dislexia, mas estas ferramentas tecnológicas, bem como toda a terapia que pode ser feita (fonoaudiológica, neurológica, psicopedagógica) fazem com o a criança possa ter uma vida normal.
O mais importante é diagnosticar estas crianças e tratar a dislexia no tempo certo.

Dislexia corporativa: a porcentagem aumenta...!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Cirurgiões-dublês - Postado por Jairo Len

Li na Folha.com uma reportagem muito interessante, "desmascarando" o que nós médicos sabemos que sempre existiu: os cirurgiões-dublês - são os médicos que fazem as cirurgias por seus colegas.
Exemplo: paciente vai a um otorrinolaringologista e precisa operar um cisto na laringe. Como ele não sabe fazer isso super-bem, ele chama um outro otorrino que vai realizar a cirurgia por ele... O paciente, não fica sabendo, obviamente porque este outro otorrino só aparece lá no centro cirúrgico.
É comum isso em oftalmologia, também (quem opera catarata sabe bem disso...), ortopedia, cirurgia plástica...e a lista deve ser infinita.

Pode até parecer uma atitude "responsável" do médico titular - mas é o supra-sumo da falta de ética - neste caso com o paciente. O CRM alega que a prática é anti-ética: o paciente tem que ser avisado que vai ser operado por outro médico. Mesmo nos casos em que o cirurgião só fará o "tempo-nobre" da cirurgia o doente deve ser avisado que quem vai abrir, fechar, ficar o tempo todo na sala cirúrgica é alguém da equipe, com nome e sobrenome.

A questão é ética, não técnica. Ideal é sempre que o que saiba fazer melhor é que o faça. Mas o paciente não precisa pagar caro, muitas vezes, pela lebre, e ser operado pelo gato. Sem saber.
O CRM, para variar - apesar de achar falta de ética - não parece muito preocupado com o fato.

A equipe...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Cadê a Funchicórea? - Postado por Jairo Len

O mistério do sumiço da Funchicórea...
Todos os que tem bebês abaixo dos 6 meses sabem do que estou falando.
Há 72 anos existe um medicamento fitoterápico chamado "Funchicórea", indicado para amenizar cólicas em recém-nascidos. Quem não usou nos seus filhos?
Há alguns meses não se acha mais Funchicórea nas farmácias.
A ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária) cancelou o registro da Funchicórea, sob alegação que "não há estudos científicos comprovando a eficácia e segurança do produto". O processo vem acontecendo desde 2005, liminares permitindo...e agora, desde 6 de fevereiro, registro cancelado.

O que eu acho?
ANVISA: dois pesos, duas medidas. Nunca fui de receitar Funchicórea, mas aprovava e referendava seu uso. Afinal, era produto já da "sabedoria popular". Evidentemente nunca fez mal passar a chupeta em um pouco de Funchicórea e acalmar um bebê com cólicas.
Existem inúmeros outros fitoterápicos que carecem de comprovação científica e nem por isso a ANVISA proíbe. Quitosana, PholiaNegra, PholiaMagra, Óleo de coco, por exemplo. Não sei qual o motivo para esta e outras diferenciações que a ANVISA faz. Acredito que todos imaginem uma causa, pensando em toda e qualquer agência reguladora do nosso país.

De qualquer forma, ainda não há substitutos para a Funchicórea... Como qualquer remédio indicado para cólicas e gases nos recém-nascidos, Funchicórea não é fundamental à vida...
Existem, inclusive, medicamentos mais eficazes para tratar destes incômodos dos primeiros meses de vida.
Mas que o pózinho ajudava,...ajudava.

