quarta-feira, 28 de março de 2012

Vitamina S - Postado por Jairo Len

Já escrevi algumas vezes aqui no blog sobre a vitamina S, aonde "S" vem de sujeira.
Lembro sempre que o que realmente causa doenças infecciosas é o contato com outras pessoas doentes (ou vetores, como o mosquito). Frio, calor, brisa, pé-no-chão e coisas na boca não são fontes de doenças infecto-contagiosas.

Mas a teoria da vitamina S vem se tornando aceita cientificamente. Cientistas tem mostrado que o contato das crianças com superfícies cheias de bactérias não-patogênicas - presentes no chão, em celulares mordidos, em areia de parquinhos e milhares de objetos que vão à boca é muito importante para o desenvolvimento da imunidade e proteção contra algumas doenças.

No livro "The Wild Life of Our Bodies", o autor Rob Dunn mostra que bactérias, protozoários e alguns vermes tem papel de defesa importante no nosso organismo.Teoria baseada em estudos, como um atual que mostra que expor camundongos filhotes a microorganismos pode evitar doenças inflamatórias no futuro (os ratinhos eram programados para ter estas doenças).
Outro estudo expôs portadores da doença de Chron (moléstia inflamatória intestinal) a vermes - conseguindo um controle da doença. E assim por diante.
Tudo ainda em fase de teoria, de estudos.

Sempre falo para os pais que as coisas "mais sujas", como moedas, dinheiro, maçanetas, botões de elevador, celulares não são fonte de doenças. É claro que a higiene é muito importante, as mãos lavadas antes de comer, ao chegar em casa, ao pegar um recém-nascido são fundamentais.

Ainda não vamos tentar tratar doenças através da ingestão de outras bactérias e vermes...mas um pouco de vitamina S parece ajudar...

Inesgotável fonte de vitamina S

segunda-feira, 26 de março de 2012

Falsos saudáveis - Postado por Jairo Len

Nunca fui adepto à ortorexia (obsessão pela qualidade alimentar), mas acho que as pessoas não devem ser seduzidas por alimentos que parecem super saudáveis, mas que na verdade não tem nada de especial, não trazem nenhum benefício, não são aquilo que se pensa.
Principalmente em dietas, em fases que as pessoas estão procurando se alimentar de forma mais saudável...
Em uma reportagem do UOL, nutricionistas listam alguns alimentos tidos como "saudáveis", mas que podem ser justamente o contrário.
O campeão (já falei muito sobre ele) é o suco de caixinhaNa verdade, não é suco, é néctar. Um mínimo de fruta, conservantes, espessantes, corantes e aromas artificiais. Nenhum benefício. Já existem alguns melhores, sem conservantes ou corantes mas, no geral, engodo.
Iogurtes com sabor. Recomenda-se ler os ingredientes. Alguns contém muito açúcar, corantes e espessante.
Cereais matinais. São saudáveis, claro. Mas em muitos deles a quantidade de açúcar e calorias é muito grande. Aqueles sem açúcar às vezes tem muito sódio (mais de 150 mg por porção, o que não faz bem...)
Biscoitos água e sal. Engordam e tem muito sódio. Três ou quatro muitas vezes tem as mesmas calorias que duas fatias de pão light - que saciam muito mais.
Barrinha de cereal. Nem todas são boas. Muitas tem mais calorias que uma ou duas frutas, tem alto teor de açúcar e poucas fibras. E não causam a saciedade que deveriam. Outro dia comparei o rótulo de uma delas (que é coberta de chocolate) com o rótulo de um chocolate ao leite. Bem parecido.
Peito de peru light. Nem vou falar a marca...todas são parecidas. São melhores, claro, que o presunto gordo, mas contém muito sódio. Cinco fatias (60 g) contém 25% do sódio que um adulto deve ingerir por dia.
E a lista certamente não para por aí.

