terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Zika e Crianças - Postado por Jairo Len

A Zika é uma doença viral descoberta há mais de 70 anos, causada por um vírus, o Zika Vírus. O primeiro caso isolado foi relatado em Uganda, na Floresta de Zika, no ano de 1947, em macacos.

A transmissão do vírus Zika para humanos se dá exclusivamente pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a Dengue e a Febre Chikungunya. Ainda não há certeza sobre outras formas de transmissão, como sexual ou através do aleitamento materno.

No Brasil, os primeiros casos foram relatados em 2015.

A DOENÇA - após a picada, os primeiros sintomas podem acontecer em 3 a 12 dias, e são caracterizados por febre, dores no corpo e articulações, dor de cabeça, exantema (vermelhidão pelo corpo), conjuntivite e dor retro-orbital (atrás dos olhos). Os sintomas são mais brandos que a Dengue e Chikungunya, que tem quadro clínico bastante parecido.

Estes sintomas duram 3 a 7 dias, e a aos poucos vão desaparecendo. Não há necessidade de tratamento específico - só são tratados os sintomas, com analgésicos e antitérmicos, e bastante líquido. Muitos dos infectados não desenvolvem sintomas, e a doença passa despercebida.

Teoricamente a Zika é uma doença benigna, porém houve casos relatados de aumento de complicações neurológicas em locais onde houve epidemia de Zika, como na Polinésia Francesa, em 2014. Essa complicação é a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) , uma neuropatia potencialmente grave.  A ocorrência é bastante rara, mas não se pode negar a relação da Zika com a SGB.
 
ZIKA e CRIANÇAS

Crianças e adultos são afetados da mesma forma pela doença. A Zika não é mais grave em crianças, não traz maior índice de complicações, não é uma doença mais importante nos mais novos, mesmo recém-nascidos.

O grande problema, que todos sabemos, é a gravíssima relação entre a Zika e gestantes, aonde há confirmação de malformações cerebrais nos fetos. Isso ocorre exclusivamente em gestantes, no primeiro trimestre da gestação. Jamais quando a criança é infectada pelo Zika após o nascimento.
O diagnóstico infelizmente ainda está sendo feito em poucos laboratórios no país, como o Instituto Evandro Chagas. Laboratórios particulares, como Fleury, Delboni, entre outros, ainda não tem o exame disponível.

PROTEÇÃO e PREVENÇÃO

A única forma de evitar a doença é evitar a picada do mosquito. Não há vacina ou medicação profilática contra o Zika.
O uso de repelentes é fundamental nas áreas epidêmicas. Icaridina (Exposis) e DEET (Off, Repelex, Autan) são efetivos e podem ser usados a partir dos 6 meses de idade. Em casos mais importantes, em epidemia, sem outras formas de proteção, o DEET pode ser usado a partir dos 2 meses de idade. Gestantes podem usar a Icaridina sem restrições.
ATENÇÃO: estas faixas etárias são recomendações da Academia Americana de Pediatria e o FDA, ambos norte-americanos). No Brasil, a ANVISA libera em outras faixas etárias.

Todas as outras forma de proteção são bem vindas: telas-mosquiteiras, inseticidas elétricos, inseticidas comuns, velas de citronela...enfim: o importante é se proteger.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Mosquitos e Doenças - Postado por Jairo Len

Todos sabemos que uma epidemia de doenças causadas por mosquitos (principalmente o aedes aegypti) está ativa, causando três doenças virais: Dengue, Chikungunya e Zyka.
Essas doenças tem sintomas parecidos, como febre alta, dores articulares e musculares, dor de cabeça, dor nos olhos, exantema (manchas vermelhas pelo corpo), mal estar geral.
Sem entrar no mérito que é uma vergonha ter um epidemia dessas doenças, e que o governo (federal, estadual e municipal) não fazem absolutamente nada por isso, além de por a culpa em nós - através de propagandas para que cada um cheque sua própria casa, como se isso bastasse - acho importante que haja um ampla proteção individual contra mosquitos
Me parece um assunto "esgotado", mas recebo perguntas diárias dos pais de como faze-lo, o que é seguro, o que funciona.

Em primeiro lugar, proteção de barreira, aonde incluímos as inúmeras formas de telas mosquiteiras (que devem ser item obrigatório das nossas janelas de casas e apartamentos). Para os bebês, telas próprias para carrinhos e berço ajudam bastante.

Os inseticidas são fundamentais, iniciando por aqueles elétricos, de tomada. Quaisquer marcas são boas, todos contém o mesmo tipo de inseticida. Podem e devem ser usados em quaisquer idades, na casa toda incluindo o quarto. Muito cuidado só com a ingestão acidental - já vi dois casos neste ano - de bebês que tiram o aparelho da tomada e colocam na boca.
Estes inseticidas elétricos ajudam, mas não garantem 100%, é claro. Se há infestação de mosquitos, o uso de inseticidas spray pode ser realizado.
Ainda tenho dúvidas de os repelentes ultrassônicos de tomada funcionam, não conte com eles.
Existem alguns aparelhos elétricos de "queimar" os mosquitos, com luzes ultravioleta, uma ventoinha, que  funcionam como aquelas viciantes raquetes, mas atraem os insetos. Funcionam bem para áreas externas e cobertas, mas também sem garantir que os mosquitos não entrem em casa...

