quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Verão - Postado por Jairo Len

Procuro lembrar neste post, há 2 dias do inicio do verão, as principais "FAQs" que todos os anos os pais me fazem. E também como resolver alguns pequenos problemas comuns nesta época do ano.

Protetor Solar - Os infantis são sempre FPS 50 ou mais. Usa-se de tudo, mas eu sempre recomendo as boas marcas - que tem menor risco de alergia e melhor ação. Como o Anthelios Dermo-Pediatrics, Vichy Enfants, Photoderm Kids, L'Oreal Kids, Mustela, Banana Boat Kids. Existem inúmeros outros bons e alguns bem ruinzinhos (não vou falar aqui os nomes, mas você sabe quais são). Para o rosto, os protetores em bastão são excelentes. Ainda não temos muitos aqui no Brasil, mas procurando se acha. Nos EUA são comuns e baratíssimos. Protetor solar se aplica ainda em casa, preferencialmente com a criança pelada. Corpo todo, uma boa camada. Em comida e protetor solar não se economiza.
As roupas com proteção UV são uma excelente forma de proteger as crianças.

Queimaduras solares - Apesar de toda a proteção, às vezes acontecem. De primeiro e de segundo grau (aquelas com bolhas). Ideal é manter a criança bem hidratada, roupas muito leves ou sem roupa, e usar algum hidratante "calmante" de pele, como o Solarcaine, o Osmogel ou a Ducilamina. Evite produtos viscosos, como creme Nivea, Hipoglós, e também os secantes, como Caladril.

Queimaduras - Nas férias as crianças se queimam mais, em panelas, forno, líquidos quentes. É a família reunida, programas culinários... Em caso de queimaduras, água fria/gelada por alguns minutos no local da queimadura. Em seguida, alguma pomada com poder hidratante e oclusivo (como o Nebacetin). Se formar bolhas, não estoure. Em queimaduras mais extensas e com perda de pele, um especialista deve ser consultado nas primeiras 24 horas.

Queimaduras por água viva - Em geral as queimaduras por água viva nas praias são "leves". Surfistas sofrem muito mais em alto-mar, mas nas crianças é mais tranquilo. A limpeza local imediata, ainda na praia, deve ser feita com a própria água do mar, em abundância. Se houver "tentáculos" ou restos da água viva na pele, remova com uma toalha. Uma compressa com gelo ensacado (disponível em qualquer barraquinha) deve ser feita em seguida. Alternando com lavagem com água do mar (uma vez que não costumamos ter soro fisiológico à disposição na praia). A lesão, apesar de pruriginosa, não deve ser coçada. Analgésicos comuns (Ibuprofeno ou Paracetamol) devem ser usados para aliviar a dor. E por fim, assim como na queimadura comum, uma pomada deve ser aplicada. Se tiver alguma com cortisona, melhor.

Vômitos - Tanto pelas viroses como pela alimentação desregulada, ingestão de água do mar e piscina, são muito comuns no verão. Costumo recomendar que, após a criança vomitar "tudo", esvaziar o estômago...seja medicada com algum anti-emético (o melhor, atualmente, é o Vonau Flash - uso sob orientação médica). Quando controlar os vômitos, iniciar a hidratação com algum produto como Pediatlyte, Floralite ou Hidrafix. Gatorade e água-de-coco são opções na falta dos produtos específicos. Soro caseiro é muito ruim, salvo que você tenha a colher medida para preparo. Refrigerantes são piores ainda.

Picadas de inseto - Impossível se livrar das picadas... Para os muito alérgicos, os medicamentos por via oral são necessários. Mas, em geral, uma pomada à base de cortisona é o suficiente (como Desonol, Topisin, Advantan, Berlison...), associando a alguma pomada com antibiótico (Nebacetin, por exemplo) se a picada estiver coçada, escarificada. Existem pomadas combinadas (cortisona + antibiótico) que são excelente e práticas - mas só vendidas com receita médica. Postei há duas semanas sobre a proteção contra mosquitos.

Insolação - é uma incapacidade do nosso corpo de regular a própria temperatura, não conseguindo mantê-la entre 36 e 37ºC. Ocorre quando existe uma exposição excessiva ao calor (sol, principalmente), com eritema solar intenso (queimaduras ou bronzeamento por falta de proteção solar - roupas e filtros), alta umidade do ar (praia), pouca ingestão de líquidos ou excesso de ingestão de bebidas alcoólicas e suor excessivo decorrente de atividades físicas de alta perda calórica (corrida, por exemplo). Não é comum juntar todos estes fatores em uma criança...
O quadro clínico da insolação é início rápido, logo após a exposição aos fatores causadores, caracterizado assim: temperatura corporal muito alta (acima de 39,5 graus), pele vermelha, quente e seca (sem suor), pulsação rápida e forte, dor de cabeça latejante, tonturas e náuseas. Pode evoluir para confusão mental e inconsciência.
Para evitar a insolação: proteção solar de barreira e filtros solares com proteção UVA e UVB, muito líquido (água, chás, sucos de frutas naturais, isotônicos), roupas UV quando a exposição solar for prolongada. Em caso de suspeita de insolação, entre em contato com o médico para orientação.

