segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais sobre meningite C - Postado por Jairo Len

Tenho recebido e-mails de pais preocupados com o surto de meningite C na Bahia. Até o fim de outubro foram contabilizados, na Bahia, 157 casos, com 41 óbitos. Não acho que estejam "escondendo" casos por causa da má repercussão em relação ao turismo - o que pode haver é só uma minimização do problema, que é enorme.
Como falei no post de 26 de outubro, a doença é 100% evitável com uma única dose da vacina contra meningite C (vacina importada, eficaz e segura). Todos os meus pacientes, sem exceção, são vacinados.
Recomendo que os adultos que vão passear por lá também recebam a vacina (dose única).
Não me perguntem porque o governo da Bahia não providencia a vacina para a população.


Outra questão top of mind nos e-mails das últimas semanas são os protetores contra insetos. Repito então minhas recomendações:
- Nos quartos, usar os inseticidas elétricos, de tomada. Todas as marcas funcionam. Use uma tomada alta ou escondida. Porque as crianças adoram mexer no aparelhinho, com risco de choque e intoxicação.

- Tela mosquiteira: acaba sendo o melhor método para os bebês, que não podem usar repelentes.

- Repelentes: entre 6 meses e 1 ano de idade, recomenda-se a Loção anti-mosquitos Johnsons ou o Citronim (Weleda). Pode passar, sem problemas, mas evite passar nas mãos - que vão à boca. Para os maiores de 1 ano, os repelentes como o Off Kids ou Repelex Kids podem ser usados.

- Repelentes eletrônicos: definitivamente, esqueça.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A busca pelo alternativo - Postado por Jairo Len


Todos que me conhecem como pediatra sabem que sou alopata (convicto), mas que existem alguns setores da fitoterapia (e, bem mais raramente, da homeopatia "pronta") que podem aparecer no meu receituário. Camomila, Crataegus, Salix Alba, Pulsatilla...
Um estudo da Universidade de Newcastle, Inglaterra, comprovou em ratos que a erva Hyptis crenata, conhecida como hortelã-brava e salva-de-marajó, genuinamente brasileira, tem propriedades analgésicas semelhantes a alguns remédios vendidos nas farmácias. O chá, aonde se ferve por 30 minutos a erva seca, não tem gosto agradável (esta hortelã tem gosto de sálvia, e não da hortelã tradicional que usamos no dia-a-dia).
É claro que esta erva, se comprovadamente efetiva, vai para uma cápsula sem gosto. E, melhor ainda, se descobrirem que não apresenta efeitos colaterais - o que é difícil, porque as ervas, concentradas, geralmente tem bastante reações secundárias.

Mas o post de hoje não é para mostrar este estudo, interessante, porém sem relevância, ainda.
O que me intriga é a busca, por algumas pessoas, do alternativo (em medicina, ok?). Vejo isso no meu dia-a-dia na Clínica, em pessoas que me procuram e sabem qual é minha filosofia de trabalho.
Temos antialérgicos alopáticos extremamente seguros e testados, com efeitos colaterais raríssimos...mas tem mães que ficam "judiando" dos seus filhos portadores de otite secretora, com remédios homeopáticos ou antroposóficos (do tipo sabe-deus-o-que-tem-dentro) por meses a fio, insistindo, sem dó... Qual é o problema em acreditar no que é cientificamente comprovado?
Idem em relação aos antibióticos. Não fossem eles, tenho certeza que muitos de nós e nossos filhos não estaríamos por aqui. Era assim no inicio do século passado, era aonde já reinava, absoluta, a homeopatia. Mas no dia-a-dia me deparo com mães que, ao ser prescrito o antibiótico (seguro, testado,...) para uma infecção urinária febril comprovada por exames laboratoriais, parece que vão dar veneno para o filho. "Não tem outro jeito? Não gosto de antibiótico! Não podemos esperar um pouco? Estou tão dividida...! Meu marido não gosta de antibiótico...Não faz mal?"
Não...
O que faz mal é infecção urinária, otite, pneumonia...
Quando se trata de não querer aplicar vacinas nos filhos, aí então a coisa complica. Não atendo. Insisto, explico, mostro artigos científicos ou não...mas se os pais não querem vacinas, procurem um pediatra (insano) que corrobore com esta filosofia (insana).
Mas o que faz um pai ou um mãe ter algo contra vacinas? Intrigante. Aonde eles se informam? O que leem? Não acreditam nos avós, tios, amigos médicos?
Não é raro topar com situações assim na Clínica.

