quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Meditação para crianças - Postado por Jairo Len

Vejo de tudo, tudo muda... E isto é uma das coisas mais interessantes da medicina - tudo muda muito rápido. Acho que só perde para a tecnologia, dentro das ciências úteis.
Mas as novidades, muitas vezes, remetem às coisas mais antigas da humanidade.
O "sentar e pensar 5 minutos", antes um castigo, agora pode ser feito de forma profilática, através da MEDITAÇÃO INFANTIL.
Há livros e cursos sobre o assunto.
Em reportagem da Folha On-line, você lê que as técnicas são simples, rápidas, não requerem treinamento e podem acalmar bastante as crianças. 
A partir dos 4 anos de idade já se pratica, e não há limites de idade.
A técnica, que é milenar, é arreligiosa, ainda que sempre remetida aos budistas, povos orientais, egípcios - mas isso é porque é por lá que se iniciou a meditação.

Dentro das diversas práticas para tentar acalmar as crianças e deixá-las mais Zen, acho que a meditação é uma excelente opção.

Leia a reportagem no link da Folha On Line.



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Limites da Ignorância - Postado por Jairo Len

Até onde chega a falta de limites e a ignorância humana?
Talvez muitos já leram a notícia, que para mim chegou além de qualquer limite...
"Pais perdem a guarda de filho após foto dele com cerveja ir para a web"
Aconteceu em Sarandi, no norte do Paraná.
A ex-companheira da mãe do menino postou uma foto no Facebook para mostrar os maus tratos dos pais em relação ao menino, que foi fotografado bebendo cerveja.
Pela foto, a criança não tem nem 2 anos..
"O pai defendeu-se dizendo que "achou que era refrigerante com espuma", mesmo com uma garrafa de cerveja de um litro posicionada em cima do carrinho do bebê, na foto, no lugar destinado à mamadeira.", segundo reportagem do G1.
Na reportagem há um monte de outros fatos, réplicas e tréplicas..., o que pouco importa.

A falta de noção sobre o que oferecer aos filhos rendeu aos pais a perda da guarda e um processo judicial aonde podem pegar até 4 anos de cadeia (salvo que tenham os bons advogados criminalistas que estão tanto na mídia...).

Quanto a fotografar, e quanto à ex-companheira postar no Facebook...resta a nós lamentar, e, sempre, sempre, pensar no que estamos fazendo no nosso dia-a-dia...

A foto (publicada do G1). Da série "morro e não vejo de tudo".


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Vacina contra Meningite B - Postado por Jairo Len

Para não dizer que sempre temos más notícias em saúde, segue uma excelente:
A primeira vacina contra MENINGITE MENINGOCÓCICA tipo B foi aprovada para uso nos Estados Unidos - e já está em uso por lá.
A Trumenba, fabricada pela Pfizer/Wyeth Pharmaceuticals, é a primeira vacina eficaz contra esse meningococo - uma das bactérias mais importantes na causa de meningite bacteriana.
A Trumenba, por enquanto, está aprovada para uso entre 10 e 25 anos de idade, e está sendo aplicada aplicada em 3 doses (0-2-6 meses).

Atualmente temos já vacina contra os demais meningococos (A, C, W e Y), que representam, mundialmente, cerca de 70% das meningites bacterianas.

No Brasil ainda não há previsão de aprovação e chegada da vacina, infelizmente... A aprovação depende da nossa agencia reguladora de saúde, a ANVISA, que cada um de nós imaginamos como funciona...

A meu ver, esta vacina é a mais importante que ainda falta no calendário vacinal, sem dúvidas.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Febre Faringoconjuntival...a doença do momento - Postado por Jairo Len

"Virose"...
Nenhuma mãe se contenta muito com este diagnóstico, mas 90% das doenças em crianças, nesta época do ano, são causadas por vírus.
E, na primavera, o mais comum deles é o ADENOVÍRUS, um vírus que foi descoberto em 1950, e ganhou este nome porque foi isolado, inicialmente, no tecido da adenóide. 
Nome à parte, o adenovírus se distribui pelo corpo todo. Uma doença muito comum em crianças, e "epidêmica" agora, é a febre faringoconjuntival, caraterizada por:
- Febre (às vezes alta, até 40º)

- Gânglios no pescoço,
- Conjuntivite (olho vermelho e/ou coceira e/ou secreção e lacrimejamento)
- Dor de garganta, tosse
- Dores musculares
Os mais afetados são os menores de 4 anos de idade, mas ocorre nas crianças mais velha também. 
A incubação é de 2 a 14 dias, quando começam os sintomas.
A transmissão é extremamente fácil: secreção ocular, espirros (gotículas), mãos contaminadas, brinquedos contaminados. Já houve relato de transmissão em piscinas contaminadas e até surtos hospitalares, brinquedotecas, etc...

A doença é benigna e auto-limitada, só são tratados os sintomas e a conjuntivite (colírios lubrificantes, colírios com antibiótico, compressas...depende de casa caso).

De qualquer forma, existem alguns diagnósticos diferenciais com doenças de sintomas parecidos, algumas bacterianas, algumas imunológicas, e a avaliação pediátrica é sempre indispensável.

Adenovírus


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Recall da Vacina contra Meningite C - Postado por Jairo Len

A imprensa noticiou nesta semana um recall realizado pela Wyeth/Pfizer, em relação à sua vacina contra meningite C. 

Esta vacina é usada nas clínicas particulares em crianças a partir dos 3 meses de idade (a vacina á aplicada aos 3 meses, 5 meses e uma dose entre 1 e 2 anos de vida).

O recolhimento de 12 lotes da vacina se deu de forma espontânea, pela própria Wyeth/Pfizer, no fim de setembro.

De acordo com o laboratório e autoridades sanitárias, a vacina recolhida continha traços de óxido de ferro. 

