sexta-feira, 31 de julho de 2009

Aulas adiadas - Postado por Jairo Len

Não é do meu feitio copiar "textos inteiros" e postá-los aqui, mas hoje faço isso sem mudar "qualquer vírgula" no editorial desta sexta-feira, do jornal "O Estado de São Paulo".
Acho um texto de utilidade pública:

Excesso de zelo
Diante dos dados e estudos disponíveis sobre a gripe suína, só o excesso de zelo explica a decisão das autoridades de, numa tentativa de reduzir as possibilidades de transmissão da doença, adiar por duas semanas o início das aulas do segundo semestre na rede pública e recomendar às escolas particulares o mesmo procedimento. Só no setor público a medida atinge 6,5 milhões de estudantes de escolas estaduais e municipais da capital, de Campinas e Ribeirão Preto.

As escolas particulares não terão como deixar de aderir à medida, como já começaram a fazer. Se não agissem assim, certamente transmitiriam a impressão de que são menos zelosas do que os responsáveis pela rede pública com a saúde de seus alunos. Ou seja, mesmo que não estejam convencidos de que a medida é necessária, não têm como escapar a ela. Assim, a rede estadual de ensino só deverá retomar suas atividades dia 17 de agosto.

Ninguém coloca em dúvida a boa intenção das autoridades estaduais nesse caso. Mas os argumentos por elas usados não têm a força e a consistência necessárias para justificar uma medida dessa importância e dessa abrangência, que afeta a vida de milhões de pessoas. Segundo nota da Secretaria Estadual da Saúde, a decisão foi tomada "depois de análise das recomendações e avaliações da Organização Mundial da Saúde (OMS) a respeito da propagação do vírus entre estudantes e de recorrentes relatos sobre o aumento expressivo do número de crianças e adolescentes atendidos nos prontos-socorros paulistas por causa de problemas respiratórios".

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que a OMS não recomendou o fechamento temporário de escolas em nenhuma cidade em que o vírus já se disseminou, como é o caso de São Paulo. Por isso, embora citando a OMS, a Secretaria teve o cuidado de não ligá-la diretamente à sua decisão. Na semana passada, como relata o correspondente do Estado, Jamil Chade, a OMS admitiu que o maior número de casos de gripe suína foi registrado, inicialmente, entre pessoas com idade de 12 a 17 anos, mas que a média de idade subiu com a expansão da doença. Daí porque o fechamento de escolas deixou de ser recomendável. Acrescente-se que o Ministério da Saúde sugeriu apenas que estudantes com gripe ou sintomas da doença fiquem em casa, o que é sensato.

As razões apresentadas pelo secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, também não são convincentes. "Consideramos que o inverno está forte e chuvoso", disse ele, "e isso tem feito com que aumente a concentração de pessoas em ambientes fechados. A esperança é que, com a chegada do calor, a partir de 15 de agosto, diminua o número de casos, mas ela (a gripe) não vai se interromper." Sua esperança não parece ter grande fundamento e, por isso, não deveria ser levada em conta para a adoção de medida tão dura. Afinal, da mesma maneira que o inverno está sendo rigoroso e sobretudo chuvoso, o calor poderá voltar bem depois de 15 de agosto.Se isso ocorrer, o que não é improvável, a medida poderá produzir efeito contrário ao desejado, supondo-se que o frio e a chuva, como creem o secretário e muitas outras autoridades e especialistas da área da saúde, favoreçam a disseminação do vírus. Ou seja, o número de casos de gripe pode aumentar durante as duas semanas de recesso escolar e a situação estar pior quando da volta às aulas.

É compreensível que as autoridades de saúde de São Paulo tentem fazer de tudo para evitar a propagação da gripe suína, que assusta a população. É sem dúvida preocupante o fato de essa pandemia ter se espalhado pelo mundo com uma rapidez bem maior do que a que normalmente se verifica nesses casos, o que explica a dificuldade demonstrada pela OMS de coordenar os esforços para tratar do problema. Mas, ao mesmo tempo, é preciso não esquecer que a taxa de letalidade da gripe suína é praticamente idêntica à da gripe comum.

Esse quadro sugere que é preciso agir com serenidade, o que exclui ações drásticas que não têm, até o momento, nada que as justifique, a não ser o excesso de zelo, que deve ser evitado.

