segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Jantares contra as drogas - Postado por Jairo Len

Um relatório do The National Center on Addiction and Substance Abuse, nos Estados Unidos, mostra que o hábito dos pais de jantar com os filhos adolescentes reduz de forma importante o uso de diversos tipos de substâncias, como maconha, álcool e tabaco. Idealmente deve-se jantar junto pelo menos cinco vezes por semana.
Nas estatísticas norte-americanas, o índice de redução de abuso foi:
- Maconha: diminuiu 2,5 vezes
- Tabaco: diminuiu 4 vezes
- Álcool: 2 vezes menos
E ainda diminui em quatro vezes a idéia de usar drogas no futuro.

Mais interessante que o próprio artigo, a meu ver, é essa característica norte-americana de conseguir estatísticas para tudo - e sempre com alguma intenção a favor da saúde: para se ter uma idéia rápida da complexidade deste estudo sobre jantares em família, segue o link (em pdf, o resumo): The Importance of Family Dinners

É importante, mais do que você pensa...

domingo, 18 de setembro de 2011

Uso de maconha e câncer de testículo - Postado por Jairo Len

Muitas vezes procuro postar aqui no blog informações que possam servir de argumentos em uma discussão destes assuntos que, às vezes, parecem sem fim.
Já me vi conversando com gente tentando que convencer que o uso regular de maconha não faz mal nenhum, que é melhor do que cigarro, etc..
Um estudo recente mostrou que de cada 100 homens com câncer de testículo atendidos no ICESP (Instituto do Câncer de São Paulo), 25 são usuários regulares de maconha. Na população geral o número de usuários regulares de maconha é de 3%.
Ou seja, o uso de maconha regularmente aumentou muito o risco de desenvolver o seminoma, câncer mais freqüente nos testículos.
Acredita-se que a Cannabis sativa atua no sistema hormonal de forma importante, com alterações nos hormônios cerebrais reguladores de todo o sistema reprodutor.

Portanto, mais um efeito adverso da droga.
Particularmente sou contra a legalização da maconha e de quaisquer outras drogas, e vejo neste estudo mais um argumento importante.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Bob Esponja faz mal?- Postado por Jairo Len

O estudo não é dos mais amplos, mas confirma o que eu já imaginava: crianças abaixo dos 4 anos podem apresentar problemas de concentração e aprendizado após assistirem 10 minutos de Bob Esponja... Foram avaliadas 60 crianças, por pesquisadores da Universidade de Seattle. O artigo é tema de editorial do Pediatrics, a revista mais importante em pediatria no mundo.

Para não dizer que é cisma com este desenho animado chatísimo (que já assistiu sabe do que estou falando), seguem as palavras do porta-voz da Nicklodeon, David Bittler, ao contestar o estudo:
"Bob Esponja é destinado a crianças de 6 a 11 anos."

Não foram avaliadas crianças desta faixa etária para saber se dois anos depois Bob Esponja não é mais prejudicial.
Mesmo sem movimento e barulho, é esquisito...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Reflexões da Maternidade - Postado por Jairo Len

Livre-arbítrio.
Pelo Aulete: "Capacidade e poder de decidir livremente, sem coação..."
Pelo Houaiss: "Poder de decisão livre, sem constrangimento ou coação exterior"
Sempre fui e sou a favor desta filosofia, principalmente para pessoas crescidas. Exprimo sempre o que penso aqui no blog.

Recebi ontem um e-mail de uma mãe, com um link, bem interessante. Um filme de pouco mais de três minutos, bem rápido e marcante.
Opiniões de mães sobre a maternidade, sobre seus sentimentos, sobre ser mãe, sobre o que diriam para si mesmas se voltassem no tempo, antes de ter o primeiro filho.
Em cartazes, para nenhum chato retrucar e dizer: "eu não concordo"...

Assista: Reflections of Motherhood

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Parece milagre? Cuidado - Postado por Jairo Len

Coisas que só acontecem no Brasil (e congêneres em IDH)...
O Victoza (liraglutida) é um medicamento injetável, indicado para tratamento e controle do diabetes tipo 2. Já vinha sendo usado, aqui no Brasil, como medicamento para emagrecimento, mesmo em pessoas sem diabetes tipo 2.
Não bastasse, a revista Veja, num arroubo de "Dieta Já", "Corpo", "M de mulher", publica uma reportagem de capa enaltecendo os milagres que o Victoza pode fazer. "Praticamente sem efeitos colaterais".

Não vou fazer comentários a respeito da ética da revista... Quem conhece a Veja imagina que foi só um surto esquizofrênico, que trocaram as matérias com alguma outra revista da editora.

O importante é que as pessoas tenham muito critério em usar a liraglutida. Principalmente os médicos que estão prescrevendo para qualquer obeso.
Nos anos 70-80, o hit para emagrecer era o Triac, um análogo do hormônio tiroideano. Milhares de pessoas usaram, emagreceram, e viram suas tiróides parar de funcionar anos depois. Ah!! Engordaram bastante, de novo.