Esta substância não apresenta qualquer toxicidade nem altera a eficácia da vacina. Crianças que a receberam não apresentam nenhuma necessidade de observação ou revacinação.

Fonte/Foto: Folha de São Paulo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Mais Sobre Vacinas - Postado por Jairo Len

Posto hoje sobre algumas dúvidas muito comuns que os pais me perguntam sobre vacinas. É um assunto que me interessa muito, e que tem atualização com grande frequência.

- Porque são tão frequentes as mudanças na programação das vacinas?
Anualmente são lançados "novos" calendários de vacinação, tanto pela Academia Americana de Pediatria como pela Sociedade Brasileira de Pediatra e Sociedade Brasileira de Imunizações. Além das atualizações eventuais. Isso causa mudança nas rotinas de imunização imprevistas nas cadernetas de vacinas (a nossa, na Clínica Len, tem toda a vacinação programada, a lápis...e alteramos com muita frequência)...

- A "nova" vacina contra meningites A-C-W-Y é muito importante? Todos devem tomar? Porque o governo não aplica?
A vacina é muito segura e eficaz, a acho que todas as crianças acima dos 2 anos de idade, adolescentes e adultos devem recebê-la. A meningite C é extremamente importante, e os bebês são imunizados desde os 2 meses de vida. As meningites bacterianas A, W e Y são menos frequentes no Brasil, mas existem e devemos nos proteger.
Porém, as campanhas de vacinação do governo levam em conta inúmeros fatores para incluir vacinas no seu calendário oficial, eventualmente esta vacina fará parte do calendário oficial de vacinações.

- As vacinas aplicadas nos postos de saúde são diferentes das aplicadas nas clínicas particulares?
Infelizmente ainda há uma diferença em 90% das vacinas utilizadas no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Não obrigatoriamente no quesito qualidade, mas sim em relação à reações, cobertura vacinal e número de picadas.O mais importante, a meu ver, é a cobertura vacinal. As principais diferenças são:

- Rotavírus: o PNI usa a vacina monovalente, que protege contra 70% dos rotavírus. Nas clínicas particulares, vacina pentavalente (99% de cobertura)
- Pneumocócica: o PNI usa a Pneumo 10-valente. Todas as clínicas particulares usam a Pneumo 13-valente. Estes 3 sorogrupos a mais de pneumococos são extremamente importantes no hemisfério sul, causadores de meningites e pneumonias.
- Poliomielite: as clínicas usam a polio-inativada em todas as doses nos 2 primeiros anos de vida. Isso aumenta muito a soroconversão e, pelo fato da vacina ser combinada (Hexavalente ou Pentavalente) há diminuição no número de picadas.
- Catapora: aplicada aos 12 meses de idade na rede particular. O PNI, não sei porque, aplica aos 15 meses.
- HPV: realizada no PNI em esquema tabajara só em meninas, com reforços bem controversos do ponto de vista científico. Todos os adolescentes, meninos e meninas, devem receber a vacina. Aplicada conforme recomendação do fabricante, aos "zero - dois meses - seis meses".

- As datas de vacinas e reforços são rigorosos?
Não muito... Não é bom atrasar as primeiras doses, para que a criança inicie a proteção. Mas os reforços podem ter flexibilidade, em algumas casos de semanas, outros de meses.

- Porque as vacinas são tão caras?
Assim como em whisky e vinhos, as vacinas tem um imposto gigantesco embutido. Mesmo que sejam itens básicos, fundamentais e não temos vacinas nacionais à venda (ainda bem!), pagamos altos impostos. Além disso, por ser um produto imunobiológico, sua importação requer cuidados importantes e está na mão de pouquíssimos distribuidores (ou seja, uma espécie de monopólio).

- Adultos devem ser vacinados?
Sem dúvidas. Orientados pelos seus médicos (clínicos e ginecologistas) adultos devem receber vacinas contra: tétano, difteria, hepatites A e B, meningite A-C-W-Y, sarampo, caxumba, rubéola...



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Prevenção da Obesidade nos Primeiros 1.000 dias - Postado por Jairo Len

Os "primeiros 1.000 dias" compreendem o período do início da gestação até dois anos de idade - e é neste período que há a formação de inúmeros tecidos e órgão do nosso corpo, como a formação do cérebro, grande parte das células de gordura, do tecido ósseo, e assim por diante.
Sabemos que muitas informações que o organismo recebe neste período vão ser lembradas por toda a vida - cerca de 100 anos, no caso dos nossos filhos.
A obesidade é um problema cada vez mais frequente e vem se tornando um assunto de saúde pública.
No meu dia a dia do consultório pediátrico posso perceber como nós, pediatras, temos oportunidades de contribuir com esta prevenção através de medidas simples.
O que é importante quando falamos de obesidade?

Alimentação:

- Estimular e apoiar o aleitamento materno exclusivo. Apesar de ser algo natural, vejo que há necessidade, muitas vezes, de intervenção e ajuda para que amamentação seja duradoura. 
- O leite de vaca não é adequado antes do 1° de vida pois oferece excesso de proteínas, ( 2 X mais que o necessário para o bebê ) e este é um ponto crucial para que a criança se torne obesa. Hormônios importantes como a insulina são alterados desde cedo quando não usamos o alimento ideal. E, mesmo usando o leite ideal, é extremamente importante que as quantidades oferecidas sejam adequadas, e não exageradas. 
- A introdução de alimentos complementares, a partir dos 6 meses de vida, também deve ter um cuidado especial com rotina diária e evitando sempre o excesso de sódio e de gorduras.
- Oferecer frutas, verduras, leguminosas e proteínas sempre em proporção adequada. 
- Evitar alimentos com açúcar, industrializados, sucos e excesso de carboidratos. 
- Refrigerantes e demais refrescos ou néctares industrializados devem ser banidos por completo.