Peça de museu

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Aborto de anencéfalos - Postado por Jairo Len

O STF vota hoje sobre a descriminalização do aborto de anencélalos.
Acho que cada um tem uma opinião formada sobre isso, mas quero colocar aqui o que penso sobre o assunto.
Gostaria de lembrar alguns dados que julgo muito importantes:
Em primeiro lugar, lembro que, no Brasil, abortar dá pena de um a quatro anos de cadeia (para a gestante) e até 10 anos (para quem ajudá-la a abortar - o médico, por exemplo). E também que são realizados, no nosso pais, cerca de 1,5 milhões de abortos ilegais ao ano. Nossa legislação só permite aborto de forma legal nos casos de risco de vida à mãe ou de estupro.
Ou seja: no Brasil se pratica o aborto. [Não sejamos hipócritas]
Em segundo lugar, quem tem tem dinheiro (nem precisa ser muito) faz aborto de forma adequada, quando deseja: em hospitais, com curetagem, anestesia, suporte.
No Brasil de "quem pode", faz-se aborto sem problemas. [Não sejamos hipócritas]
Vamos ao aborto de anencéfalos.
Acho que esta discussão é extremamente burocrática. A a maioria das pessoas com um pingo de sensibilidade acredita que fazer a mãe virar um "sarcófago ambulante" (palavras de uma mãe de anencéfalo*) é uma crueldade.
Eu penso da mesma forma. É obvio que não há nenhuma obrigação em convencer estas mães a realizarem o aborto, mas é evidente que esta decisão cabe exclusivamente à mãe - e nós médicos (e o governo) devemos dar todo o apoio logístico (físico, financeiro e psicológico) à estas gestantes caso optem por interromper a gravidez. O mesmo vale caso elas decidam por levar a gestação adiante.
Colocá-las na cadeia, nunca.

Todos sabemos - não vou citar aqui - quem é contra esta medida. Em geral estes grupos são nutridos por fervores religiosos, exclusivamente. Se perguntarmos a setores com maior capacidade de raciocínio dentro da nossa sociedade (como professores universitários, promotores, advogados, médicos, administradores, dentistas, etc...) a enorme maioria é favor da descriminalização do aborto em casos como este e outros, de doenças incompatíveis com a vida.
Pesquisa da Datafolha em São Paulo (de 2004) mostrou que 67% da população é a favor da descriminalização do aborto de anencéfalos.
E olha que esta questão da descriminalização é defendida por setores que nem sempre tem admiração por toda a sociedade, como feministas (inclusive dentro da Igreja Católica), confederações nacionais de trabalhadores, centrais sindicais (arrrrg) e assim por diante. Tenho certeza que a presidente Dilma (que não pode falar sobre este assunto) é a favor.

Lembro, como pediatra, que 99% dos anencéfalos morrem logo após nascer, minutos após. Se tiverem suporte ventilatório, podem sobreviver por um ou dois dias.
No Brasil tivemos um caso extremo, aonde a criança sobreviveu um ano e oito meses, um caso de anencefalia não-completa.

Para finalizar, copio aqui (reportagem da Folha, de Claudia Colucci) um pouco sobre a vida de Catia Correa*, 42 anos, que há 20 anos foi a primeira a conseguir autorização para abortar uma criança anencéfala. Não deixe de ler.
"No caso de Cátia, um ultrassom, feito no quinto mês de gravidez, identificou a malformação, além de deformações na coluna vertebral, nas pernas e nos braços do bebê.
"Sentia dores horríveis, a barriga ficou imensa por excesso de líquido amniótico", lembra. De família católica praticamente, ela conta que ficou entre "a cruz e a espada" quando decidiu que não levaria a gravidez adiante.
"Mas escolhi o que eu desejava para mim. Queria muito ser mãe, mas não manter um sofrimento inútil", diz.
Quatro anos depois, em um segundo casamento, ela engravidou novamente. Atenta a todas as precauções, tomou ácido fólico durante os três meses que antecederam a gestação e nos quatro meses seguintes.
Sem plano de saúde e vivendo numa cidade pequena do interior, só fez o ultrassom morfológico no oitavo mês de gestação. Resultado: outro bebê anencéfalo.
'Meu mundo caiu. Não saía mais de casa, não queria ver ninguém'. A criança nasceu de parto normal e morreu em seguida.
"Era horrível, uma cabeça muito pequena, cheia de ondas. Naquele dia, morri mais um pouco.
Cátia engravidou uma terceira vez, mas sofreu um aborto espontâneo. Hoje, vive com o marido e os quatro filhos que adotou --dois meninos de 9 e 10 anos e gêmeas de 4 anos.
"Faria tudo de novo. Falo pelas minhas próprias dores, pelas consequências que ficaram em mim. Até hoje não consigo ver bebê recém-nascido. Mulher que gera um filho anencéfalo não vai ser mãe. Negar o direito dela interromper essa gestação é obrigá-la a carregar um defunto na barriga.