Texto publicado no editorial do jornal O Estado de São Paulo - 31 de julho de 2009

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Volta às aulas II - Postado por Jairo Len

Gostaria muito de falar sobre outros assuntos (como a "descoberta" que o bronzeamento artificial é extremamente cancerígeno...), mas infelizmente o assunto é o mesmo: Influenza A (Suína ou Sazonal), no caso em relação à volta às aulas.
Sou contra o adiamento do início das aulas, mas vejo que quase todas as escolas o farão.
Quero só colocar alguns argumentos para clarificar o debate e ajudar a opinião de cada mãe ou pai:
- Os países do mundo que suspenderam temporariamente as aulas fizeram isso no "pico" de contágio, quando houve contágio intra-escolar, o que não está ocorrendo por aqui. Estão fazendo uma "prevenção" por uma ou duas semanas, dependendo da escola, e empurrando o problema com a barriga. A contaminação vai haver assim que as aulas recomeçarem e chegar a hora do "pico".
- A suspensão de aulas em algum momento, após seu início, é provável, mas não adianta fazer de forma preventiva. Isso só vai atrapalhar mais ainda o ano letivo.
- Aonde houve suspensão de aulas (Argentina, México), outras aglomerações também foram suspensas, como teatros, cinemas, shows, missas e até o transporte coletivo. É o único jeito de se fazer uma prevenção efetiva. Os vírus Influenza não "atacam" só em escolas...
- As faculdades suspenderam a volta às aulas. Dê uma passada nos bares da Vila Madalena e nas casas noturnas. Lotados. Show do Roberto Carlos -15.000 pessoas por noite - absolutamente esgotado.
- Como escrevi na postagem anterior: tente ingressos para os teatros e shows infantis: está tudo cheio. Vá ao Parque da Mônica ou da Xuxa: centenas de crianças...

Não se trata de irresponsabilidade, e sim de olhar claramente as medidas e tomá-las na hora certa, através de um modelo de prevenção de epidemias que já existe há muito tempo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Adiar a volta às aulas? - Postado por Jairo Len

Como hoje recebi dezenas (sem exagero) de ligações e, a maioria delas me perguntava sobre "adiar a volta às aulas por causa da gripe suína", vou falar um pouco do que eu penso sobre o assunto.

Inicialmente, afirmo categoricamente que sou contra adiar a volta às aulas.

A epidemia de Influenza A teve seu pico durante as férias de julho, bem longe das aulas. A transmissão teve seu pico longe das escolas.

Tive inúmeros casos confirmados na Clínica com Influenza A (suína ou sazonal, não sabemos). Aparentemente nenhuma criança adquiriu a doença na escola, e a maioria não teve contato com pessoas que vieram de países "de risco" ou viajaram. De modo que a doença já circula e contamina por aqui mesmo, no Brasil, como todos sabemos.

Nenhum país do mundo "civilizado" (que cuida e respeita seus cidadãos) adiou a volta às aulas ou antecipou as férias. Nos Estados Unidos, o que houve foi uma pausa de uma ou duas semanas em escolas que tiveram casos na nova gripe.
Assim se controlou a evolução da epidemia. A partir de 12 de julho os casos de gripe suína começaram a diminuir nos Estados Unidos, ainda que se mantenham, até agora, acima da média para a época do ano.

"Empurrar com a barriga" o problema por mais duas semanas não resolve o problema. E pode causar inúmeros transtornos à rotina.
Quantos casos de Gripe Suína houve nas creches municipais? ZERO. Mas a Prefeitura suspendeu o funcionamento das creches municipais de São Paulo. Imagine o tamanho do transtorno que isso causará às mães, sem uma justificativa inteligente.
Cada indivíduo, cada escola e cada família tem o direito de tomar suas decisões, e isso faz parte do direito de cada um. Cada decisão deve ser respeitada e seguida, mas tomada com o máximo de responsabilidade, principalmente quando se trata do coletivo.

Um comentário a mais: pensa-se em adiar as aulas. Mas tente comprar um ingresso para uma peça de teatro ou um show infantil em São Paulo (como Palavra Cantada ou Saltimbancos): "lotação esgotada". As mães estressam, mas vão ao teatro e demais aglomerações...