As "alternativas alimentares" (vegetarianismo, aversão à carne vermelha, só querer leite de soja...) eu deixo para novo post.

Como falei, sou alopata mas não desacredito em tudo. Tenho alguns relatos de pais que viram melhora de problemas crônicos dos filhos com o uso de remédios alternativos. E tenho centenas de casos de asmas graves, alergias importantes e demais doenças crônicas que controlamos com medicamentos alopáticos, seguros. Que devem ser prescritos sempre com critério.
Costumo repetir para as mães "alternativas": espere seu filho ter idade e discernimento para escolher o caminho que vai trilhar. Antes disso, vamos nos basear no que comprovadamente funciona e é seguro (através de ciência, estudo, seriedade).

"Toda a nossa ciência, comparada com a realidade, é primitiva e infantil - e, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos." (Albert Einstein)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Acidentes na banheira - Postado por Jairo Len

Uma agência dos Estados Unidos, chamada National Electronic Injury Surveillance System, relatou que nos últimos 18 anos 80 mil americanos se feriram na banheira, a ponto de procurar um pronto atendimento.
Os tipos de injúria são os mais variados: tombos e escorregões (com fraturas), superaquecimento e queimaduras, quase-afogamento. Sete por cento deles necessitou internação.
Os norte-americanos tem bem mais banheiras do que nós. Mas mesmo assim não é raro acontecer acidentes com as crianças na banheira e no box. O que eu mais vejo na Clínica são:

- Os escorregões com traumatismo craniano (na maioria das vezes leves, sem problemas intracerebrais),
- Os traumatismos com cortes, necessitando sutura,
Para estes dois eventos acima lembro que os adesivos antiderrapantes no piso da banheira são fundamentais em todas as idades, assim como uma barra de apoio para entrar e sair da banheira.
- Os cortes pelo vidro temperado do box que se quebra.
Este tipo de acidente - o box que quebra - é de uma frequência realmente assustadora. E em geral os estragos são trabalhosos, necessitando suturas e até anestesia geral para retirada completa dos cacos de vidro. Todo cuidado é pouco. Sugiro que as crianças sejam sempre instruidas (insistentemente) a não ficar abrindo e fechando a porta de correr e que, principalmente, se coloque um calço ou uma espuma para evitar que a porta bata ao ser fechada - esta é a hora que ela estoura.

- Vale lembrar também que crianças até 8 meses de idade podem se afogar em 10 cm de água.

O estudo norte-americano, que será publicado na edição de dezembro da revista American Journal of Preventive Medicine, não incluiu acidentes fatais, mas a Comissão de Segurança de Produtos ao Consumidor relatou mais de 800 mortes associadas a banheiras desde 1990, quase todas elas entre crianças menores de 3 anos.

Amenizando...para lembrar que a banheira pode não ter box de vidro e, caso você escorregue, pode cair em uma piscina...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Vitamina S - Postado por Jairo Len


Em um estudo publicado na Revista Nature Medicine, pesquisadores da School of Medicine - University of California, em San Diego, comprovaram que o excesso de limpeza pode prejudicar crianças.
Na verdade, quem não sabe da importância da vitamina "S" (de sujeira) na vida das crianças? Engatinhar (mesmo em chão desconhecido), colocar qualquer coisa na boca, ficar mordendo todo e qualquer objeto (como o limpíssimo telefone celular da mãe)... Será que isso faz bem, e a lavagem obsessiva das mãos nos tempos de gripe suína faz mal?
O estudo mostrou que a bactérias que vivem na pele ajudam no processo de cicatrização de ferimentos. Estafilococo - um tipo de bactéria presente naturalmente na pele - inibe a inflamação excessivamente agressiva da pele após um ferimento. Ou seja, a flora bacteriana é importante para nós.
A importância do estudo não é fazer uma apologia à imundice, mas desvendar novas técnicas para melhorar a cicatrização.
Mas serve para lembrar que o exagero, para qualquer lado, nunca é benéfico para as crianças.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Esperança em Síndrome de Down - Postado por Jairo Len


