domingo, 19 de dezembro de 2010

Repelentes: novidades - Postado por Jairo Len

Neste início de férias, me parece que a maior preocupação dos pais são os insetos. Como o sol, a hidratação e demais assuntos só mudam através das décadas, os mosquitos e a dengue são sempre um velho/novo problema.
Repelentes... Fui atrás de informação científica atualizada, séria, confiável. Porque ir atrás das recomendações da ANVISA é tacanho. Meus posts antigos não me deixam mentir: sempre disse que os repelentes podem ser usados a partir dos seis meses de idade, independente das proibições em "bula". Pais e mães, diariamente, querem que eu "confirme" a indicação desta faixa etária, porque, no rótulo, só a partir dos dois anos.

Nas "dicas seguras para o verão", publicadas pela Academia Americana de Pediatria (o alter ego dos pediatras), uma surpresa: repelentes à base de DEET podem ser usados a partir dos dois meses de idade. O DEET é liberado para uso nos Estados Unidos a partir desta idade. No Brasil, dois bons repelentes à base de DEET são: Off Kids e Repelex Kids.
A Icaridina (no Brasil, Exposis Infantil) é liberada a partir dos dois anos de idade. Nos Estados Unidos, a partir dos seis meses.

Está aí então a nova recomendação. Repelente à base de DEET pode ser usado a partir dos dois meses de idade. Para quem queira ler estas e outras recomendações, recomendo o SUMMER SAFETY TIPS. Conteúdo em inglês e espanhol. Vale a pena.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Revolução no quarto do bebê - Postado por Jairo Len

Até gostaria de falar só sobre as férias e viagens, mas uma notícia de última hora me faz mudar o rumo da prosa.
Em votação unânime, o U.S. Consumer Product Safety Commission (que equivale ao INMETRO norte-americano, versão séria e rigorosa) baniu do comércio dos Estados Unidos os berços com laterais móveis. Em inglês, drop-side cribs.
Isto mesmo...Aquele berço que você tem ou teve em casa - cuja lateral abaixa, facilitando a colocação e retirada dos bebês... A proibição vale a partir de junho de 2011, nos Estados Unidos. Proibido qualquer tipo de comércio: produção, venda ou revenda. O motivo: nos últimos 13 anos, mais de 30 crianças morreram devido a estas grades móveis. Por asfixia, enforcamento e mau funcionamento. Grades que abaixam ou se soltam sozinhas, por defeito, puxando lençóis e cobertores, por exemplo.
Mais de 9 milhões de berços tiveram recall, nos Estados Unidos, nos últimos cinco anos, devido a problemas de segurança, incluindo as grades móveis.
Salvo amnésia profunda, nunca ouvi algum recall de berço aqui no Brasil.
Mas acredito que, em breve, a proibição será copiada por aqui...

Sei que os norte-americanos são excessivamente draconianos, mas uma proibição como esta, com uma repercussão gigantesca do ponto de vista comercial, deve ter sido bastante discutida.
Somos sobreviventes...! Dormimos de bruços, mamamos leite integral, usamos paninhos para dormir, não usávamos cinto ou cadeirinha e tinhamos berços perigosos, sem saber...

Este berço dos sonhos, nunca mais...


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Produtos que eu indico - Postado por Jairo Len

Nesta época de férias, recebo e-mails diariamente sobre quais produtos eu indico como protetores solares, repelentes e hidratantes. Existem dezenas de bons produtos, caros, por aqui. Estes que eu listo abaixo são alguns dos que, na minha experiência, são eficazes e hipoalergênicos. Nos Estados Unidos paga-se um terço ou um quarto do preço para produtos da mesma qualidade. Então, primeira recomendação: se for para lá, encha a mala... E para quem vai comprar aqui:

Protetores Solares
Anthelios Dermopediatrics FPS 50 (La Roche Posay)
Capital Soleil Vichy Infantil FPS 50
Banana Boat baby Block FPS 50 (bom custo x benefício)
Em spray, o que é muito prático para "repassar" o protetor nas crianças mais velhas, temos poucas opções, e caras. O que eu recomendo é o Neutrogena Fresh Cooling FPS 45. Outro produto, novo e a bom preço, que ainda não testei, é o Coppertone Continuous Spray FPS 50 (Fabricado nos EUA pela MSD).
Todos os protetores solares podem causar alergia, por melhores que sejam. E só devem ser usados acima dos 6 meses de idade.

Hidratantes
Linha Cetaphil (o melhor é o Cetaphil Advanced, tubo de 226 g) - produzido pela Galderma.
Linha Fisiogel (o melhor é o Fisiogel A.I.) - produzido pela Stiefel.

Repelentes
Exposis Infantil - spray
Off Kids loção - spray
Os repelentes, de uma forma geral, são produtos que podem causar reações alérgicas com frequência. Só podem ser usados nos maiores de 6 meses de idade.

Como coloquei antes, estas são marcas que eu indico. Existem diversos produtos cosméticos infantis que meus pacientes usam e confiam...mas em geral, infelizmente todos estes produtos bons tem um preço elevado, principalmente quando comparamos com os preços fora do Brasil.
Sem neura...Só para lembrar...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Viagens com crianças - Postado por Jairo Len

As férias chegaram. As escolas já estão nos "finalmentes" e as viagens programadas.
Vou tentar falar disso neste mês - salvo algum assunto mais importante que apareça (espero que não..., ainda que existe uma nova doença no Brasil - 3 casos de Febre de Chikungunya - transmitida pelo Aedes, o mosquito da Dengue).
Voltando às viagens... Os pais tem me perguntado sobre os destinos mais adequados. Não existe resposta que sirva para todos, mas voos muito longos, escalas e temperaturas extremas não são o que as crianças escolheriam se pudessem optar...
E me perguntam "dicas". Não sou um frequent flyer, e estou iniciando minha carreira de viagens mais aventureiras com toda a família agora, com os gêmeos chegando mais perto dos quatro anos. Só com a mais velha, de sete, as coisas eram mais fáceis... Até há pouco, o melhor destino é aonde o carro chegue, rápido. Mas converso muito com os pais, na Clínica, e vou acumulando dicas e dicas... E tenho na internet a grande fonte de consultas (como todo mundo...). Algumas dicas da rede:

Gosto muito de Nova York e já fiz uma vez "whit kids". Mas tenho certeza que se eu conhecesse este blog antes, a viagem teria sido ainda mais proveitosa: NY WITH KIDS. É um blog escrito por uma mãe, brasileira, que mora em Nova York.

Outro roteiro que várias pessoas fizeram e vão fazer é Buenos Aires e arredores. A Argentina é um pais que "gosta" de crianças. Para dicas, BUENOS AIRES PARA NIÑOS.

E acho que Orlando mais uma vez será o "top ten" - pelo menos se depender dos meus pacientes...muitos vão para lá. O site http://allears.net/ não é blog, mas é um guia excelente, de todos os parques, hotéis, meios de transporte. Ajuda muito. O conteúdo é em inglês.

E para um super-guia, que fala de diversos destinos, o VIAJANDO COM PIMPOLHOS é dos mais completos.

Com estes blogs e sites, a viagem pode começar muito antes... Para quem gosta de se programar, pratos cheios.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Papinhas Prontas - Postado por Jairo Len

Na época de férias reiniciam-se os debates calorosos sobre as papinhas prontas (no Brasil, só da Nestlé) versus papinhas feitas em casa - qual é melhor?
A nova geração de mães não tem muito preconceito, mas algumas avós quase infartam quando eu digo que o uso das papas industrializadas não tem qualquer problema.
Há estudos científicos mostrando que o valor nutricional das papas prontas é superior ao da papa caseira.
"Porque? Impossível!"... é o que eu sempre ouço. Não é impossível, porque a Nestlé usa legumes e verduras selecionados, faz cozimento em vapor de alta temperatura, rápido resfriamento...enfim, técnicas que sabidamente preservam os nutrientes. Não tem corantes nem conservantes artificiais.
O único problema que eu vejo é que a grade de papinhas, no Brasil, é pequena.
São oito tipos de "sopas" e quatro das "papas" semi-sólidas. Algumas crianças não aceitam nenhuma delas, outros, depois de provar, não aceitam mais as papas caseiras. Mas a maioria se dá bem no uso esporádico, aonde não vejo nenhuma restrição no quesito nutricional.
Vale para as papas de frutas e para as salgadas.
Quem mora nos Estados Unidos tem mais opções e menos preconceito em usar estes alimentos. Além, claro, da praticidade. É bem mais fácil fazer papinhas em casa quando há uma cozinheira que as faça, lave panelas e recipientes, e uma babá para cuidar da criança.

