terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Afeto x Tamanho do Cérebro - Postado por Jairo Len

Não bastasse o estudo do meu post passado mostrar que amor materno previne doenças, pesquisadores da Universidade Washington de Saint Louis, nos EUA, revelaram em um estudo que as crianças que recebem mais afeto na infância tem área cerebral funcional mais desenvolvida - o hipocampo chega a ser 10% maior.
Para este estudo, os especialistas analisaram imagens cerebrais de crianças com idades entre 7 e 10 anos que, quando tinham entre 3 e 6 anos, foram observados em interação com algum de seus pais, quase sempre com a mãe.
"Ter um hipocampo quase 10% maior é uma evidência concreta do poderoso efeito da criação", ressalta Joan Luby, pesquisador responsável pelo estudo.
Inúmeros estudos já mostraram a importância dos fatores afetivos no desenvolvimento futuro, rendimento escolar e profissional e todo o resto da vida de uma pessoa...mas este é o primeiro que mostra alterações estruturais e físicas no tamanho do cérebro.

É uma pena que "dar" amor e afeto aos filhos não é algo que se compra no mercado. Depende de inúmeros fatores sociais e econômicos - ainda que alguns possam se esforçar para melhorar um pouco isso. Mas é bem mais fácil dar amor e afeto com boas condições de moradia, quando não falta comida, tendo momentos de lazer e viagens com a família, tempo livre... Simples...
Mas fica mais uma lição da importância do afeto.

Um breve comentário em relação à matéria da última Veja, que mostra que a criança, até os 8 anos de idade, "só deve ser elogiada" - nenhuma outra forma de educação funciona...
Discordo em gênero, número e grau.
Elogiar é extremamente importante, todos sabem disso. É a base da auto-estima, principalmente quando a criança é reconhecido por ter feito o que (nos parece) certo. Talvez as imagens de ressonância magnética mostrem só os "elogios", como diz o estudo, e que a criança "esquece" todo o resto... Mas certamente as críticas (evidentemente feitas de forma certa e construtiva) não entraram-por-um-ouvido-e-saíram-pelo-outro. Tiveram alguma função no duro papel de criar filhos.
Educar e preparar filhos para o futuro vai muito além de "só elogios"...
É preciso mostrar aos filhos quando estão sendo injustos, fazendo o que não devem, indo para o lado errado, desrespeitando, invadindo o espaço alheio... Vivemos numa sociedade gregária. Quem é contra deve procurar um local bem isolado para viver...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Amor Materno X Prevenção de Doenças - Postado por Jairo Len

Daqueles estudos que todos sabemos os resultados, mas muito interessante: pesquisadores da Universidade de Brandeis, em Massachusetts (EUA) avaliaram mais de mil adultos, por 10 anos,  para relacionar infância marcada pelo amor materno versus doenças crônicas na meia idade.
Resultado: independentemente da classe social e condições socio-econômicas, aquelas crianças que cresceram repletas de amor materno, carinho e atenção tem menores chances de desenvolver doenças crônicas no futuro.
O amor maternal durante a infância funciona como um "escudo" de proteção contra doenças a longo prazo.
Avaliando o estudo, uma constatação evidente e triste: quanto piores as condições socio-econômicas, maior o índice de doenças cardíacas e metabólicas na meia idade, mostrando que as crianças de áreas mais pobres estão sujeitas ao stress desde cedo, o que aumenta a chance destes problemas, como diabetes e hipertensão.
Ainda que, mesmo neste grupo, crianças com maior afetividade por parte dos pais são menos doentes no futuro.
Como imortalizaram os Beatles, all you need is love. Desde muito cedo.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Meningites Bacterianas e Vacinas - Postado por Jairo Len

Atualmente já temos como proteger crianças e adultos contra a maioria das meningites bacterianas. As crianças (menos aquelas cujos pais e pediatras antroposóficos/homeopatas são contra vacinas) estão protegidas desde muito cedo.

A partir dos 2 meses de vida inicia-se proteção contra:
- Meningite por Hemófilus B
- Meningite por Meningococo C (o mais importante meningococo no Brasil)
- Meningites por 13 tipos de Pneumococos
Com 10 anos de vida, indica-se a vacina contra os Meningococos A, C, W e Y.

Com estas vacinas, o risco de meningite bacteriana é muito baixo.
Infelizmente ainda não existe vacina eficaz contra o Meningococo B - causa importante da doença em nosso meio. Por isso nunca "abaixamos a guarda" quando se suspeita de meningite e a doença continua a ser exaustivamente pesquisada, até ser afastada.

Com grande frequência vemos casos de Meningite Viral, causadas por vários vírus. O quadro clínico é clássico, com vômitos, febre, dor de cabeça e mal estado geral. Porém são meningites benignas, que não levam a sequelas ou risco de morte. Mas o diagnóstico de meningite viral tem que ser feito e diferenciado das bacterianas, por isso sempre se indica a coleta do líquor, a única forma de se diagnosticar exatamente a causa. Contra as meningites virais não existem vacinas.

Adultos devem ser vacinados contra meningite, também. Recomendo a vacina tetravalente contra os Meningococos A, C, W, Y (no Brasil dispomos da Menveo, da Novartis). Dose única, super segura e eficaz. Hemófilus e Pneumococos não são causa de meningite em adultos imunocompetentes.

Quanto às crianças cujos pais (muitas vezes orientados por pediatras insanos) resolvem não vaciná-las, acho um problema seriíssimo. Vira e mexe atendo um bebê ou criança maior que não recebeu estas vacinas, por indicação do pediatra - geralmente antroposófico - e com os pais cultos, informados e PhDs assinando em baixo a achando super-razoável esta conduta. Trágico, mais ainda para quem não tem direito de escolha. Para estes pais, diálogo franco e estatísticas em geral são suficientes para convencê-los da importância de vacinar seus filhos.



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Fones de ouvido e acidentes - Postado por Jairo Len

O número de acidentes graves com pedestres que andam com fones de ouvido (para iPod, iPhone, MP3, entre outros) triplicou em seis anos, de acordo com estudo feito nos EUA e publicado na revista Injury Prevention, do grupo British Medical Journals.
Evidentemente as vítimas são adolescentes e adultos jovens, usuários deste modo de auto-alienação cada vez mais frequente - e agora com modelos cada vez maiores. Nada contra, juro. O que me incomoda é sentar na frente de pessoas que não tiram o fone dos ouvidos, mesmo estando em uma consulta médica, aonde ele (o adolescente) é o motivo da conversa.
Nas ruas, cada um tem direito de andar e fazer o que quer - justamente porque estes fones de ouvido não incomodam ninguém. Mas é importantíssimo você orientar seus filhos e conhecidos que esta prática aumenta muito o risco de sofrer acidentes - por conta da distração que a música causa e pela incapacidade de ouvir sons externos, como buzinas e freiadas.
A equipe do Dr. Richard Lichenstein, autor do estudo, afirmou que escutar música alta com fones também reduz as fontes cerebrais que captam os estímulos externos, reduzindo a atenção visual a tal ponto que as pessoas ficam cegas ao que se passa no entorno.
Concordo que é bem mais agradável andar em uma grande avenida ouvindo sua música preferida, e não o acelerar de ônibus e a buzininha (irritante) dos motoboys...mas é bom estar atento a estes números.
O estudo não avaliou a relação do uso de celulares (por pedestres) e acidentes, algo que também deve ser considerado.
No Brasil, cerca de 7 mil pessoas morrem anualmente por atropelamento.

Oi?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Segurança dos filhos na internet - Postado por Jairo Len

A internet trouxe a liberdade que muitos sentiam falta devido à insegurança das grandes cidades. Na frente do computador você passeia pelo mundo todo, conhece pessoas, faz amigos e conversa com os velhos amigos.
É sabido e falado que nós, pais, temos que controlar o que os filhos fazem e visitam na internet. A maioria dos pais de pacientes, quando conversamos sobre o assunto, se mostra preocupado mas confessa que não faz um controle "eficaz". E este controle é importante em todas as idades. Dos 5 aos 10 anos, principalmente pelo conteúdo visitado. Entre os 10 e 18 anos, além do conteúdo visitado, as redes sociais e o rastro deixado pelos filhos na internet.
Existem inúmeras publicações sobre como melhorar um pouco esta segurança, ultimamente andei lendo um pouco dos conselhos, até porque a informática evolui bem mais rápido que a medicina. Se temos que estudar medicina diariamente, a informática não fica atrás.

Existem inúmeros programas e ferramentas de controle de acesso. Na Clínica e em casa eu uso um chamado InterApp Control. Com este programa você pode bloquear quaisquer tipos de sites e ações. Como por exemplo downloads, sites de conteúdo sexual, qualquer uma das redes sociais, upload de fotos, msn, mudanças de configuração do próprio computador, instalação de novos programas, etc. Além de ter um registro de todas as ações do computador. A cada clique, são feitas fotografias das páginas, à sua disposição. Parece neurose... Não acho que ninguém deva fazer isso rotineiramente - vai ficar louco... Mas assim como filmagens de câmeras de segurança, com este programa você pode saber tudo o que se passou no computador. Vai saber... Li na internet uma história simples: filho de 7 anos fazendo buscas escolares sobre a Grécia. Numa das páginas, a palavra "bustos". Clicou, link para o Google. Imaginou?
Destas centenas de ferramentas de controle, muitas estão inclusas nos antivírus (Norton, McAfee, Avast...)

Recomenda-se o óbvio: fique amigo do seu filho em todas as redes sociais que ele participa: msn, facebook, orkut (dureza...), linkedin, twitter. Mesmo a contra gosto. Afinal, na vida real você tenta saber quem são os amigos, os pais de amigos, aonde moram, o que fazem. Na rede não deve ser muito diferente.
Converse com os adolescentes sobre isso, assim como conversa sobre as formas normais de amizade e atividades que eles fazem.

De vez em quando, dê um Google no nome dos seus filhos, principalmente os maiores. Veja as imagens linkadas, os links em que seus filhos aparecem.

Para os menores (5 a 10 anos) existem buscadores infantis, como o Zuggi (www.zuggi.com.br). É uma espécie de Google, mas com filtros automáticos e resultados, em geral, voltados às necessidades das crianças - como pesquisas escolares, joguinhos, desenhos...
Para esta faixa etária, prefira computadores em áreas "comuns" da casa, aonde transitem e circulem adultos. Cuidado com tablets (iPad), aonde existe menor chance de ferramentas de controle.

Utilize programas antivírus e faça escaneamentos com frequência. Atente-se a isso. A maioria das pessoas não fica em cima do antivírus, deixa ele trabalhar sozinho.

Regras existem em todos os planos da nossa vida moderna, e os filhos devem aprender que o uso de computadores tem regras e limites, que se descumpridos devem levar a alguma consequência. Quem sabe é a oportunidade de ensinarmos as coisas desde cedo...afinal um bebê de 1 ano já sabe desbloquear um iPad com movimento de slide e muita vezes colocar a senha.
Aproveite. O século 21 chegou há mais de 10 anos.

Olha a nova amiguinha dela...






terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dor abdominal por exercício - Postado por Jairo Len

O post vale para todos - por curiosidade - mas quem faz exercícios com frequência (principalmente corrida) sabe do que estou falando: após alguns minutos de corrida você começa a sentir uma dor forte, em pontadas, abaixo das costelas, que te obriga a parar a atividade. Com alguns minutos de repouso e respiração regrada, a dor melhora.
Esta é a Dor Lateral Abdominal Transitória do Exercício (em inglês ETAP - Related Transient Abdominal Pain).
Há inúmeras teorias sobre o causa: respirar pela boca, cãimbra no diafragma, estresse dos ligamentos peritoneais, estase venosa na circulação abdominal, dor no próprio peritôneo por fricção (membrana que recobre o intestino), etc.
Enfim, ninguém sabe exatamente a causa, mas por senso comum se atribui ao músculo diafragma, com participação do peritôneo e seus ligamentos.
Como não ter esta dor?
O ideal, obviamente, é que um treinador oriente o modo de diminuir os episódios da ETAP, o que inclui: progressão leve no ritmo de treino, exercícios respiratórios, alongamentos (destas estruturas envolvidas), adequada ingestão de líquidos antes do esporte (excesso de líquido ou desidratação estão relacionados à dor) e dieta leve.
O importante saber é que esta dor abdominal, apesar de forte, não traz qualquer risco ou consequência posterior.
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Suplementos Alimentares - Postado por Jairo Len

É crescente a procura de meninos adolescentes pelos suplementos alimentares.
Acho que as meninas tem um gene de imunidade à essa forma de jogar dinheiro no lixo, mas as pós adolescentes (lá pelos 30 anos) começam a pensar nisso...
Habitualmente sugeridos pelos professores de academia e personal trainers, os suplementos são um mercado caro e milionário, prometendo aumento de músculos e melhoria no condicionamento físico em curto prazo.
Os suplementos alimentares são formulações em pó ou cápsulas contendo ingredientes como vitaminas (A, C, B), minerais, ervas e botânicos (ginseng, guaraná em pó), aminoácidos (BCAA, arginina, ornitina, glutamina), metabólitos (creatina, L-carnitina), extratos (levedura de cerveja) ou combinações dos ingredientes acima...

Existe uma indicação precisa para estes suplementos: atletas de alta performance, com alto nível de treinamento. O uso de suplementos se justifica pelo grande desgaste metabólico a que são submetidos esses atletas, como treinamentos em vários períodos do dia, por longas horas. Triatletas profissionais, por exemplo, gastam excessivamente calorias, proteína, energia e é impossível se alimentar "tanto" - até porque nem o estômago aguentaria.
Para quem não gasta tanta energia assim...os suplementos podem trazer sobrecarga renal e hepática e acúmulo de gordura - uma vez que o excedente vai ser filtrado pelos rins e fígado ou guardado na forma de tecido adiposo.
Além disso, em pesquisa no Reino Unido, encontraram 20% de suplementos com pitadas de hormônios anabolizantes.

Portanto, aquele adolescente (16 anos, 1,80 de altura e 61 kg) não vai ficar com o corpo de um nadador olímpico por usar colheradas de creatina várias vezes ao dia - nem por usar colostro de leite de búfala ou metabótitos de hormônio de crescimento. Fazer esportes com regularidade, se alimentar bem e caso possível, dormir também - são os fatores que com o  tempo vão trazer o desejado corpo perfeito (aliás, exclusividade de pouquíssimos terráqueos)...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Distúrbios do Sono - Postado por Jairo Len

Começo o ano postando sobre o sono das crianças - ou melhor - a insônia, problema que atinge cerca de 10% das crianças, conforme dados da literatura norte-americana.
Por aqui acho que a frequência de distúrbios de sono maior, ainda mais se avaliarmos objetivamente o problema - não somente as queixas dos pais. Porque, para muitos pais, crianças acordando 2 ou 3 vezes à noite não é um problema.
Um estudo publicado no Pediatrics deste mês, chamado "Prevalence, Patterns, and Persistence os Sleep Problems in the First 3 Years of Life" mostra a necessidade de um maior pragmatismo na abordagem deste problema. Pelo menos para os norte-americanos, pragmáticos em tudo.
O que concluem é que os bebês que não dormem bem nos primeiros 3 anos de vida tem chances de se tornarem crianças que não dormem bem e isto vai trazer problemas na esfera cognitiva e física.
Não acho que seja uma novidade... Mas é interessante como nos EUA eles colocam os problemas no papel, provam que existe.

Nesta publicação do Pediatrics, o importante para mim é mostrar aquilo que eu sempre falo para os pais: é fundamental para as crianças aprenderem a dormir desde cedo, fazendo uma rotina desde os primeiros meses de vida. Muitos entram no bom ritmo de sono de forma bem natural (desde que os pais queiram e ajudem), mas muitos outros não. Depende da ajuda mais ativa dos pais.

Aí começam os problemas. Qual é o método ideal?
De canadenses malucos que acham que os bebês devem dormir entre os pais, na cama deles - até o método "nana, nenê", do neurofisiologista espanhol Edward Estivill - cada um deve achar a solução para os seus filhos. Eu particularmente gosto desde último, o "nana, nenê". É claro que o método serve mais como uma base de condutas adequadas, e cada um pode individualizar o que vai fazer em casa.
Tracy Hogg, a encantadora de bebês, também tem seu método, meio termo.

O que coloco para os pais é que dormir bem é possível, sempre. O velho papo da rotina, do ambiente calmo após 18h00, das mamadas com horários programados, rituais para dormir...é super importante e funciona muito bem - desde que feito desde cedo, desde que o bebê chega em casa da maternidade.
Os casos mais difíceis (crianças mais velhas) eu chego até a encaminhar a uma psicóloga especializada em sono infantil, que, de forma pontual, acerta os ponteiros para que as crianças durmam bem.

Resumindo: dormir bem é fundamental e nossos filhos merecem isso.