terça-feira, 24 de setembro de 2013

Ir ao pediatra...até que idade? - Postado por Jairo Len

Com frequência as mães e pais me perguntam "até que idade devo levar meu filho ao pediatra"?
Em termos de regras, a OMS diz que o pediatra é o médico que cuida de crianças e adolescentes, portanto, do nascimento aos 20 anos de idade. Não é esta regra que vemos na saúde pública nem nos pronto-atendimentos particulares, aonde o limite pediátrico chega aos 13, 14 ou 15 anos, no máximo.

Em termos práticos, acho muito importante que se acompanhe um adolescente durante todo o período de crescimento - com consultas anuais até que se atinja a estatura final. Mas temos consultas dia-a-dia relacionadas a doenças de adolescentes: infecções de garganta, dores de barriga, ouvido, problemas de pele - além de preocupações nutricionais e endocrinológicas - principalmente o sobrepeso.

Quando você atende uma criança desde seu nascimento, mês a mês, semestre a semestre, cria-se um vínculo muito grande com a família, cujo cordão-umbilical se chama confiança. E quando esta criança chega aos 17 anos de idade, com febre e dor de garganta, acabam procurando mesmo um dos últimos "clínicos-gerais" que existe, o pediatra. É nesta consulta também que aproveitamos para pesar, medir, checar as vitaminas em uso (ou o excesso delas, para muitos), recomendar o uso de vermífugos, saber como "estão as coisas".

Lembro aos pais que nós, pediatras, temos que nos preparar para "qualquer" doença que apareça: quando entra uma criança na minha sala nunca sei qual é a queixa...de lesões de pele a queda de cabelo, de micoses a problemas alimentares, infecções em qualquer parte do corpo ou simplesmente uma queixa psicológica - falta de sono, de apetite, suspeita do uso de drogas, de autismo...
Por isso nos sentimos à vontade de atender os mais velhos. Importante é que o contrário também seja verdadeiro: os adolescentes nem sempre se sentem à vontade na frente do médico. Com aqueles pacientes que cuidamos desde o nascimento, é mais fácil: na adolescência tenho certeza que fazemos parte da família deles (um tio?). Para os "novos" pacientes, que nos chegam já adolescentes, é necessário muito tato e "ir com calma"...nem todos gostam de pediatras...

Existe até uma especialidade médica própria para atender adolescentes, a hebiatria (do grego, "hêbé": juventude, adolescência). Conheço e recomendo para alguns adolescentes o acompanhamento com hebiatra, mas lembro que nem todos se adaptam - justamente por ser um médico "novo", aonde é difícil criar vínculos. Consultas de adolescentes são anuais, são poucas...
Para as meninas, a ida ao ginecologista após a menarca também é uma forma de acompanhamento desta fase - desde que a ginecologista (sempre querem mulheres, óbvio) tenha um espírito de clínica-geral - checando toda a parte de crescimento e hormônios.

E quando a garganta dói, estamos sempre prontos para atendê-los - sempre com as saudades de um tio.



terça-feira, 17 de setembro de 2013

A difícil tarefa de educar - Postado por Jairo Len

Li hoje, na Folha Online, um ótimo texto da psicóloga Rosely Sayão. Infelizmente só é liberado para assinantes...
No texto "As Dificuldades de Educar" a psicóloga expõe as contradições que vemos hoje em dia em matéria de educação. Por exemplo: é importante desenvolver a auto-estima dos filhos (#1 em educação) mas ao mesmo tempo não se pode elogiar tudo o que a criança faz...
Alguns autores defendem firmeza, outro juram que a autoridade exagerada é prejudicial.
Palmadas, hoje, são até proibidas por lei... No dia a dia da Clínica pergunto aos pais se eles "levaram palmadas" quando eram criança: 9 em cada 10 pais dizem que sim, e que não se tornaram, por isso, serial killers. Alguns confessam que já usaram este método educacional nos seus filhos, outros se arrepiam em pensar nisso.
Rosely Sayão ainda coloca que, não bastasse a opinião que cada um tem, os pais ainda sofrem pressões de movimento sociais em relação à amamentação, à alimentação, ao consumo...
Sempre lembro de alguns dilemas, como de um casal, pais de meninos gêmeos. A mãe, vinda de família muito rica, viveu com toda a fartura, tudo em mãos, sem qualquer dificuldade. Formou-se médica, fez pós graduação fora do Brasil e hoje trabalha e pesquisa muito. É bastante bem sucedida. Acha que os filhos podem viver nesta "fartura" e aprenderem o que ela aprendeu com os pais.
O pai veio de uma família mais rigorosa, menos abastada, aonde para se conseguir qualquer coisa tinha que "suar" muito - e sentia que os pais não davam tudo o que ele queria para forçá-lo a batalhar. Formou-se médico, é extremamente bem sucedido. Acha que os filhos não podem viver nesta "fartura" e devem aprender o que ele aprendeu com os pais. 
Quem está certo? A mãe ou o pai? Qual foi  a fórmula que os pais dela tiveram para não errar? E os pais dele?