Exercício físicos:
- As atividades físicas são de grande importancia nesta fase. Atividades cotidianas, como o "senta e levanta" dos bebês mais novos; de andar com apoio e ajuda dos mais velhos, perto de um ano de idade; o andar e correr livremente em espaços abertos.
- O tempo gasto na frente da televisão e tablets definitivamente diminui o tempo disponível para as atividades livres - isso inúmeros estudos já comprovaram.

Hábitos 
- É comprovado que pais obesos apresentam maiores índices de filhos obesos, por questões genéticas, epigenéticas e socio-ambientais. Desta forma, as famílias obesas devem ser abordadas como um todo para mudança de hábitos da casa e uma alimentação saudável e balanceada para todos.

Correção do problema:
- É fundamental que a família (mãe, pai, avós e cuidadores) estejam cientes de que a obesidade é um problema. 
- Devem ser orientados pelo pediatra desde os primeiros sinais de que o bebê está ganhando mais peso que o necessário. 
- Todos devem trabalhar juntos para prover a melhor alimentação e hábitos saudáveis.
Metade dos casos de obesidade infantil inicia-se até os Primeiros 1.000 dias de vida. Por isso, todos os cuidados citados devem feitos em conjunto para oferecer um futuro saudável.

Texto publicado no blog "Começar Saudável", da Nestlé.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Paracetamol com parafusos dentro - Postado por Jairo Len

Há duas semanas a imprensa mostrou alguns medicamentos que foram suspensos pela ANVISA, desta vez por erros grosseiros de produção e controle de qualidade (??).

Entre eles, por exemplo, o lote 1998101 do paracetamol 500 mg do Laboratório Teuto Brasileiro S.A., com validade até novembro de 2015. "Um consumidor identificou que, em um dos blisters do medicamento, havia um parafuso no lugar do comprimido", diz a Anvisa em nota.
Também, da Teuto, havia Cetoconazol com blister de Atenolol dentro, a neomicina + bacitracina no lugar da Nistatina, e a atorvastatina de 20 mg continha comprimidos de 10 mg dentro. 
Imagine um laboratório que comete erros grosseiros na apresentação final. O que você acha da QUALIDADE na fabricação dos medicamentos? Quem garante isso?

Com a criação dos medicamentos genéricos, inúmeros laboratórios sem qualquer tradição farmacêutica cresceram muito, viraram gigantes e maiores produtores de remédios. Não há, nunca houve, um rigoroso controle de qualidade e a fiscalização é parca. Não que a ANVISA deva abrir comprimido por comprimido, mas todos os casos acima foram identificados pelos consumidores finais.

Cada vez mais tenho certeza em escolher e prescrever medicamentos pelo LABORATÓRIO, e não pelo preço. Ser genérico, no Brasil, não garante QUALQUER qualidade. Pelo contrário: requer atenção, requer checar se o remédio está funcionando. Se é um medicamento para tratar um infecção aguda, como uma pneumonia, nem pensar: sempre medicamentos originais, se houver disponibilidade.

As diferenças de preços, hoje em dia, não são tão importantes, na maioria das vezes. Não há como negar que algumas vezes os genéricos ou similares custam um terço do preço do original...mas neste caso a pergunta é se "dá para comprar o original". Não importa que o outro custa 3 vezes menos.
Se você não faz isso na hora de comprar linguiça ou telefone celular, não faça com medicamentos.

Para comprar parafusos, Leroy Merlin.
Para medicamentos, fique de olho no fabricante!!!


Em casos de dor de cabeça, não exagere na dose.




terça-feira, 19 de agosto de 2014

Andadores - Postado por Jairo Len

Eles até já tem venda proibida no Brasil, mas as dúvidas são diárias: "posso usar andador para o meu filho?"
Vamos aos fatos...
Os bebês usam (usavam?) andador entre seis ou sete meses de idade e um ano e pouco, quando começam andar sozinhos. Por décadas usamos andadores, sem imaginar que poderiam trazer tantos problemas.

Estatísticas demonstram claramente que o uso de andador nesta idade pode causar acidentes, caso a criança não esteja monitorizada de perto (o nome em inglês é ótimo: touch-supervision), e mesmo quando supervisionadas bem de perto.
Os acidentes relatados são tropeços em pequenos obstáculos, como tapetes ou soleiras irregulares - fazendo com que o bebê caia de cara/cabeça no chão; podem também ser batidas em quinas de mesas ou móveis; além de trazer uma mobilidade e acesso que não existem nesta faixa etária, chegar rápido em degraus e escadas.
Algumas vezes mães de pacientes me chamaram por causa de problemas com essa mobilidade, fazendo com que seus filhos pegassem coisas de cima da mesa da sala de jantar (um clips, devidamente ingerido, e uma bandeja que caiu em cima do bebê, mas sem maiores consequências). Tropeços e quedas são inúmeros.

Outro problema aventado é o atraso na aquisição da marcha, quando se usa andador. Esta questão eu acho mais simples, realmente pode ocorrer...mas só se o uso for exagerado. Esse uso exagerado existe, infelizmente. Imagine mães que trabalham em casa (e muitas vezes na casa dos vizinhos, fazendo limpeza ou cuidando de outras crianças) e deixam seus filhos horas e horas em cima de um andador. É claro que isso atrapalha o desenvolvimento da criança. 
Pernas não entortam com o uso de andador, outra dúvida frequente.

Apesar das crianças adorarem um andador, ele realmente não traz vantagens para o desenvolvimento e podem causar alguns transtornos - por este motivo veio sendo escorraçado da pediatria aos poucos, até ter sua venda proibida neste ano...


A opção atual são os "empurradores", carrinhos que as crianças se apoiam e vão empurrando pela casa... O que as crianças já fazem com cadeiras, por exemplo.
Também não são isentos de causar acidentes, obviamente. 