Vamos ter coerência.
E, como sempre, para finalizar: lugar de criança doente é em casa, em repouso, e não na escola, no teatro, na patinação no gelo...

domingo, 26 de julho de 2009

Mais Gripe II - Postado por Jairo Len

O assunto é repetitivo, mas 100% (todas, sem exagero) das ligações deste final de semana continham o tema Gripe Suína como assunto principal. Suspeitas, dúvidas, volta às aulas...
E-mails também.
Tenho a oportunidade de acompanhar as entrevistas e declarações do Prof. Marcos Boulos, da Faculdade de Medicina da USP, a meu ver as mais sensatas até agora.
De acordo com o professor (e isso nós todos sabemos), se morre muito mais de inúmeras causas infecciosas em São Paulo do que de Gripe Suína. Nos anos anteriores, estima-se que 700 pessoas morreram por ano, no Brasil, por causa da Gripe Sazonal.
Mas a contagem "caso-a-caso", a imprensa divulgando cada novo óbito, um a um, só serve para estressar as pessoas.
Imagine que começássemos a contabilizar o número de mortos por dia por pneumonia (cerca de 150 pessoas por dia, no Brasil), por hepatite A fulminante (14.000 óbitos por ano no mundo!), por acidentes de trânsito (100 óbitos ao dia, no Brasil) - não vamos mais sair de casa...
A Gripe é uma doença para ser avaliada com muito cuidado e critério, mas sem a neurose (tem outro nome?) que está acontecendo nas últimas semanas.

Quanto a "adiar" em uma ou duas semana a volta as aulas, pedir para quem veio do exterior ficar de quarentena, etc., não vejo qualquer sentido nisso.

As escolas devem ser rigorosas em não permitir alunos doentes frequentando as aulas. As mães, responsáveis em não mandar às aulas seus filhos doentes. Se houve suspeita de algum quadro de gripe, ou doença infecciosa, a criança deve evitar a escola naquela semana (por cerca de 7 dias).
Sempre, não só nesta época de pandemia.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Mais Gripe - Postado por Jairo Len

Ainda que os meios de comunicação estejam esgotando minuto-a-minuto as novidades sobre a Gripe Suína, 100% dos pais e mães tem me perguntado sobre o assunto.
Não tenho novidades, mas faço alguns comentários para fechar a semana:

- A Gripe Suína, nos meios médicos, já está sendo conduzida como a Gripe Sazonal, num diagnóstico chamado de "Síndrome Gripal". Portanto esta nova gripe não é pior ou melhor que as Gripes de todo ano.

- Sempre morreram e vão morrer milhares de pessoas por conta da Gripe no mundo. No Brasil, estima-se que nos anos anteriores morreram cerca de 700 a 800 pessoas por Influenza. O índice de mortalidade por Gripe é de 0,4%. A cada 1.000 doentes, provavelmente 4 vão morrer. A maioria destas mortes está nos grupos de risco (como doentes crônicos).

- O índice de mortalidade na América Latina tem se mostrado 3 vezes maior que no mundo chamado "civilizado" (estes números já justificam o termo "civilizado"). Isso é preocupante, e revela o descaso que o governo tem por aqui, e a dificuldade de acesso da população aos tratamentos de primeira qualidade.

- O medicamento Tamiflu INFELIZMENTE está sob controle do governo. Já pode ser liberado nos hospitais particulares de referência (como o Einstein, Sírio, São Luiz), mas mesmo assim há rigido controle. De modo que os médicos particulares (como eu!) não podem prescrevê-lo a seus pacientes diretamente. Já tive alguns casos de Influenza A e não pude medicar (exceto mandando o paciente ao pronto socorro).
- Pessoa sem sintomas ficar zanzando por aí de máscara é péssimo. Nos hospitais e clínicas, nos aeroportos, e locais aonde o contágio é mais provável, eventualmente. Se não precisar, evite estes lugares.

- A volta às aulas está aí. A não ser que haja recomendação diferente, as crianças devem voltar às aulas normalmente.

- E como sempre, as crianças doentes devem ficar em casa. No caso de "Sindrome Gripal", ficar em casa por 10 dias.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Início da vida sexual - Publicado por Jairo Len

Pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, divulgaram os resultados de uma pesquisa com dados de 90 mil adolescentes mostrando que uma relação próxima com as mães é o fator mais importante na decisão de se iniciar a vida sexual para as meninas.
Uma observação importante foi a de que uma relação sólida entre mães e filhos garante uma maior sintonia entre as crianças e os valores de suas família (e tenha certeza que isso influencia MUITO mais que "só" o início da vida sexual).
Os pesquisadores também observaram que somente a desaprovação dos pais quanto ao fato de iniciar a vida sexual não faz diferença, ou seja, só reprovar o fato não transmite uma mensagem que os jovens assimilem.
Se os pais não conversam sobre o comportamento sexual dos filhos, de maneira franca, a impressão dos jovens é de que seu comportamento não importa para os pais.
Os dados são mais fortes entre as mães e as meninas. Para os meninos, outras influências, como a do pai, dos amigos e parentes têm um peso maior.
Fonte: G1 Ciência e Saúde

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Gripe Suína - Publicado por Jairo Len

A dez dias do início do segundo semestre letivo, a Gripe Suína está quase chegando no seu "pico".
Estudos mostram que epidemias de influenza em grandes centros urbanos se caracterizam pelo início abrupto, atingem seu pico em duas ou três semanas e se prolongam até completar cinco a oito semanas. Isso significa que os números ainda vão piorar antes de melhorar.