Sou de uma geração que tomava chup-chup e suquinhos-brinquedo em forma de carrinho, revólver e cacho-de-uva na praia.
Crescemos saudáveis, os índices de doenças degenerativas não aumentou, mas nossos pais sabiam que estavam dando uma porcaria para a gente...e nossa infância ficou com ótimas lembranças...

Sobrevivemos! Bebemos com gosto, mas sabíamos que era água com corante.

terça-feira, 20 de março de 2012

Etimologia da Estomatite - Postado por Jairo Len

No post passado falei sobre o Herpes Simples, uma das inúmeras causas de estomatite.

A questão hoje será mais etimológica: de onde vem o nome "estomatite"?

Muitos pais e mães relacionam estomatite com estômago. Me perguntam se a causa é acidez gástrica, problema de digestão, etc.. Não.
Estomatite vem do grego stomăchus, que significa orifício. Não significa estômago...
Estômago, em grego, é chamado de gastros. Gastrite, gastroenterologista, gastrectomia...

A ciência que estuda os problemas bucais é a estomatologia. Quem estuda estômago são os gastrologistas.

Portanto, estomatite não tem nada a ver com estômago, e sim com a boca.
Qualquer lesão dentro da boca (como uma afta, um machucado, lesões brancas...) pode ser chamada de estomatite. Um nome bem genérico.



Existem inúmeras causas de estomatite:
- Fúngica, conhecida como sapinho,
- Virais (as mais comuns, como o herpes, o cocksakievírus),
- Por acidez de alimentos, como o abacaxi,
- Por agentes químicos, como o cigarro,
- Pela boca seca, vista em algumas doenças reumatológicas,
- Traumática, por aparelhos odontológicos ou mordidas erradas.
 Todas na boca...

Gregos à parte, essa tem nome bem brasileiro: BOQUEIRA...


quarta-feira, 14 de março de 2012

Herpes simples e transmissão - Postado por Jairo Len

O Herpes Simples (HS) é um dos vírus mais frequentes em humanos, no mundo todo.
No meu dia-a-dia, além das gengivo-estomatites herpéticas em crianças, uma dúvida muito frequente é se pai, mãe ou babá, com herpes labial ativa, passam a doença para seus filhos.

Gengivo-estomatite por herpes tipo 1
Uma breve pincelada sobre a doença: Setenta por cento das crianças que tem contato com o herpes simples tipo 1 (o tipo 2 é o herpes genital, não falarei sobre isso hoje) vão ter uma doença bem chata, a gengivo-estomatite herpética. Febre alta, irritabilidade, lesões dentro da boca (aftas brancas) e lesões ao redor da boca, inapetência total. Em cerca de 5 dias estão melhores, ficando zeradas em dez a quinze dias. Espalham o vírus por 3 semanas.
Cerca de 30% dos infectados tem uma doença sem sintomas, só um mal estar, febre baixa.

Inicialmente, todos ficam ótimos e curados.

Ocorre que em uma pequena parcela, 1 a 2% dos infectados, o vírus permanece vivendo, latente, em um gânglio da região da cabeça ou pescoço. E de vez em quando, desencadeado por stress, frio, sol, outras doenças...este vírus reaparece, de uma forma bem mais branda (e muito chata), na forma do herpes labial. Em alguns casos, este reaparecimento é na pálpebra, nariz, pescoço.
Você certamente conhece alguém que tem herpes labial, senão você mesmo... É chato, coça e dói, esteticamente muito chato, tira o humor e...é transmissível.

Estas feridinhas são uma fonte de transmissão de herpes vírus tipo 1 (HS-1). 

Herpes simples labial

Portanto, pergunta respondida: herpes labial é contagioso. Bebês e crianças podem pegar - mas tem que haver contato direto ou indireto com a secreção da ferida. Não passa pelo ar. Mãos sujas, copos e objetos aonde exista esta secreção, beijos no rosto.
Se a criança ou adulto já teve infecção pelo HS-1 anteriormente e curou, não vai pegar novamente. Muitas vezes nem sabemos se tivemos, porque a doença pode ser assintomática.