Sempre é necessária a supervisão de um adulto, continuamente.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Vacina contra Meningite A-C-W-Y - Postado por Jairo Len

As meningites bacterianas ainda são doenças infecciosas muito importantes em pediatria - não exatamente pela frequência, mas pela gravidade e necessidade de rápido diagnóstico e conduta.
Nos últimos 20 anos tivemos a criação de novas vacinas, que protegem muito contra as meningites, como Hemófilus B, Pneumococos (a 13-valente), meningococo C. Ainda falta a vacina contra o meningococo B (muito importante).
E, há alguns anos, apareceu a vacina contra os meningococos A, W-135 e Y (que representam 4-5% dos casos no Brasil).
Esta vacina, que protege também contra o meningococo C, já "veio" e foi embora duas vezes do Brasil - a Novartis, sua fabricante, diz que é problema com a ANVISA (prá variar...).

De qualquer forma, no momento a vacina está disponível por aqui, nas clínicas particulares de vacinação. A quadrivalente Menveo (nome comercial da vacina contra meningite A-C-W/135-Y) foi aprovada no Brasil para uso a partir dos 2 anos de idade, até os 55 anos.

Ainda que não seja uma vacina indicada, no Brasil, na saúde pública, eu acho que todas as crianças devem receber uma dose desta vacina, a partir dos 2 anos de idade. Menos frequentes, os meningococos A, W e Y existem por aqui. Contra o meningococo C as crianças são imunizadas desde os 3 meses de idade

Na Clínica Len de Pediatria estamos usando a vacina para os reforços aos 5-6 anos de idade (antes realizados só através da vacina contra meningite C monovalente) e conversamos com os pais sobre a aplicação de uma dose aos 2 anos de idade. 
Todas as clínicas particulares dispõe da vacina. Como não tem concorrentes (a outra vacina igual, "Menactra", não é aprovada no Brasil), o valor da vacina ainda é alto, com preço final ao redor dos R$ 300,00. Deve cair aos poucos, caso a Novartis continue a trazer a vacina para o Brasil.

Ei-la. Sem urgência nem correria, vale a pena imunizar.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Alergia a iPad - Postado por Jairo Len

Utilizo uma curiosa notícia para falar mais um pouco sobre iPad (e, claro, incluindo todos os demais gadgets que as crianças são viciadas)...
Saiu na "Pediatrics", a revista mais importante do mundo pediátrico: 
"Um garoto de 11 anos foi levado ao hospital pediátrico Rady Children's (San Diego, Califórnia) com um problema de pele que foi diagnosticado como "alergia a iPad". A criança sentia coceira, causada por uma erupção cutânea, e os dermatologistas relacionaram o eczema ao uso do tablet da Apple".
Na realidade, alergia ao níquel que os aparelhos deste tipo sempre tem. 
Metais (niquelados) são causas frequentes de alergia, o que vejo mais em botões de calça, e alergia na barriga...

Evidentemente o problema da alergia ao iPad foi resolvido utilizando-se uma capa protetora, sem maiores problemas. O garoto certamente manteve seu vício...

VÍCIO
Ontem, em consulta na Clínica, uma família que acompanho há 10 anos tinha como queixa principal a intensidade com que os filhos se dedicam ao iPad e video-games
"Qual o limite de uso diário destes aparelhos? Faz mal mesmo?"
Não há respostas exatas, devemos sempre contar com o bom senso.
O que concluímos ontem, até de forma divertida, são alguns pontos que caracterizam um vício, e como todo o vício devemos ter bastante atenção:
- Acordar e correr para o Ipad como primeira atividade, antes de dizer bom-dia,
- Ter surdez ao usar iPad, não ouvindo qualquer outra coisa (do tipo "vamos comer", "vem tomar banho", "vem escovar os dentes"),
- Ter condições de segurar iPad com um braço e fazer atividades diversas com outro,
- Desesperar-se atrás de um carregador quando a bateria está com menos de 10%,
- Entrar em um restaurante e, antes de sentar, perguntar ao garçom qual é a senha do wi-fi...
- Tolerância - cada ver há necessidade de mais tempo diário de uso...
- Há relatos, já em literatura científica, de crises de abstinência...
- Seus filhos conseguem ficar mais tempo numa loja da Apple do que num cinema...

Incrível como lá em casa e na sua casa deve ser muito parecido...

TEMPO POR DIA
Não há um limite estabelecido, mas acho que o bom senso e o clima é que regem. E o momento... Tem hora para tudo, inclusive para tablets, e os pais devem estabelecer isso em comum acordo. 
Exemplifiquei ontem: em dias de chuva, é claro que pode-se usar mais; no carro, quando isso for conveniente; num restaurante, após todos acabarem de comer... Mas as crianças devem fazer de tudo um pouco, e até desenvolver o importantíssimo "ócio criativo", que é não ter nada para fazer e ter que inventar, com criatividade.

Como pais, devemos (ao menos quando temos tempo) nos dedicar a atividades extra-iPad, que as crianças sempre preferem.
Estávamos em uma fazenda neste fim-de-semana, tempo bonito, um monte de crianças... Os meus esqueceram que existe iPad, só foram lembrar à noite, após 24 horas de atividades que eles gostam mais: futebol, cipó, cavalo, trator... E mesmo assim o uso foi interessante, com todas as crianças interagindo.

Como limitar? Como tudo nesta vida, com horários e regras. Excelente aprendizado para as crianças...e com os tablets é mais fácil ainda: o castigo e a recompensa estão no mesmo aparelho. 





quinta-feira, 10 de julho de 2014

Chuteiras - Postado por Jairo Len

A Copa do Mundo acabando...mas acho que a moda das chuteiras, para meninos e meninos, ainda vai ficar por mais tempo.
Pergunta comum no meu dia-a-dia: o uso de chuteiras faz mal para os pés? Porque as crianças tem usado esses tipos de calçado o dia todo...