Desconecte-se - Nas férias, é o melhor que você pode fazer.  Acho que todos conhecem este vídeo, mas vale a pena assistir de novo, clicando aqui.

Boas Festas e Excelente 2013! 



segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Atividades nas Férias - Postado por Jairo Len

O que fazer com os filhos em quase 60 dias de férias?
Curso de férias nas escola é uma boa idéia?
Estas são perguntas típicas de final de ano, quando as férias de verão assustam e preocupam muitos pais.
Em um texto polêmico, a psicóloga Rosely Sayão fez em sua coluna semanal algumas colocações muito interessantes.
Em primeiro lugar, ela fala sobre cursos de férias na própria escola:
"Você não gostaria de passar dias de suas férias em seu local de trabalho, não é verdade? À escola a criança vai para aprender. Mesmo no ciclo da educação infantil, o brincar da criança é diferente e promove o aprendizado. Nem sempre sabemos dizer o que ela está aprendendo, mas que aprende, aprende. E isso é exaustivo. Por isso, a criança precisa de férias escolares, mesmo quando pequena".
Na verdade, o que eu acho é que os pais andam extremamente preocupados em arrumar atividades para os filhos durantes as férias, e durante os finais-de-semana, feriados, etc...
Nos comentários dos leitores da psicóloga, muitas mães colocam que elas tem 30 dias de férias por ano, contra 60 ou 80 dias dos seus filhos - e que não tem com quem deixá-los durante as férias escolares. Não acho que seja esta a única questão*.

Afinal, mesmo com toda a logística de cursos de férias os pais vão ter que se desdobrar para dar atenção aos filhos. Não há atividades programadas que deem conta...
"Ter filhos significa ter de renunciar, mesmo que temporariamente, a diversas coisas. Reclamar não é produtivo, já que o desejo de ter filhos foi dos próprios pais".
Em nenhum momento Rosely Sayão sugere que as mães abandonem seus empregos, evidentemente.

Conheço muitas mães (e pais, principalmente) que, mesmo com o tempo disponível, não disponibilizam esse tempo para os filhos. E outros que trabalham muito mas conseguem participar de tudo, até durante as férias dos filhos.

Aí, a outra (*) questão: não julgo que as crianças precisam, full time, de atividades culturais, esportivas, artísticas ou musicais.
Apesar de parecer tediante, ficar em casa com os filhos, desenhar, assistir TV ou um filme juntos, ficar "brincando" com eles no iPad pode ser o melhor dos mundos, alguma coisa que eles não trocam por nada. Tornar a própria casa um lazer para os filhos. Ou a casa dos avós.
As viagens, antes de tudo, são uma forma de se fazer isso sem culpa. Ficar sem fazer nada, na praia ou na piscina, é o melhor dos mundos. Porque não exercer esse ócio aqui em São Paulo, quando não dá para viajar 60 dias?

Por fim, copio um dos comentários do texto, que para quem queira ler, está no site da folha.com.

"A autora tem a sabedoria e o discernimento incomodando pais e professores que gostariam, pela imaturidade e falta de vocação, de não encarar seus deveres, delegando a terceiros ou debitando aos outros suas mazelas e responsabilidades. Seus questionamentos expõem a nu o egoismo e infantilidade com que adultos reagem a convivência com crianças. E, via de regra, temas que perturbam "dolce far niente" de adultos convivendo com as suas neuroses infantis de busca incessante de satisfação epicurista."

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Proteção anti-inseto - Postado por Jairo Len

Nesta época do ano a quantidade de mosquitos e pernilongos aqui em São Paulo (e litoral) piora demais. O ano todo é infestado, mas agora está um horror.
Atualizo aqui o que podemos fazer para a proteção anti-inseto. Infelizmente não há nada de novo ou milagroso no mercado.