No dia-a-dia da Clínica vejo que existe de tudo. Mães que fazem questão de - elas mesmas - preparar as papinhas dos seus filhos, outras que a babá ou a cozinheira elaboram, muitas que as avós preparam (e as crianças só aceitam as papinhas feitas pelas avós), outras compram papas "caseiras" congeladas (ótima opção de emergência!!) e, por fim, as que me confidenciam que "só vão usar papinhas Nestlé".
Tenho certeza que todas crescerão bem nutridas, e que o problema alimentar das criança foge desta polêmica.

O problema alimentar aparece depois das papinhas...


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Vitamina D - Postado por Jairo Len

O uso e desuso dos suplementos vitamínicos é assunto de eterna discussão, científica ou não.
Como sabem, sempre recomendei o uso de polivitamínicos pelas crianças. Nas doses recomendadas pelas entidades pediátricas confiáveis (AAP - Academia Americana de Pediatria e ESPGHAN - Sociedade Européia de Gastroenterologia Pediátrica, Nutrição e Hepatologia).
Vira e mexe algum cientista diz que o ideal são doses mais altas: no caso da vitamina D, sabemos que a dose recomendada diária é de 400 a 600 U. Seguro e eficaz na prevenção do raquitismo, osteopenia e osteoporose, além de prevenção de doenças vasculares e cardíacas. Um estudo mostrou que doses acima de 2.000 U ao dia tem relação com aumento de algumas doenças, como cálculos renais - sem trazer qualquer benefício adicional a quem usa.
Coitadas daquelas crianças que ainda (!!!) recebem as ampolas de Aderogyl por via oral - cada ampola tem 66.000 U de vitamina D - 110 vezes mais do que a dose máxima diária recomendada.

Modismos a parte, tenho feito rotineiramente a dosagem de vitamina-D nas crianças e adolescentes, na hora do check up. Todos os que estão sem suplementos vitamínicos apresentam níveis baixos da vitamina. E alterações nos exames que mostram o metabolismo do cálcio.

Como a vitamina D está presente em quantidades muito baixas e em poucos alimentos - sua fonte natural é a exposição solar sem bloqueador - a única forma de reposição são os suplementos. Preferencialmente aqueles que existem nas farmácias, produzidos pelos grandes e confiáveis laboratórios, nas doses certas. Lembre-se que fomos "programados" para viver 30 a 40 anos, e vivemos quase uma centena de anos. É preciso se preparar para o futuro.
Quem comer isso todo dia, explode.

domingo, 28 de novembro de 2010

Antibióticos: só com receita médica - Postado por Jairo Len

A partir de hoje, a venda de antibióticos (inclui pomadas, gotas otológicas e colírios à base de antibiótico), no Brasil, só será feita com retenção da receita médica.
A medida da ANVISA é prá valer: hoje uma paciente minha não conseguiu comprar um Tobrex (colírio)...
A regulamentação da ANVISA pode soar exagerada, mas é extremamente correta. Em nenhum país civilizado ou meio-civilizado do mundo você compra antibióticos sem receita.
Aliás, nem antibióticos, nem cortisona, nem brocodilatadores.

A auto-medicação com antibióticos não é uma solução, nem mesmo em um país em que o acesso à medicina (boa, má ou péssima) é bem difícil pela população de baixa renda.

É claro que, para os médicos, a compra de um antibiótico sem receita às vezes é seria importante... Um exemplo? A mãe me liga e conta que, após uma noite de dor de ouvido e febre alta, há saída de secreção purulenta por um dos ouvidos de seu filho. Uma "otite média supurativa". Eles estão em Barra do Una, litoral norte de São Paulo. O hospital mais próximo é em São Sebastião (e quem já foi jura que não volta)...
Evidentemente é uma doença que, mesmo sem examinar, sabemos que o uso de antibiótico será fundamental. O que fazer? Só o tempo e as circunstâncias vão nos ensinar.
Nas viagens ao exterior, meus pacientes recebem uma receita de "farmácia básica" que salva muitos passeios. Quem sabe valha a pena ter esta farmacinha nas viagens pelo Brasil?
Nesta receita de farmacia básica, a primeira frase é: não use qualquer um destes medicamentos antes de entrar em contato conosco.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Vovó estava certa sobre Vick Vaporub? - Postado por Jairo Len

A Proctor & Gamble financia, o Pediatrics publica e a imprensa de delicia...
Após dezenas de estudos clínicos provando a ineficácia de usar os "vapor rubs" (VRs) para o tratamento de tosses e resfriados, assim como seus efeitos irritativos, um novo estudo foi publicado na importante revista Pediatrics, edição de novembro de 2010.
Em uma avaliação subjetiva de 138 crianças, por uma noite (repetindo: uma noite), um estudo concluiu que as crianças que usaram VRs tiveram melhora nos sintomas de gripe e congestão. O estudo foi realizado em crianças entre 2 e 11 anos e a avaliação foi feita pelos pais ou cuidadores. E mais: para garantir a "isenção" dos pais, cada um deles tinha que passar o vapor rubs em baixo do seu próprio nariz (para não saber se está passando placebo ou Vick no seus filhos).
É para rir?
O estudo comprovou também que o grupo que usou VRs teve mais efeitos irritativos, de pele ou trato respiratório.

A meu ver, um estudo simplório para ser publicado em uma revista tão importante. Basta dar uma lida nos demais artigos para ver o nível de cada um deles.
De qualquer forma, como já escrevi anteriormente no blog (clique aqui para ler), continuo achando que não seja a hora de indicar os vaporubs como tratamento de quaisquer doenças respiratórias nas crianças.
Vovó usava. Porque parou?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pulseira Quântica - Postado por Jairo Len

Não é vodca nos olhos, não contém testosterona, não tem cafeína, nem é e-drug...
Da série "não faz mal" (ou, só faz mal para o bolso), apresento aqui, para os que ainda não conhecem, a "milagrosa" pulseira quântica.
Ontem a minha filha, na banca de jornal, pediu para que eu comprasse uma "pulseira quântica". Ela jura que melhorou muito o equilíbrio de uma amiguinha dela, que consegue ficar em pé, na muretinha, por "bem mais tempo que as outras". Evidentemente não comprei, ainda que custasse R$ 3,50 - e não os R$ 200,00 que você paga na original. Uma criança de sete anos acreditar nesta história, vá lá...
Mas já vi (e você também já viu), no pulso de muita gente graúda, estas pulseirinhas dotadas de um holograma, que promete equilibrar as energias e as células das pessoas. Simples assim. E gente com mestrado e doutorado, formação acadêmica, conhecimentos gerais fenomenais...
A ANVISA já proibiu a propaganda enganosa da pulseira quântica. Não pode proibir a venda da pulseirinha porque não é algo nocivo à saúde, não é medicamento.
Evidentemente não há qualquer comprovação científica que funcione, nem em teoria.
O grande negócio para "pegar" tantas pessoas é o marketing agressivo, fazendo artistas e esportistas usarem e jurarem que, para eles, funcionou (pelo menos acho que houve equilíbrio nas contas bancárias deste pessoal).
Conforme o professor em Teoria Quântica de Campos e coordenador do Departamento de Física da Universidade Federal do Ceará, Carlos Alberto Santos de Almeida, não existe nenhuma pesquisa que comprove que os efeitos quânticos possam ajudar na saúde humana. Ele explica que, na maioria das vezes, os efeitos quânticos agem no organismo destruindo as células, como é o caso da radioterapia. Segundo o físico, o tratamento mata as células cancerígenas e também as saudáveis. "Já estou acostumado com essas fraudes. Todas esses aparelhos que prometem milagres, principalmente com a física quântica, são, de fato, suspeitos", frisa o doutor

Seria uma reedição da cafonérrima pulseira Sabona? Quem se lembra dela??
Na verdade, mal não faz... Realmente não acredito nos benefícios destas pulseiras, mas tenho certeza absoluta que não há malefícios físicos no seu uso...
Cada um gasta seu suado dinheiro como bem quiser, mas como disse Bertold Brecht: "o que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso".