De um modo geral, não acho que traga grandes prejuízos, principalmente as chuteiras sem travas (as travas só devem ser usados em campos gramados, porque causam grande desestabilização dos pés).
Depende muito de cada criança, de ter alguma tendência a tendinites e outras causas de dores em articulações...

Chuteiras, em geral, não tem quaisquer mecanismos de amortecimento - e há aumento do impacto nos pés ao usá-las o tempo todo - e vejo que quanto mais se usa esse tipo de calçado sem amortecimento, maior é o índice de tendinites. Mas não ocorre, claro para todos.

E existem inúmeros outros calçados sem solas com amortecimento, sem interior anatômico, sem proteção de calcanhares...

Dos males, acho que este é um dos menores. No caso de dores nos pés, muda-se de calçado.
Modelitos não faltam....



terça-feira, 24 de junho de 2014

Poliomielite em Campinas - Postado por Jairo Len

Com título sensacionalista, inicio novo post sobre a gravidade que é não vacinar uma criança.
Há algumas semanas já sabemos que há casos de poliomielite em 10 países, entre os quais Síria e Israel (destinos de jornalistas e destino turístico, respectivamente....). Evidentemente, é uma pura questão de tempo que a doença se espalhe por mais países.

"O vírus foi encontrado isolado em amostras de esgoto coletadas em março deste ano no aeroporto de Campinas". "A coleta faz parte de um monitoramento mensal feito pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) incluído no programa nacional para manutenção da erradicação da poliomielite."
O vírus é o tipo I, selvagem (o que causa a doença). Contra este vírus a vacina atual é extremamente eficaz.
O fato é sério, tão sério, que já está nas prioridades da Organização Mundial da Saúde (OMS), além de todas as instâncias tupiniquins (ainda que eu fiquei pasmo em saber que mensalmente a Cetesb faz esse controle).

Enfim: todos nós que fomos vacinados e vacinamos nossos filhos regularmente (pois nossos pediatras não são lunáticos irresponsáveis), não temos o que temer, em relação à Polio nos nossos familiares.
Não deixará de ser uma tragédia sem tamanho se houver alguma criança afetada por uma doença terrível que está erradicada no Brasil desde 1989, fruto de campanhas importantes de vacinação e desenvolvimento de novas vacinas.

Ainda há tempo. Se a filosofia do seu médico de família ou do pediatra é baseada em curandeirismo e sabedorias do século 19, e houve a IRRESPONSÁVEL orientação de não vacinar seus filhos, basta leva-los a qualquer posto de saúde ou clínica de vacinação e protegê-lo. 

Crianças vítimas de poliomielite. NÃO VACINAR É O CÚMULO DA IGNORÂNCIA.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Adeus, Resfenol (história esquisita...) - Postado por Jairo Len

Como todos já devem estar sabendo, a ANVISA proibiu a venda do medicamento Resfenol Gotas. 
O motivo, segundo a ANVISA, é a falta de estudos que comprovem a eficácia do produto.
Não que não haja razão por parte de ANVISA... Já falei isso aqui no blog: milhares de medicamentos são vendidos sem apresentar quaisquer provas de eficácia - ainda que esta regra tosca só valha para remédios usados em crianças.
Mas posso citar dezenas de remédios infantis aprovados pela ANVISA sem quaisquer provas de eficácia - até porque realizar pesquisas nesta faixa etária seja muito complicado.

Independente disso, o que faz desta história algo curioso?

Há algumas semanas, pais me ligam dizendo que "não acham o Resfenol Gotas...está em falta...", mas na farmácia recomendaram o Multigrip Gotas, de fórmula exatamente igual. Um remédio que já existe há algum tempo, mas que de repente ressurge "do nada". Farmacêuticos indicando, local privilegiado na gôndola, a opção ao Resfenol.
Dois pesos, duas medidas - é a ANVISA.

Ou proibe-se "tudo" que contenha o princípio ativo de Resfenol Gotas, que é paracetamol + Fenilefrina + Clorfeniramina, ou não se proibe nenhum deles.
Vale para Descon, Cimegripe, Perfenol (kkkkk), Gripeol...

Enfim, é o susto-Brasil.

Espero que um dia tudo isso melhore para os nossos filhos.
Em matéria de saúde, posso garantir que está cada vez pior o "sistema", os medicamentos, a compra de vacinas, a inacreditável burocracia para se ter uma Clínica, de usar planos de saúde, hospitais, etc...


Tchau!!!


"Não quer levar este?"

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Antibióticos...vamos ter saudades deles - Postado por Jairo Len

Já escrevi algumas vezes aqui no blog sobre antibióticos, sobre a necessidade de ser sempre prescrito com motivos reais, e escolhidos com cautela.
Nesta época do ano (outono), o uso de antibióticos aumenta muito, proporcionalmente ao aumento das doenças infecciosas.
E ainda sinto uma incrível resistência de algumas famílias ao uso deles...mesmo quando está clara e evidente a necessidade.
"Não estraga os dentes?" - essa é a pergunta clássica - que faz sentido se fosse feita em 1960, quando se usava a tetraciclina em crianças e grávidas. Essa escurecia os dentes. Não se testava antes, foi realmente uma época obscura.

Saudades - porque teremos saudades dos antibióticos?
Há mais de 10 anos não houve nenhum lançamento de um novo antibiótico em pediatria. Não que tenhamos grande necessidades, ainda nos viramos bem com os que temos atualmente - mas não inventaram nada novo...
Há três anos o FDA, orgão regulatório norte-americano, não recebe nenhum pedido de aprovação de antibióticos por via oral.
Os laboratórios praticamente não se interessam em pesquisá-los. Ganham rios de dinheiro com remédios oncológicos e imunobiológicos. Se lançam um antibiótico, em cinco anos a patente é quebrada e inundam-se as farmácias com similares e genéricos (a maioria deles de baixa qualidade).