Tenho recebido e-mails (alguns, eu diria, exagerados) de mães e pais com muito medo desta Gripe - e não é para menos - afinal hoje o Brasil contabiliza 15 mortes pelo Influenza A(H1N1).

A grande dúvida é "o que podemos fazer para evitar ?"... Outras pessoas relatam que o marido, um familiar muito próximo ou um colega de trabalho contrairam o Influenza A (suíno ou não), e seus filhos foram expostos...
Minha resposta tem sido sempre a mesma:
- Não adianta pânico (demostrados nos e-mails), porque o pânico não resolve problemas. Cada caso deve ser tratado e analisado com seriedade, com investigação laboratorial e internação/medicação em casos graves, a critério médico.
- Tenho visto na Clínica inúmeros casos de Influenza A (confirmados pelo exame de secreção nasal em laboratórios como Fleury ou Einstein, que não diferenciam se é suíno ou sazonal). As evoluções, por enquanto, boas.
- Se há uma criança ou um adulto com um quadro que "sugira" Gripe, mas o estado geral é bom, a pessoa consegue se alimentar, sente-se melhor com os medicamentos sintomáticos, não se aparenta "grave", não existe uma necessidade de diagnóstico preciso. Abarrotar hospitais e laboratórios só piora o risco de contágio. Manter o doente em casa.
- As escolas devem ser RIGOROSAS em não receber crianças doentes e as mães RIGOROSAS em não mandar seus filhos doentes para as aulas.
Não importa a doença, porque o Influenza não tem um quadro típico, que nos dê certeza.
- Ir ou não às aulas, como sempre digo, é uma decisão pessoal de cada pai ou mãe. A decisão do pediatra será norteada por condutas de vigilância epidemiológica e casos sugestivos/confirmados de Gripe Suína ou Sazonal.
- A grande diferença desta epidemia é a velocidade de propagação. O novo Influenza A(H1N1) se espalhou em 6 semanas o que normalmente um Influenza demora 6 meses para contaminar.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Obesidade x Genética x Comportamento - Publicado por Jairo Len

Estudo identifica relação entre obesidade em pais e filhos do mesmo sexo.
Um estudo feito pela Peninsula Medical School, em Plymouth, na Inglaterra, e publicado na revista científica "International Journal of Obesity", envolvendo 226 famílias, revelou que há maior probabilidade de que a filha de uma mãe obesa seja obesa e de que o filho de um pai obeso seja obeso. O vínculo não existiria, porém, entre filhas e pais ou filhos e mães.
Mães obesas apresentaram dez vezes mais probabilidade de ter filhas obesas.
Entre pais e filhos, a probabilidade foi seis vezes maior.
Nos dois casos, crianças do sexo oposto não foram afetadas.
Os pesquisadores acham que a explicação está em uma forma de "simpatia comportamental", onde filhas copiam o estilo de vida da mãe e filhos copiam o dos pais.
Os especialistas concluíram que 41% das meninas de oito anos de idade cujas mães eram obesas também eram obesas. O índice caiu para 4% em filhas de mães que não eram obesas.
Entre meninos, 18% daqueles que tinham pais obesos eram também obesos. O índice caiu para 3% em meninos cujos pais tinham peso normal.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mel - Publicado por Jairo Len

Simples e relativamente controverso, o mel é manufaturado pelas abelhas a partir do néctar de flores e guardado dentro das colméias para ser utilizado como alimento altamente estável e energético para as suas crias. Seu sabor varia dependendo da estação do ano, da espécie de flor utilizada para a sua fabricação e do método de coleta.
O mel contém 17-20% de água, 76-80% de açúcar (glicose - 60% e frutose - 40%), e pequenas quantidades de pólen, cera e sais mineirais.
É bastante calórico (100 g = 320 calorias), e não contém colesterol.
Controverso?
Apesar de suas propriedades nutritivas, o mel não deve ser consumido por crianças menores de um ano de idade, pelo risco de contrairem o Botulismo, doença do sistema nervoso causada pelo Clostridium botulinum . As abelhas costumam coletar esporos de botulismo enquanto coletam o néctar, e os misturam ao mel. A maioria das pessoas pode ingerir esses esporos sem problemas porque possuímos bactérias em nossos intestinos e sistema imunológico que eliminam os esporos. Os bebês ainda não possuem essas defesas, podendo se contaminar com a grave doença quando os esporos chegam ao intestino.
Diabéticos e pessoas em regimes de restrição de açúcares não devem ingerir mel.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Gripe Suína - Como Estamos - Publicado por Jairo Len

