quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Mais sobre Vacinas (Postos ou Clínicas?) - Postado por Jairo Len

Já postei, tempos atrás, um texto sobre a diferença entre vacinar no posto de sáude ou em clínicas particulares. É um assunto do dia a dia nas consultas pediátricas. 
A vacinação dos postos de saúde evoluiu muito nos últimos dois ou três anos, mas ainda não pode ser comparada à que se realiza nas clínicas particulares no Brasil (ou nos "postos de saúde" norte-americanos ou europeus).

Esta semana li uma reportagem sobre vacinas, efeitos colaterais, etc... no blog Maternar (maternar.blogfolha.uol.com.br), que inicia muito bem, falando sobre as reações que as vacinas podem dar, mas termina de forma ruim, nivelando as vacinas do posto às particulares. Entendo que muitos blogs imaginam ter um viés social importante e creem "falar" para todas as classes sociais, mas sabemos que a penetração dos blogs é bem específica, não escrevemos blogs para confortar ninguém, e sim para tentar elucidar dúvidas diárias com isenção (e uma pitada de ironia...). 
No Maternar, leio: "Como as diferenças de calendário diminuíram bastante nos últimos anos, os pais podem dar nas clínicas somente as vacinas que não estão disponíveis nos postos".
Frase dúbia.
A vacinação realizada nos postos é completa, faltando hoje em dia só a vacina contra hepatite A. As demais, todas são realizadas.
A diferença está no tipo e abrangência de vacina usada.
Exemplo:
Os postos vacinam contra pneumococos através da Pneumo 10-valente, produzida pela GSK, na Bélgica. As clínicas particulares usam a Pneumo 13-valente (da Pfizer/Wieth, EUA). São 3 sorotipos de pneumococos a mais. Acredita-se que com o uso da Pneumo 10-valente (POSTOS), economiza-se a vida de 5 mil crianças ao ano no Brasil. E que se o Brasil usasse para todos a Pneumo 13-valente, 7 mil crianças deixariam de morrer no Brasil por causa desta doença. Ou seja: duas mil crianças a menos morreriam.

A Pneumo 10 está disponível nos postos. É igual à pneumo 13? Não.

Outra vacina: contra Rotavírus. O posto usa a vacina monovalente (Belga, da GSK), só um sorotipo de rotavírus. Cobre 70% destas viroses intestinais. As clínicas usam a vacina Pentavalente (da MSD, EUA). Cobertura contra rotavírus: 99%. Não são iguais.

Em relação às vacinas tríplice e poliomielite, as clínicas usam a Hexavalente, uma vacina acelular, em picada única, com baixos índices de reações. Os postos aplicam em seringas separadas (Penta + Polio, 2 picadas), e a vacina de "célula-inteira" - muito mais reações. Portanto, não são iguais.

Enfim...cabe aos pais esta decisão, principalmente aqueles que tem condições de pagar pelas caras vacinas das clínicas particulares - que sofrem altas cargas de impostos de importação e intermediários que quintuplicam seu preço de origem. 
Mas cabe a nós, profissionais, explicar de forma sincera as diferenças entre os tipos de vacinas - sem ter "pena" de ninguém, contando que também no quesito "vacinação" o governo não oferece o que há de melhor para a sua população.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Genéricos, Similares e Originais - Postado por Jairo Len

"Você confia nos medicamentos genéricos?"
Não só para mim, mas acredito que todos os médicos respondem a essa pergunta com muita frequência...
Para não parecer muito radical, eu coloco um questionamento aos que me perguntam sobre genéricos:
- Se o governo criasse a linguiça genérica, você compraria, independente do fabricante? Compraria a linguiça do "Zé da Esquina", que você nunca ouviu dizer? Ou uma linguiça feita na Índia?
A resposta, sempre depois de alguns segundos de meditação, é..."não"
- Mas o nosso governo garante que a linguiça é boa!!
"Não...acho que não, né?"

Então - respondo - com os medicamentos é exatamente igual - temos que confiar nos laboratórios e sua idoneidade, sua seriedade.
Não se pode confiar na vigilância do governo, que nós médicos sabemos que não é realizada abrangente, séria, responsável e isenta de qualquer interesse. Basta ler uma revista semanal (Veja, IstoÉ, Época) para ver como funciona o lobby da saúde - um dos mais famigerados, e todos os seus braços malévolos. Principalmente quando se trata de grandes, enormes volumes de dinheiro. 

Li há pouco, incrédulo, que a ANVISA quer unificar genéricos e similares. Similares são os medicamentos produzidos por qualquer laboratório quando o original "perde" a patente. O laboratório que quiser compra o sal (produto in natura, o medicamento cru) em qualquer canto do planeta (China, Indonésia, Índia) e produz seu remédio. Dá um nome criativo e põe à venda.
O que isso significa?
Atualmente, quando o médico prescreve, por exemplo, amoxicilina, a farmácia pode vender o original (Amoxil, da GSK) ou o genérico. Só.
Com a nova regulamentação, a farmácia pode empurrar qualquer tipo de amoxicilina.
Similares, inclusive. Fabricados por qualquer um...

Acho que os similares e os genéricos, de modo geral, se equivalem. É o roto e o esfarrapado.
Volto à linguiça. Não dá pra confiar na vigilância do governo...
Compraremos a linguiça de quem confiamos... Você só compra da Sadia, Perdigão, Aurora... Mas e o Zé da Esquina Calabresa, não confia?

Eu particularmente (para uso próprio) não tenho boas experiências com genéricos, infelizmente. Não só de um remédio...
Atualmente não compro. 
Similares? Alguns. Aqueles em que confio no laboratório fabricante e que eu sinto que fazem efeito, Isso é muito simples para quem toma o Nexium, por exemplo, um remédio para regular a acidez gástrica. O genérico (esomeprazol, só tem um fabricante deste genérico...) não me fez efeito. Não funcionou.