Bactérias cada vez mais resistentes tem chegado aos nossos hospitais - e arrisco dizer que no nosso dia-a-dia também. Não as "super-bactérias", mas algumas que demandam uso de dois antibióticos (numa simples otite, por exemplo).

Concordo que muitos médicos abusam de antibióticos na sua prática clínica, usando alguns muito fortes para infecções que podem ser combatidas de forma mais suave. Exemplo? Certamente você já viu o uso de quinolonas (ciprofloxacino, levofloxacino) para tratar sinusites ou infecções urinárias... São medicamentos ótimos, mas não como primeira opção.

E concordo 100% que a maioria dos pacientes não tem qualquer culpa disso!! Compram e tomam conforme a prescrição. Usar "mal-usado" e por pouco tempo é um fator importantíssimo de resistência bacteriana, mas isso não é algum muito comum, ainda mais em tempo de receitas controladas para comprar antibióticos.

Por falar nisso, desde a implementação do controle de compra de antibióticos, incrivelmente a venda deles aumentou. Não consegui entender...

Temos hoje em dia inúmeras ferramentas (ainda caras e restritas, diga-se) para saber de forma não invasiva, sem picar a criança, se a infecção é viral ou bacteriana, quais vírus e quais bactérias, eventualmente. Devemos usá-las, sempre que disponíveis.

Mas quando é necessário e adequadamente prescrito, o antibiótico deve ser usado sem medo - são os remédios que mais contribuíram para a diminuição da mortalidade nos últimos 80 anos.
E falar mal deles é covardia...!



segunda-feira, 5 de maio de 2014

Leites, Compostos Lácteos, Fórmulas Lácteas - Qual o leite ideal? - Postado por Jairo Len

Post atualizado em 12/03/2016

Devido a um número recorde de perguntas e dúvidas, reedito meu post sobre "qual o leite ideal" para cada faixa etária. Ainda que seja algo bem simples, tipo tabela, concordo que existe muita dúvida, além de uma questão burocrática, da ANVISA, que faz uma tremenda confusão nas embalagens.
Estamos falando aqui de crianças que não são amamentadas pelas mães, ok?


Entre o nascimento e 1 ano de idade - SEMPRE FÓRMULAS LÁCTEAS


Nesta fase, quando não há leite materno ou em caso de complementação, sempre se deve usar as fórmulas lácteas. São elas o NAN Supreme, Comfor ou Pró, o Aptamil ProFutura ou Premium, Similac e Enfamil Premium. Também são fórmulas o Nestogeno e o Milupa, que, segundo os próprios fabricantes, não atingem o mesmo nível de nutrientes que os primeiros.

Não é recomendável que as crianças abaixo de 1 ano de idade sejam alimentadas com leites integrais ou compostos lácteos. Nesta faixa etária, só fórmulas lácteas.

Entre 1 e 2 anos de idade - FÓRMULA OU COMPOSTOS LÁCTEOS


O ideal, a meu ver, é sempre manter a fórmula láctea. Inclusive há aquelas próprias para esta faixa etária, que é o caso do Aptamil 3 e o NAN 3 Comfor. Mas as crianças que tomam Similac 2, Aptamil ProFutura 2, NAN Supreme 2 ou Enfamil 2 podem continuar o uso destas. Portanto, fórmulas lácteas são excelentes para a alimentação no segundo ano de vida.

Quando não há boa aceitação da fórmula láctea, outra opção para o segundo ano de vida são os compostos lácteos. São eles o Milnutri (da Danone), Neslac Comfor (da Nestlé)Enfagrow (Da Mead Johnson) e o Ninho Fases 1+ (da Nestlé). Compostos lácteos são mais simples que as fórmulas lácteas, mas sem dúvida são melhores que os leites integrais. 

Após os 2 anos de idade

A partir desta idade, a criança pode tomar quaisquer leites, compostos ou fórmulas existentes no mercado. Quem está tomando o Milnutri, Enfagrow, Neslac ou Ninho Fases 1+ pode manter, idem para Aptamil 3 ou NAN 3 Comfor. Inclusive a Nestlé produz o Ninho Fases para os mais velhos: o Ninho Fases 3+ (acima dos 3 anos).
Mas também os leites integrais UHT, em pó ou integrais frescos podem ser usados. Não mais restrições ou indicações específicas.



Tipo de alimento
Faixa etária
Nomes Comerciais
Fórmulas lácteas
Do nascimento até 1 ano de idade
NAN Supreme, Comfor ou Pró, Aptamil Premim ou ProFutura, Enfamil, Similac, Milupa, Nestogeno
Fórmulas lácteas
Entre 1 e 2 anos de idade
Aptamil 3 ou
NAN Comfor 3. Podem-se manter as fórmulas número "2" 
Compostos lácteos
Opção entre 1 e 2 anos de idade
Neslac Comfor, Milnutri, Enfagrow ou
Ninho Fases 1+
Compostos lácteos
Após os 2 anos de idade, podem ser mantidos
Milnutri, Enfagrow, Neslac ou Ninho Fases 1+, Ninho Fases 3+  
Leites Integrais
Opção após os 2 anos de idade
Ninho Integral ou Instantâneo, Leites Integrais UHT ou Frescos.



Simples assim...!






terça-feira, 22 de abril de 2014

Influenza/Gripe - Campanha nacional de vacinação

Inicia-se hoje a campanha nacional de vacinação contra Gripe/Influenza, em 65 mil postos de saúde pelo Brasil.

Num arroubo de lucidez (ano eleitoral?) o governo decidiu ampliar a faixa etária das crianças que podem receber a vacina nos postos de saúde: agora entre seis meses e cinco anos de idade. Além dos mais velhos (acima de 60 anos de idade), indígenas, presidiários e funcionários do sistema prisional, profissionais de saúde, gestantes e mulheres que tiveram parto há menos de 45 dias. Doentes crônicos também estão incluídos (diabéticos, doenças pulmonares e renais, etc...).