Um parágrafo do texto me chamou atenção, e concordo plenamente:

"Qual a saída? Saber que o que conduz a educação familiar são as tradições de cada família, os valores priorizados, as virtudes consideradas valiosas e, principalmente, a afetividade envolvida entre os integrantes do grupo. Não a afetividade melosa de incontáveis declarações de amor ao filho, e sim a amorosidade de introduzi-lo na vida como ela é, de dar banhos de realidade no filho de acordo com a idade que ele tem".

Não há um único meio de educar seus filhos que sirva para todas as famílias.  
Há um senso comum, parece que (quase) todos nós identificamos pais que tentam educar bem seus filhos e aqueles outros são são o contra-exemplo do que é educar. Mas para os pais do contra-exemplo, talvez os "outros" pais pareçam uns loucos. 

Sempre peço para os pais, lá na Clínica, que procurem perceber como foram educados por seus pais, quais eram os valores, o que podia e o que não podia, e como a educação funcionou. Se isso os fez bem sucedidos, se fez deles pessoas que consideram felizes, se foi uma fórmula para o sucesso, globalmente falando...
Desta forma, de geração em geração, tentando educar do seu modo, sem fórmulas mágicas, que infelizmente não existem...

Para quem que acesso, o texto de Rosely Sayão.

Politicamente incorreto, mas a minha geração entende muito bem a piada!






segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Qual o leite ideal? - Postado por Jairo Len

Post atualizado em 17/10/2016

O meu post sobre a "confusão dos leites" teve um grande número de perguntas sobre qual seria o leite ideal nos primeiros anos de vida.
Na ausência de aleitamento materno ou no momento da sua interrupção é necessário que se use algum "leite" que traga inúmeros benefícios nutricionais, principalmente nos primeiros 2 anos de vida.

Primeiros 1.000 dias (gravidez, 1º e 2º ano de vida)
É nesse período, os primeiros 1.000 dias de vida, em que é formado 85% do cérebro do bebê, além de quase todas as células definitivas do nosso organismo.
O alimento dado à criança nesta fase deve ser adequado, balanceado e muito rico em nutrientes essenciais.

Até 12 meses, na hora em que for necessário substituir o leite materno, deve-se usar fórmula láctea, ou seja, leites como os NAN Supreme, Comfor ou Pró 1 ou 2, Aptamil ProFutura ou Premium 1 ou 2, Enfamil Premium 1 ou 2, Similac 1 ou 2, etc...
Não se usa leites integrais ou compostos lácteos (ex.: Ninho 1+) nesta faixa etária.

Entre 1 e 2 anos de idade, acho que o ideal é continuar usando fórmulas lácteas. São bem mais nutritivas e balanceadas que os compostos lácteos e incomparáveis aos leites integrais.
Atualmente temos  o Aptamil Premium 3 e NAN 3 Comfor. Todas as fórmulas, como o Enfamil 2, Similac 2, Aptamil ProFutura 2, NAN Supreme 2 também são boas para o segundo ano de vida.
Caso haja pouca aceitação, os compostos lácteos também podem ser indicados: Neslac Comfor, EnfagrowMilnuti ou Ninho 1+.

Leites como o Ninho Instantâneo, Ninho Integral e demais leites integrais não são alimentos ideais na faixa etária até 2 anos - mas podem ser usados se não houver aceitação das fórmulas e compostos lácteos. Idem se não houver possibilidade econômica, porque estes são mais caros... 

A partir dos 2 anos de idade, pode-se utilizar os compostos lácteos (ideal) ou mesmo os leites "normais", integrais ou semi-desnatados (sob indicação pediátrica).

Resumo:
Na falta de leite materno...
Até 1 ano: fórmulas lácteas
Entre 1 e 2 anos: fórmulas lácteas (1ª opção) ou compostos lácteos
A partir dos 2 anos: compostos lácteos ou leites integrais

Todas as indicações de uso de fórmulas, compostos ou leites devem ser orientadas pelo pediatra ou nutricionista. Crianças com qualquer tipo de intolerância alimentar tem conduta alimentar individualizada.