Num país aonde morreram, neste ano, mais de 80 pessoas devido à dengue, só na Bahia, não se podia esperar outra coisa do Minstério da Saúde senão descaso, em relação à Gripe Suína.
Quem viu o pronunciamento do ministro Temporão, sabe do que estou falando.
A recomendação para os médicos, agora, é que só peçam o exame de comprovação do Influenza A(H1N1) em casos "graves", que necessitem internação.
Apesar da epidemia estar rondando o Brasil há meses, não há exames disponíveis para todos os pacientes. Os exames que pedi ultimamente demoraram mais de 7 dias para o resultado.

"O Brasil está preparado para epidemia", foi o que o ministro falou. Quem chegou de avião no Brasil ultimamente pode ver que não é bem assim. Além de ter que esperar mais de 1 hora no saguão da imigração, lotado, com gente vinda do mundo todo, as informações requeridas são estapafúrdias, como o assento do avião que cada um estava sentado...

Sem exames, não há mais estatísticas. Não se sabe o índice de prevalência e de mortalidade. Pode-se diagnosticar e notificar um caso de Gripe Suína por critérios clínicos. Nenhum país do mundo adotou esta conduta.

COMO ESTAMOS - À parte deste descaso, os pacientes tem me perguntado como as coisas realmente estão. Espero poder repetir isso daqui a um ou dois meses: por enquanto, se ninguém tivesse avisado, não perceberíamos que há uma epidemia. Nesta época do ano são muito comuns as infecções das "vias aéreas superiores", faringites, gripes sazonais e resfriados fortes, nada mais intenso neste ano do que antes. Não tivemos casos mais importantes que o habitual.

Espero que continue assim.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Remédio vs. Veneno - Publicado por Jairo Len

Diz a máxima que "a diferença entre remédio e veneno é a dose".
Concordo plenamente. Um dos grandes problemas no uso de medicamentos é o exagero na dose. Diariamente digo, na Clínica, para que se tome muito cuidado ao se administrar remédios para as crianças, uma vez que, para alguns medicamentos, "dose dobrada = intoxicação".
1º de agosto de 2009: Especialistas do FDA querem reduzir dose recomendada de paracetamol.
Doses de Tylenol e outros analgésicos que contêm paracetamol devem ser reduzidas por causa de preocupações com danos à saúde, afirmou um painel de médicos especialistas à Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. O painel decidiu, por 21 votos contra 16, recomendar que a dose diária máxima da substância, encontrada em analgésicos como Tylenol e Excedrin, seja reduzida de 4.000 miligramas para 2.600 miligramas.

No Brasil a dose máxima é a mesma (4 g), e para as crianças, máximo de 75 mg por quilo. Como exemplo: uma criança de 10 kg pode, no máximo, 750 mg por dia, ou cerca de 70 gotas. Como se vê, uma dose segura, salvo exageros e erros na administração do medicamento. Mas estes exageros acontecem:
Nos EUA, os consumidores compraram, em 2005, 28 bilhões de doses de produtos que contêm paracetamol. O uso excessivo do remédio pode causar danos ao fígado em algumas pessoas. Mais de 400 pessoas morrem e 42 mil são hospitalizadas todos os anos nos EUA por causa do uso abusivo do analgésico.

Dipirona (Novalgina, Magnopyrol)
Outro analgésico comum no Brasil e em diversos países, a dipirona, não é comercializada nos EUA devido ao "risco de efeitos colaterais na medula óssea."
Apesar dos relatos de associação da dipirona ao problema, a maioria das publicações a respeito mostraram que o risco de redução das células sanguíneas é muito baixo, de cerca de 1,1 caso por um milhão de pessoas que fazem uso.
No Brasil, a agência que regula a comercialização dos medicamentos concluiu que a dipirona é um medicamento que está no mercado há mais de 80 anos, sendo seguro e eficaz no controle da dor e da febre.
Mesmo assim, a dose sempre deve ser respeitada.