A vacina é a trivalente, como nos anos anteriores, contemplando o H1N1 + Influenza A (H3N2) e o Influenza B. A vacinação nos postos será até dia 9 de maio. Como em anos anteriores, muito provavelmente será adiada.

Independente das faixas etárias, gestantes (sempre!) e grupos esdrúxulos escolhidos pelo governo, recomendo que todos sejam vacinados com a vacina contra Influenza 2014.
A vacina é extremamente importante e já temos inúmeros casos da doença em São Paulo.


Antigamente, a recomendação: "vá para a casa e fique na cama até você melhorar".
Era um jeito de evitar que doença espalhasse. Continua atual.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Sindrome do bebê sacudido - Postado por Jairo Len

Definindo...a Síndrome do Bebê Sacudido (SBS), do inglês Shaken Baby Syndrome, é uma lesão cerebral traumática que pode ocorrer quando um bebê é sacudido, de forma violenta, por adultos nervosos ou raivosos, incomodados por alguma conduta da criança (como um choro, por exemplo). É um problema de saúde seríssimo*.

Recebo, com frequência, pergunta das mães sobre o "quanto é seguro" brincar com uma criança (em geral, bebês), em relação a jogar para cima, jogar o bebê para trás, com a criança no colo...e demais brincadeiras que os pais e tios fazem com crianças. Muitos tem medo da SBS, muitos não fazem porque sempre há uma testemunha por perto para cortar o barato...

Qual é a realidade disso?
Esse conceito de sacudir um bebê com violência e causar lesões cerebrais vem dos Estados Unidos, aonde existe - como já coloquei aqui - um forte conceito do "8 ou 80" - não existe meio termo em matéria de orientação aos pais. É obvio que não se pode sacudir violentamente uma criança, nem pouco, nem um pouquinho...
Mas não são estas brincadeiras entre pais e filhos que vão causar a SBS. Estou falando de uma brincadeira, com cuidado, bom-senso, etc...
Muito menos o ato de ninar uma criança no colo pode causar a SBS. Já fui questionado sobre isso também.

O que ocorre, já vi alguns casos, ao se jogar uma criança para cima, como brincadeira, podem ser acidentes... Erro na hora de pegar a criança, com lesões musculares e luxação, bater a cabeça (sim...se há um batente ou lustre, já vi casos assim), enjoos e vertigem...

Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa... Não estou aqui recomendando que se brinque dessa maneira com seus filhos... mas sim explicando de a Síndrome do Bebê Sacudido não vem exatamente de brincadeiras com crianças, e sim de violência com crianças.

*Diga-se de passagem, sobre a  Síndrome do Bebê Sacudido, é que é considerada uma lesão bem mais grave que um simples traumatismo, atingindo a retina, causando sérios problemas auditivos, cognitivos, paralisias, lesões ósseas, hematomas e até morte. Em alguns países é a causa mais comum de lesões intra-cranianas nos primeiros anos de vida.




sexta-feira, 14 de março de 2014

Vacina contra Gripe/Influenza - Postado por Jairo Len

Recebemos a vacina contra Gripe/Influenza, cepas 2014.

A vacina, como nos anos anteriores, é trivalente, que contempla três cepas virais. Por curiosidade, são estas:
- A/Califórnia/7/2009 (H1N1) - a famigerada gripe suína

- A/Victória/361/2011 (H3N2) - o representante do Influenza A
- B/Massachusetts/02/2012 - o Influenza B

Recomendo que todos recebam a vacina contra gripe. A idade mínima é de seis meses. Inclusive, entre seis meses e dois anos de idade, a imunização contra Influenza é rotina, faz parte do calendário de vacinação da maioria dos países.
A vacina é segura, e é marcante a diferença de casos de gripe em vacinados e não-vacinados: vejo isso no meu dia a dia da clínica. Portanto, funciona bem. Nos últimos anos não tive casos de Influenza em nenhuma criança que recebe as vacinas anualmente.

Como a vacina muda a cada ano, ela pode ser aplicada mesmo que não faça um ano da última dose recebida. Se você recebeu em julho de 2013, por exemplo, já pode ser imunizado com a vacina trivalente 2014.

Não sabemos ainda quando começa a campanha pública de vacinação, mas com certeza será atrasada (como sempre, após os casos aumentarem muito), será restrita a alguns grupos (incluindo presidiários) e, certamente, haverá um gigantesco alarde - afinal, estamos em ano eleitoral. 


Esta é a vacina que usamos na Clínica Len - da GSK, produzida na Bélgica.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Vacina contra HPV - Postado por Jairo Len

Complementando o post de 23 de janeiro, sobre a campanha do governo para vacinar meninas de 11 a 13 anos contra o HPV - Papilomavírus Humano, gostaria de repetir alguns dados e dar algumas sugestões (aos pais)... Lembro que a vacina é a Gardasil, produzida pela MSD, quadrivalente.

Continuo achando a campanha do governo tosca e eleitoreira, por dois motivos básicos:

- A faixa etária, 11 a 13 anos, é absurda. A vacina deveria ser estendida, no mínimo, aos 18 anos de idade (a Gardasil é aprovada para uso entre 9 e 26 anos, ambos os sexos).

- O esquema de vacinação que vai ser feito é: dose agora, dose após 6 meses e dose depois de 5 anos. Apesar de aprovado em alguns países, esse esquema não é usado rotineiramente em nenhum lugar (civilizado) do mundo, não consta em bula, a MSD não reconhece nem indica essa posologia. Todos que entendem de vacina sabem que o melhor esquema de vacinação é sempre aquele com mínimo intervalo entre as doses, para não se 'perderem" as doses subsequentes.