O raciocínio é básico: um medicamento injetável que serve para tratar diabetes e emagrece alguém que não está de regime deve ser bastante potente e alterar bastante todo o metabolismo endocrinológico. Parar de usá-lo após alguns meses deve trazer alguma reação... Engordar de novo? Ter o metabolismo da glicose alterado? Alterações na produção de insulina? Diabetes tipo 2?
O Victoza não tem seu uso aprovado em nenhum lugar do mundo para emagrecer não-portadores de diabetes. Aqui no Brasil, a exemplo de outros medicamentos, foi só chegar e ser vendido à toa, sem qualquer indicação, e ser usado por quem queira...

A meu ver:
- a ANVISA deveria ser muito rigorosa, mantendo sua prescrição exclusiva aos endocrinologistas, e com controle estreito (receita B2)
- os médicos que estão prescrevendo para "qualquer um", devem lembrar que são médicos. Usar um medicamento potente sem indicação é imperícia e imprudência.
- O Conselho Federal de Medicina deveria orientar estes médicos e também fiscalizá-los,
- os obesos que estão usando o medicamento, pensar no futuro e imaginar que em obesidade "there's no free lunch"...
Para quem não viu, a capa da Veja, num arroubo de revista de 2ª linha

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Partos induzidos - Postado por Jairo Len

Mais um estudo da OMS mostra como os riscos aumentam em se fazer um parto induzido, sem que haja necessidade. Neste estudo, realizado em quase 38 mil partos na América Latina, focou-se nos partos induzidos por solicitação da própria gestante, o que ocorreu em 5% dos casos. Ou seja, a grávida chegou para o obstetra e disse que "está na hora". Sem contrações, sem indicação obstétrica. E o médico fez a indução.
Nestes 2 mil partos, houve claramente maior risco de necessidade de anestesia de urgência, três vezes mais risco da mãe ir para a UTI e risco de cinco vezes mais da realização de histerectomia pós-parto.
Para os recém-nascidos, não houve aumento de riscos, de um modo geral, mas houve 22% de lactação retardada, por inúmeros fatores.
Há enormes viéses nestes dados - e para mim o primeiro deles é a qualidade do obstetra, inicialmente não tendo nem capacidade de convencer sua paciente que "este" não é o momento certo para o parto.
Obviamente, a recomendação da OMS é que indução de parto seja feita somente em casos justificados por razões médicas.

Muitas Cesáreas

Lá na Clínica o índice de partos cesáreas, dos recém-nascidos que chegam a mim, é de 80%.
Só 20% são partos naturais. Os motivos das cesáreas são os mais varáveis possíveis...

O que costumo dizer é que, independente da via de saída, existe o momento certo para se nascer. Salvo indicação obstétrica, as mulheres deveriam, todas, entrar em trabalho de parto - sinal que o bebê precisa e está pronto para nascer.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Poliomielite pós-vacinal - Postado por Jairo Len

Eu sempre falo no assunto...
Vacina contra poliomielite, ao menos nas primeiras doses, tem que ser inativada (a intramuscular, IPV - Vacina Inativada contra Poliomielite).
"E a do Posto, não é boa?" . Não, não e não.

Notícia que leio há pouco:
Criança de 1 ano está com suspeita de paralisia pós-vacinal em MG (link: Folha.com).


A vacina que é aplicada por via oral nos menos favorecidos economicamente, aqui no Brasil (aqueles que infelizmente não podem pagar pela cara vacina Hexavalente) é composta por vírus vivos e atenuados de poliomielite. Estes vírus vivos, de forma muito rara, podem causar a doença - Paralisia Infantil - nos bebês que a recebem (a famosa gotinha Sabin).
Só existe essa possibilidade nas duas ou três primeiras doses - depois disso, nos reforços, não há mais risco. Trinta e seis países do mundo já aboliram a vacina Sabin dos calendários e campanhas de vacinação, com medo deste efeito adverso raro e importante.

No Brasil, há planos futuros para abolir a Sabin, usando só a IPV. Não se sabe exatamente quando. Segundo o nosso ministério da saúde, entre 1989 e 2003 foram registrados 40 casos confirmados de poliomielite associados à vacina oral.
Coitada de Sidnéia Teixeira, mãe do menino mineiro, que com 1 ano e 4 meses ainda não consegue ficar de pé. Imagina o apoio que ela está tendo?

Dinheiro público não falta, não há necessidade de CPMF, basta desviar um pouco da roubalheira petista-peemedebista que a gente lê nos jornais diariamente. Com o valor de um mega-apartamento nos jardins, aqui em SP, por exemplo, você vacina centenas de milhares de crianças. Com o valor do cadastro-fantasma de torcedores, farra promovida pelo ministério dos esportes, idem (não leu? leia aqui).

Salve-se quem puder.