Relembrando os anos 80... Esta é a primeira pulseira que prometia te equilibrar...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Energéticos e Alcoolismo - Postado por Jairo Len

A ideia de escrever neste blog alguns textos mostrando os malefícios de determinadas substâncias ou hábitos é para que, além de você se informar sobre estes tópicos de saúde, tenha "munição" para as conversas com filhos, irmãos, enteados...na tentativa de orientá-los, também. Sabemos que em determinada faixa etária (doze aos vinte e tantos) a internet só se conecta no MSN, Facebook, Orkut e outras redes sociais.

Um estudo da Universidade de Maryland, que será publicado na edição de fevereiro da revista Alcoholism: Clinical and Experimental Research, avaliou dados de mais de mil estudantes universitários, dos quais 10,1% disseram ingerir energéticos pelo menos uma vez por semana. Energéticos são bebidas em lata com altos teores de cafeína e carnitina. A pesquisa não é inédita, e a UNIFESP, em 2004, já comprovava o mesmo:
Os universitários com elevado consumo de energéticos (52 vezes ou mais por ano) apresentavam risco significativamente maior de desenvolver dependência de bebidas alcoólicas e se embebedavam mais e mais cedo (com relação à idade) que os demais.
Misturar bebidas alcoólicas com energéticos permite que a pessoa beba mais, porque os estimulantes combatem os efeitos sedativos e tranquilizantes do álcool. É a chamada "embriaguez desperta". Mais álcool na circulação e por mais tempo, maior risco de lesões no fígado e evolução para alcoolismo.
Entidades norte-americanas já solicitam que os energéticos tenham a venda controlada e que seja proibido (ao menos oficialmente) misturá-los à bebida alcoólica.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A quem cabe a decisão? - Postado por Jairo Len

Uma notícia que li hoje no Estadão me lembrou dos tempos de Escola Paulista de Medicina/Hospital São Paulo.
"Pais de jovem que morreu sem transfusão podem ir a júri".
Trata-se de menina de 13 anos, cujos pais (especificamente, a mãe) seguem a seita Testemunhas de Jeová. A menina sofria de anemia falciforme, uma doença absolutamente compatível com uma vida normal, desde que sejam realizadas, se necessário, transfusões de sangue. Durante uma das internações, seria necessário transfundí-la. Os pais e o médico particular da família não permitiram a realização da transfusão e a menina morreu. O processo se arrasta há mais de uma década.
"Aspectos médicos, religiosos e sociais estão por trás da decisão jurídica que será dada ao caso pela 9.ª Câmara Criminal do TJ no dia 18. Além do militar da reserva Hélio Vitório dos Santos, de 68 anos, e da dona de casa Ildemir Bonfim de Souza, de 57, pais da menina, é réu nesse processo de homicídio doloso o médico e amigo da família José Augusto Faleiros Diniz, de 67, membro do grupo de testemunhas de Jeová da família. Dos médicos que trataram da menina no hospital, nenhum foi acusado."

Nos tempos de residência no Hospital São Paulo, me deparei com uma situação muito parecida. Um pai testemunha de Jeová - munido de procurações e documentos assinados em cartório - dizia que processaria médicos e hospital caso fosse infundido qualquer hemoderivado em sua filha. Nem sangue, nem plaquetas, nem albumina.
A única diferença é que a menina, de 8 anos, era portadora de uma doença metabólica muito grave, sem chances de sobreviver. O uso dos hemoderivados prolongaria um pouco (dias?) a sofrida vida da menina. O pai não desgrudou dos médicos e até autorização judicial para ficar dentro da UTI ele possuia. Exclusivamente para controlar o que seria feito, o que seria infundido e transfundido. Nem preciso contar o fim, rápido, da história.

O que você acha?
Os pais tem direito de decidir qual deve ser o destino (morrer ou viver) de uma menina de 8 ou de 13 anos?  Eles merecem ir para a cadeia ou a sentença já foi dada?
A meu ver, como médico, exceto em casos de prolongar ou não a vida de um doente terminal, os familiares de uma criança hospitalizada não tem direito de recusar nenhum procedimento fundamental à vida por questões religiosas ou filosóficas. Criem-se hospitais exclusivos para estes pacientes.
Antes que digam que sou arbitrário, lembro que só ouvi casos assim nos testemunhas de Jeová. Nenhuma outra seita ou religião é contra quaisquer procedimentos fundamentais para manter uma criança viva.
Assim que chegar à maioridade, este adulto pode deliberar o que quer ou não para sua vida.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

E-drugs e Eyeballing - Postado por Jairo Len

"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que diz respeito ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta".
Com esta frase de Albert Einstein, eu inicio a postagem de hoje, explicando, aos que ainda não conhecem, duas formas novas que demonstram a infinitude da estupidez humana.
E-drugs - as drogas sonoras digitais existem à venda na internet, e ainda não foram proibidas em nenhum país. As e-drugs nada mais são do que sons diferentes emitidos em cada ouvido ao mesmo tempo, que provocam reações no cérebro capazes de deixar o usuário eufórico ou relaxado, de acordo com sua preferência. Consome-se com headphones.
"Estamos cada vez mais próximos de uma geração em que alguns indivíduos entrarão na dependência eletrônica", explica o neuroradiologista e coordenador do Instituto do Cérebro do Einstein, Dr. Edson Amaro Jr. As e-drugs não tem nada a ver com o "vício" em computador e internet que muitos tem. 
As e-drugs são ondas sonoras simples e com diferentes graus de sofisticação. Na hora da utilização, geralmente são moduladas por algum outro estímulo - como a frequência respiratória ou cardíaca do usuário - e variam na cadência de algum parâmetro do processamento mental do indivíduo.
As drogas sonoras digitais funcionam como uma hipnose acústica, que pode levar alguns à sensação de prazer ou ser considerada bastante chata por outros - o mesmo que acontece com algumas drogas, como a maconha.
"Certamente qualquer estímulo repetitivo aplicado com rotina poderá ser, em grau maior ou menor, uma fonte de dependência", afirma o neuroradiologista.
"As e-drugs são uma descoberta cujos efeitos ainda permanecem sem o conhecimento científico e que começam a ser utilizadas em larga escala. E merecem atenção porque, como qualquer outra novidade na internet, têm velocidade de expansão assustadoramente rápida",  conclui.
Fonte das citações: Folha.com

Eyeballing - Chega a parecer piada. Este nome é o que se dá à brincadeira estúpida de se consumir vodka através dos olhos. Pingá-la nos olhos como um colírio. A vodka "ocular" (com 40% de álcool) será absorvida, como se fosse bebida. O álcool pode causar queimaduras na córnea e na mucosa. Danos, muitas vezes, irreversíveis. Há casos de cegueira descritos após o eyeballing, na Europa e nos Estados Unidos.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sobre roupas e etiqueta - Postado por Jairo Len