Dinheiro não me parece faltar para estender a faixa etária nem fazer as doses rapidamente, todas terminadas em 6 meses - que é o esquema preconizado pela OMS, MSD, AAP, FDA, SBIM e dezenas de outras siglas...: 
- Primeira dose agora
- Segunda dose após 2 meses
- Terceira dose após 6 meses
Isso posto...vamos lá... A vacina é segura e aprovada no mundo inteiro. Existe uma vigilância gigantesca em efeitos colaterais e futuros, as agencias de saúde sérias pelo mundo (não estou falando da ANVISA) tem estatísticas online, dados atualizados... É claro que existem efeitos adversos, como em qualquer vacina ou medicamento, mas são efeitos conhecidos, transitórios.

O que eu recomendo?
Continuo achando que todas as meninas e meninos devem receber a vacina no início da adolescência. 

Fazer no SUS?
Ao que me consta a vacina do SUS é importada, produzida pela MSD - portanto a mesma usada em clínicas particulares. O esquema de doses é esdrúxulo, portanto quem quer vacinas suas filhas pelo SUS deve fazer:
- Primeira dose no SUS
- Segunda dose após 2 meses, em clínicas particulares 
- Terceira dose no SUS após 6 meses da aplicação da primeira dose.
Claro, se puder pagar pela segunda dose (valor médio = R$ 400,00).

Eu, particularmente, conhecedor das rigorosas exigências da vigilância sanítária para com as clínicas particulares de vacinação, a qual me submeto anualmente, e conhecedor dos postos de saúde, recomendo que, se há condições financeiras, cada pessoa pense muito bem aonde vai levar seus filhos para vacinar. 

Recebi a dose da vacina de febre amarela em um posto de saúde (uma vez que não havia outra opção) - e tenho certeza que se a vigilância sanitária vistoriar aquele posto de forma rigorosa, vai achar um monte de problemas... E essa mesma percepção foi tida por inúmeros pacientes meus que eventualmente usam os postos de saúde.
Há exceções, é claro... Mas em saúde o que importa é seguir a regra, não a exceção.



quarta-feira, 5 de março de 2014

O que uma criança de 4 anos de idade deve saber? - Postado por Jairo Len

O que uma criança de 4 anos de idade precisa saber?

A pergunta é interessante...e a maioria das pessoas acaba pensando em escalas de desenvolvimento: contar até 50...saber o nome dos avós e bisavós, somas matemáticas simples...

Segundo Alicia Bayer, no  artigo publicado em um conhecido portal de notícias americano – The Huffington Post , o que não só a entristeceu, mas também a irritou, foram as respostas, pois ao invés de ajudarem a diminuir a angústia dessa mãe, outras mães indicavam o que seus filhos faziam, numa clara expressão de competição para ver quem tinha o filho que sabia mais coisas com 4 anos. Só algumas poucas indicavam que cada criança possuía um ritmo próprio e que não precisava se preocupar. 

Alicia Bayer listou o que realmente acredita que as crianças devem saber nesta idade:

Veja alguns exemplos abaixo:

- Deve saber que a querem por completo, incondicionalmente e em todos os momentos.

- Deve saber que está segura e deve saber como manter-se a salvo em lugares públicos, com outras pessoas e em distintas situações.

- Deve saber seus direitos e que sua família sempre a apoiará.

- Deve saber rir, fazer-se de boba, ser vilão e utilizar sua imaginação.

- Deve saber que nunca acontecerá nada se pintar o céu de laranja ou desenhar gatos com seis patas.

- Deve saber que o mundo é mágico e ela também.

- Deve saber que é fantástica, inteligente, criativa, compassiva e maravilhosa.

- Deve saber que passar o dia ao ar livre fazendo colares de flores, bolos de barro e casinhas de contos de fadas é tão importante como praticar fonética. Melhor dizendo, muito mais importante.

E o que os pais destas crianças devem saber?

- Que cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer cálculos a seu próprio ritmo, e que isso não tem qualquer influência na forma como irá andar, falar, ler ou fazer cálculos posteriormente.

- Que o fator de maior impacto no bom desempenho escolar e boas notas no futuro é que se leia às crianças desde pequenas. Sem tecnologias modernas, nem creches elegantes, nem jogos e computadores chamativos, se não que a mãe ou o pai dediquem um tempo a cada dia ou a cada noite (ou ambos) para sentar-se e ler com ela bons livros.

- Que ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa da turma nunca significou ser a mais feliz. Estamos tão obstinados em garantir a nossos filhos todas as “oportunidades” que o que estamos dando são vidas com múltiplas atividades e cheias de tensão como as nossas. Uma das melhores coisas que podemos oferecer a nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.

- Que nossas crianças merecem viver rodeadas de livros, natureza, materiais artísticos e a liberdade para explorá-los. A maioria de nós poderia se desfazer de 90% dos brinquedos de nossos filhos e eles nem sentiriam falta.

- Que nossos filhos necessitam nos ter mais. Vivemos em uma época em que as revistas para pais recomendam que tratemos de dedicar 10 minutos diários a cada filho e prever um sábado ao mês dedicado à família. Que horror! Nossos filhos necessitam do Nintendo, dos computadores, das atividades extraescolares, das aulas de balé, do grupo para jogar futebol muito menos do que necessitam de nós. Necessitam de pais que se sentem para escutar seus relatos do que fizeram durante o dia, de mães que se sentem e façam trabalhos manuais com eles. Necessitam que passeiem com eles nas noites de primavera sem se importar que se ande a 150 metros por hora. Tem direito a ajudar-nos a fazer o jantar mesmo que tardemos o dobro de tempo e tenhamos o dobro de trabalho. Tem o direito de saber que para nós são uma prioridade e que nos encanta verdadeiramente estar com eles.

Com informações de:
www.justrealmoms.com.br

The Huffington Post - versão em espanhol