Então sempre que alguém estiver com herpes labial e ao mesmo tempo contato com crianças, tem que tomar muito cuidado para não coçar a ferida e...deve viver com álcool gel no bolso. Copos e talheres devem ser bem lavados. Água de piscina não costuma passar herpes, nem vasos sanitários.
Na verdade, como o vírus não tem asas, o ideal é não tocar na ferida - porque assim a doença não tem qualquer risco de contágio.

As crianças com gengivo-estomatite herpética transmitem muito a doença, e devem ser afastadas do contato com outras crianças por 2 a 3 semanas.

E os portadores de herpes labial devem, assim que imaginarem que as feridas vão aparecer (coceira, formigamento...) iniciar as pomadas anti-virais - que são úteis quando passadas antes das primeiras 48 horas. Se iniciadas depois disso, não ajudam mais. Idem para os remédios por via oral.
Infelizmente ainda não existe tratamento definitivo (cura) para estas lesões recorrentes do herpes vírus tipo 1.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Natação para bebês menores de um ano - Postado por Jairo Len-

Mais um capítulo na novela de natação para bebês.
Se você ler meus posts sobre o assunto, vai lembrar que eu não sou muito fã desta modalidade olímpica para as crianças que ainda usam fraldas.
A natação virou um hit para os bebês porque é o único esporte que pode ser feito com eles.

Um estudo belga mostrou que a natação pode ser prejudicial para os bebês com menos de 12 meses.
Micheline Kirsch-Volders, autora do estudo, disse que "não há benefícios reais depois de serem medidos os riscos e as vantagens da natação para menores de 12 meses". De acordo com ela, os maiores inconvenientes são:
- crianças nesta faixa etária são mais vulneráveis a infecções, tem mucosas muito reativas e pulmões imaturos.
- a temperatura elevada da água das piscinas aumenta a proliferação de micro-organismos.
Acrescento:
- as piscinas muitas vezes recebem tratamentos químicos (cloro, ozônio, etc),
- estas piscinas são utilizadas por dezenas de crianças por dia que, apesar de usar fraldas próprias para piscina, evacuam e urinam nestas fraldas,
- nem todas as academias tem climatização em todos os ambientes (como vestiário, por exemplo)
- crianças que fazem natação desde cedo não tem menores índices de afogamento (ao contrário). São inúmeros fatores e viéses que compõe este dado estatístico, como o fato destas crianças temerem menos a água, terem piscina em casa, seus pais abaixarem a guarda, etc.

A pesquisadora indica que as vantagens que a piscina traria para os bebês mais jovens - tanto físicas quanto afetivas - podem ser obtidas com um simples banho.


segunda-feira, 5 de março de 2012

Crianças Especiais - Postado por Jairo Len

Nem todas as crianças tem a oportunidade de conviver (de perto) com crianças com necessidades especiais. Algumas escolas inclusivas promovem isso, e é excelente para todas as partes. Nos Estados Unidos, agora, pudemos ver e ter contato com muitas, crianças e adultos. Por lá, as condições de acessibilidade, de forma completa, permitem que todos tenham oportunidade de conviver, diminuindo as barreiras e dificuldades. Isso é muito bom para que possamos ir educando, criando os nosso filhos, tentando ensiná-los a como ver pessoas que, por qualquer motivo, não tem as mesmas condições físicas que eles.
Mas até para nós adultos fica um dúvida de como "realmente" se comportar diante das crianças com necessidades especiais e seus pais

De uma mãe super-atenta recebi um e-mail, e nele o link para o blog "lagartavirapupa - diário de uma mãe e seu garotinho autista". No post, a tradução de um texto, com inúmeros relatos de pais de crianças especiais, contando o lado deles. Como eles gostariam que fosse a abordagem a eles e seus filhos..