A Síndrome de Down é a doença cromossômica mais frequente no mundo. Não existe, claro, a cura para a síndrome, mas os avanços em cognição são o ponto mais importante no seu tratamento, que até há pouco tempo baseava-se só em estímulos precoces.
Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, publicaram na revista Science Translational Medicine um estudo pioneiro: remédios já disponíveis no mercado para tratar depressão e déficit de atenção poderão servir para diminuir os problemas de memória e aprendizado que costumam acompanhar o desenvolvimento de pessoas com síndrome de Down. O estudo foi realizado através do uso de noradrenalina em camundongos geneticamente modificados (simulando o que em humanos seria a síndrome de Down).
Em geral, pessoas com síndrome de Down possuem ótimo desempenho em testes relacionados à memorização de sensações visuais, auditivas ou olfativas, operação coordenada uma determinada região do cérebro. Porém, para formar memórias no hipocampo, tanto seres humanos como roedores necessitam do neurotransmissor noradrenalina, produzido nos neurônios do locus coeruleus, outra região do sistema nervoso central - comumente afetada na doença.
Resumo: poucas horas depois de receber os medicamentos, os camundongos já apresentavam um comportamento semelhante ao de outras cobaias sem a modificação genética. Ao serem transferidos para novos hábitats, realizavam um rápido reconhecimento e começavam a construir um novo ninho. Coisa que não conseguiam realizar antes da medicação.

Estudos em seres humanos ainda são necessários para provar que a noradrenalina também servirá para nós.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Vacinação e Autismo - Postado por Jairo Len


Um dia, em 1998, um pesquisador relacionou a aplicação da vacina MMR (contra sarampo, caxumba e rubéola), aplicada com 1 ano de idade, como causa do aparecimento e desenvolvimento do autismo.
O assunto passou a ser amplamente estudado e...divulgado. Obviamente a hipótese tornou-se, para muitos, "uma verdade" e aí os problemas começaram. Algumas classes ("ONGs", associações de pais e amigos de autistas, homeopatas radicais e moderados) recomendando que a vacina não seja feita.

Não fazer uma vacina importante como a MMR é um risco seríssimo, não só para a infeliz criança que não teve direito de voto, mas sim para toda a população, para os seus filhos, para as gestantes, para os idosos.

Obviamente inúmeros estudos sérios já comprovaram que não existe relação entre a aplicação da MMR e o aumento da incidência de autismo.
O autismo é uma doença neurológica cujo diagnóstico tem aumentado nos últimos anos, não por conta de maior incidência, mas sim porque os médicos e pais tem sido mais atentos, procurando sinais precoces. Muitas crianças que nunca seriam tidas como autistas passaram, nos últimos anos, a ganhar este diagnóstico.
Outro fato é que o aumento de número de casos diagnosticados não sofreu qualquer abalo após o início da aplicação mundial da vacina MMR. Este aumento progressivo de incidência de autismo nada tem a ver com qualquer vacina - mas como a MMR é aplicada com 1 ano de idade e o autismo geralmente é diagnosticado entre 1 e 2 anos de idade, alguém resolveu propor a associação.

Na internet existem milhares de links sobre o assunto. Mas todas as associações pediátricas, neuropediátricas e de imunizações sérias do mundo defendem e comprovam que não existe relação entre a aplicação da vacina MMR e o desenvolvimento do autismo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Muito músculo e pouco cérebro - Postado por Jairo Len


Não é de hoje que se relaciona o excesso de músculos ("bad boys", fisiculturistas, alguns lutadores e outros tipos semelhantes) à uma personalidade mais "esquisita" e à falta de inteligência.
Será puro preconceito?
Um recente estudo da Yale School of Medicine (EUA) mostrou que o uso excessivo de testosterona para aumento de massa muscular tem relação direta com a morte das células cerebrais (neurônios). Já se sabia que o excesso de esteróides masculinos (testosterona) tem relação com depressão, câncer de testículo, impotência (anos após), tendências suicidas e aumento da violência. Mas agora se sabe que ela mata as células do cérebro.
E não é necessário que a testosterona seja usada por muito tempo - curtos períodos em altas doses já tem efeitos "catastróficos" nas células neurológicas.