Para meus pacientes, recomendo o uso do original. Além do gosto invariavelmente melhor - importantíssimo em pediatria - não posso contar com o viés do remédio não funcionar por não ser de boa qualidade. Se não está funcionando, mudamos o rumo do tratamento. 

Medicina é algo muito sério. Podemos perceber isso cada vez mais, dia a dia se fala nesse assunto.
Se os interesses econômicos ou a bandalheira falarem mais alto, estamos em maus lençóis...

Para ler o texto sobre genéricos e similares, clique aqui (Folha.com)

Parece que a desconfiança não é só por aqui...
 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

"Epidemia Alérgica" e a Vitamina S - Postado por Jairo Len

Já postei sobre a "Vitamina S" aqui no blog - o "S" de sujeira...importante para o desenvolvimento de fatores imuno-alérgicos das crianças. 

Não estamos falando de sujeira orgânica, de lixões ou esgoto a céu aberto - e sim os contatos diários que as crianças tem: chão, terra, areia, etc...
Artigo do New York Times, publicado ontem, reitera alguns aspectos interessantes (e científicos) da importância dos contatos com germes e alérgenos desde cedo.
A "epidemia alérgica" das últimas décadas deixou duas a três vezes mais pessoas com doenças alérgicas e asma.
Uma das curiosidades é o "efeito fazenda": crianças criadas desde muito cedo em fazendas, tendo contato com currais, estábulos e paióis, tem menores índices de alergia se comparados a crianças da cidade. Tanto aos alérgenos da fazenda (como o pólen, por exemplo), como os demais.
O mesmo sabemos a respeito de alergia a animais de estimação: quanto mais cedo a criança tiver contato com cachorros, por exemplo, menor é a chance de desenvolver alergia.

Estudo realizado na Finlândia em 2012 constatou que a diversidade vegetal fora das casas está relacionada a uma variedade maior de bactérias presentes sobre a pele humana dentro das casas. Adolescentes expostos a essa biodiversidade maior apresentam risco menor de sofrer alergias

O raciocínio é simples. Estes contatos precoces funcionam como uma "imunoterapia", que aos poucos acostumam o corpo às substâncias que causam alergia.
Mas este raciocínio não funciona para tudo que causa alergia. O leite de vaca, por exemplo, é daquelas coisas que quanto mais cedo é oferecida, maior o risco de alergia.
Portanto, vale para a "vitamina S' mesmo.



Relaxe...


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Desacelerando - Postado por Jairo Len

Já postei aqui no blog sobre hiperativismo parental, uma espécie de obsessão dos pais em envolver seus filhos em infindáveis atividades lúdico-socias-culturais-intelectuais... Sou contra.

Fiquei contente em saber que está chegando ao Brasil o movimento "SlowKids", evento em prol da desaceleração da rotina das crianças.
É um movimento que apregoa tempo livre para as crianças. 

O jornalista britânico Carl Honoré, que autor do livro "Sob Pressão" (Ed. Record), foi o primeiro a usar o termo "slow parenting", uma filosofia de criar filhos sem procurar compromissos para os pequenos em todas as brechas do dia. 
Em um dos interessantes capítulos do livro, ele diz que o tédio é muito importante para que as crianças tenham criatividade para achar o que fazer. 
Honoré acha também que crianças até os 5 anos não necessitam agenda com atividades estruturadas - a escola basta - e o resto é tempo livre.

É claro que o evento que inaugurou o "SlowKids" em São Paulo já foi uma pequena forma de hiperativismo - aonde 1500 pessoas se encontraram no parque da Água Branca para brincar sem eletrônicos, interagindo com os pais. Hora marcada para começar e acabar...
 
Acho que desacelerar é ir ao parque da Água Branca (já fui, recomendo!!) sem hora marcada, sem banners, sem monitores. Domingo é dia de cada um fazer o que quer, é dia de descanso...

De qualquer forma, entendo que é necessário promover a idéia, que sou 100% a favor.
No dia-a-dia da Clínica vejo como é infindável o número de atividades que os pais estruturam para os filhos - começando às vezes aos 5 meses de idade, em aulinhas de música e de multi-atividades (inclui cinema para as mães com seus bebês no colo, mamando ao ritmo de Almodóvar)...

Repetindo a frase final do meu post sobre esse excesso: crianças precisam também de estímulos bem simples, como sentar por horas e brincar de forma não-pedagógica com seus pais ou cuidadores. Brincadeiras intuitivas, sem manual de instrução, sem fisioterapeutas orientando, sem hiperativismo parental... 

 

 
  

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Doença psiquiátrica ou normalidade? - Postado por Jairo Len

Assunto que afeta crianças e adultos (principalmente mulheres...), a eterna polêmica de excessos de diagnóstico e medicação para distúrbios psiquiátricos está de volta.
Não estamos falando de esquizofrenia, mas sim de PMD, TDAH, TOC, ciclotimias...
O número de mães que usam anti-depressivos na minha população da Clínica é bem grande...
"A 'caixa da normalidade' está cada vez menor e a culpa é do excesso de diagnósticos de doenças mentais, diz o psiquiatra americano Dale Archer, autor do best-seller 'Better than Normal', recém-lançado no Brasil com o título 'Quem Disse que É Bom Ser Normal?' - conforme a reportagem da Folha on line. Concordo.

É claro que é muito mais fácil, principalmente para adultos, que seja prescrito um anti-depressivo no lugar de se fazer uma boa psicoterapia. Tapa-se o sol com a peneira por alguns anos e os resultados nos anos seguintes pode ser desastroso.
É óbvio que existem indicações bem exatas para os medicamentos.
Nos meus pacientes, por exemplo, temos um critério muito rigoroso e atento para medicar ou não - principalmente os déficits de atenção - passando por inúmeras avaliações e critérios bem definidos. Idem para os TICS e os TOCS. 
Acredito que pelo "medo" que os pais tem de dar psicotrópicos para seus filhos, a psicoterapia ainda funciona muito!

Folha - Para a psiquiatra e psicanalista Regina Elisabeth Lordello Coimbra, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, as pessoas estão menos tolerantes às emoções: "Há pouco lugar para a tristeza. E a exaltação e excitação são confundidas com felicidade. Vivemos de uma forma mais estimulante, na qual emoções mais depressivas, reflexivas, não têm espaço."

"É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe...", mas vamos com calma.

Para ler a íntegra da reportagem da Folha, clique aqui.











quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Poliomielite na Síria - Postado por Jairo Len

Todos sabemos que existe uma parcela de pais e mães irresponsáveis e inconsequentes que optam por não vacinar seus filhos. Baseados em ciências e filosofias que não vou debater aqui, o mais incrível é que quem já conversou com gente que faz isso percebe que estes pais se sentem orgulhosos em não vacinar seus filhos...!

Sempre digo aos pais que é "muito fácil" não vacinar crianças quando quase 100% da população é vacinada e as doenças vão sendo erradicadas.  Os riscos realmente são baixos, mas existem.
Exemplo: o último caso de poliomielite no Brasil foi visto em 1989, de forma que pode-se dizer que a doença está erradicada no nosso país. O risco de se pegar a doença aqui no Brasil, mesmo sem a vacina, é remoto.

PORÉM, três países do mundo (e agora quatro) ainda tem casos de poliomielite: Nigéria, Paquistão e Afeganistão...e atualmente a Síria. 
A doença existe. Com os novos casos na Síria, a OMS se preocupa muito com as crianças não vacinadas. O MUNDO TODO AINDA VACINA contra poliomielite, mas nestas áreas de guerra e de extrema pobreza as crianças deixam de ser vacinadas.
Por aqui, só a pobreza intelectual e de espírito deixa de vacinar seus filhos.

Quais os riscos? Imediatos são raros - mas existem - porque na Síria atualmente há pessoas do mundo todo, da OMS, da imprensa, que voltam frequentemente para suas terras-natais. Levando consigo os vírus, da mesma forma que eles chegaram nas crianças Sírias.  

"Sabemos que um vírus da pólio do Paquistão foi encontrado no esgoto do Cairo em dezembro. O mesmo vírus foi encontrado em Israel, em abril, também na Cisjordânia e em Gaza. Está colocando todo o Oriente Médio em risco", de acordo com o diretor-geral-assistente da OMS, Bruce Aylward.

E estas crianças (não vacinadas hoje) serão adultos daqui a três décadas, sem anticorpos contra a poliomielite (susceptíveis, portanto). É claro que os militares, repórteres, trabalhadores da ONU, etc...todos são hiper-vacinados, não correm risco de pegar a doença, mas tem condições de espalhá-la.

Resta-nos, para a proteção das infelizes crianças não-vacinadas pelos seus pais, rezar para que a pólio não volte ao Brasil. 

Aos que vacinam seus filhos regularmente, sem preocupações: não existe qualquer risco em poliomielite.



quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Novas regras para a hora certa do parto - Postado por Jairo Len

Uma nova definição do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, liderado pelo professor Jeffrey Ecker, da Harvard Medical School (Boston, Massachussetts), propõe uma mudança:
Partos entre a 37ª e a 39ª semana de gravidez serão agora considerados pré-termo, e um parto a termo será aquele entre a 39ª e a 41ª semana.

Antes, considerava-se prematuro um bebê nascido antes de completar a 37ª semana de gestação.
Agora, por exemplo, 38 semanas e 5 dias é prematuridade.

Duas considerações:
Concordo plenamente com a nova definição. 
Vejo, nos recém-nascidos que atendo na Clínica, que grande parte deles nasceu através de cesáreas marcadas ao redor da 38ª semana, sem qualquer sinal de trabalho de parto ou que é hora de nascer. Pura conveniência materno-obstétrica.
Já existem inúmeros trabalhos mostrando que as crianças que nascem antes da 39ª semana (sem motivo, cesáreas, sem trabalho de parto) tem maiores índices de complicações neonatais. 
Eu observo também que a amamentação é bem mais fácil quando o bebê nasce na hora certa (na hora em que houver trabalho de parto, quanto mais próximo da 40ª semana, melhor).
O Brasil tem índices gigantescos de cesáreas, praticamente invertendo a relação mundial (que é de 80% de partos normais e 20% de cesáreas).

Por outro lado, uma criança que tiver nascido na 38ª semana, de parto normal ou cesárea, aonde houve trabalho de parto (hora certa de nascer), contrações de verdade, etc... não tem qualquer característica de prematuridade e não precisa de qualquer cuidado especial - é igual àquela que nasceu de 40 semanas.

"As novas definições devem ajudar a reduzir o número de mulheres que optam por ter um parto induzido ou cesárea por razões não médicas. O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas é contra a indução do parto antes da 39ª semana de gravidez.
'Os médicos agora podem dizer que os partos induzidos e cesáreas não devem ser realizados no período pré-termo', disse Ecker." 

É claro que quando houver qualquer indicação real obstétrica de marcar a cesárea ou indução de parto, em qualquer data, isso é mais importante do que a definição teórica.

Campanhas mundiais são comuns para se evitar a antecipação dos partos


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Cama Compartilhada - Postado por Jairo Len

Não ia comentar uma reportagem que li no UOL, sobre "cama compartilhada"... Mas algumas mães me perguntaram o que acho do assunto.

A reportagem começa assim:
"Você ignorou todos os conselhos e trouxe seu bebê para dormir na cama de casal? Não se sinta envergonhada, você não está sozinha. Esse método, que passou a ser chamado de cama compartilhada, vem ganhando seguidores. O pediatra especializado em neonatologia ..., é um dos defensores do sistema. Segundo ele, a cama compartilhada pode trazer benefícios tanto para os pais quanto para as crianças".

Bom... Começo dizendo que tudo, em pediatria, que é denominado de "compartilhado", já mostra uma tentativa de solução de um problema. Um nome bonito para um enrosco. Vide guarda compartilhada - uma solução para filhos de pais separados, que, neste caso, tem feito inúmeros pais (homens) acharem que tem direitos acima da lei sobre os filhos - pressionando sobremaneira as mães (em 99% detentoras da guarda dos filhos).

Voltemos à cama compartilhada. Sou 100% contra.
Exceto quando há qualquer problemas de saúde ou emocional com a criança, ela não deve dormir na cama dos pais.
Primeiro e irrefutável argumento: dormir na mesma cama que adultos aumenta o risco de mortalidade em crianças, tanto por sufocamento como por morte súbita. Se devemos evitar paninhos e brinquedos na cama, imagina dormir com uma pessoa de 60 kg de um lado e outra de 85 kg do outro. Edredons, travesseiros, etc...

Na mesma reportagem, uma voz lúcida:
"Não é seguro. Os pais não têm controle dos movimentos enquanto dormem. Não recomendo de jeito nenhum”, diz a pediatra e alergologista Ivani Mancini. Como alternativa aos pais que querem ficar perto da criança, Ivani recomenda colocar o bebê para dormir num carrinho ou bercinho no mesmo quarto. E só nos primeiro meses. Para Ivani, o bebê deve ser acostumado a dormir sozinho no berço desde cedo".

É claro que no blá-blá-blá todo da reportagem, uma mãe adepta à guarda compartilhada diz que "As decisões que tomo na minha casa são baseadas na vivência da minha família e no tipo de criação que escolhi, sabe? Existem inúmeras pesquisas que falam da vantagem de se ter a criança por perto, das vantagens de criar o bebê próximo e acolhido pelos pais.”
Concordo com a primeira parte: cada um faz o que quer na educação dos seus filhos. Free-will.
Mas a segunda parte, de forma alguma.
Não sei se por culpa ou outro problema que a psicanálise deve saber qual é, a maioria destas pessoas ligam estes hábitos errôneos (como amamentar até os 5 anos de idade e dormir na mesma cama) ao apego e forma de demonstrar que sentem mais amor que os demais pelos seus filhotes... Todo mundo que tem filhos sabe que não é bem assim, que não esse tipo de criação que mostra o quanto se ama os filhos.
Aliás, acho que uma das maiores formas de amor é conseguir educar os filhos, despindo-se das culpas cotidianas.

E a reportagem ainda elucida quando se fala da sexualidade dos pais. Como fica, uma vez que a criança está na mesma cama?
O pediatra que é a favor da cama compartilhada respondeu: "a cama compartilhada não interfere na sexualidade do casal. As pessoas sabem usar outros lugares.”
Ou seja: o casal sai do quarto, tranca seu filhinho dormindo lá dentro e vai para a sala. Não se esqueça de trancar também a área de serviço, a porta da cozinha e fechar as cortinas.

Mais uma vez... Kama-sutra versão cama compartilhada

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Perséfones e Obesidade - Postado por Jairo Len

Confesso que já fui noveleiro (quem não foi?) mas hoje em dia, talvez por absoluta falta de tempo, não acompanho mais as novelas... Ainda que, assim como o futebol, sabemos o que está acontecendo sem assistir aos jogos.
Na internet li sobre o casamento de uma personagem obesa, Perséfone, e todos os comentários, de gente do ramo ou não, sobre o preconceito que os obesos (no caso, bem gordos, como a personagem) sofrem no dia a dia. 
Na UOL, por exemplo: "Novela humilha personagem gorda e ensina que felicidade depende do marido". "Embora com pinceladas cômicas, as desventuras de Perséfone têm desagradado uma parcela significativa de telespectadores, inconformados com o tratamento dado a ela e que, agora, é recompensado com a conquista de um homem. Descontentes com o perfil da enfermeira –mostrada como ingênua, boba, desesperada para arranjar um parceiro, blogueiras plus size chegaram a criar uma petição online para o autor Walcyr Carrasco mudar os rumos da personagem, mas não tiveram seus desejos atendidos."
Acho que esta parte da novela esteriotipa o que ocorre, exatamente, na vida real. A cobrança com o corpo da mulher é gigantesca (não ser gorda). Homens obesos da novela estão casados e não se fala nisso. A atriz, Fabiana Carla, acha que o que se passa na novela reflete o preconceito que o gordo leva na vida real. Alguém nega?

Aí vem a discussão que julgo importante. Se olharmos o modelo norte-americano, aonde tudo vai sendo adaptado à crescente obesidade da população, se percebe que a obesidade mórbida vem crescendo de forma incrível por lá. Scooters à vontade, roupas gigantescas, pratos idem. Por aqui ainda temos uma visão mais amedrontada da obesidade - e isso é ótimo - porque na segunda e terceira décadas de vida ninguém se preocupa com a saúde e complicações no futuro - e evitar a obesidade é questão de honra por motivos de auto-estima "física", de beleza mesmo. 
Se tivermos a tranquilidade e leniência norte-americana com a obesidade, estamos perdidos. 

"O físico não deveria ser o principal ponto de atenção. A mulher precisa ser mostrada como ela é, como um todo. Afinal, a pessoa vale pelo seu todo ou vale quanto pesa?", questiona o psiquiatra Arthur Kaufman, fundador e coordenador do Programa de Atendimento ao Obeso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínica da USP". Concordo com o psiquiatra, mas não é essa a nossa realidade.

"O psicólogo Marco Antonio de Tommaso, credenciado pela Associação Brasileira para Estudo da Obesidade, completa: "Faz parte do estigma da obesidade mostrar nas novelas e nos filmes a gorda boazinha de coração puro, que mantém os bons sentimentos mesmo que os outros caçoem dela. A gordinha precisa sobreviver e assume um personagem para atenuar a rejeição e a discriminação".
Essa é a realidade em que vivemos, vale para gordos e gordas, no caso.

Perséfone, a da novela, mostra a vida "quase" como ela é. Apesar das críticas dos politicamente corretos, ela está casada, e provavelmente isso seria bem mais difícil, desta forma, na vida real.

É extremamente importante que a obesidade seja combatida nas primeiras duas décadas de vida, e o pediatra é fundamental, em muitos casos, para alertar os pais. No meu dia-a-dia vejo que muitas famílias ainda se surpreendem quando mostro, graficamente, que a criança engordou demais. Não perceberam, e muitos não "acreditam", principalmente as avós...


Ela conseguiu!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Tricotilomania - Postado por Jairo Len

Com alguma frequência, na pediatria, ouvimos a queixa de que "meu filho está arrancando o próprio cabelo", fio a fio, muitas vezes ficando com falhas visíveis no couro cabeludo.

A esse distúrbio crônico que faz com que a pessoa sinta um desejo incontrolável de arrancar seus cabelos dá-se o nome de tricotilomania (TTM) - do grego trico = cabelo; tilo = puxar.

Não se sabe exatamente as causas da TTM, mas se sabe que há fatores genéticos envolvidos, problemas emocionais e desequilíbrios químicos (em neurotransmissores).

Pode ocorrer em crianças a partir de 1 ano, sendo relatado até cerca dos 40 anos de idade. Mas as faixas etárias mais frequentes são entre os 11 e 15 anos, seguido pelos de 6 a 10 anos.

A criança com TTM tem o hábito de ficar enrolando o próprio cabelo, muitas vezes fazendo "nózinhos" e arrancando os fios. Geralmente no mesmo lugar da cabeça, causando falhas no cabelo, muitas vezes grandes. Também é característica da TTM arrancar cílios ou sobrancelhas.
Além do problema estético, muitos ainda ingerem este cabelo retirado, podendo, raramente, ter problemas intestinais sérios (como a obstrução do trato intestinal, que se chama tricobezoar).

Considera-se a TTM um  distúrbio psicológico, não simplesmente um hábito. Entra no grupo dos Transtornos do Controle dos Impulsos. 
E merece tratamento. Na maioria das vezes a terapia comportamental é suficiente. Em raros casos, medicação ansiolítica ou antidepressiva, principalmente nos mais velhos, quando há associação com outras caracterícticas psicológicas, como depressão, tiques ou características obsessivo-compulsivas.





 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Ir ao pediatra...até que idade? - Postado por Jairo Len

Com frequência as mães e pais me perguntam "até que idade devo levar meu filho ao pediatra"?
Em termos de regras, a OMS diz que o pediatra é o médico que cuida de crianças e adolescentes, portanto, do nascimento aos 20 anos de idade. Não é esta regra que vemos na saúde pública nem nos pronto-atendimentos particulares, aonde o limite pediátrico chega aos 13, 14 ou 15 anos, no máximo.

Em termos práticos, acho muito importante que se acompanhe um adolescente durante todo o período de crescimento - com consultas anuais até que se atinja a estatura final. Mas temos consultas dia-a-dia relacionadas a doenças de adolescentes: infecções de garganta, dores de barriga, ouvido, problemas de pele - além de preocupações nutricionais e endocrinológicas - principalmente o sobrepeso.

Quando você atende uma criança desde seu nascimento, mês a mês, semestre a semestre, cria-se um vínculo muito grande com a família, cujo cordão-umbilical se chama confiança. E quando esta criança chega aos 17 anos de idade, com febre e dor de garganta, acabam procurando mesmo um dos últimos "clínicos-gerais" que existe, o pediatra. É nesta consulta também que aproveitamos para pesar, medir, checar as vitaminas em uso (ou o excesso delas, para muitos), recomendar o uso de vermífugos, saber como "estão as coisas".

Lembro aos pais que nós, pediatras, temos que nos preparar para "qualquer" doença que apareça: quando entra uma criança na minha sala nunca sei qual é a queixa...de lesões de pele a queda de cabelo, de micoses a problemas alimentares, infecções em qualquer parte do corpo ou simplesmente uma queixa psicológica - falta de sono, de apetite, suspeita do uso de drogas, de autismo...
Por isso nos sentimos à vontade de atender os mais velhos. Importante é que o contrário também seja verdadeiro: os adolescentes nem sempre se sentem à vontade na frente do médico. Com aqueles pacientes que cuidamos desde o nascimento, é mais fácil: na adolescência tenho certeza que fazemos parte da família deles (um tio?). Para os "novos" pacientes, que nos chegam já adolescentes, é necessário muito tato e "ir com calma"...nem todos gostam de pediatras...

Existe até uma especialidade médica própria para atender adolescentes, a hebiatria (do grego, "hêbé": juventude, adolescência). Conheço e recomendo para alguns adolescentes o acompanhamento com hebiatra, mas lembro que nem todos se adaptam - justamente por ser um médico "novo", aonde é difícil criar vínculos. Consultas de adolescentes são anuais, são poucas...
Para as meninas, a ida ao ginecologista após a menarca também é uma forma de acompanhamento desta fase - desde que a ginecologista (sempre querem mulheres, óbvio) tenha um espírito de clínica-geral - checando toda a parte de crescimento e hormônios.

E quando a garganta dói, estamos sempre prontos para atendê-los - sempre com as saudades de um tio.



terça-feira, 17 de setembro de 2013

A difícil tarefa de educar - Postado por Jairo Len

Li hoje, na Folha Online, um ótimo texto da psicóloga Rosely Sayão. Infelizmente só é liberado para assinantes...
No texto "As Dificuldades de Educar" a psicóloga expõe as contradições que vemos hoje em dia em matéria de educação. Por exemplo: é importante desenvolver a auto-estima dos filhos (#1 em educação) mas ao mesmo tempo não se pode elogiar tudo o que a criança faz...
Alguns autores defendem firmeza, outro juram que a autoridade exagerada é prejudicial.
Palmadas, hoje, são até proibidas por lei... No dia a dia da Clínica pergunto aos pais se eles "levaram palmadas" quando eram criança: 9 em cada 10 pais dizem que sim, e que não se tornaram, por isso, serial killers. Alguns confessam que já usaram este método educacional nos seus filhos, outros se arrepiam em pensar nisso.
Rosely Sayão ainda coloca que, não bastasse a opinião que cada um tem, os pais ainda sofrem pressões de movimento sociais em relação à amamentação, à alimentação, ao consumo...
Sempre lembro de alguns dilemas, como de um casal, pais de meninos gêmeos. A mãe, vinda de família muito rica, viveu com toda a fartura, tudo em mãos, sem qualquer dificuldade. Formou-se médica, fez pós graduação fora do Brasil e hoje trabalha e pesquisa muito. É bastante bem sucedida. Acha que os filhos podem viver nesta "fartura" e aprenderem o que ela aprendeu com os pais.
O pai veio de uma família mais rigorosa, menos abastada, aonde para se conseguir qualquer coisa tinha que "suar" muito - e sentia que os pais não davam tudo o que ele queria para forçá-lo a batalhar. Formou-se médico, é extremamente bem sucedido. Acha que os filhos não podem viver nesta "fartura" e devem aprender o que ele aprendeu com os pais. 
Quem está certo? A mãe ou o pai? Qual foi  a fórmula que os pais dela tiveram para não errar? E os pais dele?

Um parágrafo do texto me chamou atenção, e concordo plenamente:

"Qual a saída? Saber que o que conduz a educação familiar são as tradições de cada família, os valores priorizados, as virtudes consideradas valiosas e, principalmente, a afetividade envolvida entre os integrantes do grupo. Não a afetividade melosa de incontáveis declarações de amor ao filho, e sim a amorosidade de introduzi-lo na vida como ela é, de dar banhos de realidade no filho de acordo com a idade que ele tem".

Não há um único meio de educar seus filhos que sirva para todas as famílias.  
Há um senso comum, parece que (quase) todos nós identificamos pais que tentam educar bem seus filhos e aqueles outros são são o contra-exemplo do que é educar. Mas para os pais do contra-exemplo, talvez os "outros" pais pareçam uns loucos. 

Sempre peço para os pais, lá na Clínica, que procurem perceber como foram educados por seus pais, quais eram os valores, o que podia e o que não podia, e como a educação funcionou. Se isso os fez bem sucedidos, se fez deles pessoas que consideram felizes, se foi uma fórmula para o sucesso, globalmente falando...
Desta forma, de geração em geração, tentando educar do seu modo, sem fórmulas mágicas, que infelizmente não existem...

Para quem que acesso, o texto de Rosely Sayão.

Politicamente incorreto, mas a minha geração entende muito bem a piada!






segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Qual o leite ideal? - Postado por Jairo Len

Post atualizado em 17/10/2016

O meu post sobre a "confusão dos leites" teve um grande número de perguntas sobre qual seria o leite ideal nos primeiros anos de vida.
Na ausência de aleitamento materno ou no momento da sua interrupção é necessário que se use algum "leite" que traga inúmeros benefícios nutricionais, principalmente nos primeiros 2 anos de vida.

Primeiros 1.000 dias (gravidez, 1º e 2º ano de vida)
É nesse período, os primeiros 1.000 dias de vida, em que é formado 85% do cérebro do bebê, além de quase todas as células definitivas do nosso organismo.
O alimento dado à criança nesta fase deve ser adequado, balanceado e muito rico em nutrientes essenciais.

Até 12 meses, na hora em que for necessário substituir o leite materno, deve-se usar fórmula láctea, ou seja, leites como os NAN Supreme, Comfor ou Pró 1 ou 2, Aptamil ProFutura ou Premium 1 ou 2, Enfamil Premium 1 ou 2, Similac 1 ou 2, etc...
Não se usa leites integrais ou compostos lácteos (ex.: Ninho 1+) nesta faixa etária.

Entre 1 e 2 anos de idade, acho que o ideal é continuar usando fórmulas lácteas. São bem mais nutritivas e balanceadas que os compostos lácteos e incomparáveis aos leites integrais.
Atualmente temos  o Aptamil Premium 3 e NAN 3 Comfor. Todas as fórmulas, como o Enfamil 2, Similac 2, Aptamil ProFutura 2, NAN Supreme 2 também são boas para o segundo ano de vida.
Caso haja pouca aceitação, os compostos lácteos também podem ser indicados: Neslac Comfor, EnfagrowMilnuti ou Ninho 1+.

Leites como o Ninho Instantâneo, Ninho Integral e demais leites integrais não são alimentos ideais na faixa etária até 2 anos - mas podem ser usados se não houver aceitação das fórmulas e compostos lácteos. Idem se não houver possibilidade econômica, porque estes são mais caros... 

A partir dos 2 anos de idade, pode-se utilizar os compostos lácteos (ideal) ou mesmo os leites "normais", integrais ou semi-desnatados (sob indicação pediátrica).

Resumo:
Na falta de leite materno...
Até 1 ano: fórmulas lácteas
Entre 1 e 2 anos: fórmulas lácteas (1ª opção) ou compostos lácteos
A partir dos 2 anos: compostos lácteos ou leites integrais

Todas as indicações de uso de fórmulas, compostos ou leites devem ser orientadas pelo pediatra ou nutricionista. Crianças com qualquer tipo de intolerância alimentar tem conduta alimentar individualizada.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Medicina Alternativa X Lucidez - Postado por Jairo Len

Li, na Folha.com, uma entrevista muito lúcida e interessante, com o pediatra norte-americano Paul Offit, um dos criadores da vacina contra rotavírus, sobre as "medicinas alternativas" e a incrível crença das pessoas nela. 
Offit é autor de inúmeros livros, incluindo o recém-lançado Do You Believe in Magic? -
"aonde dispara contra o mercado das vitaminas vendidas em altas doses, dos suplementos alimentares que prometem ações semelhantes à de remédios e dos profissionais que oferecem "curas" com preço alto mas sem base nenhuma em pesquisas para doentes terminais."
Ao mesmo tempo em que critica a medicina atual, pela falta de atenção e frieza com pacientes, ele julga "desconcertante que as pessoas tenham a ideia de que [a medicina alternativa] algo é seguro e funciona quando pode não funcionar e não ser seguro. Essa indústria, alternativa, é colocada como intocável"..."Gostaria que tivéssemos o mesmo ceticismo com a medicina alternativa que temos com a medicina moderna".

Concordo...às vezes atendo famílias, na Clínica, que são super preocupadas com os medicamentos alopáticos que usamos. São de ler bulas, pesquisar na internet sobre efeitos colaterais, estatísticas. Estamos falando de antialérgicos comuns, sem cortisona, de analgésicos ou antibióticos, sabidamente seguros quando bem indicados.
Estas mesmas famílias vão a um homeopata, por exemplo, mandam fazer uma medicação em uma farmácia qualquer de manipulação, remédios que contém 5% de álcool (= cerveja) e dão aos seus filhos. Sem bula, sem questionamento, sem imaginar que isso possa fazer mal ou, pelo menos, que não há qualquer comprovação científica...
Falo para estas famílias que não sou "exatamente" contra...mas me surpreende esta atitude: tanto senso crítico por uma lado, tanta leniência para outras coisas...

Enfim... Na pediatria não enfrentamos muitos desastres por causa das terapias alternativas, mas muitos conhecem os efeitos de não-tratar alguma doença mais séria, bandear para a terapia alternativa, e depois ficar tarde para consertar.

Para quem queira ler a entrevista completa, segue o link da FOLHA.COM


 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Campanha "Vacinação em Dia" - Postado por Jairo Len

Entre os dias 24 e 30 de agosto de 2013 o governo promove uma mega-campanha de vacinação para crianças menores de 5 anos de idade.
A idéia é "atualizar a carteira de vacinação" das crianças.
Iniciativa importante, porque o índice de cobertura vacinal nesta faixa etária, aqui no Brasil, é deficiente. Por fatores de relapso, logísticos e culturais, parte da população deixa de vacinar seus filhos nos postos de saúde.
O governo evidentemente poderia favorecer essa política de vacinação no dia-a-dia, inclusive como uma forma de parecer que se preocupa com cada um de nós. Não é o caso.

De qualquer forma, a campanha é direcionada para quem está com a vacinação atrasada.
Se seu filho faz acompanhamento regular em um pediatra que é atento à vacinação, e se você sempre aplica as vacinas necessárias, não há necessidade de comparecer à campanha "vacinação em dia".

Em relação às crianças atendidas regularmente na Clínica Len, posso garantir que as carteiras de vacinação estão sempre em dia.
Poderia o governo aproveitar e checar se cada pai e mãe estão vacinados contra coqueluche, tétano, sarampo, rubéola e meningite C. Isso também ajudaria bastante, inclusive ao titular da pasta que está "louco" para ser governador de São Paulo...







segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Distúrbios do Sono em Crianças - Postado por Jairo Len

Mais números do que soluções concretas... Mas não deixa de ser interessante.
Um estudo realizado pela USP mapeou os distúrbios do sono em 1027 crianças entre 3 e 5 anos de idade, aqui na cidade de São Paulo. São crianças matriculadas na rede pública de ensino.
Resultados: 
- 48,5% das crianças avaliadas movimentam-se muito enquanto dormem, 
- 38% acordam durante a noite e demoram a voltar a dormir, 
- 35% roncam, 
- 21,9% urinam na cama.
Eu achei os números bem grandes, em comparação à população que eu atendo. Mas não deixa de ser o que vemos de problemas mais comuns em matéria de distúrbios do sono em crianças.
Mais do que incomodar os pais, estes distúrbios de sono afetam as crianças, com noites mal dormidas, cansaço e sono diurnos, queda do rendimento escolar, alterações de humor.

Procuro, desde os primeiros meses de vida, prestar atenção no sono dos meus pacientes - insistindo para os pais que procurem ter noites completas de sono.
Não é fácil, não há um só método que agrade a todos. Depende de inúmeros fatores ambientais e do ritmo de vida dos casais, do tipo de alimentação da criança, de fatores genéticos...
Mas posso garantir que todos os pais que, desde cedo, querem muito que os filhos durmam noites inteiras, terão sucesso, desde que façam o que tem que ser feito.
Algumas coisas dependem de condições físicas, como no caso das crianças que roncam e tem apnéias noturnas - a avaliação da obstrução de trato respiratório superior deve sempre ser feita com muita precisão e medidas terapêuticas devem ser tomadas.
A velha história - desde os primeiros meses de vida - dos rituais, é a mais importante. Hora certa de banho, jantar, da historinha, das atividades suaves noturnas, baixo volume e dormir cedo (20-21h00) ainda são os fatores mais importantes para o sono noturno. Conforto térmico também deve ser levado em conta.
Para os casos mais severos, recomendo auxílio de especialistas (psicóloga, neuropediatra), uma vez que é extremamente importante dormir bem.

E, para todos os pais, muita paciência e afinco [perseverância, persistência], porque muitas vezes o processo pode levar meses ou anos...mas deve começar sempre o mais cedo possível.


Kama Sutra, após os filhos...
imagem: www.parents.org

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Volta às aulas - Postado por Jairo Len

Quase todos os anos, duas vezes por ano, falo sobre este assunto aqui no Blog.
Não é novidade.
Recomeçam as aulas e as doenças infecciosas invariavelmente aumentam em progressão geométrica. Em parte, pelo fato que a aglomeração de crianças sempre traz aumento significativo de doenças, no mundo todo, mesmo com todos os cuidados sendo tomados.
Por outro lado, muito deste contágio se dá por irresponsabilidade (ou falta de noção) dos pais e das escolas. 
Para diminuir a parte subjetiva da história ("Ahhh...eu não sabia"...), existem algumas regras básicas que deveriam ser seguidas, pelas escolas e pelos pais. As regras que enumero abaixo são propostas pela Academia Americana de Pediatria, bastante responsável neste quesito, saúde escolar.

Casos em que a criança deve ser afastada da escola:
- Febre, acima de 37,8º, independente da causa
- Diarréia de provável origem infecciosa
- Sangue ou muco nas fezes (sem fatores que justifiquem, como fezes duras)
- Mais de 2 vômitos nas últimas 24 horas
- Conjuntivite (com hiperemia/vermelhidão da mucosa ocular)
- Dor abdominal por mais de 2 horas ou associada a febre
- Lesões orais (salvo que tenha um atestado médico comprovando que não é infeccioso)
- Rash/Exantema (vermelhidão no corpo) com febre (ou sem febre desde que tenha um atestado médico comprovando que não é infeccioso)
- Tuberculose ativa
- Impetigo (até o início do tratamento)
- Piolho (não é necessário afastamento imediato, mas sim no final do dia)
- Escabiose (até fim do tratamento)
- Catapora (até que todas as lesões estejam secas, em geral 7 dias após o início)
- Coqueluche (até o 5º dia de tratamento)
- Sarampo, Rubéola e Caxumba (por 5 dias)
- Qualquer doença em que a criança não possa participar confortavelmente das atividades ou necessite maior atenção por parte dos cuidadores
- Mal estar, letargia ou falta de ar

Por outro lado, não são motivos de afastamento:
- Resfriados comuns e coriza, sem febre
- Tosse (afastada qualquer doença infecciosa)
- Secreção ocular clara ou lacrimejamento, sem vermelhidão, coceira ou outras alterações nos olhos
- Rash/Exantema sem febre (precisa avaliação médica e atestado)
- Molusco infeccioso
- Sapinho (monilíase oral)
- Citomegalovírus
- Hepatite B crônica
- AIDS

As escolas deveriam ter estes termos assinados em contrato, assim como profissionais (enfermeiras ou médicos) que possam fazer este diagnóstico. É claro que muitos deles são sinais e sintomas, de modo que as próprias professoras e coordenadoras podem afastar as crianças. As mães das crianças que não estão doentes devem cobrar das escolas o afastamento das crianças com sintomas...

Quem sabe um dia, quando todos tiverem esta consciência, o gigantesco números de doenças infecciosas que vemos atualmente nos escolares possa diminuir. 

Para quem quiser ler o texto completo, em inglês, segue o link da  NRCKIDS

 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Hidratantes - Postado por Jairo Len

Época de frio e as lesões de pele aparecem novamente.
Banhos mais quentes e demorados, roupas mais pesadas e "alergênicas", variações grandes na umidade do ar (e sempre mais seco aqui em São Paulo), aquecedores de ar.
Algumas crianças tem uma sensibilidade de pele muito grande e as dermatites estão em alta. 
Hidratar bem a pele é fundamental para evitar as dermatites típicas do inverno. Que podem ser ao redor dos lábios, nas dobras (do braço e atrás dos joelhos), nas costas, no rosto e muitas vezes no corpo todo.

Mas nem todo hidratante hidrata bem... 
Aliás, a maioria deles não funciona para hidratar a pele.
Regra básica (que só vale aqui no Brasil): hidratante muito barato não hidrata. Todos os bons hidratantes são caros.
Outra regra: hidratante bom não tem cheiro nem cor.

Estes hidratantes muito bons tem ingredientes caros mesmo... É que aqui no Brasil eles custam R$ 60,00 a 120,00 por frasco (média de 100 ml), enquanto nos Estados Unidos não passam de U$ 15. São mais caros por lá também, mas nada justifica o preço exorbitante por aqui (exceto, claro, os 37% de impostos).
De qualquer forma, reclamações de preço à parte, se queremos boa hidratação temos que utilizar estes produtos melhores.
Idealmente após o banho, uma ou duas vezes ao dia.
Nenhum ótimo hidratante é de uso exclusivo infantil. São hipoalergênicos, uso infantil e adulto. A maior parte dos hidratantes ditos "infantis" não são adequados.
 
As crianças, de um modo geral, odeiam os hidratantes. Não sei se é porque são gelados (neste frio...), se faz eles perderem tempo de brincar...enfim...independente disso, devemos insistir.

As boas marcas que recomendo para as crianças, atualmente, são (ordem alfabética):
- Cetaphil Restoraderm

- Epidrat ULTRA
- Fisiogel A.I. (creme ou loção cremosa)
- Lipikar Baume AP
- Stelatopia (creme emoliente)

Dependendo de cada tipo de desidratação de pele, um deles é mais indicado que o outro.  Existem inúmeros outros hidratantes que são excelentes também. Sempre seguem a mesma regra: sem cheiro, sem cor, hipoalergênicos, e caros.