Inseticidas de ambiente
Sempre podem ser usados, independente da idade das crianças.
Aqueles elétricos, de tomada, são bastante seguros, não causando problemas de intoxicação. Por experiência própria, morador de uma região com muitos insetos, posso dizer estes inseticidas-elétricos que não "garantem" uma proteção total. Mas ajudam. De acordo com recomendação dos fabricantes, devem ficar a mais de 2 metros do berço ou cama da criança. Não acho fundamental essa distância, caso a arquitetura da sua casa não permita...
Em quartos e salas com mosquitos, um inseticida em spray pode ser usado - mas o ideal é que as crianças só entrem no ambiente meia hora após. O volume de veneno é muito grande.
Aqueles sprays com temporizador são iguais (em relação à toxicidade), mas a meu ver não funcionam direito.
Raquetes elétricas para matar mosquitos são uma diversão familiar, um exercício. Cuidado com as crianças (risco de choque) e bom proveito. É uma terapia...

Repelentes
Até os 6 meses de idade a proteção individual é de "barreira". Telas-mosquiteiras, basicamente.
Os repelentes não devem ser utilizados, exceto em casos extremos (aonde o uso eventual de DEET é tolerado a partir dos 2 meses). Postei sobre repelentes há dois anos ("Repelentes") e vejo que não houve mudanças.
A partir dos 6 meses os repelentes à base de DEET (Off Kids, Repelex Kids) podem ser utilizados sem problemas - isso é recomendação da Academia Americana de Pediatria. Para proteger bem, você deve aplicar muito bem - sempre nas áreas descobertas, uma vez que não se deve aplicar repelentes em baixo das áreas cobertas por roupa.
Repelentes funcionam por "x" horas - e isso depende da concentração de DEET em cada um deles. Siga as instruções.
DEET é usado há mais de 50 anos, é um produto seguro e eficaz.
A icaridina (Exposis) também é um repelente eficaz que pode ser usado em crianças.

Não se recomenda o uso de "protetores solares + repelente de insetos" (2 em 1) em crianças. Ainda que existam alguns produtos combinados no mercado.

Citronela
Não deve ser passada em crianças abaixo dos 3 anos. Alguns repelentes que contém citronela podem conter algum veneno junto. Os que não contém funcionam pouco, a meu ver - e tem um cheiro fortíssimo, muitas vezes irritante. Velas de citronela afastam pouco os mosquitos, infelizmente.

Pulseirinhas e Adesivos
Não funcionam, não jogue dinheiro fora. Se ganhar de brinde, pode usar - mas associe algum repelente de pele junto.

Demais inseticidas de ambiente
Luzes roxas, apiradores de pernilongo, ondas ultrassônicas. Já testei de tudo em casa, não garantem proteção contra mosquitos. Mais dinheiro jogado fora.

Diversão e terapia garantidos





terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Escolas e Escolhas - Postado por Jairo Len

Com a chegada do fim do ano letivo, pais e mães me colocam diversas questões sobre escolha de escola, principalmente para as pré-escolas ou transições para o fundamental e ensino médio.
Como não tenho nenhuma formação acadêmica em pedagogia ou psicologia, sempre vou tecendo minhas opiniões pessoais, formadas a partir de conversas sobre este assunto lá na Clínica e em relação à "vida acadêmica" dos meus filhos.

Em primeiro lugar, salvo que se tenha um excelente e particular motivo, acho que a escola deve ser o mais perto de casa possível. Nada é muito perto em São Paulo, poucos tem o privilégio de ter uma boa escola "à pé" de casa. Mas uma ou duas horas de trânsito todo dia em um carro estressa qualquer criança.

Bilíngue ou não bilíngue, meio período ou semi-integral, tradicional ou ultra-construtivista, boa colocação no Enem... Os pais tem os seus motivos para escolher a escola dos filhos.
Nem todas as crianças estão preparadas para todas as escolas.
Eu, particularmente, sou um fã da edução bilíngue (português e inglês, juntos).
Mas não viajaria da Aldeia da Serra para Santo Amaro atrás de uma determinada escola, diariamente, ida e volta.

Acho que mais do que altas notas de uma escola no Enem, a educação de uma criança de 5 anos é importante em outros quesitos.
Aí tenta-se juntar isso a uma escola que tenha no centro o aluno, e não as disciplinas.
Uns querem uma escola com ensinamentos religiosos, outros uma escola laica.
Que vá até o fim do fundamental ou que tenha obrigatoriamente ensino médio.

Difícil escolher, não é?

"Toda Escola é Igual". Com este título, a psicóloga Rosely Sayão escreveu um texto que exprime um pouco o que eu sempre falei para os pais, que a escolha de uma escola é algo muito particular, e que devemos ter cuidado com o "poder da mídia", seja ela qual for - desde os resultados do Enem como a vizinha faladeira.
Uma alfinetada nas escolas conteudistas.
Mais um ponto para reflexão. Para os não-profissionais-em-pedagogia, sugiro a leitura:

Toda Escola é Igual, por Rosely Sayão