Muito interessante e educativo. Confira:

O que ensinar a seus filhos sobre crianças especiais?
Por Ellen Seidman, do blog “Love That Max
Eu cresci sem conhecer nenhuma outra criança com necessidades especiais além do Adam, um visitante frequente do resort ao qual nossas famílias iam todos os verões. Ele tinha deficiência cognitiva. As crianças zombavam dele. Fico envergonhada de admitir que eu zombei também; meus pais não faziam idéia. Eles eram pais maravilhosos, mas nunca pensaram em ter uma conversa comigo sobre crianças com necessidades especiais.
E, então, eu tive meu filho Max; ele teve um AVC no nascimento que levou à paralisia cerebral. De repente, eu tinha uma criança para quem outras crianças olhavam e cochichavam a respeito. E eu desejei tanto que seus pais falassem com elas sobre crianças com necessidades especiais.
Já que ninguém recebe um “manual de instruções da paternidade”, algumas vezes, pais e mães não sabem muito o que dizer. Eu entendo totalmente; se eu não tivesse um filho especial, eu também me sentiria meio perdida. Então, eu procurei mães de crianças com autismo, paralisia cerebral, síndrome de down e doenças genéticas para ouvir o que elas gostariam que os pais ensinassem a seus filhos sobre os nossos filhos. Considere como um guia, não a bíblia!

Pra começar, não tenha pena de mim
“Sim, algumas vezes, eu tenho um monte de coisas pra lidar — mas o que eu não tenho é uma tragédia. Meu filho é um menino brilhante, engraçado e incrível que me traz muita alegria e que me enlouquece às vezes. Você sabe, como qualquer criança. Se você tiver pena de mim, seu filho vai ter também. Aja como você agiria perto de qualquer outro pai ou mãe. Aja como você agiria perto de qualquer criança.”
Ellen Seidman, do blog “Love That Max”; mãe do Max, que tem paralisia cerebral


Ensine seus filhos a não sentir pena dos nossos
“Quando a Darsie vê crianças (e adultos!) olhando e encarando, ela fica incomodada. Minha filha não se sente mal por ser quem ela é. Ela não se importa com o aparelho em seu pé. Ela não tem autopiedade. Ela é uma ótima garota que ama tudo, de cavalos a livros. Ela é uma criança que quer ser tratada como qualquer outra criança—independente dela mancar. Nossa família celebra as diferenças ao invés de lamentá-las, então nós te convidamos a fazer o mesmo.”
Shannon Wells, do blog “Cerebral Palsy Baby”; mãe da Darsie, que tem paralisia cerebral


Use o que eles tem em comum
“Vai chegar uma hora em que o seu filhinho vai começar a te fazer perguntas sobre por que a cor de uma pessoa é aquela, ou por que aquele homem é tão grande, ou aquela moça é tão pequena. Quando você estiver explicando a ele que todas as pessoas são diferentes e que nós não somos todos feitos do mesmo jeito, mencione pessoas com deficiências também. Mas tenha o cuidado de falar sobre as similaridades também—que uma criança na cadeira de rodas também gosta de ouvir música, e ver TV, e de se divertir, e de fazer amigos. Ensine aos seus filhos que as crianças com deficiências são mais parecidas com eles do que são diferentes.”
Michelle, do blog “Big Blueberry Eyes”; mãe da Kayla, que tem Síndrome de Down


Ensine as crianças a entender que há várias formas de se expressar
“Meu filho Benjamin faz barulhos altos e bem agudos quando ele está animado. Algumas vezes, ele pula pra cima e pra baixo e sacode os braços também. Diga aos seus filhos que a razão pela qual crianças autistas ou com outras necessidades especiais fazem isso é porque elas tem dificuldades pra falar, e é assim que elas se expressam quando estão felizes, frustradas ou, algumas vezes, até mesmo por alguma coisa que estão sentindo em seus corpos. Quando Benjamim faz barulhos, isso pode chamar a atenção, especialmente se estamos em um restaurante ou cinema. Então, é importante saber que ele não pode, sempre, evitar isso. E que isso é, normalmente, um sinal de que ele está se divertindo.”
Jana Banin, do blog “I Hate Your Kids (And Other Things Autism Parents Won’t Say Out Loud)”; mãe de Benjamin, que é autista