Enfim, será que precisamos mesmo de tanta burocracia e hipocrisia?





terça-feira, 10 de abril de 2012

Adultos, vacinem-se - Postado por Jairo Len

O calendário de vacinação para as crianças brasileiras é bastante abrangente, um dos mais completos do mundo. Ainda não é perfeito porque o governo insiste em não vacinar contra catapora, usa a vacina contra rotavírus monovalente (o ideal é a pentavalente) e a pneumocócica é a 10-valente (o ideal é a 13-valente). Chegaremos lá...

O que vejo é que os adultos raramente estão vacinados contra doenças importantes e com relativa frequência. A toda hora recebo telefonemas que "uma prima", "a babá", "a concunhada" estão com alguma doença que poderia ser evitada através de vacinas.
Na Bahia (em Salvador) há dois casos recentes de meningite C. Doença que tem vacina extremamente eficaz e segura.

Portanto, a primeira recomendação: adultos devem ser vacinados contra Meningite C. A vacina é aplicada em dose única. Idealmente deve ser realizada a vacina contra meningites A, C, W e Y (quádrupla), mas na falta desta a Meningite C "simples" deve ser usada.

A segunda vacina muito importante é a tríplice adulto (DPT adulto), contra difteria, coqueluche e tétano - estas duas últimas doenças são muito importantes. A imunidade tem validade de 10 anos.

A vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR ou tríplice viral) também é fundamental. A maioria das mulheres está imunizada (por recomendação dos ginecologistas).

As hepatites A e B idem. Doenças importantes, frequentes e 100% evitáveis.
Portanto, a última recomendação, vacina contra Hepatites A e B. Esta é aplicada em 3 doses (0, 1 e 6 meses).

Mesmo que a pessoa não saiba seu estado vacinal, se teve ou não alguma destas doenças, pode receber as vacinas. Não há contra indicação.-

Sugestão: receba as doses de Hepatite A e B. Na primeira dose, faça junto a vacina contra Meningite C. Na segunda dose, receba também a DPT adulto. E na terceira, a MMR.

Se sua última vacina foi essa, é bom atualizar a carteirinha. Isso foi em 1974... Eu me lembro...

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Barbie careca - Postado por Jairo Len

Uma notícia interessante e instigante. A Mattel, norte-americana fabricante da boneca Barbie, promete para o ano que vem a versão careca da Barbie. A boneca careca virá com uma coleção de perucas, chapéus, lenços e acessórios de cabeça. Ela não será vendida em lojas, mas nos hospitais que tratam crianças afetadas pelo câncer nos Estados Unidos e no Canadá.
Se brincar é fundamental à criança, acho esta uma iniciativa mais fundamental ainda.
É a segunda vez que falo sobre bonecas no blog. A primeira foi para criticar a boneca que "mama no peito da mãe (a menina mamãe da boneca...)". Recebi críticas e apoio - e lembrei que o importante é a discussão saudável.
Parabéns à Mattel, pela iniciativa. Mas na verdade a idéia veio de uma campanha com 157 mil assinaturas, via Facebook.
Viu como as redes sociais podem ser úteis?