Repelentes ainda são um modo fundamental de proteção, e devem ser usados à vontade nas crianças acima dos 6 meses de idade (e em alguns casos acima dos 2 meses). Escrevi sobre isso em um post recente: clique aqui para ler o post. Sempre com todos os cuidados da aplicação de um produto químico em uma criança, porque todos podem causar alergias cutâneas ou irritação de mucosas, e mantendo os frascos sempre afastado das crianças - já tive também alguns casos de ingestão acidental em crianças.

Pulseirinhas, adesivos e clips de citronela também tem seu efeito bem restrito, não conte só com isso.

Grávidas, especialmente, devem usar e abusar dos repelentes a base de Icaridina, porque todos vemos uma relação entre mais de 700 casos de microcefalia, no Nordeste, e infecção pelo Zika - um fato gravíssimo.

Proteja-se...

Boas férias!






segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A falta de vacinas nas clínicas de vacinação - Postado por Jairo Len

Quem tem filhos abaixo de um ano de idade deve estar percebendo uma falta de vacinas, nas clínicas particulares de vacinação.
Especificamente as vacinas produzidas pelo Laboratório GSK (que comprou a parte de imunizações da NOVARTIS), responsável pela maioria das vacinas importadas no Brasil.

Vacinas muito importantes, como a Hexavalente e Pentavalente, que protegem contra difteria, coqueluche, tétano, hemófilus B, poliomielite e hepatite B não virão mais para o Brasil, pelo menos até 2016. Estas vacinas são usadas em bebês de 2, 4 e 6 meses, e crianças de 1 ano e 4 meses.

Algumas clínicas particulares ainda tem estoques, porém pequenos, que logo acabarão.Algumas destas doses podem ser postergadas, outras não (como aos 2 e 4 meses).

Nosso plano B será o uso da vacinação do PNI (programa nacional de imunizações), realizados nos postos de saúde. Nos postos de saúde, salvo em exceções históricas, não costuma ocorrer falta de imunobiológicos.
O esquema vacinal não é tão confortável, porque com 2 e 4 meses temos uma picada a mais, em postos de saúde. Habitualmente estas vacinas que o PNI oferece podem causar maiores reações adversas, mas que são bem administráveis com anti-térmicos.
Mas do ponto de vista de proteção, é igual, mesmas doenças.
O mesmo ocorre com a vacina aplicada entre 4 e 5 anos de idade.

As demais vacinas aplicadas nestas faixas etárias (2-4-6 meses e 16 meses), preferencialmente devem ser realizadas (para quem possa pagar, obviamente) nas clínicas particulares de vacinação.
Não são iguais do ponto de vista de proteção: a Pneumocócica do PNI é 10-valente, enquanto na rede privada usamos a 13-valente (importantíssima no hemisfério sul), e a vacina contra rotavírus do PNI é monovalente (70% de proteção) contra a Pentavalente (99% de proteção) aplicada na rede particular.

Outra vacina GSK/Novartis em falta é a vacina contra meningite B, tema de outros posts. Ainda não regularizou, infelizmente. Ficou só na promessa do laboratório produtor.

Como curiosidade, a GSK alega que devido ao aumento da população mundial (!!!) e a dificuldade técnica de se produzir uma vacina - que demora cerca de 6 a 29 meses por dose - enfrentamos essa falta generalizada de imunobiológicos.

O Brasil investe pouquíssimo nisso, não há nenhum interesse dos grandes produtores mundias de vacinas se estabelecerem por aqui... Aliás, me parece que quem pode está saindo...

Nós continuamos aqui. Firmes e fortes, driblando ou tentando driblar estas adversidades, sempre com muita transparência e respeito aos pacientes e suas famílias.

Utilidade pública: segue abaixo link do PDF da prefeitura de São Paulo com os postos de saúde que fazem vacinações de forma permanente:

POSTOS DE VACINAÇÃO 


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Glúten não tem culpa - Postado por Jairo Len

Entre os modismos alimentares, a intolerância ao glúten (e à lactose) estão em alta, há alguns anos.
Ninguém sabe exatamente porque, mas de repente estes alimentos passaram a engordar e fazer um mal gigantesco.
Particularmente as dietas (não só para emagrecer) sem glúten e sem lactose se tornaram obsessão, e quanto mais famosa a pessoa menos glúten e lactose ela pode comer!

Cerca de 1% da população tem algum grau de intolerância ao glúten, proteína que está presente em todos os alimentos à base de trigo, aveia, cevada, centeio e malte. Ou seja: pão, macarrão, bolachas, torradas, cerveja, tudo que contenha aveia, etc... Os sintomas desta intolerância, cujo nome é Doença Celíaca, são dores abdominais, distensão, diarreia ou obstipação, vômitos, inapetência, sempre que se ingere alimentos que contenham glúten. O grau de sintomas é bastante variado, mas só ocorre em 1% das pessoas (e em 80% dos famosos..!!!). Os celíacos realmente devem evitar o glúten por toda a vida, sem dúvidas.

Essa mania de dietas sem glúten tem chegado nas crianças - cujas mães se auto-declaram intolerantes e não querem dar glúten aos seus filhos.
Tenho insistido para estas mães que o contato com trigo e outros cereais deve ser precoce, dos 6 meses em diante, para evitar alergias futuras.

Evidente que cortar o glúten vai acarretar uma perda de peso, uma vez que se restringem inúmeros alimentos calóricos do dia-a-dia. Assim como cortar carboidratos...
Estas dietas restritivas, porém, tem efeito limitado e podem gerar alto grau de ansiedade.

Em breve acharemos outro culpado para nossos males, e o glúten e a lactose serão absolvidos.
Quem será o próximo?


Muito cuidado!





quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Pais sem limites - Postado por Jairo Len

Não sou muito de copy-paste aqui no blog, mas li um texto do escritor e novelista Walcyr Carrasco (Época On Line) que achei excelente, por isso vou copiar aqui.

Uma visão da falta de limite dos pais, e por isso a falta total de limites dos seus filhos... 

Achei interessante porque o texto vem de alguém "fora" dos muros pediátricos, não é um psicólogo, um pediatra, um educador ou uma mãe falando. É um cidadão desabafando.

E mostrando que, em quase tudo, a culpa é dos pais, maus educadores.

Como o texto é de livre leitura (não precisa assinatura), copio aqui na íntegra.


Pais Sem Limites - Por Walcyr Carrasco, 15/09/2015

A educação liberal é confortável para os pais. Mas os filhos precisam saber o que são deveres e obrigações


O avião estava cheio. Eu no fundão. Duas poltronas atrás de mim, uma criança começou a chorar. Abriu o berreiro. Ninguém disse uma palavra, fazer o que quando uma criança chora? A mãe, em vez de tentar acalmar o filho, reclamou em voz alta.

– Criança chora mesmo, e daí? Vocês ficam me olhando, mas o que posso fazer? Criança é assim: chora.

Tudo bem. Criança chora. Mas a gente ouve. Ninguém havia reclamado do incômodo em voz alta. Suponho que algumas pessoas tenham olhado para a mãe como se pedindo que fizesse alguma coisa. Em vez de acalmar o filho, ela brigou. Sinceramente, nem olhar a gente pode? E mais sinceramente ainda: como será a educação desse menino, se a mãe prefere reclamar com quem se sente incomodado com o choro, no lugar de acalmar o filho? Vai ter noção de limite? Ou se transformará num briguento, achando que tem direito a tudo? No caso dos aviões, eu acho que há uma irresponsabilidade enorme dos pais. Como podem expor um bebê de colo a viagens aéreas? Sim, existem os casos de extrema necessidade. Mas não são a maioria. Um bebê sente dor nos ouvidos, talvez até mais intensa que nós. Quando eu sinto, tento mascar chiclete, chupar bala, ou pelo menos, racionalmente, posso entender o que está acontecendo e suportar. Um bebê não. De repente, vem aquela dor horrível, ele não sabe o porquê. Chora. Grita. Os outros passageiros têm de suportar o barulho, ficam até com dor de cabeça. Mas um bebê é um bebê, e todos temos de entender. E os pais? Como obrigam a criança a suportar essa dor? E os passageiros os gritos? Eu já vim da Turquia certa vez, em uma viagem que durou o dia todo, com duas crianças pequenas logo atrás de mim. Classe executiva. Gritaram e choraram quase a viagem toda. E não têm razão? Como suportariam passar o dia todo sentados, cintos afivelados? Os pais eram pessoas simpáticas. Tinham ido a turismo. É certo deixar os filhos presos um dia inteiro? É justo enlouquecer os outros passageiros? Claro que criança tem o direito de viajar. Mas é preciso escolher o roteiro mais adequado.

Certa vez fui a uma pousada na serra carioca. Deliciosa. Um diretor de cinema, mais tarde, comentou:

– Eu ia sempre lá. Mas eu e minha mulher cometemos um crime. Tivemos uma filha. Na pousada não aceitam crianças.

É fato. Já existem hotéis e pousadas que não hospedam crianças. Muita gente acha um horror. Por outro lado, o problema não está nos pais? Em qualquer lugar onde os pais estejam com os filhos, agem como se eles tivessem direito a tudo. Podem correr, gritar. Dá para ler um livro embaixo de uma árvore, no alto da serra, com crianças correndo e gritando? E com os pais apreciando a algazarra tranquilamente, sem se importar com os outros hóspedes?

Eu poderia citar outros exemplos. Visitas que chegam com filhos que pulam no sofá. Ou brincam com algum objeto de estimação. Que batem no prato e dizem que não gostam da comida, em restaurantes. (E com razão. Agora criança tem de apreciar sashimi quando quer hambúrguer?) O problema  está nos pais.

Muitos foram reprimidos quando crianças. Antes era assim: podia, não podia. A educação tradicional impunha limites, às vezes de forma rígida. Eu mesmo acredito que o excesso de rigidez é péssimo. Por outro lado, essas crianças vão crescer, e terão de viver com normas. A vida é cheia de isso pode e aquilo não pode. O respeito ao outro implica entender os próprios limites. Senão é aquilo: todo mundo querendo furar fila, tirando vantagem. O fato é que muitos dos pais modernos, como a mulher que esbravejou no avião, acham que criança pode tudo. Já conversei com professoras, segundo as quais, hoje, boa parte dos pais delega a educação básica dos filhos à escola. Há casos, extremos, em que a professora tem de explicar a importância de escovar os dentes todos os dias. Não estou falando de famílias sem condições financeiras, no caso. Mas também de gente bem de vida, para quem é mais fácil não discutir deveres e obrigações com os filhos. Deixar rolar.

Mas um dia os filhos terão de aprender a viver em sociedade. Podem contar com a mãe ou o pai para chorar as pitangas se forem demitidos. Um ombro sempre é bom. Mas só terão empregos e oportunidades se souberem o que são limites, deveres, obrigações. A educação extremamente liberal é atraente. Principalmente, porque confortável para os pais. Mas fica a pergunta: se os pais não dão noção de limites, como os filhos um dia vão ter?


Link original do texto: época online - clique aqui


Essa é clássica...

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Nossa má alimentação - Postado por Jairo Len

Por "nossa", entenda-se a alimentação infantil no Brasil que anda, de acordo com estatísticas, deturpada e pouco saudável.
Pesquisa do Ministério da Saúde (2013) revela alguns dados que todos sabemos sobre a esquizofrênica alimentação infantil.

Ao mesmo tempo que as mães são queimadas em praça pública e querem cortar os pulsos quando não conseguem amamentar seus bebês, as estatísticas mostram que muitas destas mães oferecem, ainda no primeiro e principalmente no segundo ano de vida, alimentos pouco saudáveis para seus bebês:
- 60% dos bebês abaixo dos 2 anos já comeram bolachas recheadas e bolos prontos.
- 32% dos menores de 2 anos já tomaram néctar de caixinha e refrigerantes (!!!!!)
- Grande parte já ofereceu iogurtes, que são açucarados e, na maioria das vezes, contém corantes, além de inúmeros aditivos químicos.

É claro que o sistema não colabora... Para os maiores, basta uma hora de canal de TV infantil para que sejam bombardeados com os lançamentos alimentares mais trash do planeta, como bolachas mega-recheadas ou porcaritos de pacote...

Agora ainda há a crucificação do suco natural. As mães estão fugindo do corredor das frutas. Tenho insistido que há limites de quantidade para quaisquer alimentos. Concordo que há exagero no consumo de sucos naturais, muitas vezes adoçados, várias vezes ao dia (até em cardápios de berçários/maternais eu noto isso), mas com uma boa orientação há lugar para todos os alimentos naturais... 

Vejo no dia a dia da Clínica que tudo anda esquisito... Ao mesmo tempo que algumas mães não querem dar lactose ou glúten para bebês absolutamente normais (por convicções dietético-religiosas próprias), outras liberam na gelatina, néctar de caixinha ("única opção para a lancheira"), iogurtinhos infantis, sorvete (paletas...). E muitas vezes estas mães são as mesmas. Que restringem aqui e liberam ali... Marcam uma idade e...liberam tudo.

Sem falar do incorrigível problema nas classes econômicas mais baixas, aonde em cada porta de escola há um ambulante lotado de pipocas-de-isopor e salgadinhos super-salgados e oleosos a menos e R$ 1 por pacote. Não que isso não atinja a todos, mas os estudos mostram que quando menor o poder aquisitivo, maior a ingestão de calorias vazias.

Exemplos e hábitos...
Nos adultos, só 37% consomem o recomendado diariamente de frutas e hortaliças, e 25% consomem refrigerante 5 ou mais dias por semana.
Acho que em crianças esses índices não devem ser muito diferentes.

Enfim...
O estudo serve para nos lembrar da importância da alimentação no nosso dia-a-dia, principalmente em relação aos nossos filhos.
Não acho difícil fazer uma alimentação bem adequada nos primeiros 2 anos (estendida aos 5 anos), evitando açúcar, alimentos super-industrializados (como refrigerantes, néctares, bolachas recheadas e bolinhos prontos).

Bom senso é tudo, para aqueles que tem...


#Quem nunca?















quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Campanha de vacinação contra poliomielite - Postado por Jairo Len

Todos os anos, em agosto, surge a dúvida se os pais devem levar seus filhos para receber a dose da vacina contra poliomielite oral (Sabin) na campanha nacional realizada pelo governo.

Sempre recomendei que as crianças que recebem a vacina injetável não necessitam dos reforços orais (como ocorre nos Estados Unidos, Europa, Israel, Canadá...).

Porém...

Diferente de anos anteriores, neste ano (2015) há uma falta da vacina contra poliomielite injetável (realizada nos primeiros anos de vida), em todas as clínicas particulares de vacinação.
Ainda não há falta generalizada, mas todos temos sentido a dificuldade de adquirir, nos laboratórios, as vacinas tetravalente, pentavalente e hexavalente - todas elas contém a poliomielite inativada intra-muscular.

Por este motivo, recomendamos que todas as crianças entre 1 e 5 anos (incompletos) recebam uma dose da vacina contra poliomielite oral (Sabin) nos postos de vacinação/campanha do governo.

A vacina Sabin só é dada nos postos públicos de vacinação. 


As Clínica Len de Pediatria não tem a vacina Sabin à disposição. Já solicitamos à Vigilância Epidemiológica Lapa/Pinheiros e ao Nível Central (CCD/Programa Nacional de Imunização) o recebimento de doses da vacina contra poliomielite oral, que, se dispusermos, será realizada de forma gratuita para todos.


Será que nossos netos verão um Brasil melhor?

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Umidificadores - devemos usar? - Postado por Jairo Len

O tempo seco chegou. Ainda que neste ano ainda não tivemos uma baixa umidade do ar constante, me parece que nestas semanas que vem pela frente sofreremos com isso.

Uma pergunta frequente na Clínica:
- Devemos usar diariamente umidificador de ar?
Resposta simples: NÃO.

A meu ver, só as crianças que tenham sintomas respiratórios devem usar umidificadores de ar diariamente. Seja por alguma doença respiratória aguda, uma tosse crônica ou mesmo uma sensibilidade à baixa umidade relativa do ar.
Os que estão bem ou não sofrem quando o ar seca, vida normal...


Quando a umidade do ar está abaixo dos 30%, alguns cuidados sempre devem ser tomados, como evitar exercícios entre 10h00 e 18h00, ter sempre água (para beber) à disposição...não ficar adiando a sede... Mas não é obrigatório, para todos, aumentar a umidade do ar.

Para as crianças e adultos que tem sintomas respiratórios devido ao ar seco, que incluem rinite, congestão, sangramento nasal, tosse seca ou produtiva, broncoespasmo (bronquite ou asma), um umidificador de ar deve ser usado. Resolve a maioria dos problemas.

O uso de bacia de água no quarto não ajuda em nada. Toalhas úmidas espalhadas pelo quarto podem até ajudar, mas realmente se for absolutamente impraticável adquirir um umidificador.

Quanto ao tipo de umidificador, existem dezenas, para todos gostos e bolsos.
Em geral são aparelhos que não tem uma durabilidade muito grande, inclusive por estarem sempre molhados, o que desgasta muito. Não julgo que valha investir demais.

Para quem não quer se preocupar em umidificar demais o ambiente, hoje já temos modelos que "medem" a umidade relativa do ar e ligam/desligam automaticamente. Por exemplo, você regula que quer manter o quarto a 50% de umidade, e o umidificador faz isso sozinho.

Aliás, 50-60% é uma umidade relativa do ar bem adequada para manter.

Só não vale usar bacia com água...!


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Meningite B - vacina em falta - Postado por Jairo Len

Surpreendentemente, dois meses após lançamento nacional e recomendação de utilização pela Sociedade Brasileira de Imunizações, a vacina contra meningite B (Bexsero, fabricada pela Novartis/GSK) já está em falta. 
De acordo com a Novartis, em carta enviada aos médicos, o problema foi o excesso de demanda. Não acredito nessa versão, não no Brasil. Talvez haja interesse da Novartis/GSK em direcionar para outro canto do planeta, mas no Brasil não houve exagero de demanda a R$ 500,00 a dose, nas férias de julho, a ponto de não haver qualquer previsão para nova distribuição.

Não há, portanto, previsão de data para chegada de novos lotes. Pequenos atrasos em distribuição de vacinas sempre existem, mas sem previsão nenhuma, é raro. Um distribuidor de vacinas me falou de "novembro"... Espero que esteja errado na previsão.

Enfim... A própria Novartis, na carta, recomenda que as poucas doses remanescentes devem ser direcionadas aos reforços dos que já receberam a primeira dose. 
Se não houver doses para reforços, não há grande problema, pois não há data máxima para a segunda e terceira doses. 

A mesma decepção tivemos com a Novartis/GSK quando foi lançada a Menveo, contra as meningites meningocócicas A-C-W-Y. A distribuição foi péssima e errática nos primeiros 2 anos após o lançamento. Hoje já normalizou.

Assim que a vacina contra meningite meningocócica tiver sua distribuição normalizada, aviso aqui no Blog e o Facebook da Clínica Len (https://pt-br.facebook.com/clinicalen

terça-feira, 14 de julho de 2015

Infração: cesárea antes da 38ª semana - Postado por Jairo Len

O Conselho Federal de Medicina (CFM) deve discutir, em agosto, uma regra para tentar diminuir o exagerado número de cesáreas eletivas que acontece no Brasil. Cesáreas com data marcada, sem quaisquer indicações médicas.


Para isso, quer tornar infração ética a realização de cesáreas, sem motivo médico que justifique, antes de 38 semanas de gestação.


Acho que a medida é bem interessante, apesar de ser quase impossível de fazer a fiscalização. Mas pelo menos vai alertar e tentar diminuir o índice brasileiro de campeão mundial de cesáreas: em 2013, 84,5% dos partos na rede de saúde suplementar foram cirúrgicos. Na rede pública, foram 40%, muito acima, ainda, dos 15% recomendados pela OMS.


A discussão está também em andamento, de outras formas, no ministério da saúde e ANS, que não querem remunerar médicos por cesáreas eletivas - a não ser que a gestante "autorize" ou consinta o procedimento... Claro que a regra não vai funcionar bem na prática, também.


Na minha estatística, na Clínica, vejo que cerca de 30% dos partos são naturais - e o restante cesáreas. Raramente antes de 38 semanas, salvo quando realmente há motivos obstétricos para isso. Mais raro ainda por decisão materna - ainda que na maioria das vezes as mães querem mesmo o parto normal... É uma conjunção de fatores que definem isso, mas de forma interessante noto que alguns obstetras em São Paulo fazem a maioria dos  seus partos normais, e outros quase só cesáreas. E as gestantes já sabem disso antes, inclusive relatam que "foram no tal médico(a) porque sabem que a maioria dos partos são normais".
No serviço público, não há essa opção ou, sequer, alguma discussão com o médico para tentar fazer partos normais: 60% serão cesáreas, sem motivos.