Saiba que fazer amizade com uma criança especial é bom para as duas crianças
“Em 2000, quando meu filho foi diagnosticado com autismo, eu tive muita dificuldade em arrumar amiguinhos para brincar com ele. Vários pais se assustaram, a maior parte por medo e desconhecimento. Fiquei sabendo que uma mãe tinha medo do autismo do meu filho ser “contagioso”. Ui. Treze anos mais tarde, sou tão abençoada por ter por perto várias famílias que acolheram meu filho de uma forma que foi tão benéfica para o seu desenvolvimento social. Fico arrepiada de pensar nisso. A melhor coisa que já ouvi de uma mãe foi o quanto a amizade com o meu filho foi importante para o filho dela! Que a sua proximidade com o RJ fez dele uma pessoa melhor! Foi uma coisa tão bonita de se dizer. Quando tivemos o diagnóstico, ouvimos que ele nunca teria amigos. Os amigos que ele tem, agora, adorariam discordar. Foram os pais deles que facilitaram essa amizade e, por isso, serei eternamente grata.”
Holly Robinson Peete, fundadora (com o marido Rodney Peete) da Hollyrod Roundation; mãe do RJ, que é autista (é ele, na foto abaixo, com sua irmã Ryan)


Encoraje seu filho a dizer “oi”
“Se você pegar seu filho olhando pro meu, não fique chateada — você só deve se preocupar se ele estiver sendo rude, mas crianças costumar reparar umas nas outras. Sim, apontar, obviamente, não é super educado, e se seu filho apontar para uma criança com necessidades especiais, você deve dizer a ele que isso é indelicado. Mas quando você vir seu filho olhando para o meu, diga a ele que a melhor coisa a fazer é sorrir pra ele ou dizer “oi”. Se você quiser ir mais fundo no assunto, diga a ele que crianças com necessidades especiais nem sempre respondem da forma como a gente espera, mas, ainda assim, é importante tratá-las como tratamos as outras pessoas.”
Katy Monot, do blog “Bird On The Street”; mãe do Charlie, que tem paralisia cerebral.


Encoraje as crianças a continuar falando
“As crianças sempre se perguntam se o Norrin pode falar, especialmente quando ele faz seu “barulhinho alto corriqueiro”. Explique ao seu filho que é normal se aproximar de outra criança que soa um pouco diferente. Algumas crianças podem não conseguir responder tão rápido, mas isso não significa que elas não tem nada a dizer. Peça ao seu filho para pensar no seu filme favorito, lugar ou livro—há grandes chances da outra criança gostar disso também. E a única forma dele descobrir isso é perguntando, da mesma forma que faria com qualquer outra criança.”
Lisa Quinones-Fontanez, do blog “Autism Wonderland”; mãe do Norrin, que é autista


Dê explicações simples
“Algumas vezes, eu penso que nós, pais, tendemos a complicar as coisas. Usando alguma coisa que seus filhos já conhecem, algo que faça sentido pra eles, você faz com que a “necessidade especial” se torne algo pessoal e fácil de entender. Eu captei isso uns anos atrás, quando meu priminho me perguntou “por que o William se comunicava de forma tão diferente dele e de seus irmãos”. Quando eu respondi que ele simplesmente nasceu assim, a resposta dele pegou no ponto: “Ah, assim como eu nasci com alergias”. Ele sabia como era viver com algo que se tem e gerenciar isso para viver diariamente. Se eu tivesse dito a ele que os músculos da boca de William tem dificuldade em formar palavras, o conceito teria se perdido na cabeça dele. Mas alergia fazia sentido pra ele. Simplicidade é a chave.”
Kimberly Easterling, do blog “Driving With No Hands”; mãe do William e da Mary, ambos com Síndrome de Down


Ensine respeito às crianças com seus próprios atos
“Crianças aprendem mais com suas ações que com suas palavras. Diga “oi” para a minha filha. Não tenha medo ou fique nervosa perto dela. Nós realmente não somos tão diferentes de vocês. Trate minha filha como trataria qualquer outra criança (e ganhe um bônus se fizer um comentário sobre o lindo cabelo dela!). Se tiver uma pergunta, faça. Fale para o seu filho sobre como todo mundo é bom em coisas diferentes, e como todo mundo tem dificuldades a trabalhar. Se todo o resto falhar, cite a frase do irmão de Addison: “bem, todo mundo é diferente!”.”
Debbie Smith, do blog “Finding Normal”; mãe de Addison, que tem Trissomia 9


Ajude as crianças a ver que, mesmo crianças que não falam, entendem
“Nós estávamos andando pelo playground e a coleguinha da minha filha não parava de encarar o meu filho, que é autista e tem paralisia cerebral. Minha filha chamou a atenção da colega rapidinho: “Você pode dizer “oi” pro meu irmão, você sabe. Só porque ele não fala, não significa que ele não ouve você”. Jack não costuma falar muito, mas ele ouve tudo ao redor dele. Ensine aos seus filhos que eles devem sempre assumir que crianças especiais entendem o que está sendo dito, mesmo sem poderem falar. É por isso que eles não vão dizer “o que ele tem de errado?”, mas poderão até dizer “Como vai?”.”
Jennifer Byde Myers, dos blogs “Into The Woods” e “The Thinking Person’s Guide To Autism”; mãe do Jack, que tem autismo e paralisia cerebral.


Inicie uma conversa
“Nós estávamos no children’s museum e um garotinho não parava de olhar para Charlie com seu andandor, e a mãe dele sussurrou em seu ouvido para não encarar porque isso era indelicado. Ao invés disso, eu adoraria que ela tivesse dito “esse é um andador muito interessante, você gostaria de perguntar ao garotinho e à sua mãe mais a respeito dele?”.”
Sarah Myers, do blog “Sarah & Joe (And Charlie Too!)”; mom do Charlie, que tem paralisia cerebral


Não se preocupe com o constrangimento
“Vamos combinar de não entrar em pânico caso seu filho diga algo embaraçoso. Você sabe, tipo se nós estivermos na fila do Starbucks e o seu filho olhar para a Maya e pra mim e disser algo como “Eca! Por que ela está babando?” ou “Você é mais gorda que a minha mãe”. Embora esses não sejam exemplos ideais de início de conversa, eles mostram que o seu filho está interessado e curioso o suficiente para fazer contato e perguntar. Por favor, não gagueje um “mil desculpas” e arraste seu filho pra longe. Vá em frente e diga baixinho o pedido de desculpas, se você precisar, mas deixe-me aproveitar a oportunidade: vou explicar a parte da baba e apresentar Maya e contar da paixão dela por crocodilos, e você pode ser a coadjuvante no processo, dizendo “lembra quando nós vimos crocodilos no zoológico?” ou coisa parecida. Quando chegarmos ao caixa, o constrangimento vai ter passado, Maya terá curtido conhecer alguém novo, e eu terei esperanças de que seu filho conseguiu ver Maya como uma criança divertida, ao invés de uma “criança que baba”. (E eu irei simplesmente fingir que não ouvi a parte do “mais gorda que a minha mãe”).”
Dana Nieder, do blog “Uncommon Sense”; mãe da Maya, que tem uma síndrome genética não diagnosticada


Gostou? Segue o link para o texto original em inglês: http://blogs.babble.com/babble-voices/ellen-seidman-1000-perplexing-things-about-parenthood/2012/02/29/what-to-teach-your-children-about-kids-with-special-needs/