A autora da pesquisa, Barbara Ehrlich, professora de farmacologia e psicobiologia da Universidade de Yale, ironiza: "Da próxima vez que um cara musculoso em um carro esporte lhe fechar na rua, não fique louco, só respire fundo e pense que isso pode não ser culpa dele".

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Coksackie, o vírus da estação - Postado por Jairo Len

Nas últimas semanas tem aparecido dezenas de casos de infecções pelo vírus Coksackie, entre outras (escarlatina, gripe suína...).
O Coksackie é um vírus da família dos "enterovírus". É incidente no ano inteiro, mas tem pico no verão. Sua contaminação se dá através de secreções contaminadas (saliva, coriza, tosse, fezes, etc.), espalhando-se rapidamente - mas geralmente só acomete as crianças com menos de 5 anos.
As infecções causadas por estes vírus (o grupo dos Coksackie é grande, cheio de subtipos) são bem variadas, todas com febre e duração de 3 a 5 dias. As duas mais comuns são:

HERPANGINA
Neste caso, além da febre, a criança apresenta aftas (só) na garganta, que causam dor e dificuldade para a alimentação.

DOENÇA MÃO-PÉ-BOCA
A outra doença causada pelo Coksackie, aonde a criança tem aftas (espalhadas pela cavidade oral) e vesículas nas mãos e pés - e às vezes nas nádegas e no corpo todo. Além da febre.

O diagnóstico se faz pelo exame pediátrico, sendo dispensáveis os exames laboratoriais.
As complicações pela infecção são raríssimas, e o tratamento consiste em "sintomáticos": remédios para a febre, dor de garganta e mal estar, além dos anestésicos tópicos para a mucosa oral.
A criança deve ficar afastada da escola até estar 100% recuperada (sem febre, sem mal estar, comendo bem) e quando as vesículas desaparecerem por completo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Recomendações para o verão - Postado por Jairo Len

Assim como no ano passado, começo a receber e-mails dos pais perguntando quais marcas de filtros solares, hidratantes e repelentes são recomendadas.
Existem várias marcas muito boas. Recomendo algumas delas:

Protetor solar
Detalhes: só devem ser usados por crianças acima dos 6 meses de idade; procure passar o protetor ainda "em casa", com a criança sem roupa, pelo menos 15 minutos antes da exposição solar; repasse a cada 2 horas.

- Anthelios Dermo-pediatrics 50 (da La Roche Posay)
- Vichy 60 Enfants
- Episol Infantil 50
- Banana Boat Kids 50




Hidratantes
- Cetaphil Advanced Moisturizer (compre o tubo grande, de 226 g)
- Fisiogel loção hidratante
- Cetrilan (loção infantil)




Repelente de mosquitos
- Loção anti-mosquito Johnsons (6 meses a 1 ano de idade)
- OFF Kids (acima de 1 ano de idade)
Estas são as marcas que tenho o hábito de recomendar. Lembro que existem dezenas de outras marcas excelentes, hipoalergênicas e recomendadas para as crianças.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Bebês choram no idioma materno - Postado por Jairo Len

A informação pode ser esquisita, mas imagine as conclusões que se pode chegar: os bebês choram, desde o nascimento, no idioma materno - sugerindo que os bebês já aprendem o idioma da mãe dentro do útero.
A revista "Current Biology" publicou este estudo, da universidade de Wuerzburg (Alemanha), aonde os pesquisadores gravaram e analisaram o choro de 60 bebês saudáveis, 30 deles de famílias francesas e os outros 30 de famílias alemãs, entre três e cinco dias após o nascimento. A análise revelou claras diferenças com base no idioma materno.
Segundo o estudo, os recém-nascidos preferem a voz da mãe a todas as demais, percebem o conteúdo emocional das mensagens enviadas mediante a entonação, e sentem uma forte motivação de imitá-la para atraí-la e criar laços afetivos.
Segundo a pesquisadora que liderou o estudo, Kathleen Wermke, ao contrário do que indicam as interpretações mais conservadoras, os resultados do estudo mostram a importância do choro para o futuro desenvolvimento da linguagem.
O estudo, Newborns' Cry Melody Is Shaped by Their Native Language, está na página eletrônica da revista, http://www.cell.com/current-biology/newarticles.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Gripe Suína X Viagem de fim de ano - Postado por Jairo Len