Portanto, todas as discussões e esclarecimentos em cima deste tema são muito importantes, sempre.


PS: em relação ao parto em casa, continuo 100% contra. Os bebês não tem culpa ou chance de escolha caso haja qualquer problema que possa trazer risco para a saúde cerebral deles, que serão sempre os grande prejudicados.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Meningite B - a vacina na rotina pediátrica - Postado por Jairo Len

Após a aprovação pela ANVISA, e também já aprovada pelo FDA (Estados Unidos) e EMEA (Europa), a vacina contra Meningite meningocócica tipo B já está em uso, na prática, no Brasil.
A Sociedade Brasileira de Imunização emitiu um documento recomendando a vacina desde os primeiros meses de vida (para ler, clique aqui, informe técnico da SBIM)
 
Na rotina, sugere que seja aplicada aos 3, 5 e 7 meses de vida, com reforço após 1 ano de idade.

A vacina contra Meningite meningocócica tipo B pode ser aplicada em quaisquer faixas etárias (não há estudos de eficácia acima dos 50 anos de idade), com o seguinte esquema:


2 a 5 meses
3 doses
2 meses
Uma dose entre 12 e 15 meses
- See more at: http://cedipi.com.br/vacina-meningite-b#sthash.jDArXqaS.dpuf
2 a 5 meses
3 doses
2 meses
Uma dose entre 12 e 15 meses
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Aqui na Clínica Len de Pediatria recomendamos que todas as crianças e adolescentes recebam a vacina.

Não há pressa, não há urgência, não existe epidemia.

A vacina é fabricada pela Novartis Vaccines and Diagnostics, na Itália.
É bastante eficaz e segura, porém, como outras vacinas, pode ter reações como febre, dor e vermelhidão no local da aplicação. Mais raramente dores articulares, musculares, dor de cabeça. 

Até esta data o governo não se manifestou se "pensa" em colocar a vacina no calendário de vacinação oficial brasileiro, o PNI. Portanto, os postos de saúde não tem esta vacina, só as clínicas particulares.
O valor médio final (junho 2015) é de R$ 500,00 por dose.

Repetindo a imagem do post anterior: Mapa mundial de incidência de meningites meningocócicas












xa etária de início da vacinação

Número de doses do esquema primário
Intervalo entre doses
Reforço
2 a 5 meses
3 doses
2 meses
Uma dose entre 12 e 15 meses
6 a 11 meses
2 doses
2 meses
Uma dose no  2⁰ ano de vida, com intervalo de pelo menos 2 meses da última dose
12 meses a 10 anos
2 doses
2 meses
Não foi estabelecida a necessidade de reforços
A partir de 11 anos
2 doses
1 a 2 meses
Não foi estabelecida a necessidade de reforços
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xa etária de início da vacinação

Número de doses do esquema primário
Intervalo entre doses
Reforço
2 a 5 meses
3 doses
2 meses
Uma dose entre 12 e 15 meses
6 a 11 meses
2 doses
2 meses
Uma dose no  2⁰ ano de vida, com intervalo de pelo menos 2 meses da última dose
12 meses a 10 anos
2 doses
2 meses
Não foi estabelecida a necessidade de reforços
A partir de 11 anos
2 doses
1 a 2 meses
Não foi estabelecida a necessidade de reforços
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xa etária de início da vacinação

Número de doses do esquema primário
Intervalo entre doses
Reforço
2 a 5 meses
3 doses
2 meses
Uma dose entre 12 e 15 meses
6 a 11 meses
2 doses
2 meses
Uma dose no  2⁰ ano de vida, com intervalo de pelo menos 2 meses da última dose
12 meses a 10 anos
2 doses
2 meses
Não foi estabelecida a necessidade de reforços
A partir de 11 anos
2 doses
1 a 2 meses
Não foi estabelecida a necessidade de reforços
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xa etária de início da vacinação

Número de doses do esquema primário
Intervalo entre doses
Reforço
2 a 5 meses
3 doses
2 meses
Uma dose entre 12 e 15 meses
6 a 11 meses
2 doses
2 meses
Uma dose no  2⁰ ano de vida, com intervalo de pelo menos 2 meses da última dose
12 meses a 10 anos
2 doses
2 meses
Não foi estabelecida a necessidade de reforços
A partir de 11 anos
2 doses
1 a 2 meses
Não foi estabelecida a necessidade de reforços
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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Meningites e Vacinas contra meningite - Postado por Jairo Len

Não por falta de motivos para estressar, as redes sociais maternas/estressantes já estão bombardeando os pais sobre as "novas vacinas" contra meningite e sua ultra-mega-super urgência em aplica-las.
Vou falar um pouco sobre essas meningites...
As mais temidas meningites bacterianas são as meningocócicas e as pneumocócicas, que afetam todas as faixas etárias.
Contra a meningites causadas por pneumococos as crianças já recebem, desde os 2 meses de vida, a vacina Pneumo-13 (em clínicas particulares), que faz uma abrangente cobertura para a doença. TODAS as crianças recebem esta vacina, faz parte do calendário oficial. Na rede pública, usa-se a Pneumo-10 (15% a menos de proteção).

Em relação às meningites causadas por meningococos, no Brasil temos, basicamente, 4 tipos de bactérias presentes:
- Meningococo C - 70% dos casos

- Meningococo W - 5% dos casos
- Meningococo Y - 5% dos casos
- Meningococo B - 20% dos casos
- Meningococo A - não circula no Brasil.

Contra essas meningites meningocócicas, já existem vacinas. Vamos lá:

- Meningite C - já faz parte do calendário vacinal obrigatório, inclusive na rede pública. Bebês já recebem a vacina a partir dos 2 ou 3 meses de idade, com altíssima proteção.

- Meningite W e Y - também já temos a vacina, que é contra as meningites A-C-W-Y, quádrupla, aplicada a partir de 1 ano de idade. Na Clínica Len aplicamos com 1 ano e 2 meses - e todas as crianças mais velhas que ainda não receberam esta vacina (que está no nosso país há 1 ano) estão recebendo, nas consultas de rotina. É importante que todos a recebam, mas já há e-mails falando em surtos, "morte no Sul", enfim...enlouquecendo os pais aflitos...

- Meningite B - a vacina é novíssima e recém aprovada. Chama-se Bexsero, fabricada pela Novartis. Também já foi aprovada nos Estados Unidos. Muitos pais já tem me perguntado sobre esta vacina. Assim como no caso da vacina quádrupla (A-C-W-Y) acho que, em breve, a vacina entra no calendário oficial da Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Imunizações. Por enquanto, não está no calendário oficial da SBIM (veja aqui o Calendário).
É claro que se trata de vacina importante, mas não vejo motivos para pânico em aplica-la rápido-rápido-rápido. Nos EUA a vacina já foi aprovada há 6 meses e só se aplica, ainda, em determinados grupos, como imunossuprimidos e, alguns estados, em adolescentes...
Pode ser usada desde os 2 meses de idade, com 3 doses - ou nos maiores de uma ano, em duas doses (sem limite máximo de idade).
Tenho certeza que já-já estará na rotina de todas as clínicas particulares. O custo ainda é elevado, mas, para quem tem possibilidade econômica (custa o preço de uma conta de celular), vale a pena, claro.

Só lembrando... As meningites mais comuns são as virais (e sempre benignas). Para estas, não existe vacina.

Mapa mundial de distribuição de meningite meningocócica

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Vacina contra Gripe/Influenza 2015 - Postado por Jairo Len

Já chegou no Brasil a vacina contra Gripe/Influenza 2015, e está disponível para aplicação nas clínicas particulares de vacinação. Em breve deve começar a campanha de vacinação nos postos de saúde. 

Neste ano temos duas vacinas disponíveis, uma trivalente (2 tipos de influenza A + 1 tipo de influenza B) e a quadrivalente (2 tipos de influenza A + 2 tipos de influenza B).
Acho que ambas são recomendadas, tanto faz.
A epidemia (já existente) é de influenza A

TODOS devem ser vacinados, na minha opinião.

A idade mínima é de 6 meses. Lembro que na primeira vez que uma criança (abaixo de 9 anos) faz a vacina deve receber 2 doses, com um mês de intervalo. Se já tomou em anos anteriores, só há necessidade de um dose anual, sem reforço extra. Nas crianças abaixo dos 2 anos de idade a vacina faz parte do calendário de vacinação - nesta idade a doença é mais complicada e a vacinação é muito importante.

Desde 2009, todas as vacinas contra influenza tem a cepa A/H1N1. Além de outra cepa A/H3N2 e uma ou duas cepas de influenza B.

A vacina é segura, não costuma dar reações importantes, sendo as mais comuns (0,1 a 10% dos vacinados) dores no corpo, febre, sudorese e dor no local da aplicação. São reações benignas que podem durar 1 ou 2 dias.



:=) As crianças que nos desculpem, mas a vacina da gripe chegou!!!!
 

segunda-feira, 23 de março de 2015

Aleitamento X Inteligência - Postado por Jairo Len

Além das dezenas de tristes notícias sobre política e economia, ainda tivemos a infelicidade de ler, semana passada, notícia sobre um estudo brasileiro, publicado em uma das revistas do grupo "Lancet", relacionando tempo de aleitamento materno e aumento do Q.I. ao longo da vida adulta.

O estudo, feito em Pelotas (RS), analisou cerca de 3.500 bebês, por 30 anos. Concluiu-se que "se o bebê mama por mais tempo, maior serão os níveis de inteligência, escolaridade e renda financeira quando adulto".

Ainda que os pesquisadores julguem que todas as variáveis foram isoladas (como escolaridade familiar, nível sócio-cultural, renda familiar), os próprios pesquisadores assumem que, por se tratar de estudo observacional, outros fatores não-mensuráveis não foram levados em conta (como toda a relação mãe-bebê, afetividade e paz familiar, relação entre pais e filhos, entrosamento dos pais na vida estudantil, etc...). Tampouco escreveu-se na imprensa que este estudo, iniciado há 30 anos, não avaliou crianças que usam fórmulas lácteas aonde temos DHA e ARA, nucleotídeos e tantos outros nutrientes essenciais.

OBVIAMENTE NÃO FAÇO UMA ODE AO ALEITAMENTO ARTIFICIAL, MAS achei o alarde da imprensa e o alcance da notícia um desserviço às mães. Não há qualquer necessidade de se listar benefícios do aleitamento materno na "Lancet". Todos sabem a importância de amamentar - pelo menos todos os que leem internet tão específica, a parte voltada para nutrizes, pais, gente intelectualizada que gasta seu tempo com isso. 

Sempre defendo e uso os maiores recursos para garantir que as mães amamentem seus filhos, inclusive medicamentos controlados (como o Equilid, que muitos conhecem), recomendação de enfermeiras especialistas em lactação, etc...

Mas, obviamente, há uma porcentagem de mães que, mesmo tentando de qualquer forma e com toda a ajuda, não conseguem amamentar seus filhos de forma exclusiva.
É para estas mães que parecem que estas notícias e tantas outras notícias "xiitas" sobre amamentação são feitas...

A função de todos que se preocupam com amamentação deveria ser facilitar a vida de quem tenta amamentar seus filhos, e não ficar perturbando quem não conseguiu.
Por facilitar leia-se tentar ajudar populações de mães carentes, ir a campo (em maternidades da periferia), fazer um programa de auxílio às nutrizes assim que elas deixam a maternidade, ter uma puericultura de bom nível em postos de saúde.

E, se queremos mesmo crianças inteligentes no futuro, garantir uma excelente alimentação nos primeiros 5 anos de vida, quando o cérebro se desenvolve 98%. Começando pela orientação de uma ótima fórmula láctea quando houver o desmame, seja lá quando ele acontecer, e garantindo também todos os nutrientes dos primeiros anos de vida.

Sem hipocrisia, ajudando as pessoas da forma que elas precisam.

Já escrevi sobre isso algumas vezes, o assunto é eterno...

quinta-feira, 5 de março de 2015

Repelentes e Dengue, Zika e Chikungunya - Postado por Jairo Len

Após circular um áudio (falso, spam) sobre a mutação da dengue e dos mosquitos, houve um pânico geral sobre a doença e o uso correto de repelentes de insetos.
O áudio é muito mal feito, a meu ver, mas serviu para alertar sobre algo importante, que é o uso dos repelentes... 

Vamos lá: a dengue continua a mesma, nada de mutações. Uma doença viral que pode ter suas complicações. Já escrevi sobre dengue no blog, vamos falar hoje só sobre repelentes.

Existem vários tipos de repelentes, desde os naturais (sabidamente ineficazes por longo tempo) como os químicos, que são os mais indicados
"Felizmente" os norte-americanos também sofrem com mosquitos e carrapatos, por lá transmitindo doenças como a febre do Nilo, doença de Lyme e a febre das montanhas rochosas: por isso, há pesquisa e recomendações bem claras sobre o uso de repelentes.

Por lá e por aqui, no Brasil, temos DOIS tipos de produtos recomendados e eficazes:
- o DEET - comercialmente conhecidos como Off, Autan, Repelex, entre outros

- a Icaridina (ou Picaridina) - vendido com a marca Exposis.

Ambos são eficazes contra os mosquitos que transmitem dengue, Zika e febre chikungunya.

Portanto, primeira dúvida respondida: os dois produtos podem ser usados para proteger contra dengue.

Segunda dúvida importante: qual é a idade mínima? Há recomendações da ANVISA, que em geral só libera o uso a partir dos 2 anos de idade, alguns deles a partir dos 6 meses de vida.

A Academia Americana de Pediatria libera o uso de DEET e Icaridina a partir dos 2 meses de idade. "Tem certeza?" (essa é a terceira dúvida...). Sim...sim...
Neste artigo, em inglês, as recomendações da Academia Americana de Pediatria.
Eu, particularmente, recomendo que até os 6 meses de idade só utilizemos repelentes em casos de extrema necessidade. Nesta faixa etária a proteção de barreira é mais importante e segura.

Como aplicar? Algumas regras e dicas.

O modo de aplicar também é importante, deve ser cuidadoso como quando passamos um filtro solar, em toda a área necessária

Se for em loção ou spray, tanto faz, em matéria de eficácia. Nas crianças maiores (que param quietas para aplicação) eu recomendo os sprays, mais fáceis de usar. 
Ideal não aplicar nas mãos das crianças, principalmente aquelas que põe a mão na boca o tempo todo (99% delas).

NUNCA se deve aplicar o spray diretamente no rosto: sempre use as suas mãos para passar na face das crianças.

Dependendo cada marca e concentração, a reaplicação é necessária após algumas horas. Sempre siga as recomendações do produto.

Existem repelentes próprios para uso diretamente nas roupas, como o Exposis Spray - Gatilho. Ideal para carrapatos, inclusive.

O uso de protetores solares e repelentes, ao mesmo tempo, pode ser feito. Nunca com produtos "combinados", tipo 2 em 1. Mas usando o protetor solar antes, e após alguns minutos, o repetente. 

Perfumes atraem mosquitos... Portanto, pelo menos para ir à escola, evite perfumar as crianças.

Pulseirinhas e adesivos de citronela tem efeito bastante limitado. Não conte exclusivamente com estes métodos.

Repelentes, nas concentrações e apresentações adequadas, não são tóxicos. MAS, como quaisquer produtos de uso na pele, podem causar alergias cutâneas.

RESUMINDO: use repelentes, quaisquer marcas boas vendidas na farmácia, diariamente. Crianças a partir dos 2 meses podem usar, mas é nos escolares que o uso deve ser diário.



Tanto faz. O importante é usar.