Lendo hoje mais um artigo da psicóloga Rosely Sayão, lembrei de uma questão que frequentemente faz parte das consultas pediátricas: roupas, uniformes e etiqueta, em geral. O assunto é controverso, mas o que segue é a minha opinião...
Sempre fui a favor de uniforme escolar (não exatamente o 100% branco, da escola em que estudei até o "ginásio"). Acho que o uniforme equipara todos e evita exageros para mais ou para menos. E, se a escola não faz questão que seus alunos usem uniforme, que pelo menos tenha um "dress code".
As crianças e adolescentes tem que aprender desde cedo (pela educação dos pais e da escola) que existem regras em tudo o que fazemos. Para quem não gosta disso, existem lugares do mundo sem estas regras.
"Na nossa sociedade, cabe ensinar os filhos como devem se portar e, inclusive, a roupa que devem vestir. Adequada para cada situação. precisamos também considerar que a vida pública e os relacionamentos sociais precisam ser mediados por algumas normas e essas sempre estão referenciadas a alguns princípios e valores". Palavras de Rosely Sayão.
Na escola (e, bem lá na frente, no trabalho), não devemos usar roupas de praia. Nas festas mais formais, existe o chamado traje "social" ou "passeio completo". Outro dia estive em uma festa de debutante (que dizia bem claro no convite: "traje social") e fiquei horrorizado com a roupa de muitos meninos: calça jeans rasgada, camisa polo rugbi e tênis. Aonde estão os pais??
Muitos podem perguntar: "que importância isso tem...?".  Eu acho que é uma questão de respeito e educação. Uma super-festa, cuidada nos mínimos detalhes, fica com cara de shopping-center-sábado-à-tarde. Provavelmente estes meninos não vão aprender a se vestir e se portar adequadamente tão cedo. Outros bons modos também passam longe. Respeito aos mais velhos, pedir "licença" ao passar, dar a vez a alguém, civilidade... São negligenciados na educação dada pelos pais desde cedo.
No artigo, Rosely conta que, conversando com uma executiva, esta se queixa que não sabe como abordar seus funcionários, formados, a respeito da roupa adequada que devem usar. Mulheres de mini blusa, homens de tênis...

No dia-a-dia da Clínica, mães que dizem que seus filhos (de três anos de idade...) já teimam em colocar determinadas roupas e combinações e não aceitam outras. Como proceder? Em casa já tive este problema e recomendo: converse, explique, mostre fotos, ache uma maneira de convencer. Se precisar, use sua autoridade de pai e mãe. Seja firme (firme é diferente de duro). Quando já estiver na rua, na festa, no shopping, elogie o modo como seu filho está vestido. Mostre as outras pessoas, bem ou mal vestidas, comente o mundo ao seu redor, faça seu filho ter esta visão.

Finalizo com mais um trecho do artigo: "num momento em que vivemos uma crise de civilidade, a cortesia, a gentileza, o respeito e a polidez no trato com o outro parecem ser bons remédios para acalmar a generalizada grosseria e a agressividade reinante nos relacionamentos interpessoais."
Concordo em gênero, número e grau.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Fuso horário e jet-lag em crianças - Postado por Jairo Len

Com o dólar barato e as férias chegando, as viagens internacionais estão em alta. As crianças tendem a sofrer bem mais com a mudança de fuso horário do que os adultos. Isso porque, para nós adultos, é mais simples se manter acordado (fazendo compras, por exemplo...) e se adaptar ao "novo" horário de um dia para o outro. Mesmo ao voltar de viagem, podemos nos forçar a dormir ou ficar acordados. Crianças, dificilmente. Há algumas dicas para minimizar o problema.
De uma forma geral, independente de ir para 5-6 horas de fuso, em dois dias tudo estará normalizado.
A própria bagunça que é uma viagem de avião de 10-12 horas já ajuda. O voo sai tarde, o sono é cortado, dorme-se pouco. Se vai para a Europa: quando no "nosso horário" ainda são18h00, lá ja são 22 ou 23h00, hora de dormir... Mas o cansaço da viagem faz as crianças capotarem e terem uma boa noite de sono, mesmo que no nosso horário fisiológico ainda sejam 18h00. Mas acorde bem cedo no dia seguinte para o café-da-manhã.
O ideal, portanto, é sempre tentar seguir, desde o primeiro, dia, os horários do local de destino. Não tente ir "tirando" o jet lag aos poucos. Uma ou duas horas de fuso habitualmente não incomodam nada. O cansaço da viagem compensa no primeiro dia. A fome pode vir um pouco antes ou depois, mas almoce e jante no horário local - isso é muito importante.
No voo noturno, não acho que vale a pena esperar o jantar. Dê comida antes e tente fazer as crianças dormirem mais cedo.
A claridade e o sol são antídotos para o sono (evitam a produção de melatonina). Portanto, no primeiro dia de viagem, não vá ao museu e evite ir ao shopping no fim da tarde. Tente se manter ao ar livre. Se for o caso, banho de piscina na hora que o sono bater forte. Claro, dependendo do fuso (leste ou oeste). Tudo para seguir os horários locais. "Em Roma, como os romanos".

Também é importante oferecer bastante líquido para as crianças - mais do que o habitual - nas viagens prolongadas. Com as novas regras chatíssimas de segurança, recomendo que não se esqueça de comprar garrafinhas de água antes de entrar no avião (na sala/portão de embarque). Dependendo a classe em que se viaje, vão te dar, se muito, uma mini-garrafa de 90 ml.
Se possível (quase impossível), evite dar junk food, tipo porcaritos...
Ajustar o relógio para o novo fuso horário assim que entramos no avião é o primeiro passo para tentar se adaptar e forçar a situação.

O uso de remédios para induzir o sono e tranquilizar as crianças durante o voo também pode ser feito, sob orientação pediátrica. Raramente podem acontecer os efeitos contrários do remédio, portanto é bom fazer um teste antes...
No mais, apesar da viagem ao destino sempre parecer uma via crucis, tenho certeza que vale a pena se aventurar.
Dormir assim também ajuda...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Lactobacilos e Probióticos - Postado por Jairo Len

A Organização Mundial de Saúde define probióticos como “organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro” (FAO/WHO, 2001). Lactobacilos, portanto, são probióticos.
Mas será que eles fazem efeito?
Sem sombra de dúvidas, sim. Já é extensamente comprovado o benefício destas bactérias gram-positivas quando administradas da forma e quantidade corretas. Melhoram diarréias infecciosas e pós-antibiótco, leucorréias, ajudam no funcionamento intestinal, tem efeito protetor intestinal contra infecções e até proteção geral do sistema imune.
Yakult, Activia, Actimel, Sofyl, Chamyto, Nesvita - funcionam mesmo?
Uma reportagem da Folha.com mostra que as agências reguladoras, pelo mundo, questionam fortemente o apelo comercial dos produtos lácteos prometendo mundos e fundos através dos lactobacilos. A discussão foi levantada pela EFSA (autoridade europeia para segurança alimentar). Depois de analisar mais de 800 pedidos da indústria, a agência declarou que não há comprovação científica suficiente para recomendar os produtos em larga escala.
Ou seja, não fazem mal, mas os lactobacilos que muitos deles contém não passam do estômago.
No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) reconhece a eficácia dos alimentos com probióticos. Entretanto, não permite que a propaganda alardeie benefícios além de "contribuir para o equilíbrio da flora intestinal". No ano passado, a ANVISA proibiu a propaganda do Actimel, que atribuía ao produto "o poder de aumentar as defesas naturais do organismo". Como a forma de fazer publicidade é complicada de se regulamentar, os produtos acabam passando a mensagem que querem...

Utilizo, no dia-a-dia da pediatria, diversas formas de probióticos (como o Yakult LB, um produto liofilizado vendido em farmácias, e o Culturelle, produto importado), e sem dúvida tenho certeza que eles funcionam. Há estudos científicos comprovando.
Nada contra gastar dinheiros com os leites fermentados, mas temos que saber que, como diz a filosofia de botequim, "uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa".