Como o fim de ano está próximo - e as viagens precisam ser programadas com antecedência, aproveito aqui para postar a pergunta de um pai e a resposta, via e-mail, já preocupado com a viagem de fim de ano ao hemisfério norte e a chance da segunda onda de gripe suína:

Pergunta
Caro Jairo,
Tudo bem ?
Temos uma dúvida crucial e talvez você possa nos orientar.
Estamos com uma viagem toda comprada (e paga) para os EUA, do dia 28 de dezembro a 26 de janeiro, indo a Orlando (Disney), Vail (Ski) e Nova Iorque.
Ao mesmo tempo, estamos preocupados com as notícias da gripe suína... aqueles americanos fazendo fila para tomar a vacina que não existe aqui...
É claro que, qualquer resfriadinho nos EUA, qualquer nariz escorrendo, vamos ficar meio “tensos”...De qualquer forma, se cancelar é uma frustração e perco uma parte do que foi pago...Você acha que há razão concreta para cancelarmos a viagem ?

Resposta
Sua pergunta não é fácil de responder, porque não existe uma recomendação 100% segura - em qualquer lugar do mundo podemos ficar doentes...E saber exatamente como será a gripe suína no inverno do hemisfério norte é uma coisa impossível.
Mas vou ser o mais racional possível: os EUA enfrentaram a epidemia de H1N1 de forma MUITO mais adequada que o Brasil. O índice de mortalidade por lá foi muito menor que por aqui. A disponibilidade de exames e remédios foi rápida, as informações, o up-to-date, controle de fronteiras e entrada no país, rastreamento de casos, etc...tudo nos EUA, em relação ao H1N1, superou "anos luz" o que o governo brasileiro nos ofereceu. E, agora, eles já estão vacinando a população - o que significa mais proteção, menos casos circulantes.
Nos últimos meses eu tive dezenas de pacientes com quadro gripal (provável H1N1 e muitos confirmados), acredito que uma parcela enorme da nossa população, sobretudo em São Paulo, teve contato com o vírus, desenvolvendo a doença, de forma leve, de forma assintomática, alguns mais sintomáticos...enfim, poucos "escaparam". E a segunda onda que todas as epidemias tem serão monitorizadas de forma bem mais responsável nos EUA do que aqui no Brasil (aonde a primeira onda nem acabou).
Não sei se ir aos EUA, então, aumenta muito o risco - comparando-se em ficar em São Paulo.
Você vai levar a lista de remédios e, quem sabe, se a venda já estiver liberada, levará também o Tamiflu.
Portanto, por hora, minha recomendação é manter a programação. É claro que a situação pode mudar, podemos ter surpresas, mas não acho isso provável.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dinheiro não traz saúde? - Postado por Jairo Len

Acho que a máxima "dinheiro não traz saúde" já caiu por água abaixo há muito tempo. Existe, talvez, "dinheiro não garante saúde"... Falo sempre isso aqui no blog, quando comparo a saúde pública com a saúde privada, a disponibilidade de vacinas para quem se dispõe a pagar, o custo de alguns tratamentos, a mortalidade por gripe suína, etc.
Para não dizer que isso é só aqui no Brasil, seguem dados de uma pesquisa norte-americana:
A falta de cobertura médica adequada pode ter contribuído para a morte de 17 mil crianças nos Estados Unidos ao longo da últimas duas décadas, segundo um estudo do Centro Infantil Johns Hopkins. O documento, que será publicado na sexta-feira (30) no "Journal of Public Health", foi compilado de mais de 23 milhões de fichas médicas de 37 estados entre 1988 e 2005. Segundo as conclusões, as crianças sem plano de saúde têm muito mais probabilidades de sucumbir às doenças que aquelas que têm cobertura - o risco de morrer aumenta em 60% nos casos de doenças graves.
Os dados caíram como uma bomba no colo de Barack Obama.

Postei este texto para lembrar a todos como é importante (para quem pode e insiste em não fazer questão), entre outros gastos polpudos, ter sempre um ótimo plano de saúde, com cobertura por grandes hospitais e bons laboratórios, além de estar cercado dos médicos que confia.