terça-feira, 28 de agosto de 2012

Funcho, chicória e capim-cidreira - Postado por Jairo Len

A Funchicórea foi proibida por algumas questões técnicas e burocráticas da ANVISA. Tinha 70 anos de existência, nunca fez mal para ninguém...
Coisas do Brasil...
Já está no mercado o Funchobaby, uma "nova versão", só que de outro laboratório... Não se perde tempo neste país...! Viva a ANVISA!! Ao mesmo tempo acaba com um produto quase secular e permite outro, novo, quase igual. Eles sempre tem uma explicação razoável. Cada um de nós pode imaginar a sua versão...

De qualquer forma, bullying à parte, vamos ao novo produto. De acordo com informações de bula, é composto de funcho (erva-doce), capim-cidreira e chicória, em excipiente de xilitol e sacarina. A Funchicórea tinha o ruibarbo no lugar do capim-cidreira.

Na bula sugere-se diluir uma medida em 150 ml de água e oferecer durante o dia. Funchicórea também sugeria algo parecido, mas as mães usavam mesmo é o pó na chupeta. Alivia cólicas pelo sabor adocicado, porque nestas doses de "chupeta" não há qualquer princípio ativo em quantidade mínima.

Não são produtos que constem da minha prescrição e orientação, mas não contra-indico... Não acho que façam mal algum, e até podem ajudar a melhorar crises de cólicas. Que são benignas, mas incomodam demais os bebês e os pais.

Portanto, aí está. O Funchobaby está nas farmácias.

Esta sofreu bullying...

...e este apareceu...!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sobre Amor e Comida- Postado por Jairo Len

Mais uma vez faço referência à coluna da psicóloga Rosely Sayão, na Folha on line do dia 21 de agosto.
A queixa "meu-filho-não-come" ainda é a #1 nas minhas consultas. Chega a ganhar das tosses e rinites infindáveis (#2) e das birras e comportamento (#3).

Salvo pouquíssimas exceções, esta inapetência é sempre seletiva, crianças que se alimentam, mas de pouca variedade. Só leite, ou muito carboidrato, ou até mesmo os que comem basicamente finger-foods, os chamados "picky eaters". Beliscam bolachas, polvilho e um pingo de comida o dia todo.

Caberá aos pais, desde muito cedo - com a orientação do pediatra - fazer com que esta situação de extrema seletividade nunca se concretize. Existem inúmeras formas de fazer, e sempre funciona.

Lembro das minha época de Escola Paulista de Medicina aonde, nos ambulatórios de pediatria geral, nunca se ouvia a queixa "meu filho não come". Aonde não há fartura e abundância de comida, as crianças sempre comem (o que tiver para comer). A desnutrição vinha da falta de comida balanceada e de proteína animal, ainda realidade brasileira.

Mas Rosely Sayão fala sobre a raiz do problema: a relação feita entre mães e pais sobre alimentar, achar que está alimentando, achar que isso é uma forma de amor e achar que isso trará aprovação...

Leitura rápida. Vale a pena. Clique aqui para ler o texto.

O máximo em seletividade alimentar...


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Botulismo - Postado por Jairo Len

Li hoje que houve 4 casos de botulismo, em uma mesma família, no interior de São Paulo. Provavelmente após ingestão de uma mortadela contaminada.

Afinal, o que é o botulismo?
Botulismo é uma doença grave causada pelas toxinas da bactéria Clostridium botulinum.

A bactéria, por si, só causa doença nos bebês com menos de 1 ano. Por isso não se pode dar mel para eles - o mel (mal manuseado e não pasteurizado) pode conter estas bactérias, que tem risco de se desenvolver no intestino de bebês. Nos adultos a bactéria é ingerida e "morta" pelas nossas defesas.

Já nas crianças maiores e adultos, aonde a bactéria não se desenvolve, o problema é a ingestão dos esporos e da toxina, que o Clostridium fabrica quando está presente nos alimentos contaminados, como conservas (palmito, pequi, picles), embutidos (mortadela), conservas de peixe. No mel a bactéria não esporula nem produz toxinas.

Exemplo: aquele palmito em conserva feito por um produtor que não tem mínimos cuidados e requisitos de higiene e manipulação de alimentos - o palmito contaminado vai para o pote - fica lá 4 meses, e o Clostridium esporulando e produzindo a toxina lá no pote - a comadre abre o vidro, faz a torta, assa bem a massa, o recheio assa pouco - três dias após, vende  a torta em pedaços, na barraquinha da rua, sem reaquecer bem - e temos uma torta que pode ter esporos e toxina botulínica.
Idem para a mortadela semi-caseira que a família de Santa Fé do Sul comeu. Se a mortadela tivesse os conservantes exigidos por lei, não teria sido contaminada por Clostridium Botulinum.

Enfim: segurança alimentar. Aquecimento adequado, geladeira, fervura. Itens básicos hoje em dia.
Palmitos e demais enlatados tem que ter ótima procedência. Embutidos idem. Muito cuidado com produtos alimentares artesanais. Vivemos numa época de busca do "politicamente correto" alimentar, mas temos que lembrar que existem técnicas industriais de segurança alimentar (incluindo conservantes).


Os sintomas do botulismo são neurológicos e musculares. Tontura, visão dupla, boca seca, fotofobia, queda da pálpebra (ptose) e dificuldade para urinar e evacuar são os principais. Dependendo da quantidade de esporos e toxina ingeridos, dificuldades de falar, engolir e se locomover podem se manifestar; assim como paralisia dos músculos respiratórios, o que em 15% das vezes é fatal. Necessita diagnóstico e tratamento imediatos.

Vai um botulismo aí, gente?

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Megavacinação em São Paulo - Postado por Jairo Len

Neste sábado, dia 18, será realizada, aqui em São Paulo, uma "megacampanha" (SIC) de vacinação. A idéia é colocar a carteira de vacinação dos menores de 5 anos em dia.

A idéia é "louvável", uma vez que não existe uma continuidade na vacinação das crianças no decorrer dos primeiros anos de vida.
Motivo?
Postos de saúde que não funcionam em fins de semana, pouca importância dada pela carteira de vacinação, falta de auxílio para quem leva seu filho para vacinar (como por exemplo um vale-transporte ou uma licença no trabalho da mãe), mau atendimento em alguns postos (o descaso que sabemos que existe...), etc., fazem com que muitas crianças não estejam corretamente vacinadas nos primeiros anos de vida.
Como tudo no Brasil-público, é melhor "remediar".
O programa de vacinação poderia ser bem mais organizado. Para você ter uma idéia, a maioria dos postos não tem registros de vacinas aplicadas, de forma individual. Que deveria ser centralizada, registros on line. Não... Se a criança perde a carteira de vacina, não tem como recuperar os registros de vacinas aplicadas.
Da mesma forma que o governo controla seu CPF e cada centavo que você deixa de pagar, poderia ter um sistema de controle de vacinação.

Bom... De qualquer forma, o post é também para lembrar que as crianças que tem sua vacinação super-controlada e completa (principalmente as que fazem na rede privada, nas clínicas de vacinação) não precisam comparecer aos postos de saúde para a "megavacinação". 

Em relação às "duas novas vacinas" (Poliomielite inativada e Pentavalente), que o governo começou a fazer: elas já são "velhas conhecidas".
A rede particular de vacinação já realiza rotineiramente estas vacinas há mais de uma década, seguindo o padrão de orientação dos países civilizados no mundo que tem um mínimo de respeito pelas crianças.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Mel e Tosse - Postado por Jairo Len

Sua bisavó ficaria felicíssima com este artigo publicado no Pediatrics On Line dois dias atrás... O Pediatrics é a revista mais respeitada em matéria de pediatria no mundo.

Pesquisadores da Pediatric Ambulatory Community Clinic, Petach Tikva, Israel, fizeram um estudo comparando o uso de mel e placebo para acalmar a tosse noturna, em 300 crianças de um a cinco anos de idade. Para um grupo de crianças, deram mel. Para o outro, placebo (no caso, um extrato viscoso de tâmaras). Foram excluídas do estudo crianças com diagnóstico de doenças mais importantes, como asma, pneumonia ou laringite.

Resultados: houve melhora da tosse noturna no grupo de usou o mel, de forma significativa em relação ao placebo.

Foram usados três tipos de mel, e não houve diferença entre os tipos de mel usado em relação à melhora da tosse. Tanto faz. A dose foi de 10 gramas (uma colher de sobremesa) antes da criança dormir.

Importante lembrar que o mel não deve ser usado em bebês com menos de um ano de idade e também que ele, por ser rico em açúcar, causa cáries se usado a longo prazo sem a devida escovação dos dentes.

Sua avó já sabia disso faz tempo...

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Celulares e a Vitamina S - Postado por Jairo Len

Acho interessante que alguns pais não deixam seus filhos colocarem "nada" na boca, mas para acalma-los dão, no primeiro choro, o celular para eles morderem...

Diferente de outras formas de Vitamina-S (S de sujeira), os celulares podem conter bactérias e fungos nocivos à saúde, uma vez que são fonte de milhares de contatos salivares e de mãos e dedos nem sempre limpos durante o tempo todo. Fora as capinhas de proteção, aonde a sujeira e os microorganismos se instalam cavernosamente. E o celular é democrático, indo da mesa ao banheiro, da bolsa ao sofá, da boca de um para a boca do outro...

Uma pesquisa britânica mostrou que 92% dos celulares por lá estão contaminados com microorganismos possivelmente patogênicos.

A recomendação é simples, principalmente para quem deixa os celulares serem usados como brinquedo pelos filhos mais novos, que põem tudo na boca: de vez em quando (duas vezes por semana, por exemplo) vale a pena tirar a capinha e limpar o aparelho com um lenço levemente umedecido com álcool gel ou álcool 70%, quem sabe um cotonete nas áreas mais escondidas. Lavar o case com água e sabão.

Não há ainda relatos de bactérias "novas" ou de contaminações especificamente adquiridas por manuseio de celular...mas de nada adianta esterilizar mamadeiras e chupetas mas usar o iPhone como mordedor para os bebês...

Já existem campanhas sobre o assunto...


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

"Pai não é professor particular" - Postado por Jairo Len

Com título do post homônimo à coluna da psicóloga Rosely Sayão, convido você a ler, na Folha de São Paulo, o texto escrito por ela.
Gostei muito das colocações dela porque há muito tempo converso com os pais sobre a vida escolar dos seus filhos, e vejo o descontentamento de muitos com os esquemas pedagógicos de cada escola - e como isso tem levado os pais à loucura.
Muitos que dizem que "não estão dando conta" dos estudos com os filhos (de 7 ou 8 anos de idade), tanto pelo volume de lições de casa, como por sua complexidade e dificuldade.
Uma mãe de paciente, com vasta experiência em pedagogia, me falou que insiste com seu filho que não é "ela", a mãe, que tem que compreender a lição de casa - e sim seu filho. Se ele não entende, deve perguntar à professora. A lição-de-casa é direcionada à criança, um complemento do que foi feito em sala de aula, para melhorar a fixação.
Os pais devem, claro, balizar os estudos dos seus filhos. Mostrar a importância, mostrar que mesmo nesta idade já tem suas obrigações e responsabilidades. Mas a lição-de-casa é para ser feita pela criança.

Faço das palavras de Rosely Sayão as minhas. Leia a coluna clicando aqui.