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sobre remédios e infecções - Postado por Jairo Len

Algumas notícias sobre medicamentos me chamaram atenção nesta semana.
A primeira delas, que acho importante que todos saibam:
"Entidade britânica detecta sibutramina em fitoterápicos não autorizados" - na Inglaterra, país sério de primeiro mundo, sibutramina foi encontrada em medicamentos fitoterápicos comercializados como auxiliares de perda de peso. Destes vendidos na internet, sem receita, que cada um compra como quer (pelo menos aqui no Brasil). Análise do chá Payouji e das cápsulas Pai You Guo Slim realizada pela fiscalização de medicamentos do Reino Unido revelou que ambos continham a substância. A informação foi publicada no site da "BBC News".
Não estou dizendo que no Brasil todas as cápsulas milagrosas emagrecedoras contenham substâncias fortes e controladas (sibutramina, fenilefrina, fenproporex, anfetamina, diuréticos, hormônios...), mas devemos ter muito cuidado. Já tive experiências com "medicamentos fitoterápicos" emagrecedores que causaram reações importantes em pacientes (que compraram sozinhos, pela internet). Muito cuidado.
Quer comprar Caralluma Fimbriata ou Faseolamina? Peça para o seu médico, se ele conhecer estes fitoterápicos, formular em uma ótima e confiável farmácia de manipulação.
Outra notícia que li é que a ANVISA regulamentou a venda de antibióticos com retenção da receita médica. Daqui a 60 dias está valendo. Fantástico... Sempre fui a favor disso. Mas acho que o Brasil ainda não está preparado para que isso seja posto em prática. Aqui não temos medicamentos fracionados, que são vendidos na quantidade exata. Vendem-se caixas inteiras para 7 dias. Se precisar complementar o tratamento até 10 dias, ou compre antes (mais uma caixa para 7 dias), o que eleva os custos, ou arrume outra receita. Fácil, para quem tem acesso a médicos particulares ou dinheiro.
A população, em geral, vai comprar uma caixa só. A outra (autorizada pela receita) fica para o balconista comercializar como queira. Não falo de Drogasil, Raia ou Onofre. Isso é minoria no Brasil.
A ANVISA também exige que, a partir de agora, o uso do álcool gel seja obrigatório nos hospitais e nas clínicas públicas e particulares. Macacos me mordam... Lá na Clínica Len de Pediatria temos dispensers de álcool gel em cada sala de consulta e nas salas de espera. Bem antes da gripe suína, bem antes da superbactéria KPC. É uma medida mínima de higiene. Mas não é este o ponto.
Ao mesmo tempo que a ANVISA exige isso e dezenas de outras coisas de uma Clínica (é inimaginável o número de itens necessários ao alvará de funcionamento), ela "permite"  que nos hospitais públicos sejam depositados pacientes no chão e no corredor, sem banho diário, sem materiais descartáveis, sem qualquer mínima condição de dignidade, em cenas que parecem o atendimento pós-terremoto do Haiti.
Mas não esqueça de limpar as mãos com álcool gel.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ftalatos...sabe do que se trata? - Postado por Jairo Len

De vez em quando as mães leem no jornal alguma reportagem sobre os possíveis malefícios que o ftalato pode causar no nosso organismo. O assunto é extremamente controverso e complicado, mas vou tentar simplificar.
O ftalato (que existe há 70 anos) é um componente de praticamente todos os plásticos moldados que usamos, como frascos de shampoo, brinquedos infantis, recipientes culinários, filmes de PVC ("Majipack" e similares), cápsulas para comprimidos, tampa de caneta...e assim por diante.
Estudos tem mostrado, em modelos animais, que o contato (ingestão ou inalação) de ftalatos pode ter efeitos deletérios ao organismo, como distúrbios na diferenciação sexual. Pelo menos é o que acontece em ratos/cobaias expostos a altas doses de ftalato. Nenhum estudo ainda comprovou este efeito em seres humanos.
Crianças e adultos, quando pesquisados, frequentemente tem níveis elevados de ftalatos na urina. Por exemplo, "mastigar" um brinquedo ou uma tampa de caneta aumenta a ingestão de ftalatos. Aquecer comidas cobertas com filme de PVC, no microondas, libera ftalatos - que serão inalados e ingeridos. Assim por diante.
Só por exemplo e cultura geral, os plásticos são divididos em 7 tipos, cujos símbolos podem ser identificados na maioria das embalagens:
Tipo 1 - PET (as garrafas de refrigerante) - não contém ftalato
Tipo 2 - HPET (garrafas plásticas de suco, leite, óleo) - não contém ftalato

Tipo 3 - PVC (filmes plásticos, embalagens de produtos de higiene, algumas garrafas plásticas, etc) - estas contém ftalatos e bisphenol-A e não devem der ingeridas ou mastigadas pelas crianças e adultos.



Tipo 4 - Polietileno de baixa densidade (sacolas plásticas) - sem ftalato
Tipo 5 - Polipropileno (sacolas plásticas, carpetes, material hospitalar) - OK, sem problemas
Tipo 6 - Poliestireno (isopor) - seguro...
Tipo 7 - "Todos os demais" - este pode conter de tudo, incluindo ftalatos e bisfenol-A

Minha opinião
Sem neurose. Ftalatos existem há 70 anos e usamos no dia a dia, não tem como fugir. Comissões científicas e grupos de estudo, sérios, nos Estados Unidos e Europa, vem estudando os efeitos do ftalato (e ou outros: bisfenol-A, PET, PVC, poliestireno, polipropileno) e ainda não se chegou a uma conclusão em proibi-lo.
Claro que os bons produtos, confiáveis, contém níveis aceitáveis e dentro da legislação para estas substâncias químicas - e cuidado ao comprar produtos de certificação e origem duvidosa, principalmente os que vão à boca das crianças... Recomendo sempre que os alimentos não sejam cobertos com papel filme, nem em recipientes de plástico, para serem aquecidos no microondas.
O resto, acho um exagero.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Termômetro de mercúrio - Postado por Jairo Len

Já escrevi sobre termômetros em uma outra postagem ("Termômetros"), falando sobre os diferentes tipos e minhas preferências. Comentei que o mais exato de todos é o de mercúrio, não obstante os eternos quatro minutos que tem que ficar na axila... Além de exato, ele é disponível. Está sempre lá, meio perdido no armário, mas pronto para o uso. Não precisa pilha ou bateria, não enferruja se molhar, e 99% das pessoas sabem usar.
E não é que a Anvisa pretende proibir sua venda no país? Pressionada por ONGs do meio ambiente, que afirmam que o mercúrio metálico é um atentado à natureza, a Anvisa recebeu e avalia uma petição destas entidades para banir o termômetro de mercúrio.
Não afirmo que ele seja seguro - porque aquelas bolinhas de mercúrio que todos nós brincamos na infância são realmente tóxicas se ingeridas. Assim como é um risco ingerir água sanitária, pilhas e baterias de relógio (extremamente tóxico), remédios de adultos, etc...
O que você faz se caquinhos de vidro de um copo quebrado estão no chão? Pega um por um, aspira, passa pano...mas não deixa seus filhos brincarem com os pedacinhos, não é? Basta fazer o mesmo se o termômetro se partir...
A venda de termômetros de mercúrio é liberada nos estados Unidos e Europa. Basta que a qualidade do produto seja boa e que existam explicações e restrições ao seu uso, como, por exemplo:
- que deve ser mantido longe do alcance das crianças, como qualquer produto perigoso,
- em caso de quebrar, as bolinhas devem ser resgatadas e jogadas fora como uma bateria de celular, em local apropriado,
- que o mercúrio metálico é tóxico quando ingerido,
- que nenhum termômetro é um brinquedo.

Minha recomendação? Sem correria, mas...os termômetros de mercúrio são baratinhos, custam até R$ 10... Compre alguns...Mantenha eles sempre longe dos seus filhos e em caso de quebra, tome cuidado.
Tenho certeza que eles são úteis uma hora dessas.
Assim não pode, tá?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Stress infantil - Postado por Jairo Len

O bullying é um assunto que sempre está na cabeça dos pais, sempre preocupados que seus filhos sejam vítima deste tipo de agressão.
E as crianças? O que pensam a respeito?
A pesquisadora Ana Maria Rossi, que faz parte do International Stress Management Association (ISMA), descobriu que o bullying não é a principal causa de stress infantil. Em um estudo com crianças de sete a doze anos (220 crianças do RS e SP) a conclusão é outra: as críticas e desaprovações dos próprios pais citadas por 63% das crianças consultadas – incomodam mais que bullying. O excesso de tarefas e de rotina é citado por 56% e o bullying aparece em terceiro lugar, com 41%.

Esse stress leva, como já é sabido, a dores de cabeça, barriga e pouco ânimo para sair de casa. Muitas destas crianças procuram se esquivar da rotina, no que é chamado pelos psicólogos de "benefício secundário". Dores que podem fazer a criança fugir um pouco da rotina, das broncas em casa e hostilidade dos colegas na escola.

