quinta-feira, 30 de julho de 2015

Umidificadores - devemos usar? - Postado por Jairo Len

O tempo seco chegou. Ainda que neste ano ainda não tivemos uma baixa umidade do ar constante, me parece que nestas semanas que vem pela frente sofreremos com isso.

Uma pergunta frequente na Clínica:
- Devemos usar diariamente umidificador de ar?
Resposta simples: NÃO.

A meu ver, só as crianças que tenham sintomas respiratórios devem usar umidificadores de ar diariamente. Seja por alguma doença respiratória aguda, uma tosse crônica ou mesmo uma sensibilidade à baixa umidade relativa do ar.
Os que estão bem ou não sofrem quando o ar seca, vida normal...


Quando a umidade do ar está abaixo dos 30%, alguns cuidados sempre devem ser tomados, como evitar exercícios entre 10h00 e 18h00, ter sempre água (para beber) à disposição...não ficar adiando a sede... Mas não é obrigatório, para todos, aumentar a umidade do ar.

Para as crianças e adultos que tem sintomas respiratórios devido ao ar seco, que incluem rinite, congestão, sangramento nasal, tosse seca ou produtiva, broncoespasmo (bronquite ou asma), um umidificador de ar deve ser usado. Resolve a maioria dos problemas.

O uso de bacia de água no quarto não ajuda em nada. Toalhas úmidas espalhadas pelo quarto podem até ajudar, mas realmente se for absolutamente impraticável adquirir um umidificador.

Quanto ao tipo de umidificador, existem dezenas, para todos gostos e bolsos.
Em geral são aparelhos que não tem uma durabilidade muito grande, inclusive por estarem sempre molhados, o que desgasta muito. Não julgo que valha investir demais.

Para quem não quer se preocupar em umidificar demais o ambiente, hoje já temos modelos que "medem" a umidade relativa do ar e ligam/desligam automaticamente. Por exemplo, você regula que quer manter o quarto a 50% de umidade, e o umidificador faz isso sozinho.

Aliás, 50-60% é uma umidade relativa do ar bem adequada para manter.

Só não vale usar bacia com água...!


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Meningite B - vacina em falta - Postado por Jairo Len

Surpreendentemente, dois meses após lançamento nacional e recomendação de utilização pela Sociedade Brasileira de Imunizações, a vacina contra meningite B (Bexsero, fabricada pela Novartis/GSK) já está em falta. 
De acordo com a Novartis, em carta enviada aos médicos, o problema foi o excesso de demanda. Não acredito nessa versão, não no Brasil. Talvez haja interesse da Novartis/GSK em direcionar para outro canto do planeta, mas no Brasil não houve exagero de demanda a R$ 500,00 a dose, nas férias de julho, a ponto de não haver qualquer previsão para nova distribuição.

Não há, portanto, previsão de data para chegada de novos lotes. Pequenos atrasos em distribuição de vacinas sempre existem, mas sem previsão nenhuma, é raro. Um distribuidor de vacinas me falou de "novembro"... Espero que esteja errado na previsão.

Enfim... A própria Novartis, na carta, recomenda que as poucas doses remanescentes devem ser direcionadas aos reforços dos que já receberam a primeira dose. 
Se não houver doses para reforços, não há grande problema, pois não há data máxima para a segunda e terceira doses. 

A mesma decepção tivemos com a Novartis/GSK quando foi lançada a Menveo, contra as meningites meningocócicas A-C-W-Y. A distribuição foi péssima e errática nos primeiros 2 anos após o lançamento. Hoje já normalizou.

Assim que a vacina contra meningite meningocócica tiver sua distribuição normalizada, aviso aqui no Blog e o Facebook da Clínica Len (https://pt-br.facebook.com/clinicalen

terça-feira, 14 de julho de 2015

Infração: cesárea antes da 38ª semana - Postado por Jairo Len

O Conselho Federal de Medicina (CFM) deve discutir, em agosto, uma regra para tentar diminuir o exagerado número de cesáreas eletivas que acontece no Brasil. Cesáreas com data marcada, sem quaisquer indicações médicas.


Para isso, quer tornar infração ética a realização de cesáreas, sem motivo médico que justifique, antes de 38 semanas de gestação.


Acho que a medida é bem interessante, apesar de ser quase impossível de fazer a fiscalização. Mas pelo menos vai alertar e tentar diminuir o índice brasileiro de campeão mundial de cesáreas: em 2013, 84,5% dos partos na rede de saúde suplementar foram cirúrgicos. Na rede pública, foram 40%, muito acima, ainda, dos 15% recomendados pela OMS.


A discussão está também em andamento, de outras formas, no ministério da saúde e ANS, que não querem remunerar médicos por cesáreas eletivas - a não ser que a gestante "autorize" ou consinta o procedimento... Claro que a regra não vai funcionar bem na prática, também.


Na minha estatística, na Clínica, vejo que cerca de 30% dos partos são naturais - e o restante cesáreas. Raramente antes de 38 semanas, salvo quando realmente há motivos obstétricos para isso. Mais raro ainda por decisão materna - ainda que na maioria das vezes as mães querem mesmo o parto normal... É uma conjunção de fatores que definem isso, mas de forma interessante noto que alguns obstetras em São Paulo fazem a maioria dos  seus partos normais, e outros quase só cesáreas. E as gestantes já sabem disso antes, inclusive relatam que "foram no tal médico(a) porque sabem que a maioria dos partos são normais".
No serviço público, não há essa opção ou, sequer, alguma discussão com o médico para tentar fazer partos normais: 60% serão cesáreas, sem motivos.


Portanto, todas as discussões e esclarecimentos em cima deste tema são muito importantes, sempre.


PS: em relação ao parto em casa, continuo 100% contra. Os bebês não tem culpa ou chance de escolha caso haja qualquer problema que possa trazer risco para a saúde cerebral deles, que serão sempre os grande prejudicados.