Na Clínica eu me deparo com situações cotidianas que sem dúvida levam as crianças ao stress. Crianças que não gostam muito de esportes são "obrigadas" a uma rotina extenuante de clube, natação, tênis, judô, atividades circences, ballet. Fora a escola em período semi-integral, inglês extra, kumon, mandarim (!!), catecismo. Alguns também fazem fonoaudióloga e psicóloga (esta para rebater as pressões todas...). Bebês de seis meses  já fazem natação, iniciação musical e artes plásticas.

É claro que, se a criança gosta de tantas atividades e não está com uma "fadiga crônica infantil", tudo bem. Mas temos que lembrar que as crianças precisam brincar. Atividades livres, tempo livre em casa ou com os amigos, para inventar o que quiser (sem professores e monitores). Muitos pesquisadores afirmam que para as crianças o brincar pode ter o efeito de uma terapia. A ludoterapia é o maior exemplo disso. Não tenho dúvidas que as crianças fazem uma "auto-ludoterapia" diariamente...desde que deixemos elas bricarem.

sábado, 9 de outubro de 2010

KPC - a superbactéria - Postado por Jairo Len

Em primeiro lugar: nada de alarmismo...
Não estamos diante de uma nova gripe suína, ebola ou antraz.
A imprensa (por falta de assunto médico) tem falado bastante a respeito de um surto da superbactéria KPC - esta bactéria que já matou 18 pacientes no Distrito Federal (não se anime, não eram políticos...).
A KPC é a Klebsiella pneumoniae Carbapenemase, uma evolução da bactéria Klebsiella pneumoniae que produz uma enzima que a torna resistente a quase todos os antibióticos. Restam poucas opções para combatê-la, como a Tygeciclin e a Colistin, antibióticos de altíssimo custo e efeitos adversos importantes.
É uma assunto médico de primeira ordem, que já vem sendo tratado nas comissões de infecção hospitalar pelo mundo há alguns anos com extrema seriedade.
Porém, como todas as "superbactérias", a KPC é uma bactéria intrahospitalar e acomete exclusivamente pacientes crônicos internados em UTIs por tempo prolongado, em uso de múltiplos antibióticos de largo espectro.
 
Pessoas saudáveis e que não estão internadas não tem risco de adquirir esta bactéria. Nem médicos ou enfermeiros que lidam com os pacientes em estado grave, nem familiares dos doentes. Não se carrega a bactéria para fora do hospital, porque ela precisa de um ambiente especial para se desenvolver (o paciente internado).
O melhor modo de evitar a contaminação entre um paciente e outro é lavar muito bem as mãos, antes de entrar nas UTIs, antes de encostar no doente, e ao sair do quarto da UTI, ao sair dos quartos hospitalares comuns. Quem passa a bactéria de doente para doente são as pessoas sadias (médicos, enfermeiros e afins, familiares).

A informação da existência da KPC é, como todas as informações, importante para todas as pessoas que querem se manter atualizadas no que se passa ao nosso redor. Mas o alarmismo que tem sido feito não leva a absolutamente nada.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Regiões ricas do país registram mais recém-nascidos de baixo peso - Postado por Jairo Len

É manchete em alguns dos mais importantes jornais do país: "Regiões ricas do país registram mais bebês de baixo peso". Recém nascido de baixo peso é aquele que nasce com menos de 2.500 g, independente do tempo de gravidez. Um prematuro de 32 semanas sempre terá baixo peso (nascem com cerca de 1.700g). Gemelares, em geral, nascem com menos de 2.500 g.
A pesquisa, que avaliou números do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos entre 1995 e 2007, pode gerar um monte de interpretações, como o fato que nas regiões mais ricas é que se fazem mais tratamento de fertilização in vitro (gerando gemelares e trigemelares), que nestas regiões a atenção pré-natal é melhor e por isso detectam-se doenças maternas e fetais que indiquem interrupções na gravidez de forma mais precoce (fetos que morreriam na barriga das mães...), etc.
Mas outro fator foi detectado - e isto eu sempre reitero muito nas consultas pré-natal lá na Clínica: CESÁREAS programadas antes do tempo certo. A pesquisa constatou que as taxas de baixo peso sobem quando o índice de cesáreas passa de 35% - em muitos lugares, ele bate nos 90%.
Basta perguntar para as dez mães ao seu redor e descobrir a porcentagem de cesáreas.
Dos recém nascidos que eu atendo na Clínica Len de Pediatria, cerca de 80% nasceram de parto cesárea, muitos deles de forma eletiva (cesárea marcada). É claro que existem inúmeros motivos para se fazer um parto cirúrgico, marcado inclusive, mas o ideal seria fazer a cesárea (se for obrigatória) assim que a criança mostrar que quer nascer, que já está na hora, que começar o trabalho de parto. Ou após as 39 semanas de gestação.
Há obstetras em São Paulo com índices de 90% de partos normais - com clínicas muito grandes e mães de excelente nível sócio-econômico.
Qual será o segredo?

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Surto de catapora? - Postado por Jairo Len

A catapora (ou varicela) é uma doença viral que todos conhecem. Dispensa descrições...
Tenho recebido e-mails sobre um "surto" de catapora que está acontecendo em São Paulo (Capital). Na verdade, não é um surto. A catapora é uma doença endêmica, que todos os anos tem um pico de incidência na primavera. Surto ou epidemia é quando esta incidência passa do habitual. Isso (ainda) não aconteceu aqui na cidade de São Paulo. No interior, já.
De qualquer forma, vamos ao que eu acho importante: catapora tem vacina segura e eficaz que ainda não é feita pelo governo. Quem quiser, paga e aplica nos seus filhos na rede particular. Como a maioria das crianças não é vacinada, a doença está aí.
Quem recebeu a vacina (aplicada com 1 ano de idade e reforço aos 5 anos) pode ter a doença, mas de uma forma bastante atenuada. Em números:
Trinta por cento das crianças vacinadas podem ter esta forma atenuada. Os outros 70% vacinados não terão a catapora.
Para se ter uma ideia, a criança não vacinada tem, se pegar catapora, 400 a 500 lesões pelo corpo todo.
Os vacinados que tiverem contato podem ter a catapora atenuada, com 10 a 30 lesões.
Nos vacinados não há risco de complicações importantes, como a pneumonia e a encefalite.
As crianças não vacinadas que tiverem contato com um doente com catapora podem receber a vacina em 48 horas com grandes  chances de se proteger contra a doença.
A partir dos 5 anos é necessária uma nova dose da vacina, porque os anticorpos começam a diminuir. Mas se uma criança vacinada teve contato com um doente de catapora, vai adquirir imunidade por toda a vida, tendo ou não a forma atenuada da doença.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Bullying no RJ - um bom exemplo - Postado por Jairo Len

A meu ver, o Bullying é um problema muito sério e deve ser fortemente combatido. Na maioria das vezes, culpa da omissão das escolas associada ao erro dos pais em não educar seus filhos (como se dizia antigamente, mal educados). A criança, efetora do Bullying, é só uma parte do problema.
No Rio de Janeiro, uma lei estadual recém sancionada obriga diretores de escolas públicas e particulares a notificar a polícia e o Conselho Tutetar em casos de bullying. Se não cumprir a lei, multa de 3 a 20 salários mínimos. Esta pena está prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente sempre que existe omissão aos maus tratos.
O texto abrange violência física e psicológica.
Na minha opinião, o grande avanço é fazer com que as escolas parem de fingir que não veem o que ocorre em baixo do seu nariz. Educação vem de casa e é complementada de forma importante pelas escolas, principalmente no que diz respeito à vida em grupo.
Aos pais, cabe ter um mínimo de sensibilidade e conversar diariamente com seus filhos, perguntar como foi o dia na escola - e perceber, olhando para o filho (e não para o Blackberry) se ele não mudou de semblante e se não desviou o olhar quando você faz a pergunta mais básica do planetas: "-Tudo bem com você?".
Poucas crianças conseguem esconder seus sentimentos. Se há algo de errado, conversar com a diretora da escola.
E as escolas, notificadas pelos pais, vão ter que começar a se mexer.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Tintura de cabelo - Postado por Jairo Len

Para mães amamentando ou mesmo nas meninas adolescentes uma dúvida muito comum é "quando podem" tingir os cabelos (além de outros tratamentos capilares, como hidratação, alisamento, etc...).
As tinturas, em geral, contém amônia, que é um irritante capilar, o vapor da amônia também é forte (quando inspirado) e, dependendo a concentração, pode passar para o leite materno.
Tintura e reflexo não costumo contraindicar, mas sempre peço cautela e uso de bons produtos. Os alisamentos químicos, com formol, são proibidos na amamentação.
Novidade
A L'Oreal acaba de lançar no Brasil uma linha de tinturas permanentes livre de amônia, chamada de Inoa (Innovation No Amonia, inovação sem amônia). Na fórmula nova, o que substitui a amônia é um mix de óleos minerais e monoetanolamina, substância já usada em tonalisantes, mas em menor concentração...
Deve ser mais cara, provavelmente - e já há empresas da concorrência dizendo que o produto é ineficaz...
De qualquer forma, liberada na amamentação e adolescentes.
Para as grávidas, é bom perguntar para o obstetra.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

TDA/H - Um balaio de gato - Postado por Jairo Len

O diagnóstico dos Transtornos e Déficit de Atenção/Hiperatividade é um daqueles assuntos que eu acho que nunca terá uma conclusão, uma concordância ou unanimidade.
Pior do que isso: mais eu me aprofundo, mais eu me confundo...
Existem inúmeras classificações e subtipos, inclusive - mostrando que o diagnóstico é complexo, não basta seguir aqueles critérios simplórios aonde todas as crianças (mais ainda, os meninos) teriam TDA/H... Se você não conhece estes critérios, aí vai uma amostra:
1. Não consegue prestar muita atenção a detalhes ou comete erros por descuido nos trabalhos da escola ou tarefas,
2. Parece não estar ouvindo quando se fala diretamente com ele,
3. Perde coisas necessárias para atividades (p. ex: brinquedos, deveres da escola, lápis ou livros),
4. Distrai-se com estímulos externos,
5. Mexe com as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira,
6. Corre de um lado para outro ou sobe demais nas coisas em situações em que isto é inapropriado,
7. Fala em excesso,
8. Tem dificuldade de esperar sua vez...
E assim por diante? O que? Seus filhos são hiperativos???

Então... O diagnóstico é muito importante e nunca deve ser banalizado porque o tratamento é realizado através de remédios com ação direta no sistema nervoso central (como a metilfenidato, cujo nome comercial é Ritalina).

Alguns pontos que eu julgo muito importantes:
As crianças, para serem diagnosticadas de TDA/H, devem ter entre 6 e 12 anos de idade. E, principalmente, devemos observar se há:
- Prejuízo claro no aprendizado escolar
- Baixo rendimento escolar
- Distúrbios comportamentais importante na vida social, familiar, no dia-a-dia, na relação entre a crianças e seus "amiguinhos"
- Baixa auto-estima também é um dado que deve ser considerado.

Crianças que não param quietas, são impossíveis, indisciplinadas, tem o "bicho carpinteiro" provavelmente não mereçam medicação - e isso é muito importante.
Existe um uso excessivo de medicação no mundo inteiro. Quando há uma boa indicação, o remédio é eficaz e trará uma nova qualidade de vida para a criança e a família. O que ocorre é que "todos nós" ficaríamos mais certinhos com o uso da Ritalina, e seu uso vem sendo banalizado.

A avaliação e indicação do uso de remédios devem ser feitos por um ou dois neurologistas, psicóloga e psicopedagoga competente e desvinculada da escola aonde a criança estuda. Mas a suspeita deve sempre vir da escola, avaliando o baixo desempenho e os outros problemas que o TDA/H pode trazer.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

"Álcool Gel não ajudou muito" - Postado por Jairo Len

Uma notícia me chamou atenção - peço a sua atenção para nunca duvidar da eficácia do álcool gel:
"Desinfetar mãos com álcool gel foi pouco eficiente contra nova gripe - 12 de 100 que limparam mãos com produto foram contaminados pelo H1N1. Em grupo que não usou desinfetante, 15 de cada 100 contraíram o vírus."
Um estudo norte americano mostrou que o álcool gel (intensamente usado e divulgado no ano passado) não foi muito eficaz na proteção contra o H1N1...
Isso mostra, única e exclusivamente, que para se evitar doenças importantes que se espalham por secreções do trato respiratório superior (espirros, tosse...) não basta neurotizar e ficar passando álcool gel o tempo todo.
Então, o que previne? É muito mais importante ficar em repouso, longe dos outros, quando está doente... Crianças com febre passam doenças para os outros, independente do álcool gel. Piscinas de natação em academias são excelentes meios de cultura para vírus e bactérias - então quem tem coriza amarela, escarlatina em tratamento, monilíase oral...não deve nadar nestas piscinas...
Consideramos uma criança como "não-contaminante" quando está a pelo menos 24 horas sem nenhuma febre, nem uso de antitérmicos - e em determinadas doenças, mais do que isso. Quando estiver plenamente recuperada, pode voltar ao convívio das outras crianças.

Um estudo realizado na UTI-Adulto do Hospital Israelita Albert Einstein comparou o índice de infecções hospitalares em dois grupos de profissionais de saúde que tem contato intensivo com os pacientes: higienização das mãos álcool gel X lavagem com água e sabão.
Resultados: nas alas aonde houve uso só de álcool gel, os índices de infecção (habitualmente baixos) caíram mais ainda. Comprovaram que o método de higienização é extremamente eficaz.

Neste caso, nem um balde de álcool gel poderia amenizar...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Suplementos Contaminados - Postado por Jairo Len

Com frequência recebo e-mails e telefonemas de mães e pais preocupados porque seu filho adolescente (14 a 16 anos, mas precisamente) está fazendo academia e o professor (???) recomendou algum tipo de suplemento vitamínico ou alimentar...
Dar ou não dar, eis a questão.
Em geral recomendo não dar. Os suplementos só são indicados para as pessoas que fazem treinamento físico extenuante, profissional (os chamados "atletas de alta performance"). Não para os simples mortais que querem um pouco mais de resistência física ou um pouco de músculos. E esta indicação, para os atletas profissionais, deve ser feita por nutricionistas experts no assunto.

Mais um agravante
Uma estimativa apresentada no 29º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia mostra que 20% destes produtos contém substâncias proibidas, escondidas e misturadas na sua composição. Como hormônios anabolizantes, sibutramina, esteróides, estimulantes e diuréticos... O índice é mundial, não exclusivo do Brasil.
O que ocorre é que suplementos alimentares são isentos de obrigatoriedade de registro sanitário na Anvisa. O órgão classifica os produtos como alimento, e não medicamento. Não há controle.
Não tente comprar balinha Valda ou barra de fibras na farmácia, porque a Anvisa proíbe. Mas pode comprar suplementos alimentares turbinados com testosterona que a Anvisa não liga, não...

O ideal, portanto, é que estes suplementos não sejam usados pelos adolescentes. Em caso de indicação, procurar sempre produtos de laboratórios mais confiáveis (exemplo: a Nutrilatina) e sempre orientado por nutricionistas.
Salve-se quem puder.
Muito cuidado: O que será que tinha no suplemento?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dietas Erradas - Postado por Jairo Len

Vale para pais e filhos. Quem nunca viu alguém próximo (ou você?)  fazendo dietas milagrosas, como não ingerir carboidratos, só proteínas e gorduras, sopas, etc...?
Devemos tomar cuidado. Pessoalmente já vi casos de esteatose hepática e aumento gigante do colesterol por conta de dietas alternativas.
A esteatose hepática é uma doença de acúmulo de gordura no fígado - muitas vezes irreversível.
Um estudo da Disciplina de Endocrinologia e Nutrição da Universidade de Washington mostrou que a ingestão de fast food (não é dieta, mas é um bom exemplo de alimentação errada) tem relação direta com a esteatose hepática. Na verdade, foi avaliada uma dieta hipercalórica com a alta ingestão de gordura saturada e açúcar, concluindo que esta é uma das principais causas de esteatose não alcoólica, doença em que o fígado fica com até 80% de gordura.
Este tipo de alimentação é a de quem come fast food uma ou duas vezes ao dia (adolescentes no cursinho e pós-adolescentes na faculdade, por exemplo). E desbalanceada como a dieta de muitos adultos.

Apesar de assuntos opostos (dietas de isenção de carboidratos e fast food), o post é para mostrar que nosso organismo está preparado sempre para uma dieta equilibrada, com carboidratos, proteínas, pouca de gordura. Bom senso, em outras palavras.
Propaganda sutil sobre esteatose...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Aonde vamos chegar? - Postado por Jairo Len

Uma notícia que eu li hoje, na Folha.com, me chamou atenção: "a procura por implantes de silicone nas panturrilhas cresceu. No país vice-campeão de cirurgias plásticas (atrás apenas dos EUA), próteses de batatas da perna ocupam o quarto lugar nas preferências delas e deles". No ano passado, mais de 2 mil próteses de panturrilha foram colocadas. E não são pessoas com atrofias, doenças ou problemas de saúde. Na maioria são jovens, cerca de 20 a 30 anos de idade.
Sou grande defensor do livre-arbítrio, mesmo físico - ao mesmo tempo que isso me dá direito de achar ridículo o uso de alargadores, tatuagens exageradas e em áreas como rosto, olhos e pescoço, piercings fora dos lugares habituais e demais cicatrizes indeléveis que alguém possa se fazer. Mas cada um sabe de si e tem direito de fazer o que quiser.
Me espanta é que mais de duas mil vezes no ano passado cirurgiões plásticos (médicos, com 4 anos de residência médica e muitos deles com título de especialista) convenceram pacientes ou foram convencidos a fazer este tipo de procedimento (colocar 180 ml de silicone na panturrilha de alguém bonito e saudável). Fora outros exageros que todos sabemos que existem.
Na Clínica, com certa frequência mães e pais vem conversar comigo sobre sua filha, adolescente (15 anos, na média), quer fazer alguns retoques estéticos (como lipoaspiração, próteses mamárias e até mini-abdome). Só por fins estéticos, sem qualquer indicação por motivos de saúde.
Tenho certeza que esta menina será eternamente descontente com seu corpo.
Diversas vezes ao ano também vemos reportagens sobre mulheres jovens (na sua maioria) que morreram durante um procedimento estético mal feito. Não há mínimo controle governamental sobre as clínicas (vulgo, no meio médico, "bocas-de-porco") que fazem procedimentos estéticos invasivos. Nem sobre os médicos que nelas atuam.
Aproveito para finalizar com um trecho de um texto da Rosely Sayão, sobre o exagerado culto à beleza:

"Quem ganha com essa idéia de vida? O mercado, claro, que vende de tudo para dissimular os sinais da degradação do corpo: cosméticos de todos os tipos, técnicas de dermatologia, nutrição especializada, cirurgias plásticas, pílulas dos mais variados tipos etc. O conceito de saúde na velhice passou a ser associado à idéia de juventude. E o mais cruel: compramos também a idéia de que só envelhece quem quer, ou seja, só fica velho quem não investe pesadamente nesse aparato todo para aparentar jovialidade. Quem não se compromete com esse estilo está condenado ao ostracismo. Assim, a responsabilidade -melhor dizendo, a culpa- pelo envelhecimento, pela decadência física inevitável, pelos sinais do tempo é pessoal. Que ilusão!
Enquanto vivemos com essa ilusão, construímos uma sociedade que não aceita o velho, que não se modifica para reconhecer essa fase da vida. Nosso espaço público não acolhe os velhos; ao contrário, os exclui. No Brasil, não temos ainda o hábito de confiná-los em asilos. Aqui, eles têm sido confinados em suas próprias casas. E tem sido esse o conceito de velhice que temos transmitido às crianças e aos jovens. Não será bom parar para pensar no que isso pode dar?"

Não ficou e-s-p-e-t-a-c-u-l-a-r??

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Transporte de crianças - Postado por Jairo Len

A lei oportuna e fundamental que obriga o transporte de crianças em assentos e cadeirinhas apropriadas entre em vigor amanhã, finalmente. Já postei sobre esta lei há algum tempo, mas tenho recebido e-mails e telefonemas sobre o assunto. Compilo as dúvidas e faço mais um resumo:

Para quem vale?
Para todos os veículos, exceto táxis, vans, transporte coletivo, transporte escolar, carros alugados e demais veículos com mais de 3,5 toneladas.

Como deve ser o transporte em cada faixa etária?
- Até 1 ano - bebê conforto ou cadeirinha, no banco de trás, voltado para trás.
- De 1 a 4 anos (9 a 18 kg) - cadeirinha, banco de trás, voltado para frente.
- De 4 a 7 anos e meio - assento de elevação (ou booster), no banco de trás.
- De 7 anos e meio a 10 anos (mínimo de 1,45 m de altura) - banco de trás, cinto de 3 pontos do veículo.

Como  fazer com cadeirinhas compradas no exterior que não tem o selo do Inmetro?
- Não há problemas, desde que tenham as certificações dos seus países de origem. As lojas são proibidas de vender cadeiras sem selo do Inmetro.

Posso amamentar ou dar mamadeira retirando o bebê do assento?
- Não...se fizer isso, multa de R$ 191,54 e sete pontos na carteira. Não há exceções.

Qual é o melhor lugar para a cadeirinha? No centro do banco ou perto das janelas?
Havendo cinto de 3 pontos, no meio. Dá mais trabalho para colocar e retirar a criança, oferece mais segurança em caso de batidas laterais. A lei não fala nada sobre isto - de acordo com a legislação, tanto faz.

E transporte de crianças em motocicletas?
Só a partir dos sete anos e meio. Proibido antes disso.

E se o carro só tem cintos de 2 pontos (a lei obriga a fixação em cintos de 3 pontos)?
Multa...Hora de trocar de carro, também...

Como será a fiscalização?
Não tenho idéia...Acho que os "agentes de lei" não vão pedir certidão de nascimento nem fazer antropometria das crianças... Mas sabemos que, no início, eles estarão ávidos para multar...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Molusco contagioso - Postado por Jairo Len

Quero falar hoje de uma doença de pele muito comum, mas que só conhece quem já teve um filho acometido: o Molusco contagioso ou Molusco infeccioso.
Semanalmente tenho casos lá na Clínica e de vez em quando as escolas mandam uma cartinha dizendo que na classe do seu filho houve um caso de Molusco.
O Molusco, na verdade, é uma pequena verruga viral causada pelo poxvírus. Acomete crianças de qualquer idade, sendo rara antes de um anos e mais comum entre dois e quatro anos. O contágio se dá por contato direto ou indireto (toalhas, roupas, mãos de cuidadores...) e a incubação é bem demorada, com as primeiras lesões aparecendo após um ou dois meses do contágio.
O interessante é que há uma predisposição individual a ter ou não ter Molusco - a maioria das crianças que tem contato não adquire as lesões. Só algumas, sempre as mesmas...
As lesões são muito pequenas, 2 a 6 mm de diâmetro cada uma, brancas ou “perolizadas”, com uma umbilicação central. Em geral não coçam, mas há crianças que relatam prurido. Aparecem com frequência na face, tronco e axilas. Multiplicam-se na mesma região do corpo, podendo chegar a dezenas de lesões.
A melhor forma de curar é com a retirada mecânica das lesões (o dermatologista é quem faz), usando um creme anestésico antes. Duas ou três sessões podem ser necessárias, com intervalos bimestrais.
Existem algumas pomadas que podem ser usadas (como o Aldara), há que use o Verrux ou Duofilm, e já me contaram até simpatias para resolver o problema. Baseado em evidências, recomendo mesmo a retirada de cada lesão.
Se você receber a cartinha da escola, não há nada para ser feito como forma de prevenção - só ficar de olho nas